sábado, 29 de julho de 2017

Artigo - Entre brinquedos de criança e colecionáveis tem um mundo de ódio


Por: Nanda Café*


Essa semana surgiram duas histórias sobre educação infantil e pessoas sem noção. A primeira era um post no Facebook sobre uma mãe enraivecida porque uma estranha não quis compartilhar um gole de suco com sua bebê de apenas um ano. Na história, compartilhada e parodiada em páginas de humor, a mãe da bebê diz que a pessoa que recusou o suco não tem filhos e não entende que criança “fica doente quando passa vontade”, chama a pessoa que recusou de arrogante e diz que se estivesse junto, a pessoa “ia engolir até o copo”.


A segunda história foi de uma mãe que se sentiu no direito de enviar mensagens enraivecidas para uma pessoa que não havia deixado seu filho brincar com suas estátuas colecionáveis de super-heróis e o seguinte diálogo aconteceu:




A similaridade entre os dois casos – e a proximidade com que eles aconteceram – me fez pensar que nenhum dos dois era verdade, mas acabei encontrando a pessoa com quem esse diálogo aconteceu e entendendo um pouco mais dessa história.


Alguns detalhes sobre os fatos
  • A pessoa que coleciona as estátuas é uma mulher, não um homem, como a maior parte das pessoas foi rápida em presumir;
  • A dona da coleção diz ter explicado para a criança – que tem 7 anos – o motivo de não permitir que as estátuas fossem tocadas;
  • Cada estátua custa, em média, R$2.000,00 e muitas delas são edições limitadas e raras;
  • A criança estava na casa acompanhada da mãe, que presenciou a cena.
Com isso em mente, em um primeiro momento, foi difícil ter empatia com essas mães, das duas histórias. Talvez até em um segundo momento. Para qualquer pessoa, fica claro que essas crianças são ou serão pessoas mimadas que não sabem respeitar limites e ouvir um “não”, e que as mães são obviamente pessoas sem noção.


Eu também não sei de onde surgiu a ideia de que uma criança pode ficar doente se passar vontade, seja de um suco ou de um suposto brinquedo. Por mais que faça parte da educação social ensinar as crianças a compartilhar, é igualmente importante fazer com que elas aprendam a respeitar, sejam regras, limites ou convenções sociais.


O lado nerd

Por um lado, é perfeitamente compreensível entender a indignação de nerds colecionadores só de pensar em alguém – adulto, criança ou cachorro – chegando perto de estátuas ou colecionáveis caríssimos. É uma pauta recorrente aqui no blog o fato de que gostar de super-heróis, animes, jogos de tabuleiro ou videogames não é sinal de imaturidade ou infantilidade.

É preciso entender que a leitura e a fruição desse tipo de entretenimento são feitas de maneiras inteiramente diferentes por adultos e crianças, e é muito raso fazer afirmações generalistas sobre esse público, como adolescentes tardios, ou hipster pejotinha, ou ainda que os mimados são eles.

Se a cultura geek se transformou em um rentável nicho de consumo, isso se dá apenas porque as crianças que gostavam disso na infância cresceram e formam um grupo de considerável poder aquisitivo – ou disposta a investir mais em hobbies do que em bens patrimoniais, por exemplo. Não é à toa que esse mercado cresceu vertiginosamente apesar da crise. É preciso uma leitura muito mais aprofundada sobre esse público tão diverso que compõe o consumidor geek.



O lado mãe

O grande problema está em culpabilizar as crianças pelos adultos responsáveis por ensinar a elas todos esses conceitos. Muitas mães se sentiram extremamente incomodadas quando, na troca de mensagens, a menina compara a criança a um peido, usando a velha piada do “filho é igual peido, cada um que aguente o seu”. É uma piada? Sim. É inofensiva? Talvez não.

Porque não foi preciso muito para que, em ambos os casos, os comentários fossem inundados de ódio contra esse grupo social extremamente vulnerável.


A legenda “Uma coisinha linda dessas vcs acha mesmo que eu vou deixar um velho pegar com as mãozinha cheia de tremedeira?” seria absurda, não é? Por que com criança pode?



Quando eu digo adultos responsáveis, eu não estou falando apenas da mãe. Existe um provérbio de origem africana que diz É preciso uma vila para criar uma criança (e quem convive comigo já está cansado de ouvir). Por mais que a convivência com os pequenos não faça parte de seu cotidiano, é impossível viver em um mundo livre deles (por mais que muitos comentaristas de redes sociais desejem isso).

Os pais são apenas uma das milhares de influências que uma criança – um ser em formação – tem na vida. Se a mãe “sem noção” não entende o valor – sentimental ou monetário – de uma coleção para explicar para a criança, esse papel cabe a quem entende. É empatia básica.

Eu nem acho que tenha sido o caso da pessoa envolvida nas mensagens, que afirma ter explicado. O problema vai além.


Aguentar, educar, se livrar


Também é empatia entender que a criança pode se frustrar, mesmo com a explicação mais didática do mundo. Se tem adultos que continuam enchendo o saco ou te reprovam por gastar boa parte do seu salário com uma coleção ou hobbie, uma criança, seja com 1 ano e 3 meses ou 7 anos, pode não ter ainda o repertório emocional ou de vocabulário para expressar essa incompreensão.

Mas choro de criança incomoda. Mesmo. Somos – homens e mulheres – biologicamente programados para responder ao choro de maneira a fazê-lo cessar, por que, biologicamente e socialmente, o choro é uma resposta à uma situação de estresse (picos de neurotransmissores) associada ao medo e perigo e é nosso papel de primata proteger os menores do grupo.

Ninguém quer estar perto de uma criança chorando, nem as mães. Acreditem: se pudéssemos, também viraríamos as costas e reviraríamos os olhos e sairíamos de perto – e às vezes até fazemos isso mesmo. Mas, na maior parte do tempo, como não podemos, o jeito é resolver a situação.

Isso não significa que tudo deve ser permitido às crianças. Não é para dar o suco, nem para deixar brincar com a estátua. Mas é difícil, chato e complicado buscar soluções efetivas, não violentas e educativas, é por isso que a sociedade faz questão que cada mãe que aguente seu peido filho.

Até uma determinada faixa etária, nem dá pra conversar. Com outras idades, é preciso explicar de novo, explicar mais uma vez, buscar entender o contexto da criança, tirá-la da situação que está causando o estresse para, então, explicar novamente. Educar e criar crianças é treta. Pesada. E é por isso que nós, mães, pedimos empatia e ajuda. Se não com a gente, com nossos filhos.

Porque queremos que as criança sejam responsabilidade individual de cada família, mas é na sociedade que ela vai conviver. E é impossível esperar adultos emocionalmente saudáveis de uma sociedade que está tão disposta a odiá-los enquanto eles são crianças.


* Nanda Café é feminista que faz ballet e adora cor-de-rosa. Gosta de RPG, fantasia medieval, anime água-com-açúcar e é #teammarvel apesar de Sandman ser da Vertigo. Começou a estudar Quenya, mas como não dava pra fazer isso enquanto comia, desistiu de ser elfa e admitiu para si sua natureza hobitesca.


Fonte: Blog PacMãe

Artigo - O racismo deu certo no Brasil?



Por: Kenia Maria*


Feche os olhos e imagine uma rainha, um anjo, uma boneca e uma babá. Quais dessas personagens são negras? A babá, na maioria das vezes, toma o imaginário das pessoas que participam dessa dinâmica em minhas palestras pelo Brasil. Por que será?

Uma literatura genuinamente brasileira escrita por Monteiro Lobato eternizou a imagem da mulher negra na cozinha, que ama servir e cuidar dos filhos dos outros, enquanto é insultada pela única criança que poderia ser seu filho, o Saci. Que, aliás, também é um menino negro mutilado.

Seria apropriação cultural Dona Benta registrar todos os livros de história e receitas em seu nome? Dona Benta cozinhava?

Devemos observar que as esculturas, músicas, pinturas, literatura, cinema e publicidade colaboraram para construção do nosso imaginário.

Certa vez, no aeroporto, uma mulher branca, do sul do país, conversava comigo sobre sua “mãe preta”. Ela me dizia, emocionada, que sua “mãe preta”, que na verdade era sua babá e apenas três anos mais velha que ela, nunca tinha sido tocada por um homem e que era virgem.

Na sua conclusão de “filha branca”, a mãe preta tinha nascido para cuidar dela e dos irmãos. E que o sexo e casamento não lhe interessavam. Me disse tudo isso com a mão no peito e emocionada. Tia Nastácia não saía da minha cabeça. Parei para pensar, durante o voo indo a Salvador, por que aquela mulher não conseguia ver mulheres negras como humanas. Sim, humanas!

Sempre achei a arte fundamental para a educação e a formação de um povo e percebi que quase toda arte que o Brasil produziu foi racista e machista na maioria das vezes. E cheguei a essa conclusão depois de uma aula sobre Grécia Antiga na faculdade… A arte é, por si, educação.

Certa vez, um renomado carnavalesco tentou colocar em seu desfile esculturas que reproduziam a imagem de cadáveres de judeus assassinados, vítimas do nazismo, e aquilo foi um choque. As pessoas ficaram indignadas, a comunidade judaica (com toda a razão) achou aquilo inadmissível e a alegoria foi proibida e censurada.

Na época, eu me perguntei por que as alegorias de negros escravizados não chocavam da mesma forma. Afinal, estamos falando de um dos maiores crimes contra humanidade: a escravidão.

Posso, num mesmo dia, ver um desfile com esculturas de escravos e pessoas se divertindo sem parar para pensar que a escravidão foi uma das maiores crises de humanidade, enquanto nas ruas toca a marchinha “o seu cabelo não nega mulata…”. E Claudia, arrastada pelas ruas do subúrbio do Rio de Janeiro, é esquecida.

