quinta-feira, 23 de março de 2017

CEAM promove o Seminário sobre Políticas e Planejamento Estragégico do CEAM para o biênio 2017/2018


O Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares da Universidade de Brasília (CEAM/UnB) irá promover nos dias 30 e 31 de março um seminário sobre políticas e planejamento estratégico. A ideia das atividades é "refundar" o CEAM, conforme disse a diretora do Centro, Maria Lúcia Leal. Confira!



Fonte: Portal do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares da Universidade de Brasília (CEAM/UnB) / Canal do Youtube Informe UnB

Câmara aprova terceirização para todas as atividades. Entenda o que muda

Foto: Z. Ribeiro (Câmara dos Deputados)
Deputados de oposição protestam contra projeto


A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira, lei que libera o trabalho terceirizado em todas as atividades das empresas e várias atividades do Estado. Por 231 votos a favor, 188 contra e oito abstenções, a base aliada do Governo Michel Temer conseguiu ressuscitar o texto, proposto há 19 anos pelo Governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e já aprovado no Senado. A nova lei deve seguir para sanção do presidente Michel Temer. Centrais sindicais e deputados da oposição criticaram a medida, dizendo que ela fragiliza e precariza as relações de trabalho e achata os salários, dando mais poder aos empresários em detrimento do funcionário. Antes do projeto, a Justiça do Trabalho só permitia a terceirização em atividades secundárias – conhecidas como atividades-meio, que não são o principal negócio de uma companhia.

O Planalto, que tenta emplacar uma agenda de reformas sociais, trabalhistas e previdenciárias com o objetivo declarado de atrair investimentos e tentar equilibrar as contas públicas, a aprovação da lei de terceirização foi uma vitória. O placar foi folgado, mas abaixo da maior conquista parlamentar da base de Temer, em dezembro de 2016, quando foi a aprovada a emenda à Constituição dos gastos públicos, que limita as despesas dos Governos em até 20 anos e precisa de no mínimo do voto de 308 deputados. Czar das reformas, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, defendeu a aprovação do projeto, que, segundo ele, “ajuda muito porque facilita a contratação de mão de obra temporária, e facilita a expansão do emprego”. Meirelles se encarregou de discutir pessoalmente com as bancadas da Câmara e do Senado a importância das medidas.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também se empenhou na aprovação do texto, e chegou a dizer, dias antes, que a Justiça do Trabalho “não deveria nem existir”, e que os magistrados dessa área tomam decisões “irresponsáveis”. A escolha pelo texto de 1998 fez parte de uma estratégia de acelerar o processo e dar opções ao Planalto. Os aliados de Temer resolveram não esperar pela tramitação no Senado de um projeto similar aprovado em 2015 pelos deputados. Seja como for, não se descarta que o senadores venham a analisar a proposta pendente, considerada mais branda do que a aprovada nesta quarta em alguns aspectos.

Entenda os pontos básicos:


Como é a legislação atual

Como não há uma lei específica para a terceirização, o tema vem sendo regulado pelo Tribunal Superior do Trabalho, através da súmula 331, de 2003. Segundo o dispositivo, a terceirização é possível apenas se não se tratar de uma atividade-fim, o objetivo principal da empresa, por exemplo: o ato de fabricar carros é a atividade-fim de uma montadora. Pela regra atual, só atividades-meio, como limpeza, manutenção e vigilância na montadora do exemplo, seriam passíveis de terceirização.


O que muda

A principal mudança se refere à permissão das empresas para terceirizar quaisquer atividades, não apenas atividades acessórias da empresa. Isso significa que uma escola que antes poderia contratar só serviços terceirizados de limpeza, alimentação e contabilidade agora poderá também contratar professores terceirizados.


Empregos temporários

O projeto também regulamenta aspectos do trabalho temporário, aumentando de três para seis meses o tempo máximo de sua duração, com possibilidade de extensão por mais 90 dias. Ou seja: até nove meses de trabalho temporário. Os temporários terão mesmo serviço de saúde e auxílio alimentação dos funcionários regulares, além da mesma jornada e salário. O texto aprovado inclui a possibilidade de contratação de temporários para substituir grevistas, se a greve for declarada abusiva ou houver paralisação de serviços essenciais.


Direitos dos trabalhadores terceirizados

O projeto aprovado na Câmara em 2015 ressaltava que não havia vínculo de emprego entre as empresas contratantes e os trabalhadores terceirizados, mas exigia que 4% do valor do contrato fosse retido como garantia do cumprimento dos direitos trabalhistas e das exigências previdenciárias. O texto em aprovado na Câmara não prevê tais garantias.


Responsabilidade das empresas na terceirização de serviços

A proposta aprovada na Câmara em 2015 estabelecia que o trabalhador terceirizado poderia cobrar o pagamento de direitos trabalhistas tanto da empresa que terceiriza quanto da tomadora de serviços, a chamada responsabilidade solidária. Já o texto aprovado na Câmara prevê que o trabalhador terceirizado só pode cobrar o pagamento de direitos trabalhistas da empresa tomadora de serviço após se esgotarem os bens da empresa que terceiriza.


O que dizem os apoiadores ao projeto de terceirização

Na visão dos que apoiam o projeto, a existência de uma lei sobre o assunto é fundamental para garantir segurança jurídica dos trabalhadores e empregadores. Também acreditam que, com a especialização do serviço, a produtividade aumentará. Eles argumentam que a nova norma ajudará na criação de vagas. Nesta segunda-feira, o ministro da fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que a lei irá facilitar a contratação de trabalhadores. “Ajuda muito porque facilita a contratação de mão de obra temporária, facilita a expansão do emprego. Empresas resistem à possibilidade de aumentar o emprego devido a alguns aspectos de rigidez das leis trabalhistas”, disse em coletiva de imprensa. Para o relator, deputado Laercio Oliveira (SD-SE), além de incentivar contratações ao modernizar as regras trabalhistas o texto vai criar uma lei específica sobre terceirizações.


O que os críticos dizem

Grande parte dos sindicatos e movimentos sociais, os principais opositores, temem a precarização da relação trabalhista. Eles argumentam que a nova legislação incentivará as empresas a demitirem trabalhadores que estão sob o regime CLT para contratar terceirizados, com remuneração menor. Um levantamento realizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em 2015, mostrou que os terceirizados recebiam em média 30% a menos que os contratados diretos. A Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) considera a liberação da terceirização de todas as atividades inconstitucional. A entidade considera que o texto mais antigo é ainda pior que o debatido em 2015. "O PL de 2015, longe de ser o ideal, vem sofrendo algumas alterações e talvez já não atenda os interesses empresariais plenos de transferir renda do trabalho para o capital. O projeto de 98 é desatualizado não só do ponto de vista de seu conteúdo como de debate democrático", diz. Os críticos também dizem que o projeto não vai frear a guerra judicial sobre o assunto.


Fonte: Jornal El País (Espanha)

quarta-feira, 22 de março de 2017

Artigo - O que não te contaram sobre a Reforma da Previdência




Por: Marcelo L. Perrucci*

Muito já foi dito sobre a reforma da previdência. De um lado, defensores da reforma apontam o déficit da previdência como motivo determinante da reforma. Do outro, especialistas apontam que essa conta desconsidera as demais fontes de recursos do Orçamento de Seguridade Social, bem como as renúncias fiscais do governo. Sobre o tema, sugiro a leitura da cartilha elaborada pela AFFIP aqui, ou que assistam esse vídeo (esse texto também é bastante didático e esse).

O que me motivou a escrever esse artigo, contudo, foi um gráfico que consta na exposição de motivos da PEC 287/16 (Pág. 17). Para justificar a escolha cabalística do número 65 como idade para aposentadoria, Meirelles apresenta o seguinte gráfico elaborado com dados da OCDE (2012):


Figura 1. Fonte: Exposição de Motivos PEC 287/16. Dados da OCDE 2012.


Analisando o gráfico, vemos que, de fato, a grande maioria dos países da OCDE utilizam como idade mínima para aposentadoria a idade de 65 anos. (Não vou nem comentar que há dados incorretos no gráfico, como o fato de que, no Japão, a idade mínima para aposentadoria está subindo 4 meses por ano e só vai chegar em 65 no ano de 2025 — sim, daqui a nove anos — para saber mais sobre o tema, sugiro essa notícia ou esse levantamento.)

O que Meirelles deixa de fora da exposição de motivo são outras informações sobre esse outro grupo de países. Eu não vou nem entrar em diferenças socioeconômicas, distribuição de renda, custo de vida etc. Quando se fala de idade mínima de aposentadoria, a primeira coisa que me vem na cabeça é expectativa de vida. Ou seja, quantos anos, em média, as pessoas ficam aposentadas antes de morrer? Quantos anos, em média, um indivíduo poderá desfrutar de sua aposentadoria, depois de ter passado uma vida trabalhando e contribuindo para a previdência?

Para analisar isso, levantei os dados da Organização Mundial da Saúde/ONU sobre expectativa de vida nos países do gráfico acima que tem a idade mínima para aposentadoria de 65 anos. Vejamos então qual é a expectativa de vida em cada um desses países, comparando com dados do Brasil, Eslováquia e Turquia (onde as pessoas se aposentam com menos de 65 anos):


Figura 2. Fonte: OMS/ONU. Elaborado pelo Autor.


Vemos que a expectativa de vida média dos países que delimitaram em 65 anos o corte para a aposentadoria é de 81,2 anos, versus a expectativa de vida de 75 anos no Brasil. Ou seja, indivíduos desses países deverão viver 6,2 anos a mais do que um cidadão brasileiro. Será que ainda faz sentido igualar a idade de aposentadoria para a média deles?

Percebam que na Turquia, a expectativa de vida não chega aos 76 anos e na Eslováquia não chega aos 77. As idades mínimas de aposentadoria nesses países é de, respectivamente, 60 e 62 anos. Expectativas de vida menor, idade mínima para aposentadoria menor. Isso faz sentido, não faz? Aparentemente, não para o governo.

A situação fica mais complicada quando aplicamos o fator HALE (Health Adjusted Life Expectancy ou Expectativa de Vida Ajustada pela Saúde, em tradução livre). O fator HALE é uma conta complexa que abate proporcionalmente da expectativa de vida doenças ou limitações de saúde dos indivíduos.

Imaginemos um caso de um indivíduo que tenha Alzheimer aos 76 anos e passe os próximos 6 anos sendo gradativamente afetado pela doença. Apesar de o indivíduo ter sobrevivido até a idade de 82 anos, esses últimos anos de sua vida foram cada vez menos aproveitados, por conta da doença. Da mesma forma, alguns indivíduos perdem gradativamente a visão com a velhice. Apesar de importante, contudo, sem a visão é possível ter uma vida bastante agradável, caso o resto da saúde esteja OK. Dessa forma, o cálculo HALE atribui um peso maior a doenças mais debilitantes, enquanto que impedimentos menores influenciam menos na expectativa de vida.

De uma maneira resumida, podemos entender a tabela a seguir como a expectativa de vida com saúde por país. Os dados também são da OMS/ONU. A faixa vermelha representa a idade de aposentadoria sugerida pelo governo de 65 anos.


Figura 3. Fonte: OMS/ONU. Elaborado pelo Autor.


