quarta-feira, 19 de julho de 2017

'The Week Magazine': Tráfico de mão-de-obra "escrava" cresce no Brasil

O diário aponta que o tráfico de mão-de-obra ocorreu em diferentes setores, já que as cidades brasileiras cresceram, atraindo migrantes do campo e do exterior


Matéria publicada pela revista britânica The Week nesta quarta-feira (19) fala sobre o aumento do tráfico de mão-de-obra no Brasil.

De acordo com o texto uma promotora de uma equipe do governo brasileiro que combate as violações trabalhistas foi chamada há dois anos para investigar sobre onze homens que teriam sido traficados do norte do país para trabalhar nas obras do parque olímpico,no Rio de janeiro.

Segundo a reportagem a empresa de construção não pagou como prometeu e os instalou em uma pequena casa infestada de ratos. Uma equipe de libertou os homens e se certificou de que eles tinham passagem para retornar para casa. A promotora diz que um evento como as Olimpíadas pode trazer um alto risco de trabalho forçado, por conta da pressa para realizar a construção em um prazo apertado. E quando as pessoas aceitam empregos rapidamente sem saber do que se trata, correm o risco do tráfico.

O diário aponta que o tráfico de mão-de-obra ocorreu em diferentes setores, já que as cidades brasileiras cresceram, atraindo migrantes do campo e do exterior. As autoridades brasileiras investigaram mais de 4.000 casos de tráfico de mão-de-obra em 2014 e 2015 - mais do que qualquer outro tipo de tráfico de seres humanos e, segundo os estudiosos, existe um número muito maior que não é registrado.

Carmen Lopes estava morando em La Paz, na Bolívia, quando o irmão de um amigo lhe disse que poderia ganhar muito dinheiro na indústria têxtil em São Paulo.

"Eu queria fazer uma mudança na minha vida", diz Lopes, que fez as malas e viajou com seu filho de 8 anos para a fronteira. Os bolivianos podem trabalhar legalmente no Brasil por causa do acordo comercial da América do Sul, mas a barreira da língua espanhola para o português dificulta as opções de pesquisa.

Lopes, cujo nome foi mudado, diz que "meu chefe comprou meu bilhete de ônibus e disse que precisava trabalhar quatro meses sem pagamento" em uma oficina apertada. Ele advertiu que outros empregos na cidade eram inseguros e proporcionavam apenas uma cama e alimentação para ela e seu filho. Ela diz que finalmente teve a coragem de escapar quando seu chefe tentou fazer seu filho trabalhar na cozinha. Sua próxima parada foi uma oficina diferente com pior situação. Ela diz que levou anos para acertar sua vida.

Especialistas no Brasil se preocupam com o fato da história de Lopes se tornar cada vez mais comum, destaca The Week.

"As proteções laborais estão totalmente em risco no Brasil", diz Fabiana Severo, que luta contra o tráfico trabalhista como defensor público federal. Ela ressalta que o novo presidente do Brasil e os lobbies industriais estão pressionando por grandes mudanças neste ano nas normas trabalhistas.

Outro projeto de lei no Congresso acabaria com inspeções laborais surpresas. E durante anos, o governo está parado em contratar inspetores do trabalho para preencher mais de 1.000 cargos que estão atualmente vazios.

"Os abusos costumam acontecer com pessoas que são mais vulneráveis", diz Severo. E é essa vulnerabilidade que Lopes luta hoje. Treinada pelo Centro de Assistência aos Migrantes de São Paulo (CAMI), uma ONG que uma vez deu aulas de português para seu filho, educa outros migrantes sobre como evitar a exploração.

Temos direitos ", diz ela." Se você não está recebendo pagamento justo e tempo de descanso, você pode deixar seu emprego. Você pode fazer cursos para aprender outra habilidade ".


Fonte: Jornal do Brasil / Portal da Terra

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