quinta-feira, 30 de março de 2017

Milhões de muçulmanos marcham contra o Estado Islâmico durante peregrinação


Milhões de muçulmanos xiitas fizeram uma declaração incrivelmente encorajadora contra o Estado Islâmico (ISIS), arriscando suas próprias vidas, no caminho para a cidade de Karbala, no domingo e na segunda-feira da semana passada, para o dia sagrado de Arbaeen.

Mulheres, homens, idosos e crianças pediam o fim das atrocidades cometidas pelo grupo terrorista e mostraram ao mundo – mesmo com quase nenhuma cobertura da grande mídia – que milhões de muçulmanos reprovam as ações do ISIS, que usa a religião para justificar suas atrocidades.

O Arbeen é um evento religioso que lembra a morte do neto do profeta Maomé, Imam Hussein. Como informou o jornal Independent, os muçulmanos xiitas são alvo de ataques do ISIS na sua campanha sangrenta para estabelecer um califado de linha dura no Iraque e na Síria.

“Eu vim caminhando de Basra com minha filha e três filhos… Essa é a terceira vez. Nós começos a andar 13 dias atrás e chegamos a Karbala na noite de domingo”, disse Pilgrim Jaber Kadhem Khalif. Segundo o Independent, suas orações eram para o grupo paramilitar Hashed al-Shaabi, que luta contra contra o Estado Islâmico.

Umm Ali, outra peregrina, também foi à Karbala orar pelo seu marido, que atualmente está combatendo o ISIS. “Eu vim com meu filho e duas filhas. Eu vim de Samawa para Najaf, depois de Najaf para Karbala a pé, para fazer um apelo pela segurança do meu marido”, disse. “Pedimos a Deus que nos proteja contra os membros do Daesh [ISIS]”.

Apesar de ser uma das maiores marchas do mundo, o Ocidente a ignorou completamente. O Arbeen é um evento de proporções maiores do que a peregrinação à Meca – no entanto, Meca é o único evento muçulmano que vira manchete nos jornais do Ocidente. Dado que os muçulmanos xiitas estão protestando contra o ISIS, não é um evento que podemos ignorar, pois mostra que a maioria dos muçulmanos repudia o grupo.

Leia a matéria na íntegra aqui.


Fonte: Portal Razões para Acreditar

Seminário sobre segurança discute medo e questões de gênero

Foto: Júlio Minasi (Secom/UnB)
Mesa de abertura do Seminário Segurança se Faz em Comunidade e com Respeito à Diversidade


Reunidos no auditório da ADUnB na manhã desta quarta-feira (29), representantes da administração superior da UnB e do governo de Brasília, profissionais de segurança, professores e estudantes participaram da abertura do Seminário Segurança se Faz em Comunidade e com Respeito à Diversidade. Realizado pelo Decanato de Extensão (DEX), o encontro acontece em dois dias – nesta quarta e quinta-feira – e faz parte da série de atividades comemorativas pelos 55 anos da Universidade.

Segundo a organizadora do seminário, professora Mônica Nogueira, o interesse é iniciar as conversações sobre o tema, com contribuição de diversos setores da Universidade. A partir disso, a expectativa é que haja subsídios para uma futura formulação de diretrizes voltadas à política de segurança da instituição.


Tema Coletivo

A mesa de abertura foi composta pela reitora da Universidade, Márcia Abrahão; pela decana de Extensão (DEX), Olgamir Amancia; pelo decano de Assuntos Comunitários (DAC), André Reis; pelo prefeito do campus (PRC), Valdeci Reis; e pelo subsecretário de Gestão da Informação da Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Paz Social (SSP/DF), Marcelo Durante.

Também participaram do evento a decana de Planejamento e Orçamento (DPO), Denise Imbroisi; o diretor da Faculdade de Planaltina (FUP), Marcelo Bezerril; o deputado distrital Israel Batista; Rita Poly, representante da senadora Vanessa Grazziotin, e Marina Reidel, da Secretaria Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos do Ministério da Justiça e Cidadania.

“O tema é extremamente complexo. Não pode ser entendido apenas do ponto de vista policial. Precisa de pontos de vista diversos e de ser construída com o coletivo”, afirmou Olgamir Amancia (DEX), ao início das atividades. “A ideia é lançar aqui um fórum permanente de discussão de segurança na UnB. Para termos um ambiente de paz, de tolerância e de respeito”, prosseguiu.

De acordo com o decano de Assuntos Comunitários, André Reis, é necessário encontrar respostas para a Universidade e para a sociedade. “Este seminário vai fazer parte da história da UnB acerca do tema e, quiçá, dará material para a formulação de políticas públicas no Distrito Federal”, disse. O prefeito Valdeci Reis afirmou que a UnB está em contato com o governo de Brasília para interagir e melhorar questões do campus. “Uma das iniciativas que estamos estudando são os projetos de vitimização, em que se mapeia ilhas de violência na cidade. Como gestores, não podemos nos furtar de nossa responsabilidade. A UnB é o berço da educação. Temos todas as tecnologias aqui dentro. Precisamos colocar em prática essa expertise e aplicar aqui dentro”, opinou.

Representante da SSP/DF, Marcelo Durante instigou os presentes a refletir qual seria a solução para a segurança pública. “É possível resolver apenas usando a polícia? Pesquisas ao redor do mundo indicam que não. Mais do que colocar polícia na rua, precisamos juntar esforço da polícia com ações sociais. Desenvolver uma cultura da paz, com respeito, tolerância, voltada para controle do conflito e não para o combate”, disse. O gestor apontou ainda a necessidade de se fazer o diagnóstico correto sobre a atual conjuntura, para então desenhar uma política de segurança.

Medo

Marcelo Durante destacou a necessidade de considerar o impacto da sensação de insegurança no contexto dessas políticas. “Crime e sensação de medo não são sinônimos. Independentemente da situação do crime, o DF tem os índices mais altos de medo. Ao mesmo tempo que precisamos ter política para tratar a violência, precisamos ter políticas para tratar o medo”, explicou.

Algumas das ações feitas pela Universidade de Brasília para tentar reduzir os índices de violência e a sensação de insegurança, como a poda de mato alto e a identificação dos pontos de falta de iluminação, foram citadas pela reitoria Márcia Abrahão. “Além disso, aproveitamos um sistema desenvolvido pelos estudantes de Engenharia que funciona como aplicativo para Android ou site, o UnB Alerta”, acrescentou.

“A segurança não se encerra com essas ações. Há também ações pedagógicas, de orientação, formação da nossa comunidade e da sociedade. Aqui, lidamos com vários tipos de violência, como as de gênero, de raça, contra orientação sexual, os assédios. São desafios enormes”, avaliou a reitora.


Segurança e gênero 

A mesa de diálogo Os Desafios da Segurança Pública e a Violência de Gênero foi o primeiro painel do seminário. Nela, a professora Lourdes Bandeira, coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre a Mulher (Nepem/UnB), destacou as grandes desigualdades sociais presentes em ambientes universitários. “Em especial, as estudantes, as jovens mulheres, as jovens mulheres negras e pobres. A violência de gênero trata de fato social, não exclusivo da UnB, mas que se manifesta aqui como trote, assédio, estupro e até assassinato”, disse.

“Essas práticas são precedidas por violências verbais, ameaças, humilhações, intimidações, associadas a outras violências físicas. Envolvem, sobretudo, alunas calouras, no rito de entrada. E as que tiveram pouco convívio no espaço acadêmico”, detalhou. Lourdes Bandeira citou dados de pesquisa realizada pelo Instituto Avon, em 2015. O levantamento aponta que 67% das estudantes das universidades de São Paulo relataram ter vivido algum tipo de violência. “Além disso, há normatização do estupro corretivo praticado contra jovens lésbicas."

A professora Cristina Zackeski, do Núcleo de Estudos sobre Violência e Segurança (Nevis/UnB), frisou que as políticas de contenção à violência contra mulher focam na circulação nos espaços públicos. “A rua é apontada como local do perigo, mas os mapas de vitimização apontavam a casa e o trabalho como locais de violência. Isso evidencia que as políticas estão focadas em problemas antigos de deslocamento, sendo que as violências ocorrem em locais tidos como mais seguros.”

Mediador da mesa, o professor Arthur Trindade (Nevis/UnB) voltou ao tema medo e reforçou o impacto negativo deste sentimento na vida em sociedade. “Causa ansiedade, gera limitações à circulação no espaço público”, listou. Para Trindade, faz-se necessário saber quais são, de fato, os principais problemas de segurança da UnB. “Temos fortes intuições, mas não sabemos. Normalmente nossas respostas são muito machistas. Qual é a maior causa do medo? Precisamos saber qual o problema, em diversas dimensões. Precisamos fazer um gerenciamento de riscos. Quais são os principais grupos de riscos? Quais são as maiores situações de risco? Do que a comunidade acadêmica tem mais medo?, instigou. “Arrisco dizer que giram em torno de problemas graves de assédios, estupros, ameaças sexuais, roubos e furtos."

Por fim, Lourdes Bandeira lançou uma provocação: “Evitamos falar disso, mas precisamos falar sobre o consumo de drogas e de álcool na UnB”, disse, em convite para a segunda parte do seminário, cuja primeira palestra se propôs a debater o tema Segurança, Saúde Mental, Uso e Abuso de Drogas.

O segundo dia do seminário, nesta quinta-feira (30), terá grupos de trabalho para debater os temas discutidos na tarde de quarta-feira. Ao final, haverá encaminhamentos sobre as proposições. O evento é aberto à comunidade acadêmica. Tendo em vista a proposta de construção de diálogo com diversos setores da população universitária, a participação é incentivada. Confira a programação.


Fonte: Portal da Universidade de Brasília - UnB

Seminário discute empoderamento político da mulher nordestina


Cerca de 200 mulheres devem participar do Seminário Mulheres Nordestinas, que será realizado pela Secretaria de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos (Semudh) em parceria com a Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres , nesta sexta-feira (31), no Centro de Convenções Ruth Cardoso, em Jaraguá. O empoderamento político da mulher nordestina como ferramenta de enfrentamento à violência é um dos propósitos do evento que reunirá mulheres de vários estados da região, além de parlamentares e ministros de Estado.