O que esse gráfico evidencia é um triste futuro que ou não foi considerado na hora da definição dessa idade mínima ou foi seletivamente ignorado.

Vemos que nos países escolhidos como modelo a expectativa de vida com saúde (HALE) é sempre maior do que a idade de aposentadoria. Na média, temos que nesses países um indivíduo ainda terá 6,5 anos com saúde para aproveitar sua aposentadoria antes de ser acometido por alguma doença ou impedimento. No Brasil, na média, um indivíduo teria 6 meses. Isso mesmo, 6 anos lá, 6 meses aqui.

Essa constatação é tão absurda que merece mais um gráfico para mostrar o tamanho do erro ao comparar o Brasil com esses países. Lembrando que para Turquia e Eslováquia, o corte de 65 anos no gráfico acima não ocorre, o corte ocorre em 60 e 62 anos. Com isso, temos a seguinte quantidade de anos com saúde após a aposentadoria, por país:


Figura 4. Fonte: OMS/ONU. Elaborado pelo Autor.


Esse gráfico mostra claramente que o Brasil com uma idade de aposentadoria de 60 anos está na média de uma sobrevida com saúde após a aposentadoria. Da mesma forma, a Turquia e a Eslováquia também parecem manter relação entre a expectativa de vida de suas populações e suas idades de aposentadoria. Reparem nos míseros seis meses do Brasil, caso aprovada a nova idade mínima de 65 anos, representados por um pontinho vermelho no gráfico.

Isso significa que a PEC 287/16 tem o potencial de transformar o Brasil no pior país, dentre os analisados, para se aposentar. Em outras palavras: muitos brasileiros sequer irão se aposentar, enquanto outros irão se aposentar nas beiras de problemas sérios de saúde que os deixarão incapacitados de ter uma vida plena até morrerem.

Ainda dá tempo, contudo, de impedir essa realidade. A PEC 287/16 está tramitando pelo Congresso Nacional. Para ser aprovada, deve obter votos favoráveis de três quintos dos senadores e deputados, com duas sessões em cada casa. Com alguma sorte, e muita pressão popular, talvez nossos congressistas deem ao assunto a importância que ele merece, analisando todas as facetas da questão antes de tomar uma decisão precipitada.


* Marcelo L. Perrucci é Auditor Federal de Finanças e Controle da Controladoria-Geral da União e Presidente do Conselho Fiscal da FUNPRESP (Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público Federal do Poder Executivo)


Fonte: Portal Trendr

Brasil despenca 19 posições em ranking de desigualdade social da ONU

Foto: Lalo de Almeida (Folhapress)
Desigualdade social cresce no Brasil, aponta a ONU


As desigualdades social e de gênero se acentuaram no Brasil. Esse é o diagnóstico revelado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), com dados de 2015, divulgado nesta terça-feira. O país ocupa o 79º lugar entre 188 nações no ranking de IDH, que leva em conta indicadores de educação, renda e saúde, mas despencou 19 posições na classificação correspondente à diferença entre ricos e pobres.

Enquanto a nota de 0,754 do Brasil se mantém estagnada, preservando-o em um patamar considerado alto pela ONU, o número cai para 0,561 no indicador social. Analisando somente esse fator, o país seria rebaixado para a escala de países com índice médio. O IDH varia entre 0 (valor mínimo) e 1 (valor máximo). Quanto mais próximo de 1, maior é o índice de desenvolvimento do país. Pela primeira vez desde 1990, quando o levantamento começou a ser publicado anualmente, o Brasil não elevou sua nota no ranking. A Noruega permanece na primeira colocação e encabeça a lista das nações com IDH muito alto, com 0,949, seguida por Austrália e Suíça, ambas com 0,939.

Ainda no cálculo ajustado pela desigualdade social, o Brasil, empatado com Coreia do Sul e Panamá, só não regrediu mais nesse quesito que Irã e Botsuana, que caíram 40 e 23 posições, respectivamente. Já o Coeficiente de Gini, que mede a concentração renda, aponta o país como o 10º mais desigual do mundo e o quarto da América Latina, à frente apenas de Haiti, Colômbia e Paraguai. Segundo o levantamento da ONU, o percentual de desigualdade de renda no Brasil (37%) é superior à média da América Latina, incluindo os países do Caribe (34,9%).

A desigualdade brasileira também cresce nas comparações de gênero. Embora as mulheres tenham maior expectativa de vida e mais escolaridade, elas ainda recebem bem menos que os homens no Brasil. A renda per capita da mulher é 66,2% inferior à de pessoas do sexo masculino. No índice de desigualdade de gênero, o país aparece na 92ª posição entre 159 países analisados, atrás de nações de maioria religiosa conservadora, a exemplo de Líbia (38ª), Malásia (59ª) e Líbano (83ª).

Também é baixa a representatividade da mulher no Congresso Nacional. O comparativo entre número de cadeiras em parlamentos indica que as mulheres brasileiras ocupam somente 10,8% dos assentos. O número é inferior à média mundial (22,5%) e até mesmo ao de países com IDH baixo, como a República Centro Africana, última colocada do ranking, que tem 12,5% de seu parlamento ocupado por representantes do sexo feminino.

Por meio de um comunicado, a Presidência da República avaliou que os dados divulgados pela ONU “ilustram a severidade da crise da qual apenas agora o país vai saindo”. De acordo com a nota, as reformas propostas pelo presidente Michel Temer devem se refletir em números melhores nas próximas edições do ranking.


Fonte: Jornal El País (Espanha)

Carne podre era 'maquiada' e vendida no Brasil e no exterior, diz PF


Alguns dos principais frigoríficos do país estão na mira da Operação Carne Fraca, que cumpriu hoje 309 mandados judiciais em seis estados e no Distrito Federal. A ação da Polícia Federal (PF), em conjunto com a Receita Federal e o Ministério Público Federal (MPF), investiga o envolvimento de fiscais do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), a partir de superintendências federais da Agricultura em vários estados, em um esquema criminoso que liberava licenças e fiscalização de frigoríficos de modo irregular.

Há indícios de que as empresas investigadas, que têm mais de 60% do mercado de carnes no país, tenham vendido até carne com prazo de validade vencido, maquiadas com ácido ascórbico para disfarçar o mau cheiro e embaladas com novo prazo de validade, de acordo com o delegado federal Maurício Moscardi Grillo. As vendas dos alimentos ocorriam tanto no Brasil quanto no exterior. A Justiça Federal do Paraná determinou o bloqueio de R$ 1 bilhão das investigadas.

Outras irregularidades também foram identificadas, como a utilização de quantidades de carne muito menor do que a necessária na produção dos produtos, complementados com outras substâncias; a utilização de carnes estragadas na composição de salsichas e linguiças – no caso desta até cabeças de porcos eram usadas na composição do produto; a 'maquiagem' de carnes estragadas com ácido ascórbico, substância considerada cancerígena; carnes sem rotulagem e sem refrigeração; lotes de frango moídos com papelão e há relatos de que até água era injetada na carne para que o peso aumentasse, além da falsificação de notas de compra de carne.

De acordo com a PF, a "Carne Fraca" é, em números, a maior apreensão do tipo já realizada pela corporação no país. A investigação, iniciada há quase dois anos, indica que empresas do setor como BRF Foods, proprietária das marcas Sadia e Perdigão, e JBS, dona da Friboi e da Seara, estão entre as envolvidas no crime. Executivos das duas empresas foram presos hoje. De acordo com a Receita Federal e a PF, além dos 309 mandados expedidos pelo Juízo Federal da 14ª Vara Federal de Curitiba, são cumpridos mais de 190 mandados de busca e apreensão em empresas e residências dos principais envolvidos.


Ministro citado 

O ministro da Justiça, Osmar Serraglio, é um dos citados na investigação da Carne Fraca. Em áudios interceptados pela PF, ele conversa com o suposto líder do esquema, chamando-o de "grande chefe". O ministro, no entanto, não é investigado. Em sua decisão, o juiz federal Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal de Curitiba, diz que o envolvimento do Ministério da Agricultura é "estarrecedor" e que o órgão "foi tomado de assalto - em ambos os sentidos da palavra - por um grupo de indivíduos que traem reiteramente a obrigação de efetivamente servir à coletividade."

O delegado federal Maurício Moscardi Grillo afirmou que parte do dinheiro arrecadado com as operações ilegais abastecia o PMDB e o PP. "Dentro da investigação ficava bem claro que uma parte do dinheiro da propina era, sim, revertido para partido político. Caracteristicamente, já foi falado ao longo da investigação dois partidos que ficavam claros: o PP e o PMDB", afirmou.


Afastados por não colaborar
O esquema seria liderado por servidores ocupantes de cargos de chefia e administração da Superintendência do Ministério da Agricultura no Paraná. Com a participação de outros funcionários a eles subordinados, estariam recebendo propinas pagas por executivos ou diretores de empresas. Segundo a investigação da PF, os fiscais agropecuários que se negavam a compactuar com a organização criminosa eram afastados do trabalho, substituídos ou até exonerados das funções, substituídos por outros que faziam o trabalho ilegal continuar. Além da corrupção cometida por esses agentes públicos e empresários, a operação inclui também crimes contra Saúde Pública.

A PF afirma que a investigação começou justamente porque um fiscal não aceitou ser removido quando descobriu fraudes em uma das empresas investigadas. No relato de uma das funcionárias consta que uma das empresas também comprava notas fiscais falsas de produtos com SIF (Serviço de Inspeção Federal) para justificar as compras de carne podre. Um dos fiscais, que teria "incomodado" os donos da empresa foi destituído do cargo no mesmo dia em que fiscalizou a empresa e detectou os problemas. Vários passaram pelo mesmo procedimento.

De acordo com o documento expedido pela 14ª Vara Federal de Curitiba, parte das irregularidades foi relatada por administradores da empresa Primos Agroindustrial Ltda, localizada em Bocaiúva do Sul (PR). Eles reclamavam sobre a exigência do pagamento de propinas a agentes fiscais e de inspeção, chamado de "ajuda de custo", para que fossem emitidos certificados para as cargas entregues em Curitiba (PR). "Prática essa que seria comum a todos os frigoríficos fiscalizados no Estado do Paraná, inclusive com valor estabelecido pelo próprio Ministério da Agricultura, por meio do superintendente federal de Agricultura", diz o documento.

Defesas
Em nota, a empresa JBS se defendeu das acusações. "Em relação à operação realizada pela Polícia Federal na manhã de hoje, a JBS esclarece que não há nenhuma medida judicial contra os seus executivos. A empresa informa ainda que sua sede não foi alvo dessa operação", diz o texto. A BRF ainda não se pronunciou sobre o assunto.

O Ministério da Justiça afirmou em nota que o líder da pasta soube hoje, "como um cidadão igual a todos", que teve seu nome citado em uma investigação. "A conclusão tanto pelo Ministério Público Federal quanto pelo juiz federal é a de que não há qualquer indício de ilegalidade nessa conversa degravada", diz a nota.

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, também se pronunciou sobre o assunto por meio de um texto oficial. O líder da pasta afirma que a investigação aponta "um crime contra a população brasileira, que merece ser punido com todo o rigor". "Muitas ações já foram implementadas para corrigir distorções e combater a corrupção e os desvios de conduta, e novas medidas serão tomadas", afirmou.

