quarta-feira, 19 de julho de 2017

Brasil é exemplo de acesso universal a medicamentos de ponta para HIV

Passado o trauma inicial do diagnóstico, Welber descobriu que o tratamento antirretroviral consegue salvar vidas e tem menos efeitos colaterais do que em décadas anteriores


As festas que marcaram a virada de 2016 para 2017 tiveram um gosto amargo para Welber Moreira. O jovem de 23 anos descobriu um dia depois do Natal que estava vivendo com o HIV.

Ele conta que se sentiu doente e procurou uma clínica de saúde pública para obter respostas. O médico lhe fez uma pergunta que pegou o jovem de surpresa. “Ele me perguntou: ‘Posso ver seu resultado de teste de HIV mais recente?’”, conta. Welber nunca pensou que um vírus que ele estudou tempos atrás em uma aula de biologia mudaria sua vida um dia.

Foi então que o médico o encaminhou a um dos centros públicos de aconselhamento e testagem de sua cidade natal, Ribeirão Preto, no norte de São Paulo. No local de atendimento, o rapaz fez um teste rápido de HIV. Seu diagnóstico positivo foi confirmado por um segundo exame.

“Chorei pra caramba na frente dela (a enfermeira) e ela falou ‘calma, não é assim!’. Mas eu não via uma saída. Eu achava que eu ia morrer, não conhecia sobre a doença, não sabia como era o tratamento, eu só sabia que HIV era AIDS e AIDS matava. E a AIDS ia me matar e eu ia ficar doente, e ia ficar na cama, ia ficar fedendo, ia depender das pessoas e ninguém ia me amar mais”, lembra Welber sobre o momento do diagnóstico.

“E eu assim, em desespero: eu tenho uma namorada e estava junto com ela quando eu descobri. Eu tinha que informar a ela que eu estava com HIV porque a gente tinha relação sexual sem camisinha.”

Sua namorada teve resultado negativo para o HIV. Ela começou a tomar a profilaxia pós-exposição — ou PEP, um tratamento de prevenção de 28 dias —antes mesmo de Welber começar a terapia com antirretrovirais.

Mas algo mais o deixou preocupado. “Eu estava muito assustado e com medo dos efeitos colaterais”, afirma. Surpreendentemente, o jovem se sentiu bem desde o início do tratamento. Agora, antes de ir para a cama, ele toma duas pílulas à noite. “Não consigo imaginar como era no passado, ter que tomar várias pílulas por dia em momentos diferentes e com efeitos colaterais desagradáveis.”

Welber está entre os mais de 100 mil brasileiros que irão iniciar este ano o tratamento com um novo medicamento contra o HIV. Chamado dolutegravir (DTG), o remédio tem menos efeitos colaterais e é mais eficaz na supressão viral. No início de 2017, o Ministério da Saúde do Brasil anunciou que negociou com sucesso a compra desse medicamento, obtendo um desconto de 70% — o que reduziu o preço por comprimido de 5,10 dólares para 1,50 dólar.

Como resultado, mais pessoas poderão ter acesso ao dolutegravir dentro do orçamento de 2017 aprovado para o fornecimento de tratamento no país. O montante investido pelo Brasil é de 1,1 bilhão de reais.

Welber é grato pelo apoio que recebeu de sua namorada e pela eficiência da clínica e do centro de atendimento. Isso, segundo ele, o ajudou a superar o trauma inicial. Falar de HIV e revelar sua sorologia não mais incomoda o rapaz. Ele conta que fala abertamente sobre isso para seus amigos e no trabalho. Uma pequena parte de sua família não recebeu muito bem a notícia, mas o jovem não perdeu a esperança.

Ele tem grandes planos com sua namorada. “Nós planejamos ter dois filhos, dentro de três anos”, diz.

Welber também disse sentir que tem que ajudar os outros. “Sempre que posso, por exemplo, eu passo na clínica de saúde local e pego alguns preservativos para os meus colegas do trabalho e meus amigos”, conta. “É uma oportunidade para compartilhar com eles o que eu conheço e falar sobre prevenção.”


A ONU e o combate ao HIV

A história de Welber faz parte de uma série sobre os vínculos entre a epidemia de HIV e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas. Conheça a série clicando aqui. Entre as metas acordadas pelos Estados-membros da ONU, está a erradicação da epidemia como ameaça de saúde pública até 2030.

A ampliação do tratamento de HIV nos países de baixa e média renda nos últimos 15 a 20 anos é uma das maiores histórias de sucesso da saúde global. Na África Subsaariana, ao final de 2002, apenas 52 mil pessoas estavam sob tratamento. Com o aumento na produção e no uso total das flexibilizações de patentes, o número de indivíduos em terapia cresceu para 12,1 milhões em 2016.

No Brasil, quando o governo concedeu acesso universal aos medicamentos antirretrovirais em 1996, o curso da epidemia a nível nacional mudou, e as taxas de sobrevivência aumentaram notavelmente. Previsões sobre as mortes relacionadas à AIDS em larga escala nunca se concretizaram. O Sistema Único de Saúde (SUS) continua a demonstrar liderança na resposta ao HIV, incorporando nos serviços de rotina as tecnologias médicas e científicas mais avançadas para o tratamento do vírus.

A história de Welber nos diz o quanto o ODS de nº 9 — construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação — está associado à ampliação do acesso equitativo aos medicamentos, bem como ao progresso para acabar com a epidemia de AIDS até 2030.


Fonte: Portal da ONU

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