O seminário pretende discutir, de forma particular, a questão da mulher nordestina, com foco na ampliação do espaço feminino na atualidade. Entre os temas a serem abordados estão: Políticas para as Mulheres do Sertão, Cidadania e inclusão Social e Desafios e Perspectivas para as Mulheres. As palestras terão como mediadora a secretária da Mulher do Estado de Pernambuco e entre as debatedoras a secretária Nacional, Fátima Pelaes.

Na oportunidade, o Ministério da Saúde promoverá rodas de conversa sobre a saúde das mulheres nordestinas. A Violência contra a mulher e suas múltiplas formas; Saúde Sexual e Saúde Reprodutiva e Direito Sexual e Direito Reprodutivo são temas norteadores dos debates.

Para a secretária de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos de Alagoas, Claudia Simões, que irá falar sobre saúde mental, o momento será uma excelente oportunidade para a construção de políticas públicas cada vez mais eficazes. “Nós mulheres nordestinas temos nossas peculiaridades e podermos discuti-las durante esse encontro, com as várias lideranças, possibilitará a implementação de políticas públicas cada vez mais acertivas ”.

A importância e o fomento da autonomia econômica e da economia solidária também serão discutidos por representantes dos Ministérios da Integração, do Trabalho e do Meio Ambiente. O momento contará ainda, com a presença da direção do Instituto Avon, na Região Nordeste, que fará uma apresentação sobre empreendedorismo feminino e a relevância da autonomia econômica e da autoestima para a superação da violência.

As inscrições para o seminário devem ser feitas pelo www.semudhal.blogspot.com e estão limitadas a 200 participantes.


Fonte: Jornal Alagoas 24h

Lei sancionada cria Semana Nacional pela Não Violência contra a Mulher

Foto: Jefferson Rudy (Agência Senado)
Sessão deliberativa de 7 de março, quando foi aprovado o projeto que originou a Lei


A última semana do mês de novembro será transformada na Semana Nacional pela Não Violência contra a Mulher. É o que estabelece a Lei 13.421/2017, sancionada pelo presidente Michel Temer na segunda-feira (27) e publicada nesta terça-feira (28) no Diário Oficial da União.

A lei tem origem no Projeto de Lei da Câmara (PLC) 55/2016, aprovado em setembro de 2016 pela Câmara dos Deputados e no último dia 7 pelo Senado. A lei já vale a partir deste ano.

Na Semana Nacional pela Não Violência contra a Mulher, serão desenvolvidas atividades como palestras, debates, seminários, dentre outros eventos, pelo setor público em parceria com entidades da sociedade civil.

A Semana pela Não Violência contra a Mulher deverá ser articulada durante os 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres — uma campanha mundial vigente desde 1991 contra a violência de gênero. As atividades vão de 25 de novembro até 10 de dezembro (Dia Internacional dos Direitos Humanos), e passam por 6 de dezembro (Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres).

O PLC 55/2016, de autoria do deputado Chico Lopes (PCdoB-CE), foi relatado no Senado pela senadora Simone Tebet (PMDB-MS). Em seu relatório na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE), a senadora ressaltou que “enfrentar a violência contra a mulher requer mudanças culturais profundas. Exige, sobretudo, reflexão sistemática sobre os enormes prejuízos decorrentes de séculos de prática patriarcal, que contribuíram para a fragilização do lugar da mulher no mundo como sujeito social.”

Desde 2006, o país conta com a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006), principal instrumento legal de combate a violência contra a mulher. Já com a Lei do Feminicídio, sancionada pela então presidente Dilma Rousseff, em 2015, a morte de mulheres entrou no rol de crimes hediondos, diminuindo a tolerância nesses casos.


Heroínas da Pátria

Também foram sancionadas e publicadas nesta quarta-feira (28) leis que inscrevem os nomes de duas mulheres no Livro dos Heróis da Pátria. A Lei 13.422/2017 (PLC 69/2013) inscreve o nome de Clara Camarão, que combateu os holandeses na Batalha dos Guararapes; e a Lei 13.423/2017 (PLC 122/2013) inscreve o nome de Jovita Feitosa, voluntária do Exército na Guerra do Paraguai.

Com essas inclusões, passam a ser cinco as mulheres brasileiras representadas no chamado “Livro de Aço”. As duas se juntam à enfermeira Ana Néri e às revolucionárias Anita Garibaldi e Bárbara de Alencar. Ainda aguarda a sanção da Presidência a inclusão do nome de Zuleika Angel Jones, a estilista Zuzu Angel. O projeto que aguarda sanção (PLC 22/2017) também renomeia o Livro para Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, para explicitar que ele se destina a registrar o nome de “brasileiros e brasileiras” que tenham oferecido a vida à pátria, para sua defesa e construção, com excepcional dedicação e heroísmo.

O Livro dos Heróis da Pátria fica exposto no terceiro pavimento do Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, localizado na Praça dos Três Poderes, em Brasília (DF).


Fonte: Site do Senado

Pesquisa divulga dados sobre violência sexual na Bahia


No palco do Centro Cultural da Câmara Municipal de Salvador, 24 jovens do grupo Tá Ligado Em Que? narram a história de Flor, uma estudante de aproximadamente 15 anos, que mora com a mãe e o padrasto em um lar humilde da capital baiana.

Devido às transformações corporais oriundas da puberdade, a moça começa a ser elogiada pelos garotos da escola e, em casa, é assediada e violentada pelo padrasto, que ameaça matá-la se revelar para a mãe ou qualquer outra pessoa.

Porém, com ajuda dos colegas e do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente Yves de Roussan (Cedeca-BA), a garota consegue acompanhamento psicológico e o padastro é preso.

O drama vivido por Flor, no espetáculo baseado na cartilha de prevenção e cuidados do Cedeca-BA, é o reflexo do resultado divulgado nesta terça-feira (28) da pesquisa feita em cinco municípios do estado Bahia sobre “Cenários das Violências Sexuais Contra Crianças e Adolescentes”, por meio do projeto de intervenção Down to Zero, organizado pelo Plan Internacional Brasil (ONG internacional referência na defesa de direitos de crianças e adolescentes), ECPAT-Brasil (organizações da sociedade civil que trabalha para a eliminação da exploração sexual de crianças e adolescentes ), executado pelo Cedeca.

“Atuamos em Salvador e região metropolitana, pois o projeto se propõe a diminuir e erradicar até 2020 a violência sexual contra crianças e adolescentes”, explicou Sara Regiana de Oliveira, gerente de projetos da Plan, durante a apresentação.


Pesquisa

Segundo dados da pesquisa com base nas denúncias recebidas pelo canal Disque 100, desde 2011 o estado da Bahia tem o maior número de notificações de casos de exploração sexual de crianças e adolescentes: são 41.715 denúncias, sendo 26.263 relacionadas a violações de direitos de crianças e adolescentes.

Desses registros, 48% correspondem a casos envolvendo meninas; 37,6%, com meninos; e 14,4% não informaram.

“Dados sobre exploração sexual são muito difíceis de levantar, porque, infelizmente, a sociedade não conhece este fato como violação de direitos, muitos acham que crianças e adolescentes em contexto de exploração não são vítimas, mas causadoras do ato”, afirmou Sara Oliveira.

Além de Salvador, a pesquisa contemplou cidades da região metropolitana, a exemplo de, Camaçari, Lauro de Freitas, Itaparica, Vera Cruz e Mata de São João.

Para o cônsul honorário da Holanda na Bahia e Sergipe, Egbert Bloesma, é preciso que a sociedade mude o comportamento para erradicar a exploração. “ Mostramos o que a Holanda faz e a nossa visão sobre o problema da exploração sexual no Brasil”, comentou Bloesma, que criticou o comportamento da sociedade após o resultado da pesquisa.

Conforme o documento divulgado pela Down to Zero, entre às causas que impulsionam os índices de violência deste tipo, o tráfico de drogas aparece em primeiro lugar, com 78,7% de frequência.

“Na pesquisa, a gente mostra a diferença, não só entre exploração sexual e abuso sexual, mas de outras tipificações de violência sexual, trazemos o olhar dos entrevistados, de acordo com o senso comum, mas, ao mesmo tempo, trabalhamos com conceitos , trazendo a diferenciação entre o que a sociedade ouve e sabe e o conceito mais técnico da definição”, acrescentou Sara Oliveira.

A coordenadora-executiva do Cedeca, Luciana Andrade, destacou que a pesquisa foi quantiqualitativa, produziu e atualizou dados e conhecimentos sobre a violência e exploração sexual nos municípios já citados.


Fonte: Jornal A Tarde / Portal UOL Notícias

Maior parte das crianças com menos de 4 anos não frequenta creche


As barreiras que a população enfrenta para conseguir cuidar adequadamente das crianças pequenas foram transformadas no estudo inédito Aspectos dos Cuidados das Crianças de menos de 4 anos de idade. O levantamento, que integra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2015, do IBGE, aponta que a procura por creche é uma das principais demandas dos responsáveis por esses pequenos.

De acordo estimativa da Pnad 2015, há cerca de 10,3 milhões de crianças com menos de quatro anos no país, o que representa 5,1% do total da população. Desse total, 25,6%, ou seja 2,6 milhões, eram matriculadas em creche ou escola. A maior parte, entretanto, 74,4% - 7,7 milhões -, não era matriculada. Desse contingente de crianças de menos de quatro anos de idade não matriculadas em creche ou escola, os responsáveis por elas demonstravam interesse em fazê-lo em 61,8%, dos casos.

O levantamento de 45 páginas pesquisou 356.904 pessoas e 151.189 unidades domiciliares de todas as unidades da Federação, sendo que desse público, 18.291 era composto por crianças com menos de quatro anos. No Distrito Federal, foram visitados 3.663 residências, que englobavam 9.041 pessoas. Das crianças com menos de quatro anos do DF, 81,5% permaneciam de segunda a sexta-feira no mesmo local e com a mesma pessoa. No Centro-Oeste 13,1% das crianças pesquisadas iam à creche em 2015.