Veja a lista de investigados:

Alvos de mandato de prisão preventiva
  1. CARLOS CESAR 285.657.389-49
  2. DANIEL GONÇALVES FILHO 240.236.809-82
  3. ERALDO CAVALCANTI SOBRINHO 147.460.189-87
  4. FABIO ZANON SIMÃO 004.855.239-90
  5. FLAVIO EVERS CASSOU 274.744.109-15
  6. GERCIO LUIZ BONESI 280.948.839-87
  7. GIL BUENO DE MAGALHÃES 139.185.089-00
  8. IDAIR ANTONIO PICCIN 385.728.340-87
  9. JOSÉ EDUARDO NOGALLI GIANNETTI 061.220.369-78
  10. JOSENEI MANOEL PINTO 178.236.259-20
  11. JUAREZ JOSÉ DE SANTANA 362.418.069-04
  12. LUIZ CARLOS ZANON JUNIOR 084.118.914-53
  13. MARIA DO ROCIO NASCIMENTO 299.582.379-20
  14. NAIR KLEIN PICCIN 588.280.100-10
  15. NILSON ALVES RIBEIRO 110.854.993-34
  16. NILSON UMBERTO SACCHELI RIBEIRO 005.467.139-63
  17. NORMÉLIO PECCIN FILHO 569.967.560-49
  18. PAULO ROGÉRIO SPOSITO 107.683.568-65
  19. RENATO MENON 567.272.089-72
  20. ROBERTO BRASILIANO DA SILVA 445.188.899-91
  21. RONEY NOGUEIRA DOS SANTOS 019.854.899-02
  22. SEBASTIÃO MACHADO FERREIRA 324.920.499-49
  23. SERGIO ANTONIO DE BASSI PIANARO 354.322.489-87
  24. TARCÍSIO ALMEIDA DE FREITAS 771.766.858-00
  25. ANDRÉ LUIS BALDISSERA 007.005.439-88
  26. DINIS LOURENÇO DA SILVA 067.562.551

Alvos de prisão temporária
  1. ALICE MITICO NOJIRI GONÇALVES 486.788.309-30
  2. BRANDÍZIO DARIO JUNIOR 479.843.929-00
  3. CELSO DITTERT DE CAMARGO 404.672.019-00
  4. LEOMAR JOSÉ SARTI 675.598.249-00
  5. LUIZ ALBERTO PATZER 210.677.599-72
  6. MARCELO TURSI TOLEDO 619.382.119-87
  7. OSVALDO JOSÉ ANTONIASSI 080.134.549-91
  8. RAFAEL NOJIRI GONÇALVES 041.480.529-10
  9. SIDIOMAR DE CAMPOS 362.892.649-15
  10. ANTONIO GARCEZ DA LUZ 340.614.799-20
  11. MARIANA BERTIPAGLIA DE SANTANA 058.852.099-36

Mandados de condução coercitiva
  1. EDYMILSON PENA DOS SANTOS 669.275.449-68
  2. JOSÉ NILSON SACCHELLI RIBEIRO 005.467.149-35
  3. LAIS NOJIRI GONÇALVES 041.477.919-30
  4. MARA RUBIA MAYORKA 922.839.189-87
  5. MARCELO ZANON SIMÃO 849.135.689-49
  6. SONIA MARA NASCIMENTO 450.327.009-59
  7. FABÍOLA BUENO DE MAGALHÃES LAMERS 027.392.149-52
  8. GABRIELA BERTIPAGLIA DE SANTANA 058.852.189-27
  9. NATALIA BERTIPAGLIA DE SANTANA 058.852.029-23
  10. ALESSANDRA KLASS GUIMARÃES MARTINS 038.595.909-52
  11. ALEXANDRE PAVIN 036.290.879-65
  12. ALMIR JORGE BOMBONATTO 097.759.949-34
  13. ANDRÉ DOMINGOS BERNARDI PARRA 090.452.109-59
  14. ANDRÉ JANSEN DE MELLO DE SANTANA 021.186.819-17
  15. BERNADETE BUSATO POLLI 964.031.959-72
  16. CELIA REGINA NASCIMENTO 299.582.029-72
  17. CLAUDIA YURIKO SAKAI 015.705.169-28
  18. DANIEL RICARDO DOS SANTOS 025.604.939-42
  19. DOMINGOS MARTINS 005.388.509-06
  20. EDSON LUIZ ASSUNÇÃO 538.954.879-53
  21. EGLAIR DE MARI AMARAL 318.482.909-00
  22. EDUARDO VILELA MAGALHÃES 497.757.829-53
  23. FABIANA RASSWEILER DE SOUZA 016.662.999-52
  24. FABIULA DE OLIVEIRA AMEIDA 320.516.848-80
  25. FELISBERTO LUIS DE ANDRADE 307.730.249-72
  26. FERNANDO POLLI 005.719.259-60
  27. FREDERICO AUGUSTO DE AZEVEDO LIMA 847.696.701-25
  28. GUILHERME BIRON BURGARDT 573.877.029-34
  29. HENRIQUE FELIX ERICK BREYER 202.432.789-34
  30. HEULER IURI MARTINS 009.952.039-70
  31. INES LEMES POMPEU DA SILVA 574.676.099-49
  32. ISAAC CORREIA DANTAS 003.556.339-73
  33. ISMAEL LEACHI 086.340.929-68
  34. JACKSON LUIZ PAVIN 254.497.539-34
  35. JOSÉ ANTONIO DIANA MAPELLI 177.913.948-98
  36. JOSÉ ROBERTO PERNOMIAN RODRIGUES 058.787.588-73
  37. JOSÉ RUBENS DE SOUZA 323.389.299-34
  38. JOSÉ TEIXEIRA FILHO 142.909.799-04
  39. JULIO CESAR CARNEIRO 168.274.651-87
  40. KELLI REGINA MARCOS 056.310.649-28
  41. LIEGE MARIA SALAZAR 035.512.339-85
  42. LUCIMARA HONORIO CARVALHO 020.439.949-13
  43. LUIZ FERNANDO GUARANA MENEZES 347.883.808-89
  44. LUIZ SANTAMARIA NETO 359.092.189-72
  45. MARCIA CRISTINA NONNEMACHER SANTOS 017.668.419-02
  46. MARCOS CESAR ARTACHO 521.468.049-04
  47. NAZARETH AGUIAR MAGALHÃES 715.275.836-00
  48. NELSON LEMES DE MOURA 172.660.092-00
  49. ORESTES ALVARES SOLDORIO 349.949.049-87
  50. PÉRICLES PESSOA SALAZAR 018.752.119-00
  51. PERITO GARCIA 532.755.009-53
  52. ROBERTO BORBA COELHO JUNIOR 043.103.809-05
  53. ROBERTO MÜLBERT 661.720.559-68
  54. RONALDO SOUSA TRONCHA 339.648.311-15
  55. SIDNEI DONIZETE BOTTAZZARI 364.665.499-68
  56. SILVIA MARIA MUFFO 012.275.688-60
  57. SYLVIO RICARDO D’ALMAS 654.569.559-20
  58. VALDECIO ANTONIO BOMBONATO 335.683.759-15
  59. VINICIUS EDUARDO COSTA DE SOUZA 005.268.799-63
  60. WELMAN PAIXÃO SILVA OLIVEIRA 794.666.485-00
  61. ZELIA MARIA BUSATO PAVIN 859.573.569-72
  62. ANA LUCIA TEIXEIRA 052.843.389-01
  63. FRANCISCO CARLOS DE ASSIS 166.557.961-72
  64. VALDECIR BELANCON 023.219.689-31
  65. FLÁVIO RIBAS CASSOU 073.545.229-61
  66. CLÉBIO HENRIQUE POLVANI MARQUES 045.054.479-60
  67. SOLANGE LINARES MACARI NOJIRI 628.848.089-49
  68. MARCO AURÉLIO RODRIGUES BINOTTI 024.721.429-94
  69. ROBERTO BORBA COELHO 358.803.849-34
  70. IDEFRED KONIG 491.766.849-20
  71. SUELI TEREZINHA FARIA PIANARO 955.953.509-97
  72. FABIO MURILO PIANARO 047.423.459-24
  73. ELIAS PEREIRA BARBOSA 016.593.119-18
  74. ROBERTO PELLE 219.775.349-53
  75. NELSON GUERRA DA SILVA 895.394.439-20
  76. VICENTE CLAUDIO DAMIÃO LARA 365.895.199-0
  77. DANILO LUCIANO 055.719.299-44
  78. CLÉBIO HENRIQUE POLVANI MARQUES 045.054.479-60
  79. VALDECIR BELACON 023.219.689-31
  80. CARLOS AUGUSTO GOETZKE 231.972.509-15
  81. SERGIO RICARDO ZANON 880.047.089-00

