quinta-feira, 29 de junho de 2017

6 coisas que poderiam derrubar o muro de Donald Trump


Durante a campanha eleitoral, Donald Trump prometeu construir um "muro enorme e bonito" entre os Estados Unidos e o México.

Agora, como presidente, Trump encomendou algumas ideias para o muro, e as melhores serão selecionadas, em junho, e serão transformadas, durante o verão, em protótipos experimentais na cidade de San Diego, Califórnia.

Trump disse que quer construir um muro ao longo de metade da fronteira de 3,2 mil quilômetros - deixando que a natureza - montanhas e rios - se encarregue da separação no percurso restante.

Entretanto, a rota traçada atravessa um terreno difícil, que serve de habitat para centenas de espécies naturais e corta território de propriedade privada, sendo que algumas dessas propriedades pertencem a tribos indígenas americanas.

Será então que a construção do muro é realmente possível? Confira alguns obstáculos que Trump terá que superar.


1. A topografia é bastante hostil



A fronteira é muito sinuosa e parte dela é composta por um rio

À medida que avança, a partir de San Diego, no Estado da Califórnia, no oeste, até Brownsville, no Texas, no leste, a fronteira deixa de ser uma linha relativamente reta e passa a seguir os meandros do Rio Grande.

Na verdade, em muitas partes, a fronteira é definida como o canal mais profundo do rio.

Por razões óbvias, a construção de um muro no meio do Rio Grande vai ser por si só um grande desafio, mas, além disso, existem problemas legais. Um tratado firmado em 1889 entre México e Estados Unidos proíbe interrupção do fluxo do rio, o que faz com que qualquer cerca fronteiriça tenha que ser construída em um dos seus bancos. Logicamente, isto aumenta a dificuldade.

Muitas partes da cerca atual ficam distantes do rio, fora da área sujeita a inundações, deixando uma ampla área livre entre a cerca e a fronteira oficial.

Isto faz com que alguns cidadãos americanos vivam de fato no lado mexicano da cerca, num tipo de limbo entre os dois países.

Há dunas e montanhas

Apesar de dois terços da fronteira seguirem o traçado de rios, há um trecho que também divide outros sistemas ambientais - deserto na Califórnia e Arizona e montanhas no Novo México.

Os Algodones ou Dunas Imperiais, no leste da Califórnia, são o maior ecossistema de dunas de areia dos EUA. Já existe atualmente na área um trecho de "cerca flutuante", especialmente projetada para o terreno instável e variável das dunas. Foi construída durante o governo de George W Bush.

O Arizona e o Novo México são montanhosos. A Floresta Nacional de Coronado, no sul do Arizona e sudoeste do Novo México, possui diversos picos de quase 3 mil metros de altura.

Aqui um muro parece impossível de ser construído.

E muita fauna selvagem

A fronteira EUA-México tem um ecossistema de equilíbrio delicado que pode ser quebrado por qualquer cerca a ser instalada.

Um muro no local impedirá que animais tenham acesso a áreas de caça, fontes de água e aos corredores de migração. Lobos-cinza e jaguares caçam suas presas em ambos os lados da fronteira, assim como os bisões que pastam indistintamente nos dois lados. Outros animais como carneiros, jaguatiricas e ursos, têm seu habitat nos dois lados da fronteira.

Ambientalistas alertam que separar esses animais não apenas diminuirá a diversidade genética das espécies mas também as tornará mais suscetíveis a doenças e epidemias.

Ao longo de 12% da fronteira EUA-México, no oeste do Texas, a proteção da vida selvagem é tarefa do Parque Nacional Big Bend, que abriga milhares de espécies. Ali se encontra o maior número de tipos diferentes de pássaros, morcegos e cactus de qualquer parque nacional dos EUA.

Os funcionários do parque estão preocupados com o impacto que o muro terá na tarefa de preservação do ecossistema do deserto de Chihuahua para as futuras gerações e no estrago que a barreira causará na relação que mantêm com os colegas mexicanos que monitoram o parque na outra margem do Rio Grande.

Jennette Jurado, porta-voz do parque e guarda florestal, diz que a colaboração com os colegas mexicanos é crucial para o trabalho de conservação.