No Distrito Federal, 73,8% dos responsáveis questionados que ainda não estavam sendo atendidos por uma creche tinham interesse em matricular a criança. Desses, 42% tomaram alguma medida para conseguir a vaga. Os dados dessa pesquisa, são de “extrema importância para o desenho e a implantação de políticas de desenvolvimento social mais efetivas na área”, frisa o documento.


Renda per capita

A pesquisa aponta ainda que em 73,9% dos domicílios onde há crianças da faixa etária pesquisada, a renda per capita é de menos de um salário-mínimo, que 48,4% são cuidadas por pessoas com idade entre 18 a 29 anos, que 52,2% dos responsáveis tem 11 anos ou mais de estudo. Em todas as grandes regiões do país, o percentual de crianças que tinham homens ocupados como primeira pessoa responsável era maior que o de crianças que tinham mulheres nessa condição.

Do total, 84,4%, ou 8,7 milhões de crianças com menos de quatro anos, normalmente permaneciam, de segunda a sexta-feira, de manhã e de tarde, no mesmo local e com a mesma pessoa. Apenas 1,4 milhão de crianças de menos de quaro anos de idade,16,6%, permanecia sob os cuidados oferecidos em creche ou escola no período da manhã e da tarde.

A renda per capita também é menor nos domicílios com crianças do segmento pesquisado. Enquanto as classes correspondentes a menos de um salário-mínimo concentravam 40,9% dos domicílios em que não moravam crianças dessa faixa etária, naqueles em que elas habitavam essa proporção era de 73,9%. A partir de um salário-mínimo, a relação se inverte, com os domicílios sem moradores de menos de 4 anos.

O rendimento médio mensal domiciliar per capita dos domicílios em que havia crianças dessa faixa etária era de R$ 715, ou 53,% do valor daqueles em que não havia esses moradores, R$ 1.348; na Região Nordeste, essa proporção baixava para 51,7%; e na Sul, por outro lado, se elevava a 57,0%. “O menor percentual observado no Nordeste pode ser explicado, não só pelo fato de essa região já apresentar baixos rendimentos em relação à média nacional, como também por registrar participação maior de crianças desse grupo etário na composição de sua população residente”, destaca o relatório da pesquisa.

Com relação aos anos de estudo, o menor valor ficou entre os responsáveis do grupo sem instrução e menos de quatro anos de estudo, 7,5% e o maior entre aqueles com 11 anos ou mais de estudo, 52,2%. “Essa distribuição é semelhante à observada para a população em geral, acima de 15 anos, isto é: predomínio entre as pessoas com 11 anos ou mais de estudo e menor incidência entre aquelas do grupo sem instrução e menos de quatro anos de estudo”, destaca a pesquisa.


Interesse por creches

Os dados da pesquisa mostraram que, em 2015, das 10,3 milhões de crianças de menos de 4 anos de idade no país, 84,4% - 8,7 milhões - normalmente permaneciam, de segunda a sexta-feira, de manhã e de tarde, no mesmo local e com a mesma pessoa.

Verificou-se que, quanto menores as crianças, menos de um ano, além de permanecerem, de segunda a sexta-feira, de manhã e de tarde, no mesmo local e com a mesma pessoa, esse local era, principalmente, o domicílio em que residiam. A pesquisa também investigou que o motivo alegado para a criança permanecer durante todo o dia em determinado local era o fato de que esse ambiente escolhido oferecia as melhores condições de cuidados, alimentação, afeto e segurança para a criança, 76,7%.

Em 2015, das 10,3 milhões de crianças de menos de quatro anos de idade investigadas na pesquisa, 25,6% - 2,6 milhões - eram matriculadas em creche ou escola. A maior parte, entretanto, 74,4% - 7,7 milhões - , não era matriculada, isto é, não frequentava tal estabelecimento, nem de manhã, nem a tarde. Desse contingente de crianças não matriculadas em creche ou escola, os responsáveis por elas demonstravam interesse em fazê-lo em 61,8% dos casos. Com exceção da Região Norte, onde essa proporção foi de 58,2%, nas demais regiões, essa estimativa ficou em torno 62,0%.

O interesse do responsável em matricular as crianças crescia com o aumento da idade, atingindo os maiores percentuais entre as crianças de 3 anos de idade. Para aquelas na faixa etária de dois anos (75,7%) e três anos (82,8%), a Região Nordeste, dentre todas as Grandes Regiões, apresentou as maiores proporção de crianças cujo responsável tinha interesse em realizar matrícula em creche ou escola.

Antes deste levantamento, o Pnad coletava informações sobre crianças, mas apenas abordava apenas aspectos do trabalho infantil, para crianças entre 5 e 9 anos, e da frequência à escola ou creche, a partir dos 4 anos. Pela primeira vez foram investigados aspectos diferentes a respeito do público-alvo. O estudo procurou identificar questões além da frequência à escola ou creche, como local e com quem a criança fica durante o dia; as redes de proteção e cuidados destas crianças; se há diferenças na organização dos cuidados conforme a idade da criança e do responsável; se há diferenças na organização dos cuidados conforme a inclusão do responsável pela criança no mercado de trabalho; o interesse por vaga em creche das famílias que possuem crianças com menos de 4 anos de idade e as dificuldades encontradas para acessar este serviço.

Além, da pesquisa sobre a primeira infância, a Pnad 2015 realizou mais duas investigações. Foram aspectos das Relações de Trabalho e Sindicalização, e Prática de Esportes e Atividade Física. Esses dois suplementos ainda serão divulgados.


Fonte: Jornal Correio Braziliense

Governo reduz em 61% verba para atendimento à mulher em situação de violência


O valor autorizado para gastos com atendimento à mulher em situação de violência caiu 61% em 2017 em relação ao ano passado.

Os recursos destinados à rubrica passaram de R$ 42,9 milhões em 2016 para R$ 16,7 milhões neste ano –R$ 3,6 milhões já foram usados. Os dados são do portal do orçamento do Senado Federal.

O montante voltado ao incentivo a políticas de autonomia das mulheres também sofreu corte considerável neste ano.

De R$ 11,5 milhões em 2016, o valor passou para 5,3 milhões em 2017, uma redução de 54%. Do total autorizado para gastos neste ano, R$ 309,6 mil foram desembolsados.

Em contrapartida, a quantia liberada para a central de atendimento à mulher subiu 13%. Saiu de R$ 31,9 milhões no Orçamento de 2016 para R$ 36,2 milhões em 2017, uma variação de 13%.

Eis uma tabela comparativa com os valores autorizados para gastos em 2016 e 2017.



Temer e as mulheres

O governo federal é frequentemente criticado por movimentos ligados aos direitos das mulheres. Quando começou a gestão Temer, os cargos do 1º escalão do governo eram ocupados apenas por homens. Hoje, duas das 28 pastas da Esplanada são comandadas por mulheres.

Mais recentemente, uma fala do presidente teve péssima repercussão. Em seu discurso em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, Temer as exaltou por cumprirem tarefas domésticas –como educar os filhos. A declaração, dada no salão nobre do Palácio do Planalto repleto de servidoras e com a presença das ministras Luislinda Valois (Direitos Humanos) e Grace Mendonça (AGU), causou desconforto entre os ouvintes.

O Poder360 procurou a Secretaria de Políticas para as Mulheres do governo federal para comentar a redução de verbas. Não obteve resposta.


Fonte: Jornal Poder 360

Por que prisão domiciliar não é aplicada para mães negras e pobres no Brasil?


O STJ (Supremo Tribunal de Justiça) autorizou a advogada Adriana Ancelmo, mulher do ex-governador do Rio Sergio Cabral, a cumprir prisão domiciliar. Adriana teve a prisão preventiva decretada em 6 de dezembro de 2016, no âmbito da Operação Calicute, desdobramento da Lava Jato no Rio, que também levou à cadeia o ex-governador.

Entretanto, o tratamento jurídico dispensado as demais internas com filhos menores ou até mesmo em fase de amamentação, não são os mesmos concedidos a ex-primeira dama Adriana Ancelmo, muito pelo contrario, algumas chegam até amamentarem seus filhos recém nascidos através das grades de suas respectivas celas, devido ao fato de que, apenas 33% dos presídios femininos brasileiros possuem berçário, número que cai para 6% em presídios mistos segundo levantamento do Ministério da Justiça.

“Se ninguém se compromete a cuidar da criança, ela é destinada a um abrigo”.

A Lei n. 13.257, editada em dia 8 de março de 2016, que alterou artigos do Código de Processo Penal. A mudança amplia o rol de direitos das mulheres presas no Brasil, que hoje representam 6,4% da população carcerária do país, número que vem crescendo em ritmo muito maior do que a população carcerária do sexo masculino. De acordo com o levantamento nacional de Informações Penitenciárias do Ministério da Justiça (Infopen), em quinze anos (entre 2000 e 2014) a população carcerária feminina cresceu 567,4%, chegando a 37.380 detentas. Já a média de crescimento masculino foi de 220,20% no mesmo período.


Na amamentação

Enquanto estiver amamentando, a mulher presa tem direito a permanecer com o filho na unidade, caso o juiz não conceda a prisão domiciliar. A cartilha esclarece que a mulher não perde a guarda dos filhos quando é presa, mas a guarda fica suspensa até o julgamento definitivo do processo ou se ela for condenada a pena superior a dois anos de prisão. “Enquanto a mulher estiver cumprindo pena, a guarda de filhos menores de idade fica com o marido, parentes ou amigos da família. Depois de cumprida a pena, a mãe volta a ter a guarda do filho, se não houver nenhuma decisão judicial em sentido contrário”.

O texto do Novo Código de Processo Civil aprovado em (17/7/2013) por uma comissão especial da Câmara dos Deputados traz uma novidade que, se usada na medida correta, pode revolucionar o tratamento de ações sobre o mesmo assunto que chegam aos milhares no Judiciário brasileiro. A novidade responde pelo nome de incidente de resolução de demandas repetitivas.

Em termos mais simples, trata de permitir que processos idênticos tenham resultados iguais, independentemente do juiz que irá julgar o caso. A medida pode acabar com o caráter muitas vezes lotérico da Justiça, que permite que um cidadão vença determinada demanda e seu vizinho, com um processo exatamente igual, perca a ação.