Mandados de busca e apreensão
  1. ATEFFA
  2. BALABAN & GONÇALVES ADVOGADOS
  3. BG CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA. ME
  4. BIG FRANGO INDUSTRIA E COM. DE ALIMENTOS LTDA.
  5. BIO-TEE SUL AM. IND. DE PROD. QUÍM E OP. LTDA
  6. BRF – BRASIL FOODS/ BRF S.A.
  7. BRF – BRASIL FOODS/BRF S.A.
  8. BRF – BRASIL FOODS/BRF S.A. 01.838.723/0102-70
  9. BRF – BRASIL FOODS/BRF S.A. 01.838.723/0304-68
  10. BRF – BRASIL FOODS/BRF S.A. 01.838.723/0182-55
  11. BR ORGAN FERTILIZANTES DO BRASIL LTDA. 15.621.509/0001-29
  12. CODAPAR/CLASPAR (EADI/FOZ) 76.494.459/0081-35
  13. DAGRANJA AGROINDUSTRIAL LTDA./DAGRANJA S/A AGROINDUSTRIAL 59.966.879/0026-21
  14. DALCHEN GESTÃO EMPRESARIAL LTDA. 10.597.190/0001-20
  15. DINÂMICA IMP. EXP. IND. COM. ALIMENTOS LTDA. 04.755.950/0001-87
  16. DOGGATO CLINICA VETERINÁRIA LTDA.ME 05.822.910/0001-73
  17. E.H. CONSTANTINO 07.912.350/0001-73
  18. ESCRITÓRIO CENTRAL SUBWAY BRASIL / SUBWAY SYSTEMS DO BRASIL LTDA 02.891.567/0002-01
  19. MAPA – Esplanada dos Ministérios, BL. D, 8º Andar, sala 847 Brasilia/DF
  20. FENIX FERTILIZANTES LTDA./PORTAL OPERAÇÕES PORTUÁRIAS 01.304.503/0001-13
  21. FORTESOLO SERVIÇOS INTEGRADOS LTDA. 80.276.314/0001-50
  22. FRANGO A GOSTO 19.483.501/0001-02
  23. FRATELLI COMERCIO DE MASSAS, FRIOS E LATICINIOS LTDA. ME 07.197.112/0001-23
  24. FRIGOBETO FRIGORÍFICOS E COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA. 16.956.194/0001-33
  25. FRIGOMAX- FRIGORÍFICO E COMERCIO DE CARNES LTDA. 04.209.149/0001-36
  26. FRIGORÍFICO 3D 05.958.440/0001-70
  27. FRIGORÍFICO ARGUS LTDA. 81.304.552/0001-95
  28. FRIGORÍFICO LARISSA LTDA. 00.283.996/0001-90
  29. FRIGORIFICO OREGON S.A. 11.410.219/0001-85
  30. FRIGORÍFICO RAINHA DA PAZ 03.990.431/0001-30
  31. FRIGORÍFICO SOUZA RAMOS LTDA. 82.345.315/0001-35
  32. INDUSTRIA DE LATICINIOS S.S.P.M.A. LTDA. 05.150.262/0001-56
  33. JBS S/A 03.853.896.0001-40
  34. LARA CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA. 20.274.224/0001-07
  35. LABORAN ANÁLISES CLINICAS LTDA. – EPP 76.652.122/0001-24
  36. MASTERCARNES
  37. MC ARTACHO CIA LTDA. 04.976.126/0001-57
  38. MEDEIROS, EMERICK & ADVOGADOS ASSOCIADOS 10.890.129/0001-76
  39. MORAR ASSESSORIA E EMPREENDIMENTOS 78.973.641/0001-10
  40. NOVILHO NOBRE INDUSTRIA E COMERCIO DE CARNES LTDA.
  41. PAVIN FERTIL INDUSTRIA E TRANSPORTE LTDA. / AJX TRANSPORTES LTDA. 05.762.689/0001-05
  42. PECCIN AGRO INDUSTRIAL LTDA. / ITALLI ALIMENTOS 09.237.048/0001-92
  43. PRIMOCAL IND. E COM. DE FERTILIZANTES LTDA. 77.518.439/0001-35
  44. PRIMOR BEEF – JJZ ALIMENTOS S.A. 18.740.458/0002-23
  45. RADIO CASTRO LTDA. 76.106.772/0001-74
  46. SANTA ANA COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA. 17.622.097/0001-77
  47. SEARA ALIMENTOS LTDA. 02.914.460/0130-58
  48. SIMÃO SOCIEDADE DE ADVOGADOS LTDA. 09.601.896/0001-39
  49. SMARTMEAL COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA. 07.782.913/0001-56
  50. SUB ROYAL COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA. 19.412.845/0001-12
  51. SUPERINTENDENCIA FEDERAL DE AGRICULTURA EM MINAS GERAIS
  52. SUPERINTENDENCIA FEDERAL DE AGRICULTURA EM GOIAS
  53. SUPERINTENDENCIA FEDERAL DE AGRICULTURA NO PARANÁ
  54. SERVIÇO DE VIGILÂNCIA AGROPECUÁRIA NA FRONTEIRA DE FOZ DO IGUAÇU SVA/PR
  55. SERVIÇO DE VIGILÂNCIA AGROPECUÁRIA EM PARANAGUÁ – SVA/PR
  56. UNIDADE TÉCNICA REGIONAL AGRÍCOLA DE LONDRINA – UTRA/PR
  57. UNIDADE DE VIGILÂNCIA AGROPECUÁRIA ADUANA ESPECIAL DE MARINGÁ – UVAGRO/PR
  58. UNIDOS COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA. 16.588.374/0001-00
  59. UNIFRANGOS AGROINDUSTRIAL S.A. / COMPANHIA INTERNACIONAL DE LOGISTICA 04.883.352/0001-93
  60. BREYER E CIA LTDA. 75.130.245/0001-32
  61. FABRICA DE FARINHA DE CARNE CASTRO LTDA. EPP 77.720.076/0001-16
  62. LOGISTICA DISTRIBUIDORA LTDA. (INTEGRACAO LOGISTICA, DISTRIBUICAO LTDA) 06.962.645/0001-91
  63. TRANSFRIOS TRANSPORTE LTDA. 80.654.387/0001-39
  64. PECIN AGROINDUSTRIAL LTDA. ME 09.237.048/0001-92
  65. CENTRAL DE CARNES PARANAENSE 73.368.151/0001-70
  66. WEGMED – CAMINHOS MEDICINAIS LTDA. 11.933.999/0001-48
  67. ARTACHO CASINGS
  68. INDUSTRIA E COMERCIO DE COUROS BRITALI LTDA. 07.419.292/0001-40
  69. MORRETES AGUA MINERAL LTDA. 12.445.182/0001-93
  70. BRF – BRASIL FOODS/BRF S.A. em Mineiros/GO
  71. MAPA – ESPLANADA DOS MINISTÉRIOS

Fonte: Jornal Correio Braziliense

41% das brasileiras têm medo de lutar por seus direitos

Foto: Rovena Rosa (Agência Brasil)

Manifestação de mulheres contra o machismo e a cultura do estupro na Avenida Paulista, em 01/06/2016



Agora em março, a empresa de pesquisa Ipsos divulgou um estudo global sobre feminismo e igualdade de gênero que revela o quanto mulheres de diferentes países temem lutar pelos próprios direitos. E as notícias não são boas para o Brasil: o nosso país é o terceiro do mundo onde as mulheres mais têm medo de defender a igualdade de gênero e a própria liberdade. No total, 41% das brasileiras têm esse receio. Os outros dois países com as taxas mais altas são a Índia (54%) e a Turquia (47%). A média dos 24 países pesquisados é 26%.

O estudo também investigou em que países é mais forte a crença de que as mulheres são inferiores aos homens. Neste ponto, foram questionados homens e mulheres. O resultado apontou a Rússia e a índia como os países que mais acreditam nisso: 46% da população, em ambos os países. A média mundial de pessoas que têm essa crença é de 18%. No Brasil, 16% das pessoas acreditam na inferioridade feminina.

A pesquisa também questionou se os entrevistados veem desigualdade de direitos sociais, políticos e econômicos entre homens e mulheres. 72% dos entrevistados no mundo responderam que sim. E a Rússia foi o único país em que menos da metade da população respondeu sim (42%).

O levantamento foi realizado entre 20 de janeiro e 03 de fevereiro, via painel online em 24 países: África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália, Bélgica, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Espanha, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Hungria, Índia, Itália, Japão, México, Peru, Polônia, Rússia, Servia, Suécia e Turquia. Foram entrevistadas 17.551 pessoas, sendo adultos de 18 a 64 anos nos Estados Unidos e no Canadá e de 16 a 64 anos nos demais países. A margem de erro é de 3,5%.

Para acessar todos os resultados, clique aqui.


Fonte: Portal do Observatório do Terceiro Setor

Artigo - Todo ser humano é um fascista em potencial: Reflexões sobre a Banalidade do Mal



Por: Erick Morais


Theodor Adorno disse que todo ser humano é um fascista em potencial, pois nenhum de nós está isento de cometer atrocidades contra o outro, uma vez que todos podem perder ou deixar-se perder a capacidade de pensar o mundo como uma dimensão de espaços que coabitam. Ou seja, qualquer ser humano pode deixar de enxergar a dimensão que forma o outro e passar a entender o mundo a partir de um único ponto de vista, sem direito ao diálogo, até porque, como disse, não há um interlocutor para que o diálogo seja estabelecido.

Dessa forma, há de se considerar a força que a estrutura sócio-política exerce para que o indivíduo se torne um fascista, como ocorreu na Alemanha nazista, em que o próprio Estado criou mecanismos para que qualquer pensamento contrário ao dominante fosse exterminado pelo ódio e pela violência. Naquela ocasião, o horror nazista não foi praticado por pessoas “demoníacas”, tomadas por um ente abstrato, como muitas vezes aparenta, e sim, por pessoas comuns, adaptadas e subservientes ao sistema, inclusive, um totalitário.

Analisando por essa perspectiva, percebemos que de fato há no homem uma potencialidade para o mal. Mais que isso, existe uma potencialidade para que o mal seja praticado e banalizado. Em toda prática fascista, portando, há uma banalização do mal, uma vez que ao se tornar parte do cotidiano, algo padrão compartilhado por todos, o fascismo se torna banal, um mal não de “monstros”, mas de homens comuns.

Nesse ponto, o pensamento de Adorno se encontra com o de Hannah Arendt, em que se constata que o vetor do mal praticado em regimes fascistas é o homem comum, destituído da capacidade de pensar. A perplexidade que essa análise traz não está apenas em perceber que responsáveis por milhares de mortes eram indivíduos médios, mas, sobretudo, em entender que qualquer um pode se tornar uma pessoa abominável e externar o monstrinho que somos, lembrando Saramago.

Obviamente, dificilmente teremos a repetição de modelos totalitários como o nazismo, o stalinismo, ou as ditaduras latino-americanas, em que sobressaltaram aos olhos indivíduos como Hitler e Stálin. No entanto, na conjuntura atual, é possível que pequenos reinos totalitários sejam instalados, bem como, o levante de pequenos tiranos. E é exatamente isso que se observa dentro do panorama social contemporâneo.

Discursos de ódio, segregação, culpabilidade dos problemas produzidos socialmente a determinados grupos, isolamento, egoísmo, egocentrismo, competição extrema por todos os espaços, incapacidade de ouvir, enxergar, ver e reparar. Todas essas características, as quais poderiam se relacionar com os regimes totalitários supracitados, na verdade, também pertencem a nossa sociedade. Sendo assim, a banalização do mal em uma nova faceta nos atinge e demonstra que o inferno não está nos outros, em outro lugar, mas em nós, aqui e agora.


A grande problemática, desse modo, reside no fato de, mesmo após tantas experiências negativas para o ser humano, a sociedade insistir em se organizar de maneira autodestrutiva, desintegrada e excludente. Com uma estrutura social que estimula uma concorrência brutal, em uma espécie de luta de todos contra todos, como se fôssemos inimigos, gladiadores no coliseu, no melhor estilo do humanitismo desenvolvido por Machado, não é estranho que tenhamos perdido a capacidade de enxergar o outro como um ser com dimensão própria e diferente da nossa, que mais do que meros julgamentos, deve ser compreendido em sua individualidade e complexidade.

Quando se desenvolve um sistema que cria condições favoráveis ao afloramento do mal e sua prática por todos (banalização), há se entender que os dispositivos possuem problemas e precisam ser corrigidos. Isso não significa estabelecer um determinismo, em que todos, sem exceção, agirão do mesmo modo quando expostos a determinada circunstância sócio-política, mas perceber que os moldes em que a sociedade se constrói são fundamentais para que se tenha indivíduos inclusivos ou exclusivos (autoritários, incapazes de dialogar e, não raras vezes, agressivos).

Se vivemos em uma sociedade pautada no reino do eu, então, somos incapazes de enxergar o outro de forma autônoma e diferente. Pelo contrário, enxergamos o outro somente como um reflexo nosso e na medida em que não conseguimos perceber esse reflexo, vemo-nos na obrigação de por meio da força torná-lo igual ao modelo-padrão. Trocando em miúdos, não há na base formadora da nossa sociedade elementos que estimulem o diálogo, a capacidade, para lembrar Rubem Alves, de enxergar que o outro possa ver mundos que eu não enxergo. E é justamente essa incapacidade que produz a violência, seja verbal, como discursos de ódio e intolerância nas redes sociais, seja física, quando o indivíduo-tirano não aceita a insubordinação daquele que vive diferente das suas normas.