As pessoas se chocam quando digo que o racismo aqui deu certo.

Ora, aqui quase 80% dos jovens que morrem na idade mais produtiva são negros! A morte desses homens condena as mulheres negras para o resto da vida. Eles são nossos filhos, pais, irmãos e maridos.

A violência contra a mulher aumenta. Onde os direitos humanos e o Estado não entram.

Glamurizar a favela é muito conveniente. Não existe charme nenhum em acordar às quatro da manhã, deixar seus filhos com outras pessoas, atravessar a cidade para um trabalho e cuidar de outras crianças que serão ensinadas a odiar negros, na maioria das vezes.

Sim, o racismo se aprende. Ninguém nasce odiando ninguém. O racismo no Brasil é um comportamento. Portanto, eu estou sendo ácida sim.

Não quero falar de amor. Não agora. Agora, quero falar de justiça e direitos humanos.


* Kenia Maria é defensora dos direitos das mulheres negras da ONU Mulheres.


Fonte: Portal da ONU / Jornal HuffPost Brasil - The Huffington Post (EUA)

Universidades particulares brasileiras estão entre as piores da América Latina


O ranking da publicação britânica Times Higher Education (THE), que colocou a Unicamp na frente da USP (Universidade de São Paulo) como a melhor Universidade da América Latina, também mostrou que as universidades particulares brasileiras estão entre as piores das Américas.

A PUC-Campinas (Pontifícia Universidade Católica de Campinas), por exemplo, não aparece entre as 81 universidades presentes no ranking, assim como qualquer outra universidade particular de Campinas. O ranking foi divulgado nesta quinta-feira (20). Esta é a segunda edição da Times Higher Education Latin America.

Entre as 81 do ranking, poucas são universidades particulares brasileiras. As melhores universidades continuam sendo as universidades públicas, seja federal ou estadual. O Brasil tem 2.090 universidades privadas e apenas três aparecem entre as 50 melhores. Já entre as públicas, o país tem apenas 301 e, destas, 15 estão entre as 50 melhores.

As três exceções são a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) ocupa a 9ª posição geral e fica atrás de 4 brasileiras; a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) ocupa a 16ª posição, atrás de 8 universidades públicas e a Pontifícia Universidade Católica do Paraná, que está quase no final da lista das 50 melhores. (Veja quadro abaixo)

A Times Higher Education Latin America avaliou 81 universidades latino-americanas. A análise foi feita com base os mesmos critérios do THE World University Rankings, mas com ajustes para refletir melhor as características das instituições da região.

O ranking usou 13 indicadores de desempenho nos segmentos de ensino, pesquisa, transferência de conhecimento e grau de internacionalização. Os critérios gerais são: ensino, pesquisa, citações, perspectiva internacional e renda vinda da indústria.



Fonte: Jornal Carta Campinas

ONU chama universitários a participar de competição sobre lixo plástico marinho


A ONU Meio Ambiente convida universitários de todo o mundo a participar do Desafio de Inovação sobre Plástico Marinho 2017. Iniciativa busca reconhecer projetos de engenharia, design, monitoramento marinho e comunicação que apresentem soluções para o problema do lixo nos oceanos. Prazo de inscrição é 6 de outubro. Vencedores serão convidados para a 6ª Conferência Internacional sobre Lixo Marinho, que acontece em 2018 em San Diego, nos Estados Unidos.


A competição, realizada em parceria com a organização Think Beyond Plastic, é dividida em quatro categorias: design e engenharia; comunicação; previsão e recuperação; e economia.

Para a categoria design e engenharia, o concurso está à procura de inovações em tecnologias, matérias-primas e design de produtos. Serão contemplados tanto os projetos em fase inicial, quanto soluções que já estejam quase prontas para serem vendidas no mercado e fabricadas em massa.

Na área de comunicação, serão avaliados aplicativos de celular, estratégias de divulgação, músicas, curtas-metragens e produtos de mídia que demonstrem capacidade de alcançar e mobilizar audiências. O objetivo dos projetos deve ser alcançar o maior número de pessoas e levar indivíduos e setores a agir para reduzir o lixo marinho. Ações precisam ter metas de redução mensuráveis.

Em previsão e recuperação, a seleção busca ferramentas e metodologias que permitam identificar ou fazer projeções sobre polos de concentração do lixo marinho. Modelos podem abordar analisar locais de acumulação acentuada de resíduos, variações na distribuição do lixo associadas a fenômenos atmosféricos, polos de biodiversidade, áreas de pesca ou berçários e zonas fragilizadas do ecossistema marinho. Projetos podem incluir o uso de tecnologias de sensoriamento remoto.

No quesito economia, a competição premiará projetos que consigam calcular os impactos financeiros diretos e indiretos da poluição marinha. Isso inclui despesas a mais com preservação ou com serviços de saúde. O concurso também busca estudos de custo sobre materiais alternativos.

Para participar, acesse http://www.cleanseas.org/marine-challenge.


Fonte: Portal da ONU

Com apoio da OPAS, Ministério da Saúde seleciona projetos de sucesso para atender idosos

Saúde de idosos é tema de mapeamento do Ministério da Saúde para divulgar experiências bem-sucedidas de atendimento realizadas no SUS.


Médicos e gestores brasileiros têm até 31 de agosto para se inscrever na quinta edição do Mapeamento de Experiências Exitosas de Gestão Pública no campo do Envelhecimento e Saúde da Pessoa Idosa. Seleção visa reconhecer e divulgar boas práticas para a promoção do cuidado e do bem-estar na terceira idade.

A seleção é promovida pelo Ministério da Saúde do Brasil e pelo Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (ICICT), da Fundação Oswaldo Cruz. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), organismo regional das Nações Unidas atuante no território brasileiro, participará do comitê responsável por avaliar as iniciativas concorrentes.

A proposta do Mapeamento é identificar, compartilhar e incentivar projetos que tenham conseguido melhorar o atendimento a idosos no Sistema Único de Saúde (SUS). Serão aceitas experiências relacionadas aos diferentes níveis de cuidado, da atenção básica à atenção especializada.

Os casos podem estar relacionados, por exemplo, à Estratégia de Saúde da Família, ao trabalho das Unidades Básicas de Saúde, ao Núcleo de Apoio à Saúde da Família, à Atenção Domiciliar, à Atenção Hospitalar e aos Distritos Sanitários Especiais Indígenas.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo site http://saudedapessoaidosa.fiocruz.br/inscricoes-2017. O resultado final será divulgado em 6 de outubro.

Ao todo, 14 experiências serão selecionadas e apresentadas em um evento com a presença do Ministério da Saúde, da FIOCRUZ, da OPAS, do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) e do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS). Os vencedores receberão o Certificado de Reconhecimento de Experiência Exitosa no âmbito do SUS.


Envelhecimento e saúde

Pessoas em todo o planeta estão vivendo mais. Pela primeira vez na história, a maioria da população mundial pode esperar viver no mínimo 60 anos. Segundo estimativas coletadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de indivíduos com idade igual ou superior a 60 anos de idade vai aumentar de 900 milhões em 2015 para cerca de 2 bilhões em 2050.

O ritmo de envelhecimento da população em todo o mundo também está aumentando. A França teve quase 150 anos para se adaptar a uma mudança de 10% para 20% na proporção de cidadãos com mais de 60 anos. No entanto, países como o Brasil, China e Índia terão pouco mais de 20 anos para fazer a mesma adaptação.

A OPAS lembra que, se as pessoas puderem viver por mais tempo gozando de boa saúde e se encontrarem ambientes de apoio, com acesso a cuidados, sua capacidade de fazer aquilo que valorizam será pouco diferente da de uma pessoa mais jovem. Se esses anos adicionais forem marcados por declínios na capacidade física e mental, as implicações para os idosos e para a sociedade serão negativas.


Fonte: Portal da ONU

ONU Mulheres apoia seleção de iniciativas para fortalecer feminismo no Brasil

Foto: Mídia Ninja
Marcha das Vadias de 2013, em Brasília


Até 25 de agosto, organizações de mulheres de todo o Brasil podem se candidatar a apoio institucional e financeiro pelo edital Building Movements – Feminismos Contemporâneos, uma iniciativa da ONU Mulheres em parceria com o British Council, a Open Society Foundations e o Fundo ELAS. Seleção busca projetos voltados para a formação política e para ações feministas coletivas.

A proposta é escolher e fortalecer entidades brasileiras que promovam diálogos entre gerações, entre movimentos sociais, entre países da América Latina e também com o Reino Unido.

Poderão concorrer ao edital grupos formais e informais de mulheres e também redes de ativistas ou de organizações de mulheres. Todos os participantes da seleção devem se dedicar democraticamente à promoção e à defesa dos direitos das mulheres e/ou aos direitos humanos. Instituições devem ter experiência de pelo menos um ano de atuação.

Os organismo selecionados receberão apoio financeiro e capacitação, além de terem suas atividades acompanhadas por especialistas. Acesse o edital e o formulário de inscrição em http://fundosocialelas.org/feminismoscontemporaneos/.


Construindo movimentos

A iniciativa Building Movements – Feminismos Contemporâneos é fruto de uma aliança inédita dos organismos parceiros, que decidiram se unir para promover a democracia e os direitos humanos no Brasil. A primeira atividade da cooperação foi o “Diálogo Mulheres em Movimento: Direitos e Novos Rumos”, encontro de mulheres de todo o país e também de outras nações latino-americanas para traçar estratégias conjuntas na agenda feminista.

O evento reuniu organizações de mulheres negras, indígenas, LGBT, jovens, trabalhadoras domésticas, estudantes, secundaristas, blogueiras, articuladoras nas mídias sociais, lideranças comunitárias, especialistas, artistas, convidados das áreas de comunicação e também ativistas que foram às ruas na Primavera Feminista. Os debates estão disponíveis em https://goo.gl/R6GQNN.