Com isso se mantida a decisão liminar do STJ no caso da ex primeira dama Adriana Alcelmo, poderemos ter milhares de internas colocada em prisão domiciliar.


Fonte: Portal Geledés / Portal Juntos pelo Brasil

Artigo - Sobre relacionamentos modernos e a disputa de quem se importa menos



Por: Bianka Vieira


Se por muito tempo permanecemos adormecidos pelo feitiço do amor romântico, a partir do momento em que nos damos conta de que tudo era uma farsa e de que o tal príncipe destinado a nos tirar daquele sono solitário jamais viria, o jogo vira bruscamente. Ao declarar morte ao sentimentalismo meloso e às demonstrações exageradas de afeto, muitas das idealizações e juras de amor eterno deram lugar a uma suposta racionalidade caracterizada pelo desapego e pela disputa de quem se importa, demonstra e cobra menos dentro de um relacionamento.

Nessa de levar uma vida moderninha, ninguém quer assumir o papel antiquado de ser a pessoa que se interessa mais do que a outra na relação. Desde situações mais simples, como ser a primeira a mandar mensagem no dia ou chamar para sair, a outras mais complexas, como se abrir ou exigir respostas em momentos mais tensos, há sempre uma barreira que nos impede de agir espontaneamente, levando-nos a um calculismo prévio para cada movimento e proporcionando um desgaste imenso.

Isso porque, basicamente, os relacionamentos modernos sustentam-se em jogos psicológicos tão subliminares que não servem para outra coisa senão encher nossas cabeças com futilidades. Dentro dessa nova moda, por exemplo, a regra diz que, se ele levou duas horas para te responder no WhatsApp, isso quer dizer que você deve esperar mais duas para responder e não parecer a desesperada que olha o celular de minuto em minuto, certo? Errado.

O medo da entrega e de um lance mais sério tem nos levado ao ridículo da covardia amorosa. Se após a primeira ou segunda noite de sexo rola a menor demonstração de intimidade, a primeira resposta é correr. Carinho na frente dos outros nem pensar. Falar sobre aquela música que te faz lembrar de vocês dois? Brega. A ideia de demonstrar seu gostar te enche de calafrios por saber que a recíproca não virá. Dizer um “te amo”, então, é declarar a própria morte em praça pública.

Afinal de contas, para que se arriscar tanto se expressando se já fazemos o suficiente através de interações nas redes sociais?

A verdade é que um like não é sinônimo de amor e que é preciso muito mais atitude do que demonstrar suas emoções através de um clique. Dessa forma, enquanto permanecermos compenetrados nesta fria competição de ver quem “está mais nem aí”, o melhor orgasmo da sua vida deixará de ser compartilhado, assim como seus melhores momentos juntos nunca serão recordados em voz alta.

Seguindo esse caminho fatal, provavelmente seus relacionamentos incipientes serão rompidos assim, do nada, com um deixando a vida do outro sem saber de sua importância e significado durante o tempo em que estiveram juntos. Ah! E é claro que isso acontecerá através da internet, sem qualquer exigência de uma conversa cara a cara, já que você pode até sofrer e chorar as pitangas por aquele término, mas ninguém precisa saber.

Seja por uma síndrome de querer ser a diferentona que não se machuca ou seja por medo de perder a pessoa amada — já que a mãe Diná não está mais aqui para trazê-la de volta —, estamos nos enfiando cada vez mais em uma lógica de modernidade tóxica na qual a entrega é terminantemente proibida e se permitir sentir está fora de cogitação.

Ao desprender tanta energia desconstruindo filmes da Disney e se convencendo de que tudo não passa de mera ficção, fugimos cada vez mais de nossa própria realidade e da constatação de que sim, ainda gostamos de nos envolver, andar de mãos dadas, gostar, gozar e, se der vontade, se sentir livre e à vontade para dizer que quer repetir tudo mais uma vez.


* Bianka Vieira é aspirante a jornalista desde não se sabe quando, Bianka (com K) ama Billie Holiday, George Harrison, vinis, filmes antigos e tudo o mais que for brega. Inconstante que é, se apaixona e desapaixona todo dia pelas pequenezas da vida.


Fonte: Portal Fãs da Psicanálise / Portal Lado M

Artigo - Quem tem medo de artista?



Por: Wagner Moura*


Artistas são seres políticos. Pergunte aos gregos, a Shakespeare, a Brecht, a Ibsen, a Shaw e companhia -todos lhe dirão para não estranhar a participação de artistas na política.

A natureza da arte é política pura. Numa democracia saudável, artistas são parte fundamental de qualquer debate. No Brasil de Michel Temer, são considerados vagabundos, vendidos, hipócritas, desprezíveis ladrões da Lei Rouanet.

Diante de tamanha estupidez, fico pensando: por que esses caras têm tanto medo de artistas, a ponto de ainda precisarem desqualificá-los dessa maneira?

Faz um tempo, dei muita risada ao ver uma dessas pessoas, que se referia com agressividade a um texto meu, dizer que todo bom ator é sempre burro, pois sendo muito consciente de si próprio ele não conseguiria "entrar no personagem".

Talvez essa extraordinária tese se aplicasse bem a Ronald Reagan, rematado canastrão e deus maior da direita "let's make it great again". De minha parte, digo que algumas das pessoas mais brilhantes que conheci são artistas.

Esse medo manifestado pelo status quo já fez com que, ao longo da história, artistas fossem censurados, torturados e assassinados. Os gulags de Stálin estavam cheios de artistas; o macarthismo em Hollywood também destruiu a vida de muitos outros. A galera incomoda.

Uma apresentadora de TV fez recentemente sua própria lista de atores a serem proscritos. Usou uma frase atribuída a Kevin Spacey, possivelmente dita no contexto de seu papel de presidente dos EUA na série "House of Cards".

A frase era a seguinte: "a opinião de um artista não vale merda nenhuma". Certo. Vale a opinião de quem mesmo? Invariavelmente essas pessoas utilizam o chamado argumento "ad hominem" para desqualificar os que discordam de suas opiniões.

É a clássica falácia sofista: eu não consigo destruir o que você pensa, portanto tento destruir você pessoalmente. Um estratagema ignóbil, mas muito eficaz, de fácil impacto retórico. Mais triste ainda tem sido ver a criminalização da cultura e de seus mecanismos de fomento, cruciais para o desenvolvimento do país.

Aliás, todos os projetos sérios de Brasil partiram de uma perspectiva histórico-cultural, como os de Darcy Ribeiro, Caio Prado Jr., Sérgio Buarque de Holanda e Gilberto Freyre.

Ver o ministro da Cultura dando um ataque diante do discurso de Raduan Nassar só faz pensar que há algo mesmo de podre no castelo do conde Drácula. Mesmo acostumado a esse tipo de hostilidade, causou-me espanto saber que o ataque, na semana passada, partiu de uma peça publicitária oficial da Republica Federativa do Brasil.

Sempre estive em sintonia com a causa do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto); fiz com eles um vídeo que tentava explicitar o absurdo dessa proposta de reforma da Previdência.

O governo ficou incomodado e lançou outro vídeo, feito com dinheiro público, no qual me chama de mentiroso e diz que eu fui "contratado" -ou seja, que recebi dinheiro dos sem-teto brasileiros para dar minha opinião.
O vídeo é tão sem noção que acabou suspenso, assim como toda a campanha publicitária do governo em defesa da reforma da Previdência, pela Justiça do Rio Grande do Sul.

Um governo atacar com mentiras um artista, em propaganda oficial, é, até onde sei, inédito na história, considerando inclusive o período da ditadura militar.

Mas o melhor é o seguinte: o vídeo do presidente não conseguiu desmontar nenhum dos pontos levantados pelo MTST.

O ex-senador José Aníbal (PSDB) escreveu artigo em que me chama de fanfarrão e diz que a reforma só quer "combater privilégios". Devo entender, então, que o senhor e demais políticos serão também atingidos pela reforma e abrirão mão de seus muitos privilégios em prol desse combate? E o fanfarrão ainda sou eu?

Se o governo enfrentasse a sonegação das empresas, as isenções tributárias descabidas e não fosse vassalo dos credores da dívida pública, poderíamos discutir melhor o que alardeiam como rombo da Previdência.

Mas eles não querem discutir nada, nem mesmo as mudanças demográficas, um debate válido. O governo quer é votar logo a reforma, acalmar os credores, passar a conta para o trabalhador e partir para a reforma trabalhista antes que o povo se dê conta.

Tenho uma má notícia: no último dia 15, havia mais de um milhão de pessoas nas ruas do país. Parece que não é só dos artistas que eles deverão ter medo.


* Wagner Moura é ator. Protagonizou os filmes "Tropa de Elite" (2007) e "Tropa de Elite 2" (2010). Foi indicado ao prêmio Globo de Ouro, no ano passado, pela série "Narcos" (Netflix)


Fonte: Jornal Folha de São Paulo

Fundo Internacional para a Diversidade Cultural está com inscrições abertas

Artistas, criadores, ONGs podem candidatar-se para receber recursos do Fundo Internacional de Diversidade Cultural


A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) está com as inscrições abertas para a oitava edição do Fundo Internacional para a Diversidade Cultural (IFCD, na sigla em inglês) até o dia 14 de abril.

Podem se inscrever produções de obras artísticas e culturais e organização de eventos culturais e artísticos de nível nacional, regional e/ou internacional que contribuam para o fortalecimento da cultura, da criação artística e de políticas públicas culturais de países em desenvolvimento signatários da Convenção sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais, segundo as Diretrizes de uso dos Recursos do Fundo Internacional para a Diversidade Cultural (em tradução livre). O Brasil é signatário da Convenção.

O alvo são ONGs nacionais e internacionais, além de instituições públicas de países em desenvolvimento. Projetos das edições anteriores desenvolveram estratégias e planos de ação para implementação de políticas públicas de cultura; criaram uma nova indústria cultural e modelos de negócios; promoveram a igualdade de gênero, a cooperação Norte-Sul e Sul-Sul, a participação da juventude e de outros grupos na indústria cultural; e engajaram a sociedade civil nos processos de desenvolvimento de políticas públicas.