Posto isso, o mal pode existir e ser banalizado em qualquer época e sociedade, porque, como disse Bertold Brecht – “A cadela do fascismo está sempre no cio” – à espera de sistemas que a copulem e produzam cachorrinhos obedientes a todo comando do pai. Sendo, portanto, o mal oriundo do homem comum, banal, que estava apenas procurando do melhor modo estar adaptado ao sistema, é preciso ressaltar a sua incapacidade de ser diferente e romper com a ordem. É preciso ressaltar a nossa extrema facilidade em se adaptar e banalizar o mal, mesmo que, no fim das contas, todos sejamos afetados pela violência do totalitarismo, verdadeira tragédia do homem comum.


Fonte: Blog Pensar Contemporâneo

Contra a vontade do governo, saiu a lista do trabalho escravo no Brasil; acesse agora


Apesar da imensa resistência do governo Temer, a lista do trabalho escravo no Brasil foi finalmente publicada nesta segunda-feira (13), atualizando o registro das empresas que submeterem seus trabalhadores a condições análogas à escravidão. O documento foi conseguido apenas por conta da Lei de Acesso à Informação, que força as entidades públicas a cederem documentos sob requisição formal.

Inicialmente, a lista abaixo foi cedido aos repórteres do portal Repórter Brasil, que é referência na cobertura do trabalho escravo contemporâneo. Coincidência ou não, o site saiu do ar pela maior parte da segunda-feira, pouco tempo depois de ter publicado os nomes e as informações das empresas condenadas.



A publicação encerra uma novela em torno da lista. O ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, tentou barrar pela Justiça a publicidade dos nomes, e chegou a recorrer ao Tribunal Superior do Trabalho para que a ocultação fosse permitida, depois de perder na primeira e na segunda instância. Nos dois momentos, a Justiça do Trabalho determinou a divulgação da lista.

A lista também pode ser acessada e baixada CLICANDO AQUI.


Fonte: Portal da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil - CTB / Portal Repórter Brasil / Portal Guia do Estudante

Relatos históricos apontam que caixa dois já abastecia o golpe militar de 1964

Tanques do 2º Exército em 1964; segundo relatos históricos, dinheiro de caixa dois abasteceu o golpe militar de 1964


"Cada um trazia duas maletas, uma em cada braço. No total, seis maletas. (...) Mandei abrir. Começou uma briga, mas olhei e vi que era só dólar, dólar, dólar. Todas elas cheias de dólares. Amarradinhos do banco, aqueles pacotes de depósito bancário. Um milhão e 200 mil dólares."

A frase acima foi dita pelo coronel reformado Elimá Pinheiro Moreira à Comissão de Verdade da Câmara Municipal de São Paulo em 18 de fevereiro de 2014. Segundo ele o dinheiro --uma quantia que ajustada para os valores de hoje estaria em torno de R$ 9,5 milhões-- fora levado em 30 de março de 1964 pelo então presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Raphael de Souza Noschese, para financiar o apoio do general Amaury Kruel, que havia sido chefe do gabinete militar e ministro da Guerra de João Goulart e comandava o 2ºordm; Exército, em São Paulo. Até então, Kruel, que jurava fidelidade ao governo de Jango, seu compadre, aderiu ao movimento que derrubou o governo democrático e instaurou o regime militar.

A "colaboração", feita com caixa dois de empresas coletado pelas federações de indústria, comércio e agricultura paulistas, corrobora o que Sergio Machado, ex-presidente da Transpetro e hoje preso em Curitiba por envolvimento na Operação Lava Jato, e o empresário Emílio Odebrecht afirmaram: caixa dois em ações políticas sempre existiu.

O episódio de 1964 é o primeiro, no entanto, em que alguns participantes admitiram que houve o financiamento "por fora" --um dos termos usados para caixa dois.

A expressão na política é relativamente recente. Jargão contábil, o caixa dois --ou dinheiro não declarado oficialmente, ao contrário do "caixa um"-- começou a ser usado para designar os tais "recursos não contabilizados" na política partidária a partir dos anos 1980. É de 1982 a primeira menção à prática em jornais: na coluna econômica de Joelmir Beting na "Folha de S.Paulo".

"Ninguém doava dinheiro de lucro", afirmou o ex-governador paulista Paulo Egydio Martins à Comissão de Verdade da Câmara Municipal de São Paulo, dizendo que o valor provinha de caixa dois das empresas. Na época, Egydio Martins era diretor da Associação Comercial de São Paulo.

"Trabalhávamos junto com a federação das indústrias e a sociedade rural. O 2º Exército estava no chão, sem verba para compra e equipagem dos caminhões, sem pneus, carburadores, gasolina. Montei um grupo de coordenação e as fábricas desses produtos doaram para recolocar o 2º Exército em condições operacionais. A reequipagem do Exército ocorreu já no fim do processo conspiratório. Apesar de o general Amaury Kruel ser amigo e compadre do presidente. Tudo feito às escâncaras (de modo transparente)", afirmou Egydio Martins em 23 de novembro de 2013.

Elimá, morto há dois anos, morava numa casa no Paraíso, zona sul de São Paulo, quando falou sobre o tema, em 2014. Na época com 94 anos, fora aconselhado pela família a não contribuir para a comissão. O presidente do colegiado, o hoje secretário do Meio Ambiente da gestão João Doria (PSDB), Gilberto Natalini (PV), disse que Elimá o levou para o quarto e apontou para a parede: "Aquela é minha farda. Eu nunca tive coragem de vesti-la novamente. O meu Exército não é aquele que me traiu".
"Ninguém doava dinheiro de lucro. O 2º Exército estava no chão, sem verba, sem pneus, carburadores, gasolina. Montei um grupo de coordenação, e as fábricas desses produtos doaram para recolocar o 2º Exército em condições operacionais. Tudo feito às escâncaras."
Paulo Egydio Martins, ex-governador de São Paulo (1975-1979)

Rodovias para o caixa dois

A presença do caixa dois na política brasileira, no entanto, é anterior ao golpe. Autor do livro "Estranhas Catedrais - As Empreiteiras Brasil e a Ditadura Civil-Militar, 1964-1988", publicado pela Editora UFF, o professor de história da UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro) Pedro Henrique Pedreira Campos diz que a afirmação de Sergio Machado sobre 1946 ser o início de tudo tem fundamento. "É um marco importante porque é criado o Fundo Rodoviário Nacional, que é o criadouro natural das empreiteiras brasileiras."

O empreiteiro Marco Paulo Rabello, por meio da construtora que levava seu sobrenome, foi o grande nome dessa era, com as grandes obras de JK --o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte, e uma boa parte da estrutura da nova capital federal, Brasília, inaugurada em 1960: o Palácio do Planalto, o Palácio do Alvorada, o Palácio do Jaburu, a Catedral Metropolitana e o Supremo Tribunal Federal. "A figura do JK é bem particular", diz Campos. "Foi um presidente que teve obras importantes, com o poder das empreiteiras muito expresso."

No livro "Minha Razão de Viver", o jornalista Samuel Wainer, dono do jornal "Última Hora" e morto em 1980, se lembra de uma passagem na Era JK. "Estava às voltas com dívidas junto ao Banco do Brasil. Um alto funcionário da instituição passou-me uma informação: havia um empresário estreitamente ligado ao presidente, empreiteiro de obras públicas, que costumava socorrer amigos comuns em apuros. Seu nome: Marcos Paulo Rabello. (...) Fui ao encontro do Rabello, que a princípio tentou negar qualquer ligação com Juscelino. Ao constatar a inutilidade da negativa, tornou-se bastante receptivo e sugeriu que eu lhe vendesse 45% da minha empresa. (...) Naquele momento, conheci uma figura indispensável à decifração dos segredos do poder no Brasil: o empreiteiro."


Empreiteiras passam a bancar campanhas eleitorais

Na ditadura, as grandes empreiteiras estrangeiras deixaram de colaborar com as obras públicas, que passam a um seleto clube de empreiteiras. Segundo a revista "O Empreiteiro", três grandes construtoras se revezaram no posto de maior do Brasil entre 1971 e 1984, período de execução das grandes obras de infraestrutura do Brasil: Camargo Correa (líder 12 vezes em 14 anos), Andrade Gutierrez e Mendes Júnior.

A Odebrecht figuraria na primeira posição após o restabelecimento da democracia, em 1985. Mesmo assim, deu um salto emblemático a partir de 1971, com a construção da Ponte Rio-Niterói: passaria de 19ª construtora do Brasil em 1971 para a terceira colocação apenas dois anos depois.

Com a Constituição de 1988 e a instituição do chamado "presidencialismo de coalização", em que só se governa com um amplo leque de alianças, os custos foram passados também para as alianças no Legislativo e nas campanhas eleitorais. "A consolidação desse processo [de caixa dois] se dá nos anos 1980", afirma o professor da FGV Eaesp (Fundação Getúlio Vargas - Escola de Administração de Empresas de São Paulo) Marcos Fernandes Gonçalves da Silva.

"A novidade a partir dos anos 1990 é quanto os marqueteiros ganham. Era tudo modesto, e de repente os custos são todos inflacionados porque eles entram no esquema, em um conluio com empreiteiros e classe política", diz o professor. "Há um conluio criminoso e uma ótima maneira de esconder grana, porque o valor [do marqueteiro] é subjetivo."

A reportagem procurou o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para comentar a respeito da prática de caixa dois e recebeu a seguinte resposta da assessoria: "Não existem condenações por caixa dois especificamente, pois não é uma tipologia de condenação na Justiça Eleitoral. Confira áudio de entrevista do ministro Gilmar Mendes acerca do tema". Mendes, na ocasião, afirmou que "corrupção pressupõe ato de ofício, então alguém pode fazer a doação [por caixa dois] sem ser corrupção".

Já a Fiesp disse, em nota, que "não comete ilegalidades e nem compactua com elas". "Sua atual gestão desconhece qualquer episódio de envolvimento da entidade em atos ilegais nos governos militares ou em qualquer período, presente ou passado. A Fiesp tem se pautado pela rigorosa defesa do Estado de Direito e trabalha pelo desenvolvimento de São Paulo e do Brasil. Se tiverem existido, eventos do passado que contrariem esses princípios devem ser submetidos às devidas apurações."

Também por meio de nota, o Comando Miliar do Sudeste, sucessor da 2ª Região do Exército em São Paulo disse "não ter conhecimento dos fatos narrados". "A Revolução Democrática de 31 de Março de 1964 ocorreu há mais de 50 anos, portanto já faz parte da História. As opiniões citadas representam posicionamentos pessoais, sendo de responsabilidade exclusiva de quem as emitiu. Cumpre destacar, ainda, que o Exército brasileiro não compactua com qualquer tipo de irregularidade, repudiando veementemente fatos desabonadores da ética e da moral que devem estar presentes na conduta de todos os seus integrantes. A força terrestre empenha-se, rigorosamente, para que eventuais desvios de conduta sejam corrigidos, dentro dos limites da lei."


Fonte: Portal UOL Notícias

Hacker derruba servidor que armazenava pornografia infantil na deep web


A Internet tem várias camadas. Uma delas é a que todos utilizamos, onde encontramos o Google, Yahoo, Facebook, Amazon, Twitter, os sites dos meios de comunicação, etc.. Outra delas é a que engloba as conexões entre dispositivos, entre aparelhos que estão conectados à rede, mas não tem contato com os seres humanos, e sim com máquinas. As conexões militares têm seu próprio nível. E existe a deep web, um lugar “selvagem” que não é regido pelas normas da Internet que todos conhecemos e usamos. Suas páginas nem sequer aparecem indexadas pelos principais navegadores. Ela fica completamente escondida.