O edital foi lançado a partir das observações feitas pelas ativistas durante o evento. Os debates estão disponíveis em https://goo.gl/R6GQNN.


Fonte: Portal da ONU

Entrevista - “Quem quer se matar não quer terminar com a vida; quer acabar com a dor”


Em janeiro de 2005, o pai da jornalista Paula Fontenelle se suicidou. Contando hoje, ela consegue identificar uma série de sinais dados por ele antes de acabar com a própria vida e que, na época, ninguém percebeu. "Meses antes, ele marcou um almoço comigo e me disse que queria abrir uma conta conjunta comigo", diz, ilustrando um dos sinais clássicos de quem decide se matar: O planejamento financeiro dos que ficarão, que são chamados pelos médicos de sobreviventes. Depois que tudo aconteceu, ela decidiu mergulhar no assunto. Da dor, Paula publicou, em 2008, o livro Suicídio, o futuro interrompido - Guia para sobreviventes (Geração Editorial), indicado ao prêmio Jabuti em 2009.

Paula é hoje, além de jornalista, psicanalista, escritora e autora do blog Prevenção Suicídio. O nome do blog é a aposta da autora para a redução do número de pessoas que se matam e que hoje cresce como uma bola de neve em todo o mundo. A Organização Mundial da Saúde estima que uma pessoa se suicida a cada 40 segundos. Na prática, os conselhos de Paula para a prevenção do suicídio giram em torno de perguntar e ouvir. "Tem duas perguntas que você deve fazer a uma pessoa que pensa em se suicidar", diz. "Onde dói, e como eu posso ajudar?".


Pergunta. O luto de quem perde alguém por suicídio é diferente daquele que perde alguém por doença ou acidente?

Resposta.
Eu acho que tem um ponto que é muito diferente e muito nocivo. Quando alguém morre por qualquer outro tipo de morte, as pessoas se interessam, perguntam. Se, por exemplo, foi um acidente, perguntam como foi, como a pessoa está. Querem saber sobre todo o processo da morte. No caso do suicídio, não. No momento em que você diz que a pessoa se suicidou, quem está ouvindo muda de assunto. Você se sente muito só. O tabu é muito grande. Muita gente esconde. Eu conversei com pessoas que pediram ao legista para alterar o atestado de óbito para, por exemplo, “acidente com arma de fogo”, porque não queria o estigma. Então além de você estar triste e passando por um luto normal, você passa pelo luto da incompreensão das pessoas e do tabu, porque ou a pessoa não quer falar ou pior, ela tem preconceito. Sem falar dos que se sentem culpados naturalmente.


P. Existe um sentimento de revolta com a pessoa que se matou?

R.
Sim, a revolta é uma das fases. A primeira é o choque, mas isso é comum em qualquer morte. A segunda, é a raiva. Eu entrevistei uma mulher uma vez que fazia 20 anos que o marido tinha morrido e ela ainda tinha raiva. Tem gente que não sai dessas fases. A raiva é muito comum, porque é como se a gente se perguntasse "como essa pessoa pôde fazer isso comigo?". A gente internaliza a morte do outro. No caso dessa mulher, por exemplo, é compreensível, porque a filha tinha uns sete anos e encontrou o pai morto. E ficou super perturbada. Então essa mulher dizia "eu nunca vou perdoar que ele tenha feito isso com as minhas filhas".


P. E quais são as outras fases?

R.
A culpa, que é quase inevitável. Tem um outro sentimento muito forte, e aí eu acho que é exclusivo de quem perde para o suicídio, que é o medo da hereditariedade. A gente começa a pensar "será que eu vou fazer a mesma coisa?". O suicídio não é hereditário. O que pode ser hereditário, obviamente, é o transtorno mental. Mas o transtorno mental tem cura, tem tratamento. A minha irmã, logo depois que meu pai morreu, começou a tomar antidepressivo, mas ela já tinha depressão há muito tempo. E nela, foi acionado o gatilho oposto. Ela disse "eu não vou terminar como ele".


P. O que aconteceu depois que o seu pai se suicidou?

R.
Eu queria entender. Como acontece com qualquer um, você fica cheio de perguntas. Por que ele fez isso? O que leva uma pessoa a isso? Como eu não identifiquei? Será que ele disse para mim de alguma maneira e eu não consegui entender? Na época que comecei a pesquisar mais, este assunto não existia no Brasil. Comprei vários livros fora [do país], em inglês, e aí resolvi escrever o livro, porque tantas pessoas passam por isso no Brasil e precisam entender, precisam de informação e não têm. Do mesmo jeito que eu não tive. Por isso eu decidi escrever.


P. Nos seu livro, você fala em sinais que a pessoa dá antes de se suicidar e que podem ser perceptíveis. Quais são esses sinais?

R.
Tem vários, e que são bem parecidos com os sintomas de depressão: Recolhimento, mudança de hábito – as pessoas começam a não se cuidar muito -, tristeza, isolamento. Muitas coisas se parecem, até porque a depressão é o transtorno mais associado ao suicídio. Os números mundiais mostram que mais de 90% dos suicídios são associados a algum transtorno mental. Um sinal bem importante é você deixar de sentir prazer em coisas que te davam prazer anteriormente. E existem alguns sinais que são específicos de quem está pensando em suicídio, já avançou na ideia e já está planejando.


P. Quais são?

R.
Organização financeira. As pessoas se organizam, principalmente para a família não ter problema. Meu pai fez isso. Alguns meses antes dele se matar, ele marcou um almoço comigo e me disse que queria abrir uma conta conjunta comigo. Ele fez isso porque sabia que eu poderia resolver qualquer coisa.


P. Mas quando ele fez isso, não daria para imaginar que ele planejava se suicidar....

R.
Nem passou pela minha cabeça. Naquela época, ele estava com problema financeiro e eu estava ajudando ele. Achei que era por isso. Mas depois, pensando, percebi que aquilo já poderia fazer parte do planejamento. Outro sintoma muito importante é a despedida. As pessoas começam a se despedir, a ligar para amigo de infância, para o primo com quem não fala há muito tempo. Meu pai, um dia antes [de se suicidar], foi até a casa da minha irmã. E naquele dia ela me falou "acho que papai está pensando em se matar". Despedida é muito comum. Outra coisa, é o discurso ficar muito nostálgico. Eles começam a só falar do passado. Qualquer referência que você fizer ao futuro, eles vão só puxar para o passado. Essas pessoas são as que já tomaram a decisão [de se suicidar]. Para elas já não existe futuro, então não faz sentido falar do futuro. E tem um quarto sintoma, que é começar a se desfazer das coisas materiais, inclusive das que têm valor sentimental. É uma forma de testamento em vida.


P. Quando chega a este ponto, da pessoa se organizar para cometer o suicídio, é reversível?

R.
Grande parte dos suicídios podem ser prevenidos porque são associados a algum transtorno mental. Toda semana eu recebo pelo menos três mensagens no meu site de gente que está pensando em se matar. Ou de alguém que identificou [os sintomas do suicida], ou de alguém que perdeu alguém. O que eu sempre falo é: Se a situação é emergencial, procure um médico. Porque pode ser um transtorno que já esteja muito avançado. Sem tratar, você não vai conseguir. A primeira coisa é levar ao médico, porque às vezes a pessoa não tem condições de ir sozinha. Terapia e grupo de apoio também podem ajudar. O emergencial é tentar identificar se existe algum transtorno mental associado.


P. Uma outra parte do seu livro fala dos mitos do suicídio. Quais são esses mitos?

R.
O principal é aquela história de que “quem fala, não faz”. Ouça. Sempre ouça. Não é natural que um ser humano diga que vai se matar ou que a vida não tem sentido ou que ele não aguenta mais a vida. Isso não é natural. Principalmente com os jovens. Quando é com adolescente, a gente tem mania de falar “ah, a pessoa está fazendo isso para chamar a atenção”. Não ache que a pessoa que fala não vai fazer. Edwin Schneidman, um dos principais especialistas em suicídio, que criou um centro de prevenção aqui nos Estados Unidos, sempre falava que a pessoa que fala em suicídio, que pensa em suicídio, ela não quer se matar, ela quer acabar com a dor. Tem duas perguntas que você deve fazer a uma pessoa que pensa em se suicidar: Onde dói e como eu posso ajudar?. Por isso que é importante você ouvir e tentar ajudá-la naquela dor específica. Essa história de que quem se mata é fraco, ou então é louco, não tem nada a ver uma coisa com a outra.


P. E como sobreviver a um caso de suicídio na família ou de um amigo próximo?

R.
O principal é ter com quem conversar. No silêncio, o suicídio cresce. Ele aumenta, fica maior do que é. Isso é o principal. Cada pessoa tem um jeito de lidar, mas para mim, o que funcionou foi ter informação. Ter acesso a informação e tentar entender o que leva uma pessoa a fazer uma coisa dessa. Entender a dor. Para quem passa por isso é muito importante ter com quem falar. É importante ser ouvido sem julgamento, sem opiniões. Apenas ouvir a dor do outro.


P. Quais políticas públicas poderiam ser desenvolvidas para a prevenção do suicídio?

R.
Tem alguns exemplos. Um deles foi na Flórida, onde o governador instituiu que todos os professores de jovens tinham que fazer um curso de prevenção e identificação dos sinais do suicídio em jovens para tirar a licença para lecionar. Essa é uma medida simples mas que pode ajudar muito. Outra medida é a distribuição de cartilhas. Em Teresina (PI), o prefeito reuniu profissionais da área da saúde do município e fez uma série de palestras sobre suicídio. É possível. Acho que o principal é passar informação e ajudar a acabar com este estigma e preconceito com o suicídio. Existe muito preconceito inclusive do profissional da área de saúde, médicos, enfermeiros. O pessoal que tá no hospital tentando salvar a vida, chega uma pessoa que acabou de tentar tirar a vida, eles dizem “por que eu vou perder meu tempo com alguém que não está querendo viver?”. Eles são muito maltratados na rede de saúde, porque as pessoas não entendem que aquilo é uma doença.