"Acredito que se você olhar para este lugar do alto, não notará que existe uma divisa política bem no meio do rio, porque o ecossistema está intacto e protegido", diz ela, "mas isso exige o empenho dos dois países".

Mike Davidson, um guia do Big Bend, também acredita que a cooperação é crucial para a preservação da vida selvagem e ele acrescenta que a construção de um muro ou de qualquer outra estrutura seria "verdadeiramente triste", e iria afastar os visitantes do Big Bend.

"Para que vir até aqui para ver um enorme muro branco ao invés de apreciar esses lindos cânions?"


2. O custo será imenso



A estimativa inicial de Trump de um custo de construção entre U$ 8 bi e US$ 12 bi (R$ 25 bi e 40 bi) vem sendo amplamente questionada.

Os 1,04 km de cerca construídos no governo George W Bush custaram US$ 7 bi (R$ 23 bi), e não pode se dizer que a barreira é intransponível, alta, poderosa ou bonita.

Outros órgãos do governo apresentaram propostas com diferentes custos totais.

Para Mitch McConnell, líder republicano no Senado, o custo de construção ficaria entre US$ 12 bi e US$ 15 bi. Já um relatório do Departamento de Segurança Interna, estima que o muro custaria entre US$ 21,6 bi e US$ 25 bi.

Por outro lado, um relatório preparado por senadores democratas estima que os custos de construção ficariam perto de US$ 70 bi e a manutenção anual do muro custaria cerca de US$ 150 milhões.

Outras estimativas não oficias apresentam totais diversos.

A empresa de pesquisa e corretora financeira Bernstein Research acredita que o custo ficará entre US$ 15 bi e US$ 25 bi. Já a empresa de consultoria de construção civil Gleeds estima que o custo total será algo em torno de US$ 31 bi.

Em artigo publicado na Technology Review, do MIT, o especialista em segurança internacional Konstantin Kakaes, disse que o custo de construção pode atingir US$ 40 bi (https://www.technologyreview.com/s/602494/bad-math-props-up-trumps-border-wall/).

Uma coisa é certa, vai custar caro, e até agora, o dinheiro ainda não foi encontrado.

No orçamento que propôs em março, Trump destinou US$ 1,4 bi para a construção do muro, a serem gastos no corrente ano fiscal e outros US$ 2,6 bi no orçamento de 2018 que começa a vigorar no dia 1º de outubro.

Entretanto, o Congresso não aprovou nenhuma verba neste ano para a construção do muro (somente verba para reparações em 65 km da antiga cerca) e Donald Trump reduziu seu pedido para US$ 1,6 bi para 2018 - redução de US$ 1 bi. Foi alocada uma verba adicional de US$ 1 bi para cobrir gastos de "tecnologia e infraestrutura".

Segundo o Departamento de Segurança Interna, a verba de US$ 1,6 bi seria gasta em 100 km de barreira, principalmente na região do Vale do Rio Grande


3. Na verdade a construção é muito difícil



Originalmente, Trump prometeu construir um muro ao longo de todos os 3,2 mil quilômetros da fronteira, mais tarde ele esclareceu que o muro cobriria apenas 1,6 km por conta das "barreiras naturais". E ele disse que a altura do muro seria entre 30 ft (cerca de 10 metros) e 50ft (15 metros).

Em março, o Departamento de Segurança Interna e o de Proteção de Fronteiras e Fiscalização Aduaneira esclareceram os requisitos a serem observados pelo governo.

Além das complexas obras estruturais, há entre outras coisas os trabalhos de prospecção, aquisição e desapropriação de terras, como também a construção de estradas de acesso.