Para entrar na deep web, por exemplo, não se pode utilizar um navegador padrão. É preciso fazer o download de um navegador especial, como o Tor. Para acessar os sites não basta escrever o endereço no navegador: sua natureza é tão sombria que muitas vezes é preciso ter uma senha – que muda periodicamente – para conseguir o acesso. Outra alternativa é utilizar um diretório, como o Hidden Wiki, que é supervisionado por outros usuários especialistas que vão atualizando as URLs dos sites conforme elas vão sendo alteradas.

Por que tanto esforço para manter tudo isso escondido? Os que já entraram na deep web entenderam rapidamente o motivo de tantos segredos. Em suas páginas é possível adquirir todo tipo de substância, desde medicamentos proibidos até drogas, passando por explosivos, armas e documentos falsos. Também há serviços de roubo de identidade e senhas de acesso. Existem ofertas de hackers que oferecem um trabalho personalizado: se você quiser espionar alguém, pode contratá-los e descobrir o conteúdo da sua caixa de e-mails, por exemplo.

Também é forte a presença da pornografia mais extrema e ilegal, como a protagonizada por menores de idade. Boa parte dela está armazenada no servidor Freedom Hosting, um lugar que foi infectado por um malware de agentes do FBI para que qualquer usuário que visse este tipo de conteúdo ficasse marcado virtualmente e pudesse ser localizado pelas autoridades.

Diante deste ataque, os gestores do Freedom Hosting decidiram clonar todo o conteúdo e duplicá-lo em um segundo servidor. No entanto, este movimento foi neutralizado por um hacker que decidiu atacar este lugar e impedir o acesso a todos aqueles que buscam este tipo de material.

O hacker disse ao site Motherboard que encontrou mais de 30 GB de pornografia infantil, pertencentes a mais de 10 mil sites. Segundo ele, o administrador do servidor conhecia perfeitamente a natureza destes sites, e por isso decidiu bloquear o acesso. A queda deste serviço causou uma redução de 20% em todo o tráfego da deep web, segundo informações do Motherboard.

Além de impedir o acesso, o hacker assegura ter guardado uma cópia de todo o conteúdo pedófilo com a intenção de entregá-la à polícia.


Fonte: Portal Yahoo! Notícias

Guerra na Síria está criando uma geração com problemas mentais


Há 6 anos, crianças sírias convivem com uma guerra intermitente. Viram bombas, tiros e a morte diante dos próprios olhos. Perderam familiares, amigos, casa e escola. Assistiram suas cidades serem destruídas e a vida como conheciam imergir em escombros. A brutalidade do conflito não respeita classificação indicativa e, não à toa, já é possível notar os reflexos da violência na saúde das crianças sírias: uma geração traumatizada vive uma crise de saúde mental.

A organização inglesa Save the Children realizou desde o início da guerra, em 2011, uma grande pesquisa com 450 crianças, pais, professores e psicólogos em sete regiões sírias e alerta que milhões de crianças estão vivendo em estado de “estresse tóxico”. O relatório Invisible Wounds (Feridas Invisíveis, em tradução livre), divulgado no início do mês, estima que três milhões de crianças sírias com menos de seis anos tenham vivido toda a sua vida em zona de guerra, e que mais de dois milhões de crianças tenham sido obrigados a deixar o país como refugiados.

A pesquisa também frisa que o constante estado de medo vivido pelos pequenos pode ser maléfico para o desenvolvimento do cérebro deles – e irreversível: uma a cada quatro crianças corre o risco de desenvolver distúrbios psicológicos. A especialista em saúde mental Marcia Brophy afirma no relatório que esse estado de estresse traumático poderia resultar em uma geração inteira de crianças com distúrbios mentais e propensas a vícios na vida adulta. Se o estresse tóxico não for tratado corretamente, pode aumentar o risco de suicídio, depressão, doenças cardíacas e diabetes a longo prazo.

Ao longo do estudo, muitos entrevistados de até 12 anos demonstraram aumento nas autoagressões e nas tentativas de suicídio. Metade dos adultos contam ter visto crianças perderem habilidades de comunicação, como a capacidade de falar, e 59% conhecem crianças ou adolescentes que entraram em grupos armados.

Outras crianças reportaram estar passando por problemas para dormir, com medo de nunca mais acordarem ou tendo pesadelos violentos – 71% estão fazendo xixi na cama, sintoma comum em pacientes com estresse traumático.

A pesquisa também revelou que dois terços das crianças ouvidas pela organização perderam alguém querido no conflito, sofreram ferimentos ou tiveram suas casas bombardeadas. Metade dos entrevistados contam sentir tristeza e angústia extrema sempre ou durante a maior parte do tempo – sendo que 51% está usando algum tipo de droga para aplacar os efeitos do estresse.

Outro fator que corrobora na preocupação com a saúde mental dos jovens é a falta de escolas: diariamente, em média duas escolas são atacadas na Síria. Levando em consideração que a guerra persiste no país há anos, sobram poucas instituições de ensino. No ano passado, a Unicef divulgou um relatório em que afirmava que apenas metade das crianças tinham acesso à educação e que 80% dos refugiados não frequentavam a escola.

A Save The Children estima que uma em cada três escolas tenham sido desocupadas no país. Sendo assim, o acesso a acompanhamento da saúde mental das crianças é inexistente ou muito limitado.

“O risco de uma geração ferida, perdida para o trauma e o estresse extremo nunca foi tão grande”, alerta Marcia Brophy.


Fonte: Revista SuperInteressante

Garotos que brincam com bonecas se tornam crianças mais carinhosas e empáticas

Ilustração: Brunna Mancuso

A norte-americana Kristen Jarvis vasculhou as lojas de brinquedos em busca de uma boneca para o filho de dois anos. Só achou bonecas femininas, bebês e super-heróis. Não era nada do que esperava. Grávida, Jarvis queria um boneco para mostrar a ele como seria divertido ter um irmão. Mas se nos Estados Unidos é difícil encontrar um brinquedo desses, imagine, então, no Catar, onde Jarvis vivia.

Porém, brinquedos assim deveriam existir. De acordo com Christia Spears Brown, psicóloga da Universidade do Kentucky, nos Estados Unidos, bonecas ajudam as crianças a desenvolver empatia. Como simulam situações reais da vida, elas conversam e tomam conta das bonecas, como se fossem amigas de verdade, aprendendo a ser mais carinhosas e cuidadosas.

E meninos gostam dessas brincadeiras tanto quanto as garotas, principalmente até o primeiro ano de vida. “Eles recebem menos estímulos para desenvolver empatia. Ainda que o cérebro seja um pouco diferente, eles se interessam por pessoas tanto quanto as meninas, passam o mesmo tempo observando os outros”, escreve Brown no livro Parenting Beyond Pink & Blue (Paternidade Além do Rosa e Azul, em tradução livre). Ou seja, nada prova que garotos tenham desinteresse nato por brincadeiras que simulem interações humanas, como as com bonecas. Existe só o preconceito dos pais.

Foi por isso que Jarvis e a irmã decidiram criar a marca Boy Story, que lançou recentemente os primeiros bonecos, graças a mais de US$ 28 mil arrecadados em crowdfunding. Deram vida a Billy, negro de cabelos crespos, e Mason, branco de cabelos lisos. “Queremos diversidade, fazer com que mais crianças sejam representadas”, diz.


Fonte: Revista Galileu

Empatia demais pode fazer mal, diz estudo


Empatia é essencial para as relações humanas. Sem conseguir se colocar no lugar do outro, qualquer interação social seria mais difícil. Mas novos estudos mostram que quem tem uma percepção muito aguçada das emoções alheias corre o risco de se estressar mais.

Ser capaz de reconhecer quando outras pessoas estão chateadas, animadas ou irritadas é considerada uma habilidade importante para a inteligência emocional. Mas um estudo da Escola de Administração de Frankfurt encontrou o lado negativo dessa “esperteza”.

Os pesquisadores reuniram 166 universitários homens. Primeiro, mediram a tal inteligência emocional, pedindo que eles reconhecessem emoções – de alegria a nojo – em fotografias de pessoas que nunca tinham visto antes.

Na fase 2 do estudo, cada rapaz era convidado a dar uma palestra profissional em frente a um painel de juízes (que foram instruídos a olhar para eles com um aspecto bem severo). Antes e depois do sufoco, os cientistas mediram a concentração de cortisol – o hormônio do estresse – na saliva de cada participante.

O que os pesquisadores descobriram é que quem era mais emocionalmente perceptivo – ou seja, conseguia perceber as emoções alheias com mais precisão – também apresentou níveis mais altos de cortisol na saliva depois da palestra. O hormônio aumentava mais durante a apresentação e demorava mais tempo para voltar ao normal, deixando o corpo deles em “estado de alerta” por longos períodos.

Como o estudo tinha uma amostra limitada, é difícil afirmar que essa reação é de fato universal. Mesmo assim, os resultados dão indícios de que essa “conexão” com a emoção alheia nos torna mais sensíveis a elas. O risco da empatia em excesso, nesse caso, é que de alguma forma nos sentimos responsáveis pelo que os outros sentem – o que pode ser especialmente difícil ao palestrar para desconhecidos mal encarados.


Fonte: Revista SuperInteressante

Fotógrafa brasileira quebra estereótipos ao retratar a diversidade do movimento feminista


Esse post não é apenas sobre um projeto de quem se declara feminista – é sobre quebrar estereótipos. Como uma feminista parece? Existem declarações muito fortes a essas mulheres que se atrevem a encarar de frente os tempos nebulosos e machistas em pleno século 21.

Depois de ouvir “feminista é tudo mulher-macho peluda”, e outros adjetivos bem piores, a fotógrafa brasiliense Luisa Dale resolveu capturar a essência de algumas mulheres que tem afinidade com a ideia, depois de contacta-las através do Facebook. Por cerca de dois meses, Luisa fez os registros, as entrevistou, e começou a divulgar os retratos nas mídias sociais com a hashtag #projetoeusoufeminista (#iamfeminist).

Abaixo, você confere uma entrevista exclusiva que fizemos com ela. Você também pode se inspirar com as diferentes facetas mostradas e com o quão diverso é o movimento. Como Luisa mesmo declara: “Não se trata de possuir determinadas características físicas para ser feminista ou não, é só ser mulher e querer combater a violência com mais amor”. Confira:



FTC: Luisa, como você preenche atualmente sua bio nos diversos sites e redes sociais em que participa?

Tenho usado as plataformas sociais basicamente para me promover profissionalmente. Como as imagens que crio e a forma como as apresento são essenciais para uma boa resposta do público, eu procuro ser o mais “minimalista” e impessoal possível, mas sempre deixando uma marquinha de quem eu sou (ou pelo menos, de quem quero me tornar).

No Instagram por exemplo: “slow-life adept (adepta do slow life lifestyle, sem correrias, loucuras, a custo apenas de retorno financeiro). Não sei se me fiz entender bem, mas é um conceito que adaptei do slow food aplicado a toda uma vida. hehe



FTC: Qual foi seu momento “a-ha”, seu estalo, para criar o projeto #EuSouFeminista?


