segunda-feira, 29 de maio de 2017

Conselho Federal de Psicologia chama ação de Doria na Cracolândia de ‘barbárie’

Conselho Federal de Psicologia critica mudanças feitas pelo prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB) na Cracolândia


O Conselho Federal de Psicologia classificou como "barbárie" e "atrocidade" a ação da prefeitura de João Doria (PSDB) na Cracolândia, com o fim do programa Braços Abertos, criado pela gestão anterior.
"Em nota assinada junto com o Conselho de Psicologia do estado de São Paulo, a entidade faz duras críticas à mudança nas ações voltadas para dependentes químicos.
A ação afronta os 30 anos de história da luta antimanicomial no Brasil, recém-celebrados em 18 de maio, e os princípios internacionais dos direitos humanos. A violência policial ostensiva foi o expediente utilizado para promover a remoção e a internação forçadas da população em situação de rua que habitava a área do centro de são Paulo conhecida por "Cracolândia".

Na madrugada deste domingo (21), uma operação com 900 policiais retirou usuários e prendeu traficantes no principal ponto de consumo e comércio de drogas no centro de São Paulo. Na sequência, Doria anunciou o "fim da cracolândia".
"