No convite às empresas para apresentarem propostas de projeto, o site FedBizOpps.gov determina que a estrutura seja de "custo eficiente", e seja feita em concreto reforçado e que:
  • Seja de "uma altura que se imponha fisicamente", se elevando a pelo menos 18ft (cerca de 5,5 metros) da fronteira
  • Seja impossível de ser ultrapassada com o uso de uma escada, ou por meio de garras e que exija um trabalho de pelo menos uma hora para ser rompida com ajuda de ferramentas
  • Tenha uma base que avance a uma profundidade de pelo menos 6ft (cerca de dois metros) no subsolo para evitar a escavação de túneis
  • Seja integrada ao "meio ambiente local" e tenha uma aparência "esteticamente agradável" ao ser vista pelo lado norte
  • Inclua portões de 25ft (7,5 metros) e 50ft (15 metros) para a passagem de pedestres e veículos
Alex Weinberg, egenheiro estrutural baseado em Nova York, disse à BBC que a construção de um muro, "mesmo um deste tamanho", não é tarefa difícil em termos estruturais, já que há "quase nada de engenharia". Ao contrário, a "grande tarefa" seria a escala da operação logística.

"O verdadeiro desafio aqui é a logística", disse ele.

É necessário que se faça uma avaliação e prospecção do terreno, aquisição de terras, assim como a escavação das fundações e também que seja fabricado o material para a construção. Além disso, pelo fato da maior parte da área de construção estar em local isolado, terão que ser construídas estradas de acesso, e a distância exigirá o fornecimento de acomodação, transporte, suprimentos e assistência médica para o enorme contingente de trabalhadores.

"Será um trabalho árduo e entediante", disse Weinberg.
A cerca foi instalada no governo de George W Bush

Apesar do governo ter solicitado projetos de construção de um muro de concreto, foi pedido que sejam apresentadas opções que contenham elementos que permitam a visão através da barreira de modo a "facilitar a tomada de posição".

Isto indica que o governo pode estar considerando o uso de outros materiais na construção em substituição ao concreto - algo que também foi dito este mês pelo secretário de Segurança Interna e general da reserva, John Kelly, aos senadores da comissão de Segurança Interna.

"É pouco provável construirmos um muro de um extremo ao outro", disse ele.

Mas ele acrescentou que serão instaladas barreiras físicas "nos locais apropriados" e serão utilizados sensores, drones e outras tecnologias para cobrir espaços em que não haja muro.


4. Garantir a disponibilidade do terreno poderá ser um pesadelo



Para construir, o governo precisará de autorização para usar o terreno em que o muro será erguido.

Entretanto, cerca de 66% da terra ao longo da fronteira EUA-México é de propriedade particular ou pertence a indígenas americanos ou a diferentes Estados.

Nestes casos, o governo precisará incentivar vendas voluntárias, negociar a desapropriação ou obter o direito de usar o terreno para instalação do muro.

Milhares de proprietários podem ser afetados, incluindo fazendeiros no Texas - entre eles, vários eleitores de Donald Trump - que dependem do acesso de seus rebanhos aos pastos e à água do Rio Grande.

A aquisição dessas terras poderá ser um grande desafio e se os proprietários se recusarem a vender, o governo terá que tomar forçosamente.

Conhece a expressão "domínio eminente"?

Domínio eminente é um sistema de desapropriação usado para adquirir a posse de uma propriedade privada para uso público, como a construção de uma estrada ou ferrovia, que normalmente é feito através do pagamento de uma indenização. O sistema já foi usado anteriormente para a construção de cercas em área de fronteira.

O professor assistente de direito na Universidade de Pittsburgh, Gerald S Dickinson alertou que as disputas judiciais em casos de desapropriações podem levar anos.

Falando ao jornal Washington Post, ele disse que qualquer desapropriação numa escala dessas, mesmo que envolva apenas um punhado de proprietários, pode gerar disputas legais que levarão décadas para serem resolvidas, antes que a construção seja autorizada.

Na década de 90, o governo Bush teve que negociar a compra de terras com centenas de proprietários. Muitos deles, incluindo governos locais, não concordaram com os termos propostos, causando grandes atrasos.

Uma das famílias perdeu sua casa e metade de suas terras e acabou sendo forçada a viver no México. Agora, para entrarem em território americano, eles têm que passar por um portão que exige a digitação de uma senha para ser aberto.

A senadora democrata Claire McCaskill disse à comissão de Segurança Interna do Senado que das 400 desapropriações necessárias para a instalação da cerca atual, 330 processos deram entrada no Departamento de Justiça e acrescentou que até hoje, mais de 90 continuam pendentes.

Entretanto, alguns proprietários de terra são mais receptivos às medidas tomadas pelo governo atual.

Membros da família Villareal, cujas terras se localizam nas cercanias da cidade de Rio Grande, no Estado do Texas, às margens do rio, dizem que se sentem mais protegidos com a política de imigração mais rigorosa do presidente Trump.

Daniel Villareal diz que se sente "mais seguro". "Desde que começamos a ter problemas com imigrantes ilegais trespassando nossas terras, passamos a vir armados à margem do rio."

"Mas, agora que a situação mudou e não tem mais tanta gente tentando atravessar, talvez possamos voltar a vir aqui, limpar a área e ter de volta nossa margem."

Os Villareal chegaram a ser consultados pelo governo Bush quando foi feito o levantamento da área para a construção da cerca, mas nada se concretizou. Rene Villareal, irmão de Daniel, diz que a família não se opõe à construção do muro em suas terras se isso for ajudar a evitar que mais pessoas cruzem a fronteira ilegalmente.


"Sou a favor do muro porque ele não será permanente", disse Rene. "Não durará para sempre. Será apenas até que as pessoas se conscientizem", acrescentou.

Mas, se por um lado, vários proprietários de terra não se opõem aos planos, muitos líderes indígenas já manifestaram que não concordam com a construção. A Nação Tohono O´odham, por exemplo, é proprietária de uma reserva que se estende por mais de 100 quilômetros ao longo da divisa com o Arizona.

Membros da tribo ainda vivem nos dois lados da fronteira e consideram o território como parte das terras de seus ancestrais. Eles já indicaram que pretendem impedir a construção caso os planos prossigam.

Para a construção, o presidente Trump vai precisar que o Congresso aprove uma lei autorizando a aquisição das terras que atualmente gozam de proteção legal.


5. É preciso patrulhamento constante para que o muro funcione



Como muitos já disseram, uma faixa de concreto cruzando todo o continente não irá impedir a travessia de pessoas indefinidamente, ao menos que seja monitorada por guardas de fronteira.

John F Kelly, secretário de Segurança Interna, disse que somente "uma barreira física não será capaz" e acrescentou que o muro terá que contar com pessoal encarregado do patrulhamento, além de sensores e dispositivos de observação.

Atarvés de medidas provisórias (ordens executivas) assinadas logo após a posse, o presidente Trump abriu a possibilidade de contratação de mais 5 mil guardas de fronteira e 10 mil novos fiscais de imigração, mas até o momento, o orçamento prevê a destinação de verba para a contratação de apenas 500 guardas e mil fiscais.

Marlene Castro, supervisora da divisão de fronteira do Vale do Rio Grande, acredita que o pacote de medidas necessárias à manutenção da segurança tem que incluir o fornecimento de pessoal em número adequado. Ela reconhece a importância da infraestrutura e também da tecnologia na eficácia do controle, mas acrescenta que a alocação de agentes e fiscais, adequadamente treinados para as tarefas, é crucial para a operação.

"Você pode dispor de toda tecnologia e infraestrutura, mas se não contar com pessoal capaz de responder com eficiência, tudo se torna inútil", diz ela.

A supervisora diz ainda que o número de travessias ilegais em sua área diminuiu desde a eleição de Donald Trump, mas ela acrescenta que no mesmo período, aumentou o número de abusos sofridos pelos agentes. Ela acredita que isso seja uma reação do maior número de pessoas que não têm conseguido entrar ilegalmente nos EUA.

"Os traficantes de pessoas estão ficando desesperados... claro que isso é apenas minha opinião, não posso falar por eles, mas acredito que estejam perdendo muito dinheiro porque não há mais tanta gente interessada em atravessar."

Um dos traficantes, que responde pelo apelido de "Cavalo", revelou que seu negócio foi afetado pela cerca erguida no governo Bush e seria ainda mais prejudicado com a construção de um muro ainda maior. Entretanto, ele adverte que a máfia mexicana "sempre vai encontrar um jeito" e o que vai acontecer de fato é que irão aumentar o preço cobrado pela travessia.

Tony Estrada, chefe de polícia do Condado de Santa Cruz, no Estado do Arizona, concorda que as pessoas sempre encontrarão um jeito de cruzar a fronteira.

Nenhum muro, por mais bonito, caro ou gigantesco que seja será capaz de barrar aqueles que estão desesperados, os pobres e necessitados."

"Algumas pessoas vêm de longe, de milhares de quilômetros de distância, e para isso gastam muito e correm grande perigo em toda a jornada. Você acha que um muro vai impedi-los? Não vai, será apenas mais um obstáculo a ser superado."


6. As cidades ao longo de ambos os lados da fronteira têm uma relação de interdependência



O fechamento completo da fronteira teria um impacto negativo na economia das cidades localizadas em ambos os lados, tendo reflexo na relação econômica dos dois países - algo que muitos políticos americanos gostariam de evitar.

Muitas comunidades do lado americano dependem economicamente de cidades irmãs mexicanas. Diversas cidades mexicanas abrigam fábricas que empregam milhares de trabalhadores, e por sua vez, consumidores mexicanos gastam todo ano bilhões de dólares nos Estados americanos localizados ao longo da fronteira.

A abundância de mão-de-obra barata no México responde pela instalação das chamadas maquiladoras - indústrias de montagem - ao longo da fronteira.

Estas maquiladoras - ou apenas maquilas - recebem incentivos fiscais para produzir e exportar seus produtos dentro do Nafta - o acordo de livre comércio dos países norte-americanos - assinado em 1994, que eliminou diversos impostos e tarifas para produtos comercializados entre EUA, México e Canadá.

O muro pode ter ainda um impacto mais amplo na relação econômica entre os dois países. O México é o segundo maior mercado para as exportações americanas e os EUA são o maior mercado dos mexicanos.

Os dois países mantêm uma "profunda" relação econômica, como explica Christopher Wilson, vice-diretor do Mexico Institute do Wilson Centre. Wilson estima que só nos EUA, cinco milhões de empregos dependam diretamente desta relação. Um estudo do Wilson Centre sugere que se o comércio bilateral deixasse de existir, seriam fechados 4,9 milhões de postos de trabalho nos Estados Unidos.

Para Wilson, as duas economias estão tão interligadas que atualmente não apenas vendem e compram produtos uma da outra, "elas na verdade fabricam os produtos em conjunto."

"Peças e componentes cruzam a fronteira por diversas vezes durante a fase de produção", diz ele. "Tanto México como Estados Unidos contribuem para agregar valor aos produtos que acabam sendo vendidos na região ou exportados para outros países."

Estudos do Wilson Centre indicam que metade de todo comércio entre México e Estados Unidos resulta deste movimento de peças e componentes.

Wilson acrescenta que "os dois países estão unidos nos níveis mais profundos."

José Antonio Garcia Fuentes, caminhoneiro, morador de Novo Laredo, México, conhece bem o nível de interdependência dos dois lados.

Presidente de uma emrpesa transportadora com uma frota de 50 caminhões, Jose cruza a fronteira toda semana e está preocupado com o impacto que o muro terá.

"Se você pensar que 14 mil caminhões cruzam diariamente a fronteira neste ponto e esse número cairá para apenas 4 mil", alerta ele. "Muitos caminhoneiros vão ficar sem trabalho."

Ele também assinala que o realocamento prometido por Trump de fábricas e, consequentemente, de postos de trabalho, de volta para os Estados Unidos, vai ter um impacto negativo em ambos os países.

"O custo da mão-de-obra é maior nos EUA. Eles pagam US$ 14 por hora. Pelo mesmo salário você pode contratar três mexicanos."

"Por isso fica muito difícil romper a ligação comercial entre México e EUA. Os Estados Unidos economizam dinheiro aqui no México. E é essa economia que está ameaçada."


Créditos

Paul Harris e Kelvin Brown: reportagens in loco, vídeo jornalismo e fotos; Lucy Rodgers: produção e texto; Nassos Stylianou: produção e jornalismo de dados; Lilly Huynh: design e ilustrações; Desenvolvedores: Rosie Gollancz, Becky Rush e Joe Reed; Fotografia em Big Bend: Ben Greenhoe. Outras imagens: Getty Images


Fonte: Jornal BBC Brasil (Reino Unido)

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