P. Os jovens são o maior grupo de risco?

R.
Quando você pensa em números, e é no mundo inteiro isso, os idosos com mais de 70, 75 anos, são os que mais se suicidam. Mas a faixa etária que mais cresce é entre 19 e 24 anos.


P. E entre homens e mulheres, qual é a estatística?

R.
A própria Organização Mundial da Saúde diz que os números são muito pouco confiáveis. Inclusive os dados do Brasil não sei se são confiáveis. Não dá pra confiar. Agora, sobre homens e mulheres, os homens morrem mais do que as mulheres, mas as mulheres tentam muito mais o suicídio que os homens. O que diferencia é que a mulher toma remédio e não morre. É o método que elas utilizam. Os homens utilizam métodos como se enforcar e arma de fogo, e morrem mais. Mas é preciso ter cuidado, porque o homem tenta menos do que a mulher. Se para cada tentativa houvesse um suicídio realizado, a mulher morreria mais.


P. Qual é o papel da imprensa no trato deste tema?

R.
É importantíssimo. Eu entendo o por que do silêncio da imprensa. De fato, o contágio existe. Quando este assunto começa a vir muito à tona, uma pessoa vulnerável pode ficar estimulada a dar o próximo passo para o suicídio. Isso é verdade. Mas a mídia tem que ter muito cuidado em como cobrir o assunto. Se for pensar na prevenção e em sempre seguir as orientações pra isso, ela estará cumprindo um grande papel. Por exemplo, sempre ouvir especialistas e pessoas que passaram por isso, sempre falar dos fatores de risco associados e dos sinais. Dar orientações sobre o que fazer. A coisa principal é nunca levar para o lado do romance. Outra coisa é não falar do método usado para o suicídio detalhadamente. A imprensa tem um papel importantíssimo na prevenção, mas tem que ter um cuidado enorme para cobrir este assunto.


P. Você acha que falta se falar mais sobre este tema? Por que é um tabu?

R.
Acho que todo mundo se escondendo por trás do silêncio não ajuda na prevenção do suicídio. Todo mundo deveria falar, mas com muito cuidado e responsabilidade, inclusive a mídia. E não falar somente quando uma celebridade se mata, porque é isso que acontece. Isso não é tema de celebridade. Não tem rico e pobre para o suicídio. O que a gente tem que fazer é falar continuamente, voltando para a prevenção e de forma responsável.


P. Sobre o jogo da baleia azul, que é feito de desafios, até que o último é o suicídio, e já teria causado a morte de alguns adolescentes...

R.
A gente deveria mesmo estar falando deste jogo? Até que ponto a gente está estimulando os jovens a procurar o jogo? Eu teria muito cuidado para falar dele. Uma coisa é falar de uma série, que está abordando o tema [13 reasons why], falar das vantagens e desvantagens de se falar sobre isso. Agora falar de um jogo que tem como finalidade que os jovens se matem, eu não vejo nenhuma vantagem de falar disso.


P. Mas de alguma maneira este assunto precisa ser abordado, né?

R.
Eu acho que pode ser abordado no sentido do alerta. Para alertar os pais para que conversem com seus filhos e, mais uma vez, fiquem atentos ao que eles estão fazendo na Internet.


Fonte: Jornal El País (Espanha)

PSDB tira do ar enquete sobre Lula após resultado inesperado


O PSDB só queria ouvir a opinião do povo. Mas as coisas não saíram como o partido planejou.

Uma enquete no site do PSDB perguntava nessa semana sobre a condenação do ex-presidente Lula pelo juiz Sérgio Moro.

O questionamento dizia “A condenação do ex-presidente Lula pelo juiz Sérgio Moro, na sua opinião, mostra:”.

As alternativas eram “Que não existe ninguém acima da lei no Brasil”; “Que a justiça foi feita”; e “Que foi uma decisão política”.

Até quinta (20), com mais de 17 mil respostas, os resultados mostravam que 94% dos brasileiros consideravam que a decisão de Moro fora política, enquanto somente 4% consideravam que a justiça fora feita.

Depois disso, o PSDB tirou a enquete do ar.

O partido alegou que robôs virtuais tinham sido usados para manipular a pesquisa e que, pelo alto número de acessos ao mesmo tempo, o site corria o risco de sair do ar.

Confira alguns prints que mostram alguns momentos da enquete:

Imagem de enquete no site do PSDB: partido tirou pesquisa do ar



Fonte: Revista Exame

Artigo - Aos meus amigos homens: façam terapia



Por: Pedro Jansen


Olha só.

Eu detesto falar sobre terapia, tá? Detesto. Na verdade, detesto as pessoas falando na fila do banco ou no ambiente de trabalho sobre suas terapias, que conflitos levaram pro divã, o que o terapeuta disse, se chorou ou se sorriu. É um momento tão íntimo que só diz respeito a você mesmo… (Ainda assim, acho importante dizer que ter um espaço para compartilhar tudo isso que discutimos com gente de confiança é fundamental).

No entanto, eu vou falar de terapia, sim. Não da minha, que não interessa aqui, mas da que todo homem precisa fazer. Posso estar trilhando o perigoso caminho da generalização, mas acho que se você se identificou minimamente com o documentário The Mask You Live In, tem aí dentro de si umas questões para resolver. Seja com a sua figura paterna ou materna, sua autoimagem, seus sonhos, as minas da sua vida, o jeito como você lida com a vida.

Mas mesmo que o doc não tenha passado pela sua telinha e você não queira assistir a doc nenhum, é provável que continue precisando de terapia. Pode ser porque faltou abraço quando era criança e hoje você não sabe lidar com o amor ou porque você não consegue terminar um relacionamento sem ser escroto, pode ser porque você não assume seus próprios BOs, pode ser até porque, com trinta e poucos anos, você tem uma autoestima mais linda e bem cuidada que vidraça de banco.

E eu já vi muitas amigas e desconhecidas mandando esse apelo: homens, façam terapia.

Algumas mandam só o pedido, outras mandam o pedido como fechamento de alguma treta envolvendo masculinidades tóxicas, direitos iguais entre os sexos, relações interpessoais. Esse pedido delas têm a ver com outra parada, essa que a gente sabe empiricamente, mas que vira e mexe aparece uma pesquisa para comprovar: nós, homens, demoramos muito para olhar para nós mesmos, nos cuidar, sermos gentis com o que não sabemos e queremos e precisamos aprender. Em geral a gente faz isso "muito bem" com a nossa saúde física: não vamos ao médico, não fazemos exames, não fazemos consulta preventiva de nada... bom, se até o Zico foi convocado para fazer publicidade lembrando os homens da necessidade de lavar o próprio pinto, o que dizer depois disso?

Isso sem falar das tretas mentais e psicológicas. Depressão, baixa autoestima, síndrome do pânico, insegurança, acessos de raiva... tem uma infinidade de doenças, síndromes e broncas ignoradas que a gente resolve metendo um uiscão/beckão/carreirão por cima ("eu vou beber pra esquecer meus problemas...") , que a gente deixa pra chorar no banho quando ninguém tá vendo, que a gente engole em seco e deixa pro corpo somatizar...

Resolver, resolver mesmo, a gente só resolve se for problema na firma. Cê deve saber do que eu tô falando.

Voltando ao que as minas pedem, e nesse caso específico as minas pedem pros caras fazerem terapia, quando a gente se confronta com diversas paradas na nossa vida que um dia a gente já duvidou, ou não deu muita bola, ou não entendeu direito, e que quem traz pra gente são as minas, às vezes a gente não sabe como lidar com tudo isso.

E tá tudo bem.

Tá tudo bem a gente não saber a resposta às vezes. Às vezes a gente não sabe como lidar com as estruturas dentro da gente com as quais essas questões mexem. Mas, como tenho visto mais e mais minas dizendo, também não é papel delas nos ajudar a nos entender e a nos transformar. Não dá pra exigir isso delas, entendeu? Elas têm mil outras lutas e buchas para tocar.

Quem tem que resolver isso somos nós.

E se você tiver um terapeuta, ele estará lá pra te ouvir dizer umas barbaridades sobre tudo isso sem julgamentos e te fazer pensar a respeito. Te mostrar outros pontos de vista. Te apresentar conexões. Te fazer refletir. Até que você comece a pensar sozinho, e remoer sozinho umas paradas, e ficar anotando mentalmente os assuntos que quer levar pra terapia.

Então, depois de tudo isso, eu não tô aqui pra falar sobre a minha terapia. Não tô aqui pra falar sobre a conclusão a que cheguei na sessão de hoje e que tá ressignificando anos e anos de impressões e certezas sobre a minha relação com "figuras de autoridade".

Sério, não é disso que eu tô falando.

O que eu tô falando é: homens, façam terapia. É importante e transformador para vocês e para quem está ao redor de vocês.


Fonte: Portal Papo de Homem

Artigo - Coitado do homem que casar com você



Por: Roberta Dominici


Ontem eu mandei um homem se calar pra eu terminar de falar. A resposta dele foi imediata: "Noooossa! Ela é mandona. Coitado do homem que casar com você."

Bem, eu sou casada. Com um homem. Há 5 anos. Eu não conto casamento a partir do civíl, mas a partir de quando ele se mudou pra minha kitnet e a gente carregou juntos os móveis dele pro meu barraco pela rua, rindo e tropeçando, com a ajuda de alguns amigos. Naquele dia eu casei. No civíl fazem 3 anos.