Quando ouvi um cara numa mesa de bar falando que “feminista é tudo peluda e machão” – ou algo do gênero. Na hora eu pensei: “não, não é só isso.” E então, como amante dos retratos na fotografia, o melhor que poderia fazer seria retratar a diversidade do movimento.



FTC: Pra você, por que o feminismo é importante?

Feminismo pra mim é importante para, antes de qualquer coisa, fazer com que nós mulheres nos reconheçamos como irmãs. Por mais que existam seres humanos de todos os tipos, se você olha para uma mulher e a vê como um ser que sofre as mesmas coisas (ou mais) que você, isso se sobrepõe a outras características que poderiam ser obstáculos num possível relacionamento.

O feminismo cria essa rede linda entre as mulheres, só pelo fato de sermos mulheres. E isso é muito, muito poderoso enquanto forma de mudança de padrões na sociedade.



FTC: Qual a resposta que alguma das mulheres disse durante a entrevista que você super se identificou?
Engraçado que com todas as meninas que eu conversei, sempre tinham várias coisas que eram comuns no nosso dia-a-dia. Ter tantos assuntos afins com pessoas que eu nunca havia visto antes é interessantíssimo, prova como basta um olhar mais caridoso para com o outro que coisas incríveis podem sair daí. Mais uma vez, ponto para o feminismo.



FTC: Conta mais sobre esse lance do P&B, do vazio das cores nesta sua série.

Eu sempre gostei de fotos em P&B, sou a maior fã de Ansel Adams (o grande mestre do P&B na fotografia). E nesse projeto em específico, como eu fotografei cada mulher em um local da escolha delas, e que provavelmente eu nunca teria ido antes, eu escolhi o preto e branco para evitar informação demais de cor sendo que o foco era a retratada.

Foi uma escolha técnica para que o assunto principal ficasse em evidência.



FTC: O que tem lido, ouvido, visto ou quais são os seus artistas preferidos neste momento?

Hmmm…Pergunta de vestibular para uma geminiana haha! Artistas “de cabeceira”: Nina Simone tá sempre nas minhas playlists (que mulher!), Gabriel García Márquez e tô sempre acompanhando as postagens das minas do Coletivo Vermelha no Facebook, elas são um grupo de cineastas de SP que criaram esse coletivo buscando entender o lugar da mulher no audiovisual – como eu estou estudando cinema atualmente, me interessa muito saber das criações femininas na área.









O projeto continua? Sim! Todas as meninas, mulheres, e quem se considerar uma mulher, podem participar da hashtag fazendo uma selfie em preto e branco e escrevendo como você se sente sendo feminista e o que isso muda na sua vida.


Acompanhe Luisa Dale em seu site, Facebook e Instagram.


Fonte: Portal Follow the Colours

Educação ambiental pode virar disciplina obrigatória nas escolas


Matemática, Português, Geografia e… Educação Ambiental! Em breve, o assunto pode virar disciplina obrigatória em todas as escolas de Ensino Fundamental e Médio do Brasil. Pelo menos, é o que prevê o PLS 221/2015, de autoria do senador Cássio Cunha Lima.

Atualmente, o assunto passa longe de ser bem abordado nas salas de aula do país. Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, o único compromisso das escolas é tratar o tema, ocasionalmente, dentro das disciplinas obrigatórias – o que, para o autor da nova medida, não é suficiente.

“Tratar a educação ambiental como tema transversal, como é hoje, inviabiliza uma prática contínua, permanente e com conteúdo próprio. Assuntos como reciclagem, sustentabilidade, medidas de reúso de água e ecologia devem ser tratados com a devida importância”, disse Lima à Agência Senado. Concorda?

O PLS aguarda votação na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle e, se aprovado, vai ser submetido à avaliação da Comissão de Educação, Cultura e Esporte, para só depois ir a plenário (e, posteriormente, passar por sanção presidencial). Ou seja, a medida ainda tem um longo caminho a percorrer até virar Lei.


Fonte: Portal The Greenest Post

Antiga metrópole, Holanda não lembra que dominou o Brasil no século 17


Pintura de Andries van Eertvelt sobre a conquista de Salvador pelos holandeses


Enquanto iam às urnas em eleições consideradas um teste para a democracia europeia e marcadas pela ameaça de ascensão da xenofobia, 99 em cada 100 holandeses ignoravam que o passado do país incluía um período de mais de duas décadas controlando parte do território brasileiro, no século 17.

A estatística informal é levantada pelo historiador holandês Michiel van Groesen, em entrevista ao Blog Brasilianismo. ''Tenho 41 anos e nunca ouvi falar sobre o Brasil holandês na escola. Literalmente nada. Ninguém na Holanda sabe dessa história, pois ela foi institucionalmente esquecida'', explicou.


Professor da Universidade de Leiden e autor do livro recém-lançado ''Amsterdam's Atlantic: Print Culture and the Making of Dutch Brazil'' (Atlântico de Amsterdã: a cultura impressa e a construção do Brasil holandês, University of Pennsylvania Press), Van Groesen é um dos maiores especialistas no período em que a Holanda invadiu e dominou o Brasil, entre 1624 e 1654.

Segundo ele, a ignorância holandesa se dá porque depois da derrota do país para Portugal e Espanha e sua expulsão do Brasil, em 1654, os holandeses ficaram tão constrangidos e decepcionados pela perda do território no Nordeste brasileiro que resolveram apagar o vexame da sua história. É praticamente uma forma de despeito, como uma criança que perde um brinquedo e que se contenta e se engana ao pensar que não era algo tão bom de qualquer forma. Até hoje, ele explica, crianças não aprendem na escola sobre o período holandês da história brasileira.

O resultado disso é que em vez de ter uma relação próxima com sua ex-colônia, os holandeses têm uma visão simplista e estereotipada –quase sempre negativa– sobre o Brasil atual.

Na entrevista abaixo, Van Groesen fala sobre sua pesquisa nos arquivos da imprensa holandesa da época em que o Brasil estava sob seu controle. Segundo ele, apesar de ser um passado pouco conhecido, a colônia na América do Sul era um dos temas mais importantes para o país europeu e para a geopolítica ocidental do século 17.


Brasilianismo – Fala-se muito sobre como o Brasil se tornou mais visível internacionalmente nas últimas décadas, mas sua pesquisa diz que o país era um dos principais temas na mídia holandesa no século 17. Por que isso?
Michiel van Groesen – Os holandeses estavam em guerra contra a Espanha havia um bom tempo, desde 1568, a chamada guerra dos 80 anos. Em 1621, A Companhia das Índias Ocidentais foi fundada com a intenção de levar a guerra à Espanha, especialmente nas Américas. Desde o começo, ela tinha o objetivo de atacar o Brasil, pois eles esperavam que o país não estivesse tão bem defendido quanto as colônias originais da Espanha. É preciso ressaltar que, nesse período, as coroas espanhola e portuguesa estavam unidas. Então o objetivo era atacar a Espanha no Brasil, e a Companhia das Índias Ocidentais esperava até que os portugueses vivendo no Brasil fossem apoiar a invasão holandesa como resposta contra a Espanha –o que não aconteceu.

Nos anos 1620 a mídia na holandesa começou a preparar o apetite das pessoas para o potencial ataque contra o Brasil. Quando o ataque se materializa, em 9 e 10 de maio de 1624, e a notícia do sucesso holandês em Salvador chega à Holanda, três meses e meio depois, na última semana de agosto, a reação foi de alegria extrema.


Texto sobre a conquista de Olinda pelos Holandeses

Isso porque a guerra contra a Espanha não ia bem para a Holanda, e o ataque ao Brasil foi a única exceção à história negativa da guerra nos primeiros anos da década de 1620. Por isso, o Brasil se transforma em uma história imensa na imprensa holandesa, sinônimo do potencial para atacar e ferir a Espanha.

Por causa do sucesso do ataque e da alegria explícita dos holandeses e em toda a Europa –já que este é um dos maiores acontecimentos geopolíticos para o continente nos anos 1620– todo mundo no continente fica sabendo da invasão holandesa ao Brasil, com manchetes de capa de jornais na Holanda, na Alemanha, na França, na Itália e na Inglaterra.

Da mesma forma como eu e você nos lembramos das torres gêmeas e dos ataques de 11 de Setembro aos EUA, uma imagem icônica do mundo atual, aquele momento da captura holandesa de Salvador, em 1624, se torna um momento icônico para as gerações que tinham conhecimento político daquela época. Essa é a razão pela qual este acontecimento histórico ganha uma relevância tão grande na Holanda pelos próximos 30 anos, até 1654.


Brasilianismo – A narrativa muda em algum momento? Quando a cobertura passa a se interessar pelo Brasil, pela colônia holandesa, e não apenas com a guerra contra a Espanha?
Michiel van Groesen – Isso só muda no fim dos anos 1630. Até meados de 1630, todo o enfoque é sobre a guerra. Em 1625, os holandeses perdem controle de salvador, em 1630 eles conquistam o Recife, e leva alguns anos para que eles tenham controle de Pernambuco. Só depois de tomar controle de Pernambuco e regiões vizinhas é que eles se interessam pelo que o Brasil é e pelo que o Brasil tem a oferecer. Nessa história, claro, Maurício de Nassau é uma figura de grande importância.


O historiador holandês Michiel van Groesen

Meu livro é uma tentativa de contextualizar essa história de Mauricio de Nassau, que os brasileiros conhecem bem, mas que Holanda não conhece. Quando ando nas ruas aqui em Amsterdam e pergunto às pessoas o que elas sabem sobre o Brasil holandês, 99 de cada 100 pessoas dizem que nunca ouviram falar disso.

Brasilianismo – Os holandeses não sabem sobre a invasão do Brasil no século 17?
Michiel van Groesen –
Absolutamente não.

Se as pessoas souberem alguma coisa sobre o Brasil holandês é por causa de Maurício de Nassau e as pinturas de Albert Eckhout e Franz Post. Mas tenho certeza que apenas uma a cada cem pessoas na holanda sabe disso.


Brasilianismo – Por que Nassau era tão importante?
Michiel van Groesen –
Precisamos pensar em Maurício de Nassau como uma pessoa que não estava na frente da mídia no século 17, mas que ganhou a batalha pela memória do Brasil holandês.

Ele não era uma figura-chave na forma como seus contemporâneos tratavam do Brasil holandês. Na verdade, ele tem um papel pequeno no que jornais, panfletos e impressões tinham a falar sobre o Brasil holandês, mesmo no período em que ele governava a colônia, entre 1636 e 1644. Entretanto, ele faz uma campanha pessoal para fazer da memória do Brasil holandês sua própria. É aí que ele começa a pagar a artistas e escritores para registrar suas conquistas no Brasil. Mas ele não era tão crucial para a história política do Brasil holandês como muitas pessoas pensam, e certamente não tão crucial quanto os brasileiros costumam acreditar.


