terça-feira, 3 de outubro de 2017

Por que furacões tem nomes de mulheres?

Furacão Katrina, em 28 de agosto de 2005.
Foto de Jeff Schmaltz, MODIS Rapid Response Team, NASA/GSFC




Furacão Rita em 21 de setembro de 2005.
Foto de Jacques Descloitres, MODIS Rapid Response Team, NASA/GSFC


As duas imagens acima ilustram dois furacões de categoria 5 (que é o maior valor da escala que mede furacões em termos de potencial de danos), que ficaram muito famosos pelos danos materiais e pessoais que ocasionaram. Os dois furacões, juntos, ocasionaram mais de 2000 mortes e cerca de 118 bilhões de dólares em danos materiais.

Coincidentemente, os dois furacões possuem nomes de mulheres: Rita e Katrina. Mas será que é sempre assim? Todo furacão tem necessariamente nome feminino?

O costume de dar nomes a furacões tem pouco mais de 100 anos. Os moradores das ilhas caribenhas costumavam dar aos furacões o nome do santo do dia, de acordo com o calendário da Igreja Católica. Assim, um furacão que ocorresse no dia 15 de maio, seria chamado Furacão Santo Isidoro, pois este é o santo deste dia. Se no ano seguinte um novo furacão ocorreresse na mesma data, chamaria-se Furacão Santo Isidoro II.

No início do século XX, nos EUA, os furacões eram nomeados com a latitude e a longitude (as coordenadas geográficas) do local onde a tempestade se originou. Esses nomes eram muito difíceis de serem lembrados, tornando a comunicação muito difícil e sujeita a erros. Durante a Segunda Guerra Mundial, meteorologistas militares trabalhando no Pacífico começaram a usar nomes femininos para se referir aos furacões, tornando a comunicação mais fácil. Em 1953, este método de nomeação começou a ser adotado pelo Centro Nacional de Furacões (National Hurricane Center, NHC, departamento americano responsável pelo monitoramento e pelos aletas de furacões). Assim, esse método começou a ser utilizado também para os furacões que ocorriam no Oceano Atlântico. Usando nomes para referir-se aos furacões, o NHC teve bastante sucesso em alertar o público sobre a ocorrência desses fenômenos.

No final da década de 70, os meteorologistas passaram a utilizar também nomes masculinos ao se referirem a furacões. Para cada ano, uma lista de 21 nomes, cada um começando por uma diferente letra do alffabeto, era elaborada e organizada em ordem alfabética. As letras Q,U,X,Y e Z não eram utilizadas.

Nessa lista em ordem alfabética, os nomes femininos e masculinos eram alternados. Por exemplo, A=Anthony, B=Barbara, C=Christopher, etc.

Atualmente, a Organização Meteorológica Mundial (WMO, the World Meteorological Organization) mantém as listas de nomes para os furacões do Atlântico. Eles mantém 6 listas, que são reutilizadas a cada 6 anos.



Lista de nomes para os furacões do Atlântico para os próximos 6 anos. Em destaque, o furacão Rina, o mais recente. Fonte: NHC / 
Mais sobre o Furacão Rina.



Furacões como o Rita e o Katrina, que causaram muitos prejuízos e mortes, nunca mais terão seus nomes utilizados para designar furacões. Quando isso ocorre, diz-se que o nome foi aposentado.

Os furacões que ocorrem no Atlântico são mais famosos aqui no Brasil, porque normalmente atingem áreas mais conhecidas pela maioria de nós, como o litoral da Flórida de de outros estados norte-americanos, costa atlântica do México, ilhas do Caribe, etc. Porém, furacões ocorrem também no oceano Pacífico e no Oceano Índico (em alguns lugares, os furacões são até chamados de tufões, como falamos aqui), e os nomes dados a eles seguem regras muito semelhantes as dos furacões do Atlântico.

Sendo assim, a pergunta “Por que furacões tem nomes de mulheres?” não faz sentido, já que atualmente utiliza-se nomes de mulheres ou de homens. Furacões intensos como Rita e Katrina, com nomes de mulheres, foram apenas coincidências recentes.


Furacão Andrew. 23 de agosto de 1992. Foi um furacão com nome masculino, que atingiu categoria 5. Matou cerca de 70 pessoas e provocou danos materiais estimados em 26 bilhões de dólares. Fonte: NOAA / Satellite and Information Service



Fonte: Site Meteorópole /  Hurricane naming system. Wikipedia, the free encyclopedia / WMO, Tropical Ciclone Programme / Atlantic Oceanographic and Meteorological Laboratory, NOAA. FAQ / National Hurricane Center / How are hurricanes named? Geology.com / Hurricane Andrew. Wikipedia, the free encyclopedia / Hurricane Rita. Wikipedia, the free encyclopedia / Hurricane Katrina. Wikipedia, the free encyclopedia

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