As inscrições devem ser realizadas na plataforma online (em inglês) do Fundo Internacional para a Diversidade Cultural. As candidaturas devem conter descrição do projeto, contribuições esperadas; resultados que podem ser alcançados, principais atividades, planejamento do orçamento e documentos requeridos. A UNESCO disponibiliza um guia para a elaboração dos projetos para o fundo aqui.
Sobre o Fundo Internacional para a Diversidade Cultural

O objetivo do Fundo Internacional para a Diversidade Cultural é investir em projetos que provoquem mudanças estruturais nas comunidades nos quais serão implementados, demonstrando o valor e as oportunidades que a cultura traz para os processos de desenvolvimento sustentável. Desde 2010, o Fundo investiu cerca de 6 milhões de dólares no financiamento de 90 projetos em 51 países em desenvolvimento.

O Brasil já teve dois projetos aprovados pelo Fundo Internacional da Diversidade Cultural. Em 2012, o Ponto de Cultura Vídeo nas Aldeias produziu programas infantis realizados por cineastas indígenas com recursos do Fundo. No edital de 2013, foi aprovado o projeto E-books Indígenas, da ONG Thydêwá, que contou com recursos ao longo de 2014. O projeto tinha como objetivo empoderar criadores indígenas de diferentes comunidades do Brasil por meio da promoção da participação dessas pessoas no setor de publicações digitais e da disseminação da Convenção de 2005 nas comunidades.

Projetos de instituições públicas e ONG locais passarão por uma pré-seleção nacional, conduzida por uma Comissão Nacional da UNESCO até 15 de maio de 2017.

Fonte: Portal da ONU

Comitê dos direitos das pessoas com deficiência da ONU destaca questões de gênero


A 17ª sessão do Comitê das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência teve início na segunda-feira (20) em Genebra, na Suíça, destacando a importância de se promover as questões de gênero nas agendas políticas dos países sobre esse tema.

De acordo com dados da ONU, atualmente, há cerca de 1 bilhão de pessoas com deficiência no mundo. “Nós pedimos a todos os governos que assegurem que uma base sólida de gênero esteja incorporada em suas agendas este ano, e pedimos medidas especiais para garantir que a voz e a experiência de meninas e mulheres ressoem dentro de suas deliberações”, disse a vice-diretora de direitos humanos da ONU, Kate Gilmore, durante o evento que ocorre até 12 de abril.

“O fato de que apenas uma mulher foi eleita pelos Estados-membros para fazer parte do Comitê é fundamentalmente inadequado”, acrescentou Gilmore, pedindo aos Estados que “corrijam essa situação inaceitável” nas próximas eleições.

Gilmore falou em nome do secretário-geral da ONU, António Guterres, que fez da paridade entre os sexos e da igualdade de representação das mulheres uma prioridade de seu mandato.

Durante a sessão, o Comitê, composto por 18 peritos independentes internacionais, analisou os direitos das pessoas com deficiência em Moldávia, Irã, Chipre, Bósnia e Herzegovina, Jordânia, Armênia, Honduras e Canadá.

Esses países estão entre os 172 Estados-partes da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, aprovada em dezembro de 2006 pela Assembléia Geral das Nações Unidas.

A Convenção da ONU pede a compreensão da deficiência como uma questão de direitos humanos e destaca obstáculos enfrentados por pessoas nessa condição, como o acesso físico a edifícios, estradas e transportes, bem como o acesso à informação através de comunicações escritas e eletrônicas.

Além disso, visa a reduzir o estigma e a discriminação, que são muitas vezes as razões pelas quais as pessoas com deficiência são excluídas da educação, do mercado de trabalho e de outros serviços.


Fonte: Portal da ONU

As diferenças entre as vacinas da Rede Pública e Privada


Apesar de ambas terem ótima qualidade e garantirem a proteção do seu bebê, algumas vacinas oferecidas na rede pública são diferentes daquelas existentes na rede privada. Saiba quais são essas diferenças e entenda como isso afeta a saúde do seu filho.


Tríplice bacteriana DTPa e tríplice bacteriana DTPW

As vacinas tríplices bacterianas protegem o bebê contra difteria, coqueluche e tétano. Na rede pública está disponível a DTPw que é feita a partir de células inteiras da bactéria. Já na rede privada existe a versão DTPa que é acelular, ou seja, não é feita com as células inteiras, mas sim com proteínas. “Ela é uma vacina mais purificada, só contém o que realmente é necessário para proteger o ser humano e por isso as chances de ocorrerem eventos adversos são menos frequentes e intensas”, explica a pediatra Isabella Ballalai, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). É importante ressaltar que na vacina DTPw, fornecida na rede pública, as chances de ocorrerem eventos adversos já são muito baixas.

Caso seu bebê tenha tomada uma dose da DTPw, que é oferecida na rede pública, e tenha apresentado febre alta por um tempo prolongado e outras reações adversas é recomendado passar a oferecer a DTPa. “Quem começou com uma pode completar o esquema com a mesma ou com a outra (são cinco doses em 2, 4, 6, 15 meses e 4 a 6 anos). Mas a proteção oferecida pelas duas vacinas é adequada contra a difteria, tétano e coqueluche, desde que seguindo os esquemas vacinais propostos”, explica o pediatra Yechiel Moisés Chencinski, membro do departamento de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da Sociedade de Pediatria de São Paulo.


Vacina Haemophilus influenzae tipo b e seus reforços

Haemophiluis influenzae tipo B é uma bactéria que pode causar uma série de doenças infecciosas com complicações graves, como: pneumonia, dor de ouvido, inflamação na epiglote, meningite, inflamação nas articulações, entre outros.

A vacina contra esta bactéria está disponível tanto na rede pública quanto na privada, com a diferença de que na rede privada há uma dose a mais. “O esquema padrão inicial dessa vacina é de 4 doses, que seriam 3 mais o reforço. Contudo, quando o Ministério da Saúde adotou essa vacina, a imunização em massa permitiu reduzir a circulação da bactéria e quando ela é praticamente eliminada, três doses são o suficiente. Dar a quarta dose é mais um cuidado extremo do que uma necessidade”, diz Isabella Ballalai.


Vacina rotavirus monovalente e vacina rotavirus pentavalente

A vacina de rotavírus é uma vacina de vírus vivo, oral. Ela pode ser monovalente, que protege apenas contra um sorotipo de rotavírus, mas oferece proteção cruzada contra outro sorotipo e é dada em duas doses. A vacina rotavirus monovalente é oferecida na rede pública.

A outra opção é a vacina pentavalente, que está presente na rede privada. Ela oferece imunidade contra 5 sorotipos diferente de rotavírus e é feita na clínica em três doses. Bebês que iniciam a vacinação com uma determinada vacina devem idealmente terminar o esquema vacinal com o mesmo produto. “Mas, na falta do mesmo produto, a vacinação não deve ser interrompida e a vacina que estiver disponível deverá ser administrada. Caso uma das doses tenha sido da vacina pentavalente, o total de três doses deverá ser realizado. E é importante ter atenção aos intervalos e datas limite para a aplicação dessas vacinas”, diz Yechiel Moisés Chencinski. Assim, a vacina pentavalente oferece uma proteção mais ampla.


Vacina pneumocócica conjugada 10 e vacina pneumocócica conjugada 13

As vacinas pneumocócicas conjugadas protegem as crianças das doenças causadas pela bactéria Streptococcus pneumoniae, como pneumonia, meningite e otite média aguda. A vacina pneumocócica conjugada (VPC 10), que está presente na rede pública, protege contra 10 subtipos de pneumococos. Já a vacina pneumocócica conjugada (VPC 13) irá proteger contra 13 subtipos de pneumococos. “Os principais pneumococos estão presentes na VPC10, mas a VPC13 irá proteger contra mais três subtipos, fazendo com que ela seja uma opção interessante”, constata Isabella Ballalai.

A VPC 13conta com 3 doses dadas aos 2, 4 e 6 meses e um reforço de 12 a 15 meses. “Se começar o esquema no posto de saúde, pode-se aplicar inicialmente a VPC10 (2 doses) e completar a 3ª dose e o reforço com a VPC13. Crianças com esquema completo de VPC10 podem se beneficiar com uma dose adicional de VPC13 com o objetivo de ampliar a proteção em crianças de até 5 anos, respeitando o intervalo mínimo de dois meses da última dose”, explica Yechiel Moisés Chencinski.


Vacina influenza

Na rede pública a vacina influenza, que protege contra a gripe, só é oferecida até os 5 anos de idade. A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomenda que todos sejam vacinados anualmente contra a influenza, independente da idade. “No Brasil não conseguimos doses para toda a população, por isso é preciso ter prioridades, como as crianças até 5 anos de idade”, explica Isabella Ballalai. Contudo, na rede privada é possível tomar esta vacina, sem pertencer aos grupos de risco.


Meningocócica conjugada C e Meningocócica conjugada ACWY

A vacina meningocócica conjugada C está presente na rede pública, enquanto a versão ACWY só pode ser encontrada na rede privada. Ambas previnem meningites. “Com a diferença que meningocócica conjugada C protege apenas contra o tipo C e a versão ACWY protege contra esses quatro tipos. O C é o responsável por 70% das meningocócicas do país, contudo o tipo W vem aumentando bastante sua participação, e já é a causa de 20% dos casos de meningocócicas no sul do Brasil”, alerta Isabella Ballalai. Por isso, a meningocócica conjugada ACWY é uma boa alternativa.


Vacina contra o HPV

A rede pública já oferece a vacina contra o HPV para meninas de 9 a 13 anos. “O problema é que o benefício não se estende aos meninos e a Sociedade Brasileira de Imunizações recomenda que eles também tomem esta vacina, seguindo o mesmo esquema de doses e idade”, explica Isabella Ballalai. Na rede privada os meninos podem tomar a vacina contra o HPV.


Vacina contra a hepatite A

A rede pública vacina as crianças contra a hepatite A com um ano de idade. “Contudo a rede privada segue a recomendação da SBIm e seis meses após esta primeira dose, aplica uma segunda”, observa Isabella Ballalai. Uma única dose desta vacina garante proteção até os 10 anos, mas não há certeza quanto a vida adulta. A segunda dose irá garantir a imunidade contra a hepatite A também na vida adulta.