Brasilianismo – Por que os holandeses não sabem sobre o período em que o país dominou o Brasil?
Michiel van Groesen –
O motivo pelo qual as pessoas na Holanda hoje não sabem nada sobre o Brasil holandês é um paradoxo. A alegria nacional foi tão grande em 1624 e nos anos 1630, quando a expansão militar holandesa ia muito bem e todos no país eram muito otimistas sobre o que estava acontecendo –era inconcebível que os holandeses pudessem perder o Brasil–, que, quando isso aconteceu, entretanto, em 1654, foi tão doloroso que o Brasil holandês passou a ser apagado do debate público instantaneamente.

A partir de 1655, não vemos nada sobre o Brasil holandês sendo mencionado na mídia holandesa. É um rompimento radical com o que havia antes. A perda do Brasil foi tão dolorosa, que precisou ser esquecida rapidamente.

Até existem traços da história do Brasil holandês em literatura de educação dos séculos 18 e 19, com algum espaço na memória coletiva dos holandeses. As pessoas no país sabiam da história, assim como sabiam sobre a Indonésia. No século 19, entretanto, por conta do nacionalismo cultural e pela procura por uma cultura nacional da qual os holandeses queriam ter orgulho, o Brasil holandês foi sistematicamente esquecido. No fim do século 19 o Brasil holandês desapareceu dos livros de história da holanda. É por isso que eu, que tenho 41 anos, nunca ouvi falar sobre o Brasil holandês na escola. Literalmente nada. Ninguém na Holanda sabe dessa história, pois ela foi institucionalmente esquecida.


Brasilianismo – Como isso se encaixa na questão do que as pessoas na Holanda pensam sobre o Brasil historicamente. Seu livro diz que até o século 16 o conhecimento holandês sobre o Brasil vinha especialmente de livros franceses, e então, com a conquista territorial há uma cobertura frenética sobre o país na Holanda, que em seguida é apagado da memória. Como isso afeta a imagem do Brasil na holanda? As pessoas esqueceram da existência do Brasil?
Michiel van Groesen –
Meu livro quer mostrar essa evolução. Começo mostrando as histórias estereotipadas tradicionais que viajantes europeus escreviam sobre o Brasil, falando sobre canibalismo, por exemplo, de textos de pessoas como Hans Staden e Jean de Léry, que são histórias bem conhecidas na Holanda na época, com os livros se tornando best-sellers nos anos 1600, antes da conquista do brasil holandês. As pessoas na holanda conheciam bem essa imagem do Brasil, associando o país ao canibalismo, especialmente.

Essa história desaparece quando o Brasil se transforma numa história política, com cobertura intensa. Este Brasil substitui a imagem anterior, e se transforma numa discussão sobre a importância geopolítica do país para a divisão de poder na europa.

Depois que a Holanda perde o Brasil, por volta dos anos 1670 e 1680, vemos a volta da imagem anterior que o Brasil tinha. Vemos que os livros antigos, como o de Hans Staden, voltam a ser impressos em holandês.

Como forma de compensar o fato de o Brasil não poder mais ser associado com o sucesso político e militar que se esperava, eles voltaram às imagens estereotipadas do século anterior. Essas imagens são as que persistem e que ficam na mente dos europeus, e que continuam associadas à ideia de Brasil no continente até os séculos 18 e 19.

São duas histórias que não se conectam, mas que se alternam, fazendo com que a imagem do canibalismo selvagem se sobreponha ao fim doloroso do Brasil holandês. É um mecanismo interessante, uma forma de facilitar o esquecimento. Se eles admitissem a importância do Brasil, teriam que explicar por que não conseguiram manter a Colônia.


Brasilianismo – O livro fala sobre isso, mas vai além. Qual seu objetivo ao escrevê-lo?
Michiel van Groesen –
A principal ideia do livro é mostrar que a razão pela qual a Holanda perde o Brasil é a combinação de política e mídia em Amsterdam.

Políticos de Amsterdam desde o começo viam a colônia no Brasil como algo com custo alto, e pensavam que conseguiriam ganhar mais dinheiro mantendo o comércio livre como havia antes. Outras províncias da Holanda acreditavam na importância geopolítica do Brasil, mas Amsterdam força a mídia local a contar histórias negativas do Brasil holandês.

Isso fica claro após a rebelião portuguesa contra os holandeses. Então a mídia de Amsterdam se volta contra a ideia de manter uma colônia, e isso muda a história, pois as pessoas ainda acreditavam na alegria gerada pela conquista do Brasil. É então que Pierre Moreau começa a escrever livros críticos ao Brasil holandês, se contrapondo ao trabalho de divulgação feito por Nassau com Eckhout e Post.


Brasilianismo – De que forma seu trabalho se encaixa e como se diferencia da narrativa do Brasil holandês produzida do ponto de vista brasileiro?
Michiel van Groesen –
Há uma diferença chave. Quando historiadores brasileiros, a maioria de Pernambuco, escreve sobre o Brasil holandês, eles essencialmente escrevem sobre sua própria província, sua casa. Eu poderia ter feito o mesmo, e escrito um livro que contasse a história do Brasil holandês para o público da Holanda. A história que quero contar parte do Brasil holandês para contar uma história maior, tratando do Brasil e da Europa.

Meu livro tenta explicar que as Américas como um todo importavam para as pessoas em 70% da Europa, e que as Américas como um todo tinham o potencial de alimentar o debate político e a opinião pública na Europa. Por isso o caso do Brasil holandês é perfeito, pois ele era muito reconhecido por todo mundo na europa do século 17 –se você mencionasse a palavra Brasil entre os anos 1630 e 1650, todo mundo sabia que fazia parte de uma grande disputa geopolítica entre protestantes e católicos, que vinha acontecendo na Europa havia décadas.

A parte intrigante e decepcionante dessa história é que as pessoas na Europa não estavam tão interessadas nos habitantes indígenas do Brasil. Os europeus não se interessavam em debater a emergência do tráfico de escravos, que também é parte da história do Brasil holandês.

Não achamos essas histórias, sobre africanos e indígenas, na mídia holandesa da época. Já vemos aí a emergência da visão que privilegiava os interesses europeus nas Américas. Isso é parte importante dessa história do Brasil holandês, pois conseguimos mostrar o silêncio significativo em relação a partes da história que eram dolorosas ou desumanas demais, ou que simplesmente não era considerada relevante para os europeus da época.


Brasilianismo – E o que era considerado de fato relevante então? Qual era o foco da cobertura além da disputa geopolítica?
Michiel van Groesen –
Eles se interessavam extremamente pelas oportunidades que a paisagem local oferecia, pela vegetação exótica, pelo potencial medicinal que podia ser encontrado no Brasil. Esse é o tipo de coisa que começa a chamar atenção depois que a disputa militar se consolida. Esso está intimamente ligado ao papel de Nassau. É só depois da chegada dele no Brasil que esses assuntos ganham força na Europa.


Brasilianismo – Você diz que a imagem do Brasil na Holanda depois da perda do território voltou aos estereótipos. Como ela evoluiu desde então? O que se pensa sobre o Brasil na Hoalnda hoje?
Michiel van Groesen –
A minha impressão é de que os holandeses hoje sabem muito pouco sobre o Brasil, então a imagem não é muito bem definida. Além disso, eles veem a América Latina como um todo como não tendo um papel importante na órbita política internacional atualmente.

Jornais holandeses não dão muito espaço a questões da América Latina. Claro que se fala do que acontece no Brasil e nos outros países da região, mas é pouco em comparação com o que se fala sobre a China, a Índia, o Sudeste Asiático, os EUA.

O que mais encontro é ignorância, e talvez este seja um dos objetivos do livro, abrir a atenção das pessoas a um assunto que faz parte do passado delas, e que trata de um país que conhecem pouco, mostrar a ignorância sobre o passado dos holandeses como porta de entrada em torná-los mais interessados pelo que acontece no Brasil e na América Latina.


Brasilianismo – Quanto da ignorância em relação ao Brasil está associado a desconhecimento e quanto está preso a estereótipos? A pesquisadora de Cambridge Vivien Kogut Lessa de Sá diz que estereótipos do século 16 existem até hoje no mundo. O que acha disso?
Michiel van Groesen –
Os holandeses não têm mais os estereótipos que tinham nos séculos 16 e 17, sem duvida. O que há em termos de estereótipo é uma dicotomia, em que os europeus se veem como tendo superado o colonialismo e sendo modernos e ocidentalizados, enquanto a América Latina não é vista como um lugar tão moderno, ocidentalizado, quanto a Europa. É como se a América Latina não estivesse tão bem preparada para o futuro.

Pode-se chamar isso de estereótipo, mas eu chamo de ignorância. Chamar de estereótipo é dar crédito a essas pessoas. Elas não têm necessidade de pensar sobre a América Latina, então elas não pensam.

O que estamos lendo em jornais sobre o Brasil nos últimos 5 a 10 anos são uma confirmação disso. São reportagens sobre corrupção, sobre a Copa do Mundo não ter sido organizada de forma apropriada, sobre a Olimpíada no Rio, que não poderiam ser bem-sucedidas porque o Brasil não conseguiria organizar. Essas ideias superficiais dominam a forma como os holandeses pensam sobre o brasil hoje.


Brasilianismo – Podemos chamar de preconceito, então?
Michiel van Groesen –
É uma palavra melhor do que estereótipo. É uma palavra que me ajuda, pois quero que meu livro ajude a quebrar preconceitos.


Brasilianismo – Sua pesquisa diz que a Holanda era um importante centro de produção de conteúdo e informações na Europa da época. Como acha que a Holanda contribuiu para a disseminação da imagem do Brasil no século 17 em outros países?
Michiel van Groesen –
Contribuiu muito. O Brasil holandês foi um momento de reconhecimento para a mídia holandesa, que passou a ter distribuição além do território do país. A partir de 1624, publicações de toda a Europa passam a copiar o que os jornais de Amsterdam diziam. A partir de 1630, a mídia holandesa começou a traduzir sua produção para outras línguas, dado o apelo internacional do Brasil holandês, e as editoras holandesas passam a ter alcance internacional –isso graças também ao fato de que a imprensa holandesa era mais livre do que a de outros países.

Nos anos 1630, a cobertura holandesa sobre o Brasil era traduzida para o francês, para o alemão, levando a história a uma audiência mais ampla. Isso é algo que Nassau percebeu quando voltou à Europa. Ele quis que sua história positiva sobre o Brasil se espalhasse. Ele foi muito eficiente em fazer isso não apenas na Holanda, mas em toda a Europa. Seu objetivo era produzir pinturas, tratados científicos, publicando em latim, para que pessoas de toda a Europa tivessem acesso.


Brasilianismo – Muitos brasileiros acham que, se os holandeses tivessem ficado no Brasil, um lugar como Pernambuco seria mais desenvolvido do que é hoje. Como seria o Brasil, caso a Holanda nao tivesse perdido o território no Nordeste?
Michiel van Groesen –
É uma ilusão achar que o Nordeste estaria melhor. Isso persiste por causa de Nassau e do trabalho e relações públicas feito por ele no século 17. Isso se baseia em publicações pagas por Nassau para divulgar essa imagem positiva.

Apesar de ser uma ilusão, é essa ilusão que protege a memória do Brasil holandês. A falta dessa ilusão na Europa faz com que os holandeses não conheçam a história. Então a ilusão tem benefícios. É impressionante que essa ilusão seja tão poderosa em uma região do Brasil e inexistente completamente na Holanda.


Fonte: Blog do Brasilianismo / Portal UOL Notícias

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