Uma vez perguntaram pra ele como é casar com uma feminista e ele não soube responder porque pra gente parece muito normal. A ideia que as pessoas fazem das feministas é muito confusa. É como se eu fosse fazer o "papel do homem" e ele, para haver equilíbrio, tivesse que fazer o "papel da mulher. Eu deveria bater nele quando ele não me obedecesse, eu deveria dar ordens, eu jamais deveria cozinhar, eu jamais deveria lavar uma roupa dele, eu deveria me negar a tudo o tempo todo. Eu deveria estuprá-lo quando ele não quisesse transar.

A verdade é que as coisas não acontecem assim, nem o contrário disso. Se eu tiver com a mão na massa eu do um grito do quintal pra ele trazer aquela meia pra eu lavar logo. Se ele tiver com a mão na massa ele lava uma calcinha. Eu acordo mais cedo e faço pão com ovo, levo na cama. Se eu preciso terminar aquele trabalho da faculdade eu levanto os pés no sofá e ele limpa a casa sozinho. Eu odeio lavar louça então sempre é ele que lava, mas por vezes ele está estudando e eu lavo, porque... porque não custa nada.

Quando ele é machista eu dou uma olhada torta sim e a gente senta e conversa. Pergunto se ele perdeu a cabeça e ele acha rapidinho. Nunca gritamos um com outro. Nunca, jamais por briga nenhuma dormimos separados. Se ele quer transar e eu não eu digo: "Coitado! Vai dormir tarado!" A gente ri e dorme de conchinha.

Eu poderia fazer um livro com uma lista de coisas que fazemos ou não fazemos que fazem de nós, mesmo sendo um casal hétero, o oposto do que seria a família tradicional brasileira. Ou do que seria um casamento "normal". Sobre "como é casar com uma feminista" é simples. Eu não tenho nenhuma obrigação por ser mulher, ele não tem nenhuma obrigação por ser homem. Temos igualitariamente a obrigação de não sermos babacas ou submissos um ao outro.

Então assim, eu perguntei pra ele se ele se acha um coitado por ser casado com uma feminista. A resposta foi que não. Ele disse que tá muito feliz, obrigado. ;)


Fonte: Facebook

Brasil lidera ranking internacional de assassinatos a ambientalistas, ativistas e indígenas


Ao defender suas terras, florestas e rios, cerca de quatro pessoas morreram por semana no ano passado. Elas foram assassinadas. Destas 200 mortes, 49 aconteceram no Brasil, e do total geral de vítimas, 40% eram indígenas. Nosso país aparece – vergonhosamente – em primeiro lugar no ranking elaborado pela organização Global Witness, que lançou recentemente o relatório Defenders of the Earth (Defensores da Terra, em português).

O levantamento, que é feito pela entidade desde 2015, revelou um triste recorde no número de assassinatos. Em 2014, foram 116 pessoas mortas, no ano seguinte 185 e em 2016, 200. E agora em 2017, a situação continua alarmante. Só até o mês de maio, 97 ativistas e ambientalistas já perderam suas vidas.

Acredita-se, entretanto, que o número de mortes deva ser ainda maior, já que muitas delas sequer são relatadas ou descobertas.


Brasil, Honduras, Nicarágua, Colômbia, Índia e Congo são citadas como as nações mais perigosas, com maiores índices de violência. Os assassinatos ocorrem, sobretudo, na Amazônia, região onde há um embate contínuo entre ativistas que lutam para manter a floresta de pé e os direitos dos povos indígenas às suas terras e empresas ávidas por explorar financeiramente o potencial gigantesco dos recursos naturais do norte do país.

O relatório aponta as indústrias mineradoras, madeireiras, agropecuárias e usinas hidrelétricas como sendo as principais responsáveis por estes conflitos. Dos 200 assassinatos ocorridos no ano passado, 33 estavam ligados com disputas por áreas de mineração.

De acordo com a Global Witness, assassinatos são apenas uma das táticas utilizadas pelos criminosos para tentar calar suas vítimas. Há ainda ameaças, encarceramento, assédio sexual e outros tipos de agressões.



As vítimas brasileiras

Um dos casos citados pelo relatório é o da brasileira Nilce de Souza Magalhães, que aparece na foto abaixo. Seu corpo foi encontrado preso a uma pedra, no fundo do rio Madeira, em julho de 2016. Ela estava desaparecida há seis meses. Nilce protestou durante anos contra a construção da usina hidrelétrica de Jirau, em Porto Velho.


Assim como outras centenas de pessoas que tinham na pesca uma fonte de renda e sobrevivência, Nilce sabia do impacto ambiental provocado pela barragem. Os peixes simplesmente sumiram. A ativista se tornou uma líder na comunidade. A última vez que foi vista viva foi algumas semanas após falar em público sobre o problema em Brasília.

Na lista abaixo, você encontra o nome das 49 pessoas assassinadas no Brasil. Elas perderam suas vidas ao levantar a voz contra a exploração e o crime. Porque não se conformaram em manter os braços cruzados diante da injustiça. E nunca tiveram a seu lado o governo para defender seus direitos.

Alexsandro dos Santos Gomes
Allysson Henrique Lopes
Aponuyre Guajajara
Assis Guajajara
Candide Zaraky Tenetehar
Cleidiane Alves Teodoro
Clodiodi Aquileu Rodrigues de Souza
Edilene Mateus Porto
Edmilson Alves da Silva
Enilson Ribeiro dos Santos
Fernando Gamela
Francisca das Chagas Silva
Genésio Guajajara
Genivaldo Braz do Nascimento
Geraldo de Campos Bandeira
Geraldo Lucas
Iraúna Ka’apor
Isaías Guajajara
Isaque Dias Ferreira
Ivanildo Francisco da Silva
Jaison Caique Sampaio
Jesser Batista Cordeiro
João Luiz de Maria Pereira
João Natalício Xukuru-Kariri
João Pereira de Oliveira (João Bigode)
Joel Martins Gavião Krenyê
José Bernardo da Silva (Zuza)
José Colírio Oliveira Guajajara
José Dias de Oliveira Lopes Guajajara
José Lisboa
José Queiros Guajajara
Leomar Bhorbak
Luciano Ferreira de Andrade
Luís Alberto Araújo
Luis Antônio Bonfim
Luís Carlos da Silva
Luiz Jorge Araújo
Luiz Viana Lima
Marcus Vinicius de Oliveira
Nilce de Souza Magalhães (Nicinha)
Nivaldo Batista Cordeiro
Ronair José de Lima
Roni dos Santos Miranda (Rony)
Ruan Hildebran Aguiar
Sebastião Pereira dos Santos
Valdiro Chagas de Moura
Valdomiro Lopes de Lorena
Vilmar Bordim
Zé Sapo


Fonte: Blog Conexão Planeta

The Guardian diz que Brasil está voltando ao seu passado de pobreza,miséria e fome



Reportagem do jornal britânico The Guardian aponta que a recessão econômica brasileira, estabelecida após o golpe contra Dilma Rousseff e acentuada com medidas econômicas do governo Temer, começa a empobrecer o País, que corre o risco de voltar a fazer parte do Mapa da Fome da ONU, apenas três anos após ter saído; “Desemprego e instabilidade social ameaçam um indesejável retorno ao passado em um país que já foi visto como modelo para economias emergentes, mas é afetado pela recessão”, diz a publicação; jornal diz que os “os pobres estão ficando mais pobres”e que “este deveria ser o passado do Brasil”

O Brasil tem ficado mais pobre e corre o risco de voltar ao Mapa da Fome da ONU, apenas três anos depois de ter saído, aponta reportagem do jornal britânico The Guardian.

Com a recessão econômica brasileira – estabelecida após o golpe parlamentar que tirou Dilma Rousseff do poder e acentuada com medidas do governo Temer – “os pobres estão ficando mais pobres”, diz a revista, que completa: “este deveria ser o passado do Brasil”.

“Desemprego e instabilidade social ameaçam um indesejável retorno ao passado em um país que já foi visto como modelo para economias emergentes, mas é afetado pela recessão”, diz a publicação.

A matéria diz que as medidas de austeridade implementadas pelo governo Temer podem tornar ainda difícil a vida da população mais pobre.


Fonte: Jornal Falando Verdades / Jornal Brasil 247

Há uma parte de você que luta contra a igualdade

Condomínio de luxo em meio a bairros populares, no México


Os seres humanos mostram uma aversão generalizada à desigualdade. No entanto, parece que na prática suas sociedades têm uma tendência natural à concentração de recursos. Estudos sobre a evolução da desigualdade durante os últimos séculos mostram um incremento paulatino que só se reverteu durante grandes catástrofes. A peste negra, que acabou com mais de um quarto da população europeia, ou as duas guerras mundiais se encontram entre os escassos períodos em que a igualdade aumentou. Os desastres permitem tirar os poderosos de suas trincheiras e os obriga a ceder parte de sua riqueza. Assim, as opções das gerações do futuro melhoram, mas a custo de um sofrimento descomunal para as que vivem a revolução.

Esta pode ser uma das explicações para os resultados de um artigo publicado recentemente na revista Nature Human Behaviour, no qual podemos encontrar parte do motivo pelo qual a desigualdade persiste, apesar de não agradar a quase ninguém. A chave se encontra em outro fator que costuma estar associado à riqueza, embora nem sempre: a hierarquia.

O trabalho ideológico da classe dominante para manter seu status é fundamental. Platão afirmava que romper a rígida separação entre as três classes sociais que descrevia em A República “é o maior dano que se pode fazer à cidade”. Confúcio observou algo similar quando dizia “deixa o governante ser governante, o súdito ser súdito, o filho, filho”. Parece que os humanos compartilham com outros animais uma inclinação natural por manter as hierarquias existentes. Isto se deve a que, quando se busca o bem-estar comum, melhoram as possibilidades de sobrevivência da maioria, já que se reduz a violência dentro do grupo. Do ponto de vista individual a hierarquia satisfaz uma busca de estrutura e do ponto de vista do grupo a diferenciação hierárquica incrementa a cooperação e a efetividade.