Vacina varicela

A vacina varicela irá proteger as crianças contra a catapora. Contudo, a rede pública oferece apenas uma dose dela. “Isto não é o suficiente para prevenir a doença, apenas para evitar que a pessoa contraia versões mais graves dela. Na rede privada são oferecidas duas doses, sendo que a segunda irá de fato proteger contra a doença”, explica Isabella Ballalai.

Confira as principais reações às vacinas que as crianças podem ter aqui.


Fonte: Blog Bebê Mamãe

Mulheres que Fizeram História: Eartha Kitt, a atriz e ativista que teve sua carreira interrompida pela CIA, por ser contra a Guerra do Vitenã


Filha de mãe negra e pai branco, nasceu em uma fazenda produtora de algodão no estado da Carolina do Sul e iniciou a carreira artística como dançarina.

Como cantora, Eartha era conhecida por sua voz sensual e lançou seu primeiro álbum em 1954, o qual trazia canções como "C'est Si Bon" e "I want to be Evil". "Where is my man?", "Santa Baby", "Old Fashioned Girl" são outras músicas que se tornaram conhecidas do público.


Como atriz interpretou a segunda Mulher Gato no seriado Batman durante a década de 60, papel que assumiu depois que a atriz Julie Newmar abandonou o série. A Mulher Gato Negra não agradou os fãs na época.

Eartha chegou a ser chamada de "a mulher mais excitante do mundo" por Orson Welles, mas passou a maior parte da vida solteira.

Além de receber indicações a importantes prêmios como Emmy (TV), Grammy (música) e Tony (teatro), Eartha era polêmica por suas declarações. Na década de 60, teve de direcionar sua carreira para fora dos Estados Unidos, depois de se mostrar, durante um almoço na Casa Branca, contra a guerra do Vietnã.

A artista faleceu nos Estados Unidos aos 81 anos, vítima de câncer de cólon.


Fonte: Wikipédia / Facebook

Camille Claudel ganha museu na França


Foi inaugurado esta semana, na cidadezinha francesa de Nogent-sur-Seine, o primeiro museu dedicado à artista Camille Claudel, que reúne mais de 300 obras. O local foi instalado onde antes funcionava um museu municipal de esculturas. O vilarejo, onde Camille passou a adolescência, é pertinho de Epernay, onde ficam as principais vinícolas de Champagne. Ou seja, eis uma bela esticada entre uma degustação e outra.

Camille, que viveu entre 1864 e 1943, teve um romance tórrido com Auguste Rodin e sua luz quase foi ofuscada pela dele à época. Suas esculturas de impressionante expressividade buscavam traduzir os sentimentos humanos em materiais duros, como o bronze.


Para ajudar a situar o visitante na obra de Camille dentro de determinados tempo e espaço, o acervo do museu traz obras de importantes escultores da época: Marius Ramus (1805-1888), Paul Dubois (1829-1905) e Alfred Boucher (1850-1934).

A seção “A escultura no tempo de Camille Claudel” lança um olhar sobre como escultores saídos de uma formação clássica se situaram em um período de grandes transformações, sobretudo causadas pela Primeira Guerra Mundial. A técnica impecável para representar o corpo humano ganha mais sensibilidade e se torna uma busca constante de expressividade.


Camille só deixou sua obra de lado quando foi internada no Hospital Psiquiátrico de Ville-Evrard, acusada de ter se submetido a dois abortos. Como forma de protesto, ela se recusou a continuar esculpindo. Passou entre diferentes manicômios os últimos 30 anos da sua vida em absoluta solidão: nem mesmo seus pais a visitavam. Finalmente, um pouco de justiça se fez.


Fonte: Jornal Deutsche Welle (Alemanha) / Portal As Meninas

quarta-feira, 29 de março de 2017

Artigo - A relação que a filha tem com o pai influencia as relações amorosas no futuro, diz estudo



Por: Regina Rahmi


O pai é o primeiro “namorado” da menina (até ela descobrir que ele é casado com a mãe, mas essa é outra história…) e a primeira figura masculina na qual o menino vai se espelhar. E não tem jeito: a relação que a criança tem com ele vai interferir nos relacionamentos amorosos que construirá na vida adulta. O pai tem ser um exemplo bacana e valorizar a sua “princesa”. A menina que se sentiu amada por ele vai ter mais facilidade em se envolver em relacionamentos satisfatórios. Se ela sente que fracassou em conquistar o primeiro homem da sua vida, o caminho fica bem mais difícil, óbvio.

A ciência comprova a atração das mulheres por homens que se pareçam com o pai. Uma pesquisa publicada na revista Evolution and Human Behaviour apontou que as mulheres que foram bem tratadas pelos pais se sentem atraídas por homens que se parecem fisicamente com eles. Já a Universidade de Chicago fez uma pesquisa em que 49 mulheres cheiraram camisetas de dois voluntários: elas preferiram os cheiros de homens que tinham genes parecidos com os dos pais. Bingo.

E essa tarefa, de ser um exemplo bacana, é do homem, sim, ok, mas não só dele. Se a mãe valoriza o marido que tem, elogiando-o e falando dele de forma positiva para os filhos, vai potencializar ainda mais a identificação positiva que a criança terá com ele. O pai é figura determinante na fase dos complexos de Édipo e Electra (quando os filhos desejam o pai do sexo oposto e depois descobrem que esse amor é impossível).“O menino vai querer ser igual ao pai só para ter uma namorada como a mamãe”, diz Regina Rahmi, psicanalista, mãe de Bruno. A mesma coisa acontece com as meninas, que vão querer ser como a mamãe só para arranjarem um namorado tão bom quanto o pai.

Os pais que têm uma relação conflituosa influenciam os filhos da mesma maneira, infelizmente, não tem alternativa. Quem falou que é fácil? Não é porque viramos pai e mãe que nos tornamos perfeitos, claro… O lance é ir pilotando as coisas, percebendo quando acerta, quando erra e ir corrigindo. O importante é estar atento: aos seus sentimentos como pai e mãe, ao das crianças como filhos.

Seu relacionamento com o parceiro que vai servir de modelo para o que os seus filhos vão construir no futuro. se for bom, eles vão querer copiar. mas, se os pais briga­rem e se desrespeitarem muito, as opções são duas: ou os filhos vão procurar relações parecidas, igualmente explosivas, ou vão desejar parceiros que lhes darão exatamen­te o oposto do que os pais viveram.

Outra pesquisa recente, da Universidade de Londres, mostrou que a ausência de um dos pais pode mexer até no amadurecimento sexual dos filhos. As meninas que não convivem com os pais ou que enfrentam muito estresse em casa costumam menstruar mais cedo, por volta dos 8 ou 9 anos.

Como, hoje, as pessoas se divorciam mais do que antigamente, os jovens estão entrando na puberdade antecipadamente. Mas não precisa ser assim. Basta a gente lembrar que pai, mesmo não morando junto, tem de estar presente. Vamos combinar de uma vez que o termina é o casamento, não a relação com os filhos. Quando chega a hora de casar e ter filhos, acabamos descobrindo que a imagem que temos desses papéis veio justamente da experiência que tivemos como filhos. E, agora que viramos pais, e que a história começa de novo, vamos com calma, carinho e amor, fazendo o melhor que a gente pode para que os filhotes cheguem mais perto do felizes para sempre. Ou do eterno enquanto dure, o que for melhor pra eles.


Fonte: Revista Pais&Filhos

Circuncisão feminina, o pesadelo das meninas na Indonésia

Foto: Bay Ismoyo
A pequena Salsa Djafar chora ao passar por circuncisão


A pequena Salsa Djafar usa uma coroa dourada e um vestido violeta para uma festa bem particular: a celebração de sua circuncisão em uma região isolada da Indonésia.

Para esta menina de um ano e meio, assim como para muitas outras, é um pesadelo.

Em uma casa modesta na província de Gorontalo (centro), uma circuncisadora tradicional cobre a criança com um lençol branco e coloca a cabeça embaixo, segurando uma pequena faca.

De repente, corta o capuz clitoriano e os pequenos lábios da bebê, fazendo-a gritar de dor. Então, pega os pedaços cortados e os crava em um limão com sua faca. Este gesto marca o final de um ritual que supostamente deve livrar a pequena Salsa do pecado e mostrar que ela é oficialmente muçulmana.

"É difícil vê-la gritar assim, mas é a tradição", diz à AFP o pai da menina, Arjun Djafar, um operário de 23 anos, durante a cerimônia, amenizada com música local.

A mutilação genital feminina (MGF) - ablação parcial ou total dos órgãos genitais externos de uma mulher - é praticada há várias gerações na Indonésia, o país muçulmano mais populoso do mundo, e para muitas famílias é um ritual obrigatório.

Mas esta prática ancestral também tem muitos detratores, que tentam acabar com ela, e é criticada pelas Nações Unidas.

O governo indonésio já tentou proibi-la, mas enfrenta a forte resistência das autoridades religiosas deste arquipélago do sudeste asiático.

Agora, o governo de Jacarta tenta convencer a população a abandonar esta prática, considerada internacionalmente uma violação dos direitos básicos das meninas.


Oposição crescente

Não há nenhum lugar na Indonésia em que a mutilação genital seja mais popular do que em Gorontalo, província conservadora onde mais de 80% das meninas menores de 11 anos sofreram mutilações genitais, em comparação com uma média de 50% no resto do país, de 255 milhões de habitantes, segundo uma pesquisa do governo.

Apesar do sofrimento causado por estas circuncisões e a oposição crescente, os habitantes de Gorontalo, povoada majoritariamente por camponeses pobres, considera a ablação uma obrigação.

Para a circuncisadora Jadijah Ibrahim, que sucedeu sua falecida mãe na função, as meninas que não foram submetidas a circuncisão podem sofrer com "problemas mentais e deficiências".

Autoridades locais consideram que a prática evita, mais tarde, que as jovens levem uma vida devassa, e muitos indonésios acreditam que as muçulmanas que não foram submetidas a esta mutilação não serão aceitas por Deus.

