sábado, 29 de julho de 2017

Remessas de migrantes aumentam 51% em dez anos e tiram milhões da pobreza, diz estudo


A quantidade de dinheiro que os migrantes enviam para suas famílias nos países em desenvolvimento aumentou 51% na última década – muito mais do que o aumento de 28% na emigração desses países.

Os dados são de um relatório do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola da ONU (FIDA) divulgado em junho.

O estudo inédito investiga uma tendência de dez anos na migração e nos fluxos de remessa no período entre 2007 e 2016. O valor total enviado em 2016 aos países de origem pelos migrantes é de pouco mais de 400 bilhões de dólares, estima a agência da ONU.


Embora o relatório mostre que houve um aumento nos padrões de envio para quase todas as regiões do mundo, o aumento acentuado na última década é em grande parte devido à Ásia, que tem testemunhado um aumento de 87% nas remessas.

Apesar da tendência, o presidente do FIDA, Gilbert F. Houngbo, destacou o impacto das remessas nas famílias. “Não se trata de o dinheiro estar sendo enviado para casa, e sim do impacto na vida das pessoas. As pequenas quantidades de 200 ou 300 dólares que cada migrante manda para casa representam cerca de 60% da renda doméstica da família, e isso faz uma enorme diferença em suas vidas e nas comunidades em que vivem.”

Mais de 200 milhões de trabalhadores migrantes estão agora apoiando aproximadamente 800 milhões de membros de suas famílias globalmente. Prevê-se que, em 2017, uma em cada sete pessoas no mundo estará envolvida no envio ou recebimento desses fundos, que passam de 450 bilhões de dólares.

Os fluxos de migração e as remessas que os migrantes enviam para suas famílias estão produzindo impactos de grande escala na economia global e na paisagem política.

O ganho total dos trabalhadores migrantes é estimado em 3 trilhões por ano, dos quais aproximadamente 85% permanecem nos países de acolhimento. Os recursos enviado pelos migrantes representa, em média, menos de 1% do PIB do país de acolhimento.

O Brasil recebeu em 2016, segundo o relatório, um total de 2,7 bilhões de dólares – ou 0,2% do PIB, uma queda de 17% em relação a 2007.

Em conjunto, essas remessas individuais representam mais de três vezes a Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD) de todas as fontes – ou seja, toda a ajuda humanitária e outras formas de cooperação global oriunda de países doadores –, além de ser mais do que o investimento direto estrangeiro total para quase todos os países de baixa e média renda.

“Cerca de 40% das remessas – 200 bilhões de dólares – são enviadas para áreas rurais onde a maioria dos pobres vive”, disse Pedro de Vasconcelos, um dos responsáveis pelo tema no FIDA e principal autor do relatório.

“Este dinheiro é gasto em alimentos, cuidados de saúde, melhores oportunidades educacionais e melhoria da habitação e saneamento. As remessas são, portanto, essenciais para ajudar os países em desenvolvimento a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.”

Os custos de transação para enviar remessas atualmente excedem 30 bilhões de dólares, anualmente, com tarifas particularmente altas para os países mais pobres e áreas rurais remotas.

O relatório faz várias recomendações para melhorar as políticas públicas e descreve propostas de parcerias com o setor privado para reduzir custos e criar oportunidades para que os migrantes e suas famílias usem seu dinheiro de forma mais produtiva.

“À medida que as populações nos países desenvolvidos continuam a envelhecer, espera-se que a procura de mão de obra migrante continue a crescer nos próximos anos”, afirmou Vasconcelos. “No entanto, as remessas podem ajudar as famílias dos migrantes a construir um futuro mais seguro, tornando a migração para os jovens mais uma escolha do que uma necessidade.”

O estudo indica ainda que os fluxos de remessas cresceram na última década a uma taxa média de 4,2% anualmente, de 296 bilhões em 2007 para 445 bilhões em 2016. Cem países recebem mais de 100 milhões de dólares em remessas a cada ano.

Prevê-se que cerca de 6,5 trilhões de dólares – sem o cálculo do crescimento – em remessas serão enviados para países de baixa e média renda entre 2015 e 2030.

Os dez maiores países de origem dessas remessas representam quase metade dos fluxos anuais, liderados pelos Estados Unidos, Arábia Saudita e Rússia. Além disso, 80% das remessas são recebidas por 23 países, liderados pela China, Índia e Filipinas. A Ásia recebe 55% de todos os fluxos de remessa.

Acesse o documento clicando aqui.


Fonte: Portal da ONU

0 comentários:

Postar um comentário

Twitter Facebook Favoritos

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Facebook Themes