Para tentar entender como os humanos administram esses impulsos contraditórios, um grupo de pesquisadores liderado por Xinyue Zhou, da Universidade Zhejiang, em Hangzhou (China), realizou uma série de testes econômicos dos quais participaram mais de mil pessoas da Índia, China e Estados Unidos. Além disso, foi posto à prova um grupo de pastores tibetanos para ver se haveria diferenças com indivíduos sem tanta exposição à economia de mercado. Nos testes os participantes deveriam redistribuir pequenas quantidades de dinheiro que tinham sido distribuídas de forma desigual entre duas pessoas. Nesses experimentos, seguindo o gosto humano pela equidade, houve uma tendência de redução das desigualdades, mas não ao ponto de tornar o pobre rico e o rico, pobre. Somente 23,1% dos participantes rejeitaram a redistribuição desde que não fosse rompido o status quo. No entanto, quando redistribuir as posses de cada indivíduo na quantidade proposta pelos pesquisadores levava a reverter a hierarquia inicial, 55,2% dos participantes preferiram não fazer isso. Entre os pastores tibetanos, a rejeição a mudar a ordem inicial foi ainda maior.

Além de apresentar provas sobre esta aparente contradição humana entre a rejeição à desigualdade e a reverter as hierarquias, os autores realizaram experimentos para comprovar a partir de que idade aparecem as duas tendências. Enquanto a primeira já está presente a partir dos quatro ou cinco anos de idade, a segunda só aparece aos seis ou sete e se desenvolve entre os sete e os 10.

Os autores consideram que esse tipo de achado pode servir para compreender melhor por que em certas ocasiões há uma grande oposição a políticas públicas que possam reduzir a disparidade de renda em uma sociedade, mesmo quando isso não prejudica os que têm mais. Alguns estudos mostraram que as pessoas que ganham pouco acima do salário mínimo são as com maior probabilidade de se opor a que esse salário mínimo seja incrementado, por medo de perder a própria classe. Também mencionam que a posição das instituições em relação a essa aversão à mudança de hierarquia é complicada porque, embora busquem a igualdade, essa mesma alergia à mudança é um fator fundamental para a sobrevivência dessas instituições.

A possibilidade de que essa rejeição à mudança esteja integrada à nossa psicologia por questões evolutivas se reflete em outro estudo publicado em 2015 por pesquisadores da Universidade do Arkansas (EUA). Nele, buscava-se relacionar o maior ou menor esforço cognitivo que requeria seguir valores igualitários ou hierárquicos. Em seu experimento, comprovaram, por exemplo, que uma maior quantidade de álcool no sangue de um grupo de pessoas em um bar estava relacionada com uma maior preferência pela hierarquia. Quando se pediu a outro grupo que tomasse decisões rápidas, isso também proporcionou mais recursos a grupos com um status elevado. Com esse tipo de testes comprovaram que as estruturas hierárquicas eram mais fáceis de processar e de valorizar e que tomar decisões que favorecessem a igualdade requeria um esforço mental maior.

Nos últimos anos, até instituições tão liberais como o Fundo Monetário Internacional ou o Fórum Econômico Mundial alertaram para os perigos da crescente desigualdade. Xinyue e seus colegas mostraram que esse perigo está enraizado em um lugar muito profundo de cada um de nós.


Fonte: Jornal El País (Espanha)

Remessas de migrantes aumentam 51% em dez anos e tiram milhões da pobreza, diz estudo


A quantidade de dinheiro que os migrantes enviam para suas famílias nos países em desenvolvimento aumentou 51% na última década – muito mais do que o aumento de 28% na emigração desses países.

Os dados são de um relatório do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola da ONU (FIDA) divulgado em junho.

O estudo inédito investiga uma tendência de dez anos na migração e nos fluxos de remessa no período entre 2007 e 2016. O valor total enviado em 2016 aos países de origem pelos migrantes é de pouco mais de 400 bilhões de dólares, estima a agência da ONU.


Embora o relatório mostre que houve um aumento nos padrões de envio para quase todas as regiões do mundo, o aumento acentuado na última década é em grande parte devido à Ásia, que tem testemunhado um aumento de 87% nas remessas.

Apesar da tendência, o presidente do FIDA, Gilbert F. Houngbo, destacou o impacto das remessas nas famílias. “Não se trata de o dinheiro estar sendo enviado para casa, e sim do impacto na vida das pessoas. As pequenas quantidades de 200 ou 300 dólares que cada migrante manda para casa representam cerca de 60% da renda doméstica da família, e isso faz uma enorme diferença em suas vidas e nas comunidades em que vivem.”

Mais de 200 milhões de trabalhadores migrantes estão agora apoiando aproximadamente 800 milhões de membros de suas famílias globalmente. Prevê-se que, em 2017, uma em cada sete pessoas no mundo estará envolvida no envio ou recebimento desses fundos, que passam de 450 bilhões de dólares.

Os fluxos de migração e as remessas que os migrantes enviam para suas famílias estão produzindo impactos de grande escala na economia global e na paisagem política.

O ganho total dos trabalhadores migrantes é estimado em 3 trilhões por ano, dos quais aproximadamente 85% permanecem nos países de acolhimento. Os recursos enviado pelos migrantes representa, em média, menos de 1% do PIB do país de acolhimento.

O Brasil recebeu em 2016, segundo o relatório, um total de 2,7 bilhões de dólares – ou 0,2% do PIB, uma queda de 17% em relação a 2007.

Em conjunto, essas remessas individuais representam mais de três vezes a Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD) de todas as fontes – ou seja, toda a ajuda humanitária e outras formas de cooperação global oriunda de países doadores –, além de ser mais do que o investimento direto estrangeiro total para quase todos os países de baixa e média renda.

“Cerca de 40% das remessas – 200 bilhões de dólares – são enviadas para áreas rurais onde a maioria dos pobres vive”, disse Pedro de Vasconcelos, um dos responsáveis pelo tema no FIDA e principal autor do relatório.

“Este dinheiro é gasto em alimentos, cuidados de saúde, melhores oportunidades educacionais e melhoria da habitação e saneamento. As remessas são, portanto, essenciais para ajudar os países em desenvolvimento a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.”

Os custos de transação para enviar remessas atualmente excedem 30 bilhões de dólares, anualmente, com tarifas particularmente altas para os países mais pobres e áreas rurais remotas.

O relatório faz várias recomendações para melhorar as políticas públicas e descreve propostas de parcerias com o setor privado para reduzir custos e criar oportunidades para que os migrantes e suas famílias usem seu dinheiro de forma mais produtiva.

“À medida que as populações nos países desenvolvidos continuam a envelhecer, espera-se que a procura de mão de obra migrante continue a crescer nos próximos anos”, afirmou Vasconcelos. “No entanto, as remessas podem ajudar as famílias dos migrantes a construir um futuro mais seguro, tornando a migração para os jovens mais uma escolha do que uma necessidade.”

O estudo indica ainda que os fluxos de remessas cresceram na última década a uma taxa média de 4,2% anualmente, de 296 bilhões em 2007 para 445 bilhões em 2016. Cem países recebem mais de 100 milhões de dólares em remessas a cada ano.

Prevê-se que cerca de 6,5 trilhões de dólares – sem o cálculo do crescimento – em remessas serão enviados para países de baixa e média renda entre 2015 e 2030.

Os dez maiores países de origem dessas remessas representam quase metade dos fluxos anuais, liderados pelos Estados Unidos, Arábia Saudita e Rússia. Além disso, 80% das remessas são recebidas por 23 países, liderados pela China, Índia e Filipinas. A Ásia recebe 55% de todos os fluxos de remessa.

Acesse o documento clicando aqui.


Fonte: Portal da ONU

Denúncias de maus-tratos em clínicas psiquiátricas sobem 49% no país


Abuso sexual, restrição alimentar, castigos, trabalho forçado, cárcere privado e até agressões com luvas de boxe e eletrochoque. Essa é a extensa lista de maus-tratos relatada pelos pacientes da comunidade terapêutica Ibanez Lattanzio, em Araçoiaba da Serra, no interior de São Paulo. O fechamento do local, na semana passada, mostra que, mesmo após a reforma psiquiátrica no País, há 16 anos, pacientes com transtornos mentais seguem sendo vítimas de negligência e crueldade em centros médicos que deveriam tratá-los.

Números inéditos de um relatório do Ministério dos Direitos Humanos comprovam que o caso de Araçoiaba da Serra não é exceção.

A cada três dias, uma denúncia de maus-tratos em unidades psiquiátricas é recebida pela pasta. Em 2016, foram 143 queixas de violações ocorridas em manicômios, hospitais psiquiátricos ou casas de saúde feitas ao Disque 100. O aumento é de 48,9% em relação a 2015, quando 96 casos do tipo foram relatados.

A unidade Ibanez Lattanzio, entidade privada que atua como comunidade terapêutica (serviço de acolhimento e tratamento de usuários de drogas), foi interditada após denúncias de irregularidades chegarem ao conhecimento do Ministério Público Estadual (MPE) e da Vigilância Sanitária municipal. No aspecto da higiene, a Prefeitura encontrou o local sujo, sem ventilação e com mau cheiro. O MPE entrou na Justiça contra a clínica ao descobrir que o local realizava internações forçadas de pacientes, o que contraria a legislação das comunidades terapêuticas, cuja previsão é de só entrarem pacientes dependentes químicos que concordam com o tratamento.

"Era um grande depósito de gente. Tinha dependentes químicos graves, jovens que vivem de clínica em clínica, idosos com histórico de alcoolismo ou simplesmente início de demência e até pacientes com outros problemas psiquiátricos", relatou à reportagem uma agente de saúde que já visitou o local e pediu anonimato. "Eles ficavam internados por anos. A família pedia a internação, contratava um serviço de resgate que praticamente sequestrava o paciente na própria casa e o levava para a clínica. Um médico da própria unidade dava o atestado para a pessoa ficar internada contra a vontade."