A mutilação é uma prática comum nas regiões isoladas do arquipélago, mas também em Jacarta. Na capital, porém, se limita a um gesto simbólico: uma pessoa espeta com uma agulha o clitóris da menina, evitando assim as dores da mutilação.


'Prática nociva'

As Nações Unidas já adotaram duas resoluções contra esta "prática nociva" que pode provocar problemas como a infertilidade e um maior risco de complicações no momento do parto.

Na Indonésia, o debate sobre a mutilação genital feminina se intensificou nos últimos anos, e hoje até mesmo algumas organizações muçulmanas estão contra a prática, como a Muhamadiayh, a segunda do país, que dissuade seus partidários a recorrer a ela.

Tal opinião é compartilhada por Jorirah Ali, membro da comissão nacional para prevenir e erradicar a violência contra as mulheres. "Acredito que na minha religião não há nenhum versículo que autorize a mutilação feminina, não está no Alcorão", declara à AFP.

Mas a maior organização muçulmana do país, Nahdlatul Ulama, e o Conselho dos Ulemás, a mais alta instância religiosa, continuam sendo a favor.

Apesar das oposições, é pouco provável que a Indonésia ponha fim à mutilação genital feminina, diz à AFP Jurnalis Uddin, especialista no assunto.

"Querer se livrar totalmente desta prática é como nadar contra a corrente", aponta.


Fonte: Portal G1

Não é ‘ideologia de gênero’, é educação e deve ser discutido nas escolas, diz pesquisadora


Pesquisa realizada pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), no interior de São Paulo, mostrou que 32% dos homossexuais entrevistados afirmaram sofrer preconceito dentro das salas de aula e também que os educadores ainda não sabem reagir apropriadamente diante das agressões, que podem ser físicas ou verbais, no ambiente escolar.

Os dados, segundo os pesquisadores, convergem com aqueles apresentados em pesquisa do Ministério da Educação que ouviu 8.283 estudantes na faixa etária de 15 a 29 anos, no ano letivo de 2013, em todo o país, e constatou que 20% dos alunos não quer colega de classe homossexual ou transexual.

A professora do Departamento de Ciências Humanas e Educação (DCHE) da Ufscar, que é uma das autoras do estudo, Viviane Melo de Mendonça, afirma que o entendimento desse cenário e a busca por estratégias capazes de revertê-lo não são questões do movimento LGBT, mas sim uma questão da educação que deve ser defendida e compreendida por todos os educadores.
“A educação para a diversidade não é uma doutrinação capaz de converter as pessoas à homossexualidade, como se isso fosse possível. O objetivo é criarmos condições dentro das escolas para que professores e alunos possam aprender e ensinar o convívio com as diferenças que naturalmente existem entre todos”, disse a pesquisadora.

Segundo ela, este e outros estudos de gênero e sexualidade “contribuem para levantar questões e pensar em ações na escola em uma perspectiva da educação para diversidade e, desse modo, para uma educação que combata a discriminação e preconceitos, as violências de gênero, violência contra mulher e a violência homo, lesbo e transfóbica”.

Para a pesquisadora, a escola tem que ser um espaço aberto à reflexão e de acolhimento aos alunos em sua individualidade e liberdade de expressão.

Para a promoção da diversidade e dos direitos humanos nas escolas, de acordo com a pesquisadora, é necessária a formação de educadores para a questão.
“É necessário que a formação de professoras e professores tenham um debate mais aprofundado sobre as questões de gênero e sexualidade, com disciplinas obrigatórias que tratem do tema. É fundamental também que se desconstruam as resistências para se falar da diversidade sexual e das diferenças, bem como das desigualdades persistentes e estruturais em nossa sociedade que são, sim, produtoras das violências”, disse.

Plano Municipal de Educação

O tema da educação para a diversidade foi bastante debatido no ano passado durante a formulação dos Planos Municipais de Educação (PME), projeto que tem o objetivo de nortear o planejamento da educação para a cidade nos próximos 10 anos. Na capital paulista, após muitas discussões e protestos favoráveis e contrários, o projeto de lei que trata do PME foi aprovado pela Câmara Municipal de São Paulo, em agosto de 2015, mas o texto não incluiu questões de gênero e sexualidade.

Na época, o vereador Ricardo Nunes se referiu ao assunto como “ideologia de gênero” e justificou a retirada do tema do PME com referências a Deus e à religiosidade. Ele acredita que a educação relacionada à sexualidade cabe à família.

Já a vereadora Juliana Cardoso ressaltou os diferentes modelos de família que existem hoje. Algumas têm mulheres como chefes de família, pais homossexuais ou heterossexuais, somente pai ou somente a mãe, avós como referência materna e paterna, entre outros casos. “Essas famílias precisam ser visibilizadas na escola, porque refletem a realidade brasileira”, disse na ocasião.

Ela elencou ainda algumas mentiras, que estariam sendo disseminadas sobre a inclusão de gênero no PME, e disse que a exclusão de banheiros separados, os professores ensinando os alunos a serem transexuais e a destruição da família não correspondem à realidade: “queremos discutir gênero nas escolas para garantir respeito à diversidade.

A pesquisa da Ufscar apontou ainda que os ambientes familiar e religioso também são locais predominantemente de discriminação devido à orientação sexual. Com isso, os pesquisadores acreditam que a análise das questões familiares e religiosas como causadoras da violência homofóbica deve estar na agenda de proposições e ações para que haja superação desses problemas no cotidiano escolar.

“Apenas aceitando o desafio de um debate mais aprofundado sobre as questões de gênero e diversidade sexual é que se torna possível superar as dificuldades de se implantar uma perspectiva de gênero nas escolas e, assim, trazer para a cena a família e a comunidade de seu entorno”, disse Mendonça.


Fonte: Portal Geledes

Brasil é líder global em número de mulheres cientistas

Mulheres são autoras de 49% dos artigos científicos produzidos no Brasil e chegam a 17% das invenções, superando países como Estados Unidos e Japão


Um levantamento feito pela Elsevier, editora de artigos científicos, revelou que, em vinte anos, a participação feminina na produção científica no Brasil cresceu 11%. O estudo “Gender in the Global Research Landscape” comparou 12 países ao todo – como Estados Unidos, Japão e Reino Unido – usando critérios como número de artigos em publicações científicas e citações de pesquisadoras mulheres.

A pesquisa repercutiu em veículos de todo o mundo, como a revista Forbes (que publicou uma matéria com o título: Novo Estudo Surpreendente: Brasil é Líder Global em Igualdade de Gênero nas Ciências). No caso da publicação americana, o que chamou a atenção foi a incongruência entre os resultados e o quadro de discriminação por gênero no Brasil. Como apontou a Forbes, “as notícias sobre mulheres no Brasil tendem a ter cunho negativo”, se referindo ao número de feminicídios e ocorrências de violência de gênero no país.

Como a Elsevier constatou, entretanto, há o que comemorar quando o assunto é ciência. Dos artigos publicados no período analisado, que vai de 1996 a 2015, em média 40% dos autores eram do gênero feminino. No caso brasileiro, o número alcançou a casa dos 49%, beirando a paridade de gênero. Em termos brutos, só entre 2011 e 2015, isso equivale a 153.967 artigos contabilizados no Brasil.

Nos caso dos inventos elaborados por cientistas brasileiros, o índice de mulheres também surpreendeu. Entre 1996 e 2015, a taxa subiu de 11% para 17%. Atualmente, o número supera o resultado de países como o Reino Unido e mesmo da União Europeia como um todo, que chegaram ao marco de 12% de inventoras.


Outro lado da moeda

Agora, quando os artigos acadêmicos envolviam pesquisadores de outros países, a participação das mulheres ficava em desvantagem – 20%, em comparação aos 25% dos homens. No caso do Brasil, em comparação a gigantes da pesquisa como Estados Unidos e Reino Unido, essa taxa de colaboração internacional, ainda que por meio de textos científicos, é mais baixa.

A diferença com marca de gênero continua também em termos de mobilidade internacional das pesquisadoras – ou seja, quando saíam do país com o objetivo de desenvolver trabalhos sobre seu campo de estudo. No Brasil, as mulheres chegam a 32% do total de estudiosos que o fazem.

Como aponta o estudo, há uma possível relação entre os dois índices: se há menos colaboração nos artigos, há ainda menos networking com pessoas no exterior e instituições estrangeiras. No fim das contas, isso reduz a possibilidade de mobilidade internacional.

De modo geral, englobando os 12 países analisados pela pesquisa, o trabalho de mulheres cientistas tende a ser menos citado que o dos homens. A ala feminina sai em desvantagem também em produção acadêmica – ou seja, publica menos artigos científicos sobre os projetos que desenvolve.

Ainda existem, como apontam dados do governo brasileiro, obstáculos para que as pesquisadoras consigam bons postos de trabalho, remuneração compatível e oportunidades no meio acadêmico.


Fonte: Portal Estudar Fora

Cientistas descobrem que cafeína protege o cérebro contra demência


A demência é uma complicação capaz de prejudicar consideravelmente a qualidade de vida de idosos. No planeta, cerca de 46 milhões de pessoas são acometidas por ela. Um universo de pacientes que motiva cientistas a encontrar soluções para o problema. Em testes com ratos, um grupo dos Estados Unidos identificou a cafeína como substância promissora. A investigação, apresentada nesta semana na revista Scientific Reports, ainda é inicial, mas surge como uma esperança para a criação de medicamentos que possam proteger o cérebro de danos cognitivos.

Em trabalhos anteriores, a equipe descobriu que a enzima NMNAT2 tem duas ações benéficas ao cérebro: protege os neurônios do estresse e realiza um fenômeno chamado chaperone, que é o combate ao acúmulo de proteínas tau, complicação ligada ao Alzheimer e a outras demências. “Ela é um fator-chave de manutenção neuronal. Um robusto sistema de manutenção é necessário para manter os neurônios saudáveis e protegê-los do estresse ao longo de nossa vida. Nosso estudo publicado no ano passado foi o primeiro a revelar a função chaperone na enzima”, detalha ao Correio Hui-Chen Lu, líder da pesquisa e professora do Departamento de Ciências Psicológicas e Cérebro da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos.

