quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Atletas mulheres recebem prêmios menores que os homens. Mas isso está mudando

Prova de atletismo de 60 metros com barreiras realizada em campeonato mundial nos EUA em 2016


A desigualdade na remuneração de mulheres e homens que desempenham a mesma função não atinge só o mercado de trabalho convencional. Ela também se expressa nos salários pagos a atletas mulheres e nas premiações em dinheiro das competições esportivas: e, como no mercado de trabalho, as mulheres recebem menos.

Um estudo da “BBC Sport”, encomendado pela “Women’s Sports Week” (iniciativa da ONG “Women in Sport”) e divulgado no dia 19 de junho mostra que 83% dos esportes recompensam homens e mulheres igualmente hoje. Dos 44 esportes que pagam prêmios em dinheiro atualmente, 35 pagam prêmios iguais para homens e mulheres da mesma categoria.

O foco da pesquisa de 2017 foram prêmios em dinheiro em campeonatos mundiais e eventos do mesmo patamar de importância, o que não inclui salários, bônus ou patrocínios.

O estudo global contatou 68 órgãos de comando de modalidades esportivas, dos quais 55 responderam. A pesquisa foi conduzida pela primeira vez pelo site da emissora britânica em 2014 — na ocasião, o resultado foi que 30% dos esportes premiavam homens com remuneração maior do que a de mulheres.

A remuneração desigual passa pelo desinteresse das marcas, do público e das emissoras de TV, que priorizam a transmissão de partidas masculinas, gerando um aporte menor de recursos. O impacto dos patrocínios no volume dos prêmios é um fator destacado pela golfista sueca Annika Sörenstam, segundo a “BBC”: por terem mais espaço na televisão, modalidades masculinas atraem mais patrocínio.


Desigualdades persistem

O tênis foi o primeiro esporte a pagar prêmios equivalentes para homens e mulheres, em 1973. O torneio que deu início à equiparação foi o americano US Open, pressionado pela campanha feita pela tenista Billie Jean King e outras oito tenistas mulheres.

Ainda assim, Wimbledon, torneio mundial de tênis realizado no Reino Unido que também está entre os mais importantes do mundo, só fez o mesmo em 2007.

Dos anos 1970 para 2004, de acordo com a BBC, atletismo, vôlei, skate e outras modalidades também igualaram seus prêmios para homens e mulheres. E, de 2004 a 2017, mais 12 esportes fizeram o mesmo, incluindo o surf, o squash e todos os campeonatos mundiais de ciclismo.

Mas, apesar dos avanços, críquete, golfe e futebol são citados entre aqueles que, mesmo tendo aumentado substancialmente as recompensas em dinheiro para as modalidades femininas nos últimos três anos, apresentam as maiores disparidades.

No golfe, mesmo estando entre as atletas com os maiores ganhos nos esportes de elite, elas ainda recebem menos do que a metade do prêmio em dinheiro em relação aos colegas homens.

Já no futebol, as diferenças também são muito significativas: não há prêmio em dinheiro para a Women’s Super League (FAWSL, na sigla em inglês), liga mais alta de futebol feminino na Inglaterra.

Em contrapartida, a Premier League, equivalente à FAWSL no futebol masculino inglês, concedeu ao Chelsea, vencedor do campeonato neste ano, 38 milhões de libras, algo em torno de R$ 160 milhões. 

O futebol feminino brasileiro enfrenta, igualmente, baixos salários pagos às atletas, desinteresse das marcas em investir e de emissoras de TV em transmitirem os jogos. E, além da disparidade salarial entre jogadores homens e mulheres, os valores das premiações dificultam o crescimento da modalidade, segundo uma reportagem publicada pelo Nexo em maio.

O campeão do Brasileirão feminino de 2017 receberá, de acordo com a CBF, R$ 120 mil. Para se ter uma ideia, o 16º colocado do Brasileirão masculino do ano de 2016 recebeu quase seis vezes mais, cerca de R$ 700 mil. O Palmeiras, então campeão, recebeu R$ 17 milhões - no total, 141 vezes mais que a premiação feminina.

Até 2016 não havia premiação para o Brasileirão feminino: o campeonato de 2017 é o primeiro a conceder prêmios.


Fonte: Jornal Nexo

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