No último dia 14, a Justiça determinou, a pedido do MPE, o fechamento da ala das internações forçadas. Cerca de 80 internos foram soltos em massa, saíram a pé e tomaram o rumo da cidade, caminhando pela Rodovia Raposo Tavares. Parte deles ainda está desaparecida e o MPE pediu à Justiça que a entidade seja multada em R$ 1 mil por paciente não localizado ao dia.

Alguns dias depois, a Vigilância Sanitária fechou todos os espaços do centro e levou cerca de 200 pacientes para um ginásio municipal, de onde eles foram sendo retirados aos poucos por familiares.

Foi após a interdição total que a Prefeitura recebeu as denúncias de maus-tratos, como agressões e abuso sexual. A Prefeitura disse que irá encaminhar as queixas ao MPE.

Uma estudante de Direito de 23 anos, que ficou internada por sete meses na instituição em 2014, relatou à reportagem trauma com o tratamento. "Faço terapia até hoje. Havia punições até com murros e água gelada. Os 'disciplinas' (outros pacientes) é que aplicavam o castigo." Ela diz ter entrado em depressão após sair da clínica. "Muitas vezes ficávamos abandonados", conta ela, que foi internada por causa do vício em cocaína.

A comunidade afirma que os pacientes saíram "por vontade própria" e que o centro "não teve como impedir a evasão dos mesmos". No mesmo município, outros 12 centros de internação passam por fiscalização do MPE. "Sabemos que algumas não têm sequer alvará de funcionamento", diz a promotora Maria Aparecida Castanho.

Em nota, a clínica afirmou que a interdição foi uma medida "açodada" e que a ordem judicial determinava a interdição só da ala de internação voluntária. "A clínica entende que houve falta de cuidado na atitude dos envolvidos no processo para com os pacientes em tratamento que foram levados para a cidade de Araçoiaba da Serra sem suas refeições e sem medicamentos." O advogado do centro terapêutico, Anésio Lima, negou os maus-tratos e prepara medidas judiciais para "restabelecer a verdade dos fatos". Já a prefeitura disse que vai pedir ressarcimento dos custos que teve para atender internos retirados da clínica.


Outros casos

Assim como a Ibanez Lattanzio, outras comunidades terapêuticas do Estado têm sido denunciadas por maus-tratos. Relatório do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo, finalizado em 2016, revela violações de direitos humanos em 40 estabelecimentos do tipo espalhados por 28 cidades.

A partir de inspeções e relatos de pacientes, o conselho descobriu nas unidades problemas como trabalho forçado, hipermedicalização, más condições de higiene, castigos físicos, retirada de pertences pessoais e restrição de contato com famílias.

Em Goiás, uma comunidade terapêutica de Corumbaíba foi interditada em fevereiro após investigação do Ministério Público. O local - cujo nome não foi informado - é alvo de denúncia por cárcere privado, ao manter internados à força, além de descumprir regras de higiene.

Para Marcos Garcia, psicólogo da Universidade Federal de São Carlos (UFScar), as práticas adotadas em algumas dessas unidades se comparam às dos manicômios.


Fonte: Portal UOL Notícias

Universidade lança pós-graduação à distância de História da África e do Negro no Brasil


Curso destinado a professores das redes pública e privada de ensino, pesquisadores, profissionais liberais e ativistas sociais em geral.

NOVAS TURMAS EM AGOSTO/2017.
Venha para a Candido Mendes! Saiba mais em https://goo.gl/RAUKr7

Desconto especial para professores.


Fonte: Página da Universidade Cândido Mendes do Facebook

ONU Mulheres lança movimento #EscolaSemMachismo



Professora, professor, você está revisando o plano de aulas para a volta às aulas? Ainda dá tempo de reforçar conteúdos sobre igualdade de gênero. Baixe o currículo e plano de aulas sobre gênero e a sua relação com esporte, mídia e fim da violência, de estereótipos e desigualdades. Faça parte do movimento #EscolaSemMachismo

1. Sexo, gênero e poder: goo.gl/ZJ1pzA
2. Violência e suas interfaces: https://goo.gl/wZLGIX
3. Estereótipos de gênero e esportes: https://goo.gl/R6AzgF
4. Estereótipos de gênero, raça/etnia e mídia: https://goo.gl/7SZNyE
5. Estereótipos de gênero, carreiras e profissões: diferenças e desigualdades: https://goo.gl/MEEOLO
6. Vulnerabilidades e prevenção: https://goo.gl/AH9JgT


Fonte: Página da ONU Mulheres Brasil no Facebook

Queda na contagem de espermatozoides em homens pode levar à extinção humana, aponta pesquisa

Foto: Juergen Berger (Science Photo Library)
Pesquisa analisou 185 estudos de diferentes partes do globo


O ser humano pode ser extinto se a quantidade de espermatozoides no esperma dos homens continuar a cair no ritmo atual, segundo um estudo liderado por um pesquisador da Universidade Hebraica de Jerusalém.

Um grupo de sete especialistas de diversas universidades ao redor do mundo se uniu para analisar os resultados de 185 estudos diferentes da América do Norte, Europa, Austrália e Nova Zelândia. Eles concluíram que a contagem de espermatozoides entre homens dessas regiões caiu pela metade nos últimos 40 anos.

Houve uma queda de 52,4% na concentração de espermatozoides e uma diminuição de 59,3% na contagem total das células reprodutivas no esperma de homens dos locais estudados.

O estudo também aponta que a taxa de declínio continua alta e pode possivelmente estar aumentando.

Os resultados foram publicados no Human Reproduction Update, uma publicação sobre reprodução humana. O pesquisador chefe, Hagai Levine, diz que seu estudo é um dos maiores já feitos sobre o assunto - foram avaliados 185 artigos científicos feitos entre 1973 e 2011.

Levine, que é epidemiologista, diz que ficou "muito preocupado" com o que pode acontecer no futuro. Segundo ele, se a tendência continuar, o ser humano pode ser extinto.

"Se não mudarmos a forma como estamos vivendo, a maneira como nos relacionamos com o ambiente e os produtos químicos aos quais estamos expostos, eventualmente podemos ter um problema grande relativo à nossa reprodução. E ele pode levar ao fim da espécie humana", afirma.

Céticos

Cientistas que não participaram do estudo elogiaram a qualidade da pesquisa, mas dizem que essa conclusão alarmista pode ser prematura, já que nenhum declínio foi encontrado no esperma de homens da América do Sul, da Ásia e da África.

Os pesquisadores liderados por Levine, no entanto, apontam que nesses continentes não houve um número significativo de estudos conduzidos até agora.

Análises anteriores indicaram quedas similares na contagem de espermatozoides em países em desenvolvimento, mas céticos afirmam que uma grande parte dessas pesquisas tinham problemas. Algumas tinham uma amostra muito pequena de pessoas estudadas, enquanto outras incluíam apenas homens que visitaram clínicas de fertilidade, ou seja, tinham maior chance de ter baixa contagem de espermatozoides, dizem.

Também existe a preocupação de que estudos que apontam a queda tenham uma maior chance de ser publicados em revistas científicas do que os que indicam o contrário.

Outra dificuldade é que antigos métodos de contagem podem ter superestimado os números.

Segundo essa parte da comunidade científica, todos esses fatores juntos podem ter criado uma falsa visão de queda na contagem.

Os pesquisadores dizem, no entanto, que levaram em conta essas questões. E até conseguiram deixar alguns céticos, como o professor Allan Pacey, da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, menos desconfiados.

"Eu nunca fui convencido pelos estudos publicados com esse tipo de resultado, mas o feito por Levine e seus colegas resolve muito bem os problemas encontrados nas pesquisas anteriores", diz.


Cigarro e obesidade

Pacey afirma que, embora o novo estudo tenha reduzido a possibilidade de erros, ele não acabou 100% com ela. Então, segundo ele, os resultados têm que ser lidos com cuidado.

"O debate não está concluído e ainda há muito trabalho há ser feito. No entanto, o novo artigo de fato é um avanço no sentido de lidar mais claramente com os dados e pode ser um primeiro passo no caminho de elaborar novas pesquisas para entender melhor essa questão", avalia.

Não há evidências concretas sobre o que poderia estar causando esse declínio aparente. Mas ele já foi relacionado à exposição à produtos químicos usados em pesticidas e plásticos, à obesidade, ao cigarro, ao estresse e até ao excesso de tempo passado em frente à TV.

Levine diz que existe urgência em descobrir por que o número de espermatozoides está caindo e descobrir maneiras de reverter essa tendência.

"Precisamos tomar uma atitude. Por exemplo, estabelecer regulações melhores de produtos químicos produzidos pelo homem. E precisamos continuar com nossos esforços para combater o cigarro e a obesidade."


Fonte: Jornal BBC Brasil (Reino Unido)

Meninas fazem cirurgia estética na vagina ainda virgens; Brasil é líder

Foto: Instagram do Projeto "The Vulva Gallery"

O projeto "The Vulva Gallery" celebra a diversidade de formatos



Vaginas podem ter os mais diversos formatos, ter particularidades na cor e na textura da pele, ter diferenças no tamanho e volume dos lábios, mas muitas mulheres parecem não estar convencidas disso. Em 2016, 25 mil brasileiras entraram na faca para corrigir suas “imperfeições” vaginais – o dobro do ano anterior, segundo dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica (Isaps, na sigla em inglês). Os números crescentes alçaram o país ao posto de recordista mundial das cirurgias íntimas. E, segundo especialistas no procedimento, a motivação estética supera a funcional, que é quando a anatomia dos lábios provoca alguma dor ou desconforto.