Em análises paralelas, os cientistas avaliaram o cérebro de 500 idosos submetidos a testes cognitivos frequentes até morrerem. Os investigadores detectaram níveis mais elevados de NMNAT2 naqueles com maior resistência ao declínio cognitivo. “Vimos também que as pessoas com uma quantidade menor da enzima foram mais propensas a sofrer de demência, sugerindo que a NMNAT2 ajuda a preservar neurônios relacionados com a aprendizagem e a memória”, detalha a autora do estudo.

Hui-Chen Lu e a equipe saíram em busca de alguma substância que pudesse ajudar a aumentar a quantidade da enzima no cérebro. Testaram 1.280 compostos em ratos. Como resultado, a cafeína e outros 23 compostos mostraram o potencial almejado pelos pesquisadores, com a primeira sobressaindo. O rolipram também se mostrou promissor, mas esse antidepressivo parou de ser produzido na década de 90 devido aos efeitos colaterais.

Para confirmar o efeito da substância presente no café, os investigadores a administraram em camundongos modificados geneticamente para produzir níveis mais baixos de NMNAT2. “Os ratinhos que receberam a cafeína começaram a produzir os mesmos níveis da enzima que os ratinhos sem o problema”, resume a autora. “Esse trabalho poderia ajudar a avançar esforços para desenvolver medicamentos que aumentem os níveis dessa enzima no cérebro, criando um químico capaz de bloquear os efeitos debilitantes de diversas doenças neurodegenerativas.”


Fase inicial

Para Amauri Araújo Godinho, neurologista e neurocirurgião do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, e membro titular da Sociedade Brasileira de Neurologia (SBN), o trabalho norte-americano é interessante, mesmo em uma etapa bastante inicial. “Esse mecanismo de acúmulo das células tau é conhecido, e uma substância que evite isso seria algo bastante valioso. Mas os resultados ainda são muito experimentais”, pondera. “Outro ponto que temos que ressaltar é que não podemos especificar que o mesmo efeito benéfico ocorra em todas as doenças. O Parkinson, por exemplo, não tem sintomas de demência. No caso da doença de Huntington, os problemas também são outros”, ressalta.

O médico, que não participou do estudo, também destaca que a escolha da cafeína foi uma estratégia inteligente. “Sabemos que drogas clássicas, como os benzodiazepínicos — o Rivotril e o Lexotan, por exemplo —, prejudicam a formação da memória e que esse efeito é contrário em estimulantes, como a cafeína, a cocaína e a ritalina. Por isso, esse resultado era esperado, é um raciocínio bastante lógico”, ressalta. Godinho também aposta que o trabalho possa ajudar na criação de medicamentos. “Talvez não só a cafeína, mas também esse antidepressivo que se mostrou muito promissor, sirva como base para que os cientistas copiem seu efeito”, opina.

Os autores darão continuidade à pesquisa. Outro ponto importante a ser explorado, segundo eles, é entender por que a enzima NMNAT2 sofre diminuição no corpo humano. “Aumentar nosso conhecimento sobre os caminhos no cérebro que parecem naturalmente causar o declínio dessa molécula é tão necessário e tão importante quanto a identificação de compostos que poderiam desempenhar um papel no tratamento desses transtornos mentais debilitantes”, justifica a autora.


Fonte: Jornal Correio Braziliense

Estudo mostra que indústria e psiquiatria criaram doenças e remédios que não curam


Uma série de reportagens e livros publicados ao longo de 25 anos pelo jornalista Robert Whitaker (foto), especialista em questões de ciência e medicina, abriu uma crise na prática médica da psiquiatria e na solução mágica de curar os transtornos mentais com medicação.

O jornalista, do The Boston Globe, o mesmo jornal das série de reportagens que gerou o filme Spotlight, levantou dados alarmantes sobre a indústria farmacêutica das doenças mentais e sua incapacidade de curar. “Em 1955, havia 355 mil pessoas em hospitais com um diagnóstico psiquiátrico nos Estados Unidos; em 1987, 1,25 milhão de pessoas no país recebia aposentadoria por invalidez por causa de alguma doença mental; em 2007, eram 4 milhões. No ano passado, 5 milhões.”

Para ele, associações médicas e a indústria estão criando pacientes e mercado para seus remédios. “Se olharmos do ponto de vista comercial, o êxito desse setor é extraordinário. Temos pílulas para a felicidade, para a ansiedade, para que seu filho vá melhor na escola. O transtorno por déficit de atenção e hiperatividade é uma fantasia. É algo que não existia antes dos anos noventa”, diz.

Mas essa não é uma crítica simplificada ou econômica, mas bem mais fundamentada durante mais de duas décadas. “O que estamos fazendo de errado?”, questionam os estudos de Whitaker que também levantou informações de que pacientes de esquizofrenia evoluem melhor em países em que são menos medicados. Outro dado importante foi o estudo da Escola de Medicina de Harvard, que em 1994, mostrou que a evolução de pacientes com esquizofrenia, que foram medicados, pioraram em relação aos anos 70, quando a medicação não era dominante.

A batalha de Whitaker contra os comprimidos como solução tem ganhado apoio. Importantes escolas de medicina o convidam a explicar seus trabalhos e o debate está aberto nos Estados Unidos. “A psiquiatria está entrando em um novo período de crise no país, porque a história que nos contaram desde os anos 80 caiu por terra. A história falsa nos Estados Unidos e em parte do mundo desenvolvido é que a causa da esquizofrenia e da depressão seria biológica.

Foi dito que esses distúrbios se deviam a desequilíbrios químicos no cérebro: na esquizofrenia, por excesso de dopamina; na depressão, por falta de serotonina. E nos disseram que havia medicamentos que resolviam o problema, assim como a insulina faz pelos diabéticos”, afirmou em entrevista ao jornal El Pais.

Para ele, os psiquiatras sempre tiveram um complexo de inferioridade. “O restante dos médicos costumava enxergá-los como se não fossem médicos autênticos. Nos anos 70, quando faziam seus diagnósticos baseando-se em ideias freudianas, eram muito criticados. E como poderiam reconstruir sua imagem diante do público? Vestiram suas roupas brancas, o que lhes dava autoridade. E começaram a se chamar a si mesmos de psicofarmacólogos quando passaram a prescrever medicamentos. A imagem deles melhorou. O poder deles aumentou. Nos anos 80, começaram a fazer propaganda desse modelo, e nos noventa, a profissão já não prestava atenção a seus próprios estudos científicos. Eles acreditavam em sua própria propaganda”, relata.

Para Whitaker, houve uma união do útil ao agradável. Uma história que melhorou a imagem pública da psiquiatria e ajudou a vender medicamentos. No final dos anos oitenta, o comércio desses fármacos movimentava US$ 800 milhões por ano. Vinte anos mais tarde, já eram US$ 40 bilhões. “Se estudarmos a literatura científica, observamos que já estamos utilizando esses remédios há 50 anos. Em geral, o que eles fazem é aumentar a cronicidade desses transtornos”, afirma de forma categórica.

Essa mensagem, segundo o próprio Whitaker, pode ser perigosa, mas ele não traz conselhos médicos nos estudos (Anatomy of an Epidemic), não é para casos individuais. “Bom, se a medicação funciona, fantástico. Há pessoas para quem isso funciona. Além disso, o cérebro se adapta aos comprimidos, o que significa que retirá-los pode ter efeitos graves. O que falamos no livro é sobre o resultado de maneira geral. É para que a sociedade se pergunte: nós organizamos o atendimento psiquiátrico em torno de uma história cientificamente correta ou não?”, diz.

Whitaker foi muito criticado, apesar de seu livro contar com muitas evidências e ter recebido prêmios. Mas a obra desafiou os critérios da Associação Norte-Americana de Psiquiatria (APA) e os interesses da indústria farmacêutica. Mas desde 2010 novos estudos confirmaram suas pesquisas. Entre eles, os trabalhos dos psiquiatras Martin Harrow e Lex Wunderink e o fato de a prestigiada revista científica British Journal of Psychiatry já assumir que é preciso repensar o uso de medicamentos. “Os comprimidos podem servir para esconder o mal-estar, para esconder a angústia. Mas não são curativos, não produzem um estado de felicidade”, diz. Veja texto completo.

Veja vídeo com Robert Whitaker, pena que ainda não está legendado em português.



Fonte: Blog Pensador Anônimo

Artigo - Depoimento de uma quase ex ana



Por: Bruna Torres*


De acordo com o site Ig São Paulo a anorexia é a doença mental que mais mata no mundo. São milhares de casos por ano e as principais vítimas são meninas adolescentes.

Depoimento de uma quase ex ana:

“Agora eu vejo que a ana sempre esteve comigo, mas eu nunca soube que era exatamente ela.

Eu sou doente. Na verdade, estou doente, porque eu sei que um dia terei forças para sair dessa doença cruel que é a anorexia. Antes, não percebia como a ana nos destrói tanto de pouquinho a pouquinho, já que no começo a gente acredita que realmente estar feliz. Cada quilo, cada grama perdido, é como se fosse uma transição até a felicidade plena que nunca vem de verdade. Cheguei a acreditar que era apenas um estilo de vida. Documentários, psicólogos, psiquiatras e até meus familiares não poderiam me convencer do contrário. E como poderiam se eu acreditava cegamente que estava chegando perto de finalmente ser feliz com o meu corpo e comigo mesmo?

Pena que eu demorei tanto tempo para entender que anorexia não deveria ser um estilo de vida para ninguém, é totalmente doloroso comigo e com os outros a minha volta. Ainda choro todo dia, porque nunca chega a fase que estou bem comigo mesmo. Seriamente, só piora a cada noite. Durmo com vontade de ser mais magra e menos eu. Minha pele não é a mesma. Meus cabelos caem. Me sinto fraca o tempo todo. Sinto que poderia estar morta a qualquer instante. Não consigo parar…

Ninguém é feliz com ana. E se você acha que é feliz com ela, você também é doente. Você também precisa de ajuda.”


* Brunas Torres é mulher negra, feminista, estudante de exatas, escritora, administradora do TODAS Fridas.


Fonte: Portal Todas Fridas

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