domingo, 27 de agosto de 2017

Conheça séries que tratam de autismo com sensibilidade

Atypical trata de paciente e da família que tem autismo


Sempre que uma produção de tevê ou de cinema trata de assuntos delicados como autismo parte do público fica com a pulga atrás da orelha: como será essa representação? Isso acontece porque a linha entre a caricatura (no sentido ruim da palavra) e a naturalidade é muito tênue. O caminho seguido também pode ser o da delicadeza, opção adotada por Atypical, série recentemente disponibilizada pela Netflix, e pela atual temporada de Malhação, Viva a diferença.

“Todo tipo de representação e de divulgação é muito importante. Ajuda bastante, mesmo que, às vezes, tenha um olhar romantizado”, afirma Ana Paula Golias, membro do Movimento Orgulho Autismo Brasil (Moab) e da Gerência de ajuda a pessoas com autismo, criada há pouco tempo pelo GDF.

Ana Paula ainda ressalta que é preciso que o público tenha a consciência de que há vários níveis de autismo e que, geralmente, apenas um é representado por obra. “É uma forma muito válida de mostrar que essa população (os autistas) existe e que ela quer e precisa ser vista. Meu filho tem autismo grave, mas não posso dizer que só ele pode ser mostrado. Os autistas moderados e leves também precisam ser vistos porque também sofrem preconceito”, complementa.

Em Atypical, o autismo é tratado de uma forma bem leve, o que, segundo, Ana Paula, é um ponto positivo. Sam (Kier Gilchrist) tem 18 anos e decide que quer namorar pela primeira vez, mas o rapaz tem dificuldades em permitir que uma menina nova entre para o mundo dele. Mesclando passagens cômicas e emocionantes, os oito episódios da primeira temporada da atração da Netflix acompanham ainda a relação da família de Sam com ele e com o autismo.

O pai dele, Doug (Michael Rapaport) quer se aproximar mais do jovem; a irmã Casey (Brigette Lundy-Paine) quer entrar para uma faculdade, mas teme deixar o irmão; e a mãe, Elsa (Jennifer Jason Leigh), acabou se anulando por conta do rapaz e agora quer dar a volta por cima.

“Há um pré-conceito, no sentido genuíno da palavra mesmo, com a família do autista também. A gente passa por um julgamento descomunal. Por isso, quando (a tevê) retrata os familiares, também ajuda bastante”, afirma Ana Paula, que ainda não teve a oportunidade de assistir a Atypical.


Malhação: amizade como antídoto contra o autismo

Interpretar uma autista ou a mãe de uma não é tarefa fácil para nenhuma atriz. O desafio tem sido abraçado por Daphne Bozaski e Aline Fanju, a Benê e a Josefina, mãe e filha em Malhação — Viva a diferença.

Na novela escrita por Cao Hambúrguer, a abordagem do autismo é bastante delicada e leve. Benê não lida bem com sons altos, luzes intermitentes, não se sente à vontade com multidão e nem quando é o centro das atenções. Além da mãe, as amigas Lica (Manoela Aliperti), Keyla (Gabriela Medvedovski), Ellen (Heslaine Vieira) e Tina (Ana Hikari) são o porto seguro de Benê.

“Tivemos um trabalho fundamental com nossa preparadora de atores Laís Correa, onde fomos buscando dentro de nós a essência para cada personagem. E assim busquei quais sentimentos da Daphne poderia emprestar para a Benê. Mas nos meus processos de composição sempre assisto a muitos filmes e leio livros para entender melhor os temas e questões que a Benê passa na trama”, afirmou Daphne ao Correio.

Aline Fanju também comemorou o fato de a novela tratar desse assunto com naturalidade: “A Josefina é mãe da Benê, uma menina que tem uma espécie de fobia social. É muito especial a maneira como o Cao Hambúrguer tem lidado como esse assunto. Ainda não sei direito como isso vai se desenvolver, mas é muito bonito ver como as outras quatro amigas a acolhem e a respeitam. A minha parceira com a Daphne também é grande. Nos preparamos para os personagens — lemos livros e assistimos a filmes sobre o assunto.”


Autismo com representatividade na tevê

Amor à vida — A novela de Glória Perez tinha a personagem Linda (Bruna Linzmeyer). A menina tinha autismo num nível avançado e acabou apresentando uma evolução muito boa ao conhecer e se apaixonar pelo médico Rafael (Rainer Cadete). “A atriz foi muito bem, mas o desenvolvimento da personagem foi utópico. Mesmo assim, a abordagem do assunto é benéfica”, avalia Ana Paula Golias.

O farol das orcas — O filme argentino está no catálogo da Netflix e apresenta uma história verídica na qual uma mãe procura na Patagônia um tratamento com orcas para o filho dela. “A luta dessa mãe é uma coisa impressionante. Esse filme é muito bom”, indica Ana Paula.

Touch — A série disponível na Netflix mostra um pai em dificuldades de comunicação com o filho autista. Para diminuir esse abismo, o homem descobre a habilidade do menino com os números e usa desse artifício. “A série é muito boa, mas essa facilidade do garoto com os números não é muito crível”, critica Ana Paula.

O contador — O filme de Gavin O’Connor traz Ben Affleck numa atuação classificada por Ana Paula como “impressionante”. Ele vive um contador autista que tem facilidade com os números, mas dificuldades sociais.


Fonte: Jornal Correio Braziliense

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