quinta-feira, 20 de julho de 2017

Julho Azul combate tráfico internacional de pessoas


Este mês, o trabalho com a campanha Julho Azul é intensificado na Bahia, que integra a iniciativa internacional Coração Azul. O objetivo das equipes do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, órgão vinculado à Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), é impedir que baianos e baianas caiam em falsas promessas e acabem reféns de redes criminosas, em países em que nem conhecem o idioma.

De 2011 até agora, o núcleo já atendeu cerca 150 vítimas de tráfico para fins de exploração sexual e mais de 40 casos ainda são acompanhadas. As consequências de uma ilusão podem ser desastrosas. Uma pessoa que perdeu um parente para o tráfico de pessoas se arrisca a contar sua história, mesmo sob o anonimato. “Meu parente foi para o exterior mais de uma vez na ilusão de ter uma vida melhor quando retornasse para o Brasil. Não construiu nada aqui, não conseguiu mandar dinheiro para a família. As pessoas vão para lá na ilusão de uma vida melhor, mas não conseguem nada. Ele acabou assassinado”.

Abordado pela equipe do núcleo, o estudante de medicina Ramon Aguiar, 23 anos, já teve notícias de casos de tráfico de pessoas. “Eu conheço histórias sobre isso. As pessoas chegam lá e precisam se prostituir para pagar sua estadia, pagar a passagem, e quando conseguem voltar, a pessoa está devastada. Mas ainda é um assunto que a gente ouve falar pouco. Essa questão tem que ser repensada, porque as pessoas acham que vão receber um convite, vão chegar na Europa, se casar, melhorar de vida. Essa conscientização é fundamental”.

Para a conscientização, o teatro é uma das formas de se chamar a atenção do público, que recebe o material educativo. O professor Cosme Savedra, 38 anos, que veio do Paraná com a mulher e o filho para conhecer Salvador, também recebeu a equipe do núcleo. “Eu acho importante porque o tráfico de pessoas para fora do País é grande. Essa ação que o Estado faz traz segurança para os moradores, para os turistas, orientando como as pessoas devem agir para que isso não ocorra”.

Denúncias- As denúncias anônimas devem ser feitas através do Disque 100 ou do (71) 3266-0131. Segundo o coordenador do Núcleo de Combate ao Tráfico de Pessoas, Admar Fontes, o Estado possui uma estrutura multidisciplinar com psicólogos, advogados, integrada a uma rede, para atendimento em parceria com o Comitê de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. “São diversas secretarias, órgãos federais, sociedade civil, com o apoio do Serviço Social que está em todos os municípios e em parceria também com os Cras e Creas”.

Com uma grande população de baixa renda e condição social vulnerável, a Bahia é um estado que está no mapa das quadrilhas internacionais de tráfico de pessoas. Admar informa que a atuação das quadrilhas é sempre muito parecida. “É preciso ficar atento à oferta de empregos no exterior e de fácil ganho. É preciso procurar saber se as empresas existem, verificar o CNPJ na Receita Federal. Este é um crime difícil de se investigar depois, as vítimas têm medo de continuar a denuncia, as ameaças são constantes”, afirma.


Fonte: Portal Saúde no Ar

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