No consultório especializado em cirurgias íntimas do cirurgião plástico Ricardo Kruse, que há cinco anos atende a essa demanda em Fortaleza e em parceria com alguns colegas de profissão em São Paulo, o desconforto exclusivamente relacionado ao aspecto visual da vulva parte de 90% das pacientes que o procuram. Ele, assim como seus colegas, nota um aumento cada vez maior da procura pela técnica.

O cirurgião plástico Rodrigo Itocazo Rocha, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e regente do Capítulo de Cirurgia Genitália e Intersexo da SBCP, diz que 37% das procuras em seu consultório são estritamente estéticas, contra 32% das indicações de cunho funcional. Já 31% das cirurgias íntimas são realizadas para suprir ambos os objetivos. “A mulher acaba olhando mais para sua região íntima e definindo seu objetivo de genitália. Assim é criada toda uma expectativa de um padrão de beleza”, explica o médico.


Cirurgia vem antes da primeira vez no sexo

A estudante cearense Helena* tem 21 anos e, há dois meses, entrou para as estatísticas das mulheres que se submeteram à ninfoplastia ou labioplastia, técnicas de redução dos pequenos lábios vaginais. Ela não estava satisfeita com a aparência da região. O desejo foi despertado há dois anos, depois de ver uma reportagem sobre o assunto ser transmitida na TV. “Fiquei curiosa e fui pesquisar sobre a anatomia da vagina”, conta. “Descobri que cada mulher tem a sua particularidade, mas também me deparei, em livros e na internet, com um número muito maior de imagens de vulvas de lábios menores, mais lisinhas. Elas eram as mais bonitas.”

Depois de reunir informações sobre a cirurgia, a jovem decidiu procurar um especialista e se submeter ao procedimento. Só a mãe sabia de sua decisão. “Foi a melhor coisa que fiz. Me sinto muito mais mulher e confiante para me relacionar. Parece que nasci de novo”, diz Helena, que realizou a cirurgia antes mesmo de ter tido sua primeira relação sexual.
O padrão de beleza chegou à vagina?

A depilação total, as modelagens cada vez menores dos biquínis, o movimento de envio de nudes e a pornografia são importantes motivadores da busca pela vagina "mais bonita". Para a psicóloga Rachel Moreno, especialista em pesquisa de opinião e autora do livro “A Beleza Impossível – Mídia, Mulher e Consumo” (Editora Ágora), o cenário é preocupante. “Se submeter a padrões estéticos tão invasivos é completamente distante da diversidade que compreende a beleza das mulheres em geral”, diz. “Esse movimento acarreta um sério efeito colateral, como o rebaixamento da autoestima de mulheres. Elas acabam então se submetendo a qualquer sacrifício para chegar o mais próximo da beleza idealizada. Precisamos nos libertar.”

Para a ginecologista Karla Giusti Zacharias, do Grupo Huntington, é importante entender que a diversidade de formatos existe e é normal. "Da mesma forma que as mulheres são altas, baixas, magras e gordas, existe diferença na formação da vagina e da vulva. Na prática, o que se observa é que o tamanho dos pequenos e grandes lábios é bastante variado, não existe um padrão", explica. "A assimetria que acompanha todo o nosso corpo também se dá na região íntima. Por isso, nota-se uma diferença de tamanho entre os lábios. E quanto à coloração, ela varia de acordo com o tom da pele de cada mulher. As mais morenas, por exemplo, jamais terão lábios rosados."

Neste sentido, artistas têm usado as redes sociais para falar sobre autoaceitação e combater inseguranças que possam estar de alguma maneira aprisionando muitas mulheres que recorrem à cirurgia. Esse é o caso do coletivo “Lambe Buceta”, criado pelas designers Karen e Kelly. Por meio de lambe-lambes, elas espalham seu lema pelas ruas de São Paulo: “Sua xoxota é linda”.

Faz coro a esse movimento a artista holandesa Hilde Atalanta, que criou no Instagram a “The Vulva Gallery”. A conta é alimentada diariamente com ilustrações de vulva – já passam de 300 - em seus mais distintos formatos e texturas para celebrar a diversidade da região íntima feminina.

Ainda assim, esse esforço ainda não tem sido suficiente para brecar os altos números da cirurgia íntima.

O interesse de meninas jovens, aliás, tem esquentado o debate sobre o assunto no mundo todo. Um levantamento recente feito pela Sociedade de Cirurgia Plástica Estética dos EUA apontou que, em 2016, 560 menores de idade se submeteram à labioplastia no país. No Reino Unido, segundo o National Health Service, entre 2015 e 2016, mais de 200 meninas passaram pelo procedimento, sendo que 150 delas tinham menos de 15 anos.


Elas não gostam do lábios assimétricos

A recomendação dos especialistas brasileiros é que a cirurgia seja feita somente na idade adulta - a partir dos 18 anos -, depois que o corpo já estiver formado.
“A maioria das minhas pacientes tem entre 25 e 35 anos, quando já atingiram uma certa maturidade em relação ao seu próprio corpo e sexualidade”, explica Kruse.

A queixa estética mais comum que chega aos consultórios é com relação ao tamanho e assimetria dos pequenos lábios. Em menor proporção, entram na lista de insatisfações o volume dos grandes lábios e o acúmulo de gordura na região pubiana. Quando a motivação é funcional, o cirurgião destaca relatos de desconforto com roupas justas, incômodo ao praticar exercícios e dor durante a relação sexual provocados pelo excesso de pele na região.

Assim como a idade, os perfis, segundo Kruse, são também bastante variados.“Tem meninas virgens que sentem vergonha da vagina, mulheres que vão reiniciar a vida sexual e outras que não só se incomodam com a estética, mas também se queixam de algum desconforto durante o sexo por conta da anatomia”, conta. “Em geral, elas apresentam uma insatisfação bem particular. Muitas nem chegam a contar ao marido sobre a cirurgia.”

A estudante paulista Aline*, 23, fez a sua em janeiro, mas o descontentamento vinha de longa data. Desde os 14 anos ela não gostava do que via no espelho. Optou, então, por deixar os pequenos lábios simétricos, tirou um cisto sebáceo dos grandes lábios e reduziu o volume do monte de vênus – acima do púbis. “Foi bem simples e tirou esse incômodo da minha cabeça”, conta. “A estética nunca interferiu na intimidade, mas hoje me sinto bem mais à vontade quando estou nua e mais segura do ponto se vista sexual. Foi libertador.”

Como é feita a cirurgia íntima?

Na prática, o procedimento dura entre 30 minutos a duas horas, dependendo do tipo de alteração – diminuição dos pequenos lábios, preenchimento dos grandes lábios, redução do monte de vênus -, e deve ser realizado em um hospital, por um cirurgião plástico ou ginecologista especializado em cirurgias íntimas.

Apesar de simples, a ninfoplastia exige cuidados. “Os pequenos lábios têm como função afunilar o jato urinário e proteger a vagina – região interna da vulva – de infecções. Por isso, é desaconselhado e arriscado retirá-los por completo”, alerta Rocha.

Se o objetivo é ganhar volume na região, um preenchimento é feito com gordura retirada principalmente do abdômen ou com ácido hialurônico. Todas as intervenções geram, claro, cicatrizes. Mas, no geral, elas são sempre posicionadas em locais de dobra para que fiquem imperceptíveis.

A cirurgia é feita sob o efeito de anestesia local e sedação. Dependendo do grau de refinamento da técnica e para garantir uma retirada mais precisa dos tecidos, é permitido recorrer a uma anestesia raquidiana, peridural ou geral.

Quando o assunto é perda da sensibilidade, ambos os especialistas são unânimes ao dizer que não deve haver nenhuma mudança neste sentido, a não ser que seja feita alguma alteração na região clitoriana. Fora isso, a melhoria no prazer relatada por algumas pacientes tem fundo psicológico que se dá à medida que elas vão adquirindo autoconfiança após o resultado.

A promessa é de um pós-operatório indolor e tranquilo. A orientação geral é para evitar a atividade sexual por quatro semanas e afastamento de três dias do trabalho. É aconselhado ainda evitar as roupas justas, que possam provocar atrito na região íntima, como o jeans. Todo o processo de cicatrização, porém, leva seis meses. E o resultado final pode ser conferido após um ano. Em média, o valor do procedimento varia entre 3.000 e 15.000 reais, a depender do profissional, hospital e anestesia escolhida.


Os tratamentos estéticos também chegaram lá

Nas clínicas de estética, a procura por lasers e peelings íntimos, tecnicamente conhecidos como Fotona e Exilis, promove o que os especialistas chamam de rejuvenescimento íntimo. “Existe uma procura por padrões de juventude também na região vaginal”, diz a ginecologista e obstetra Carolina Mocarzel, da Clínica Dermais.

Em seu consultório, uma em cada dez consultas tem como principal motivo o interesse estético relacionado à região íntima. A procura, segundo ela, parte mais de pacientes com mais de 35 anos. “A mulher tem rejeitado alguns sinais de envelhecimento da região, que provoca perda de tônus, redução do volume e escurecimento da pele”. Por isso, entra em cena o laser, que é responsável por reverter o quadro de flacidez dos lábios vaginais, que se dá tanto com a passagem do tempo – principalmente, na menopausa -, quanto após o parto normal. Já o peeling recupera a textura lisinha e clareia a região, garantindo a coloração rosada tão desejada. O resultado das técnicas não é imediato. Normalmente, a paciente nota uma melhora depois de três sessões. O pacote custa em torno de 3.000 reais.

Segundo a especialista, tanto ginecologistas, quanto dermatologistas estão autorizados a realizar o procedimento. “Depende só do quanto o profissional se sente à vontade em manejar as particularidades ginecológicas.”


* Os nomes foram trocados para preservar a identidade do entrevistado


Fonte: Portal UOL Notícias

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