segunda-feira, 8 de maio de 2017

Mil pedófilos detidos depois de o FBI piratear um fórum da ‘darknet’


Uma ampla investigação internacional sobre um site de pornografia infantil levou à prisão de 900 pessoas no mundo todo e à identificação de cerca de 300 vítimas, anunciaram na sexta-feira agências de polícia dos Estados Unidos e da Europa.

A investigação de mais de dois anos foi realizada a partir do desmantelamento, em 2015, do portal “altamente sofisticado” Playpen, cujo fundador e gerente foi identificado como o americano Steven Chase, da Flórida, condenado nesta semana a 30 anos de prisão, indicou o FBI em um comunicado.

Playpen, criado em agosto de 2014, era considerado a maior rede de compartilhamento de conteúdos de pedofilia do mundo e tinha mais de 150.000 usuários. Sua rede, na “darknet” – a parte da internet que não aparece nos motores de busca -, usava protocolos específicos que incluíam funções para conservar o anonimato.

Não confundir com ‘deepweb’. Mas afinal o que é isto?

A Internet que usamos, os motores de busca em que pesquisamos, são a chamada ‘superfície’ e, acreditam os especialistas, apenas a ponta do icebergue da internet. Por baixo, há todo um mundo que o Google ou o Bing simplesmente não conseguem aceder nem disponibilizar ao público porque são privados - estamos a falar da ‘deepweb’, que são bases de dados de todo o tipo, páginas e documentos privados, artigos académicos, etc, só acessíveis a alguns.

E depois temos o lugar mais escondido da Internet - e o mais sujo também. Na ‘darknet’ está o crime (pode-se, por exemplo, encomendar assassinatos), o tráfico de drogas, os dados roubados dos cartões de crédito, todo o tipo de pornografia, incluindo a infantil.

Nem tudo é mau na ‘darknet’. Como a sua grande mais-valia é o anonimato, permitido através de um software que impede a deteção do IP, ela também é usada por jornalistas e dissidentes políticos em países anti-democráticos.

Como é que se chega lá? Fazendo o download do Tor. Mas um aviso aos curiosos: os esfaimados “tubarões” da ‘darknet’ adoram “peixinhos” acabados de chegar. E descarregar o Tor num computador onde tem o seu email, as suas fotografias, onde acede ao seu netbanco… enfim, é por sua conta e risco.

A investigação do FBI sobre o Playpen não esteve isenta de controvérsias, dado que a agência hackeou milhares de computadores em mais de cem países, despertando as críticas de organizações defensoras das liberdades.

O FBI também criou um site de pedofilia com o objetivo de identificar os usuários, ação que foi denunciada como um abuso.

Steven Chase foi detido em 19 de fevereiro de 2015, um mês depois de policiais americanos lançarem a investigação batizada “Operation Pacifier” para rastrear usuários e provedores de fotos e vídeos do site Playpen.

A Europol, o serviço de polícia europeu, foi responsável por verificar e cruzar os dados para identificar os responsáveis na Europa, onde 368 suspeitos foram presos ou condenados, anunciou a instituição nesta sexta-feira.

Nos Estados Unidos, a investigação levou a 350 detenções, incluindo de 25 produtores de pornografia infantil e de 51 acusados de agressões sexuais a crianças. Dois colaboradores diretos de Chase foram condenados a 20 anos de prisão.

Em outros países, foram contabilizadas 548 detenções, segundo o FBI.


Fonte: Revista IstoÉ / Portal Visão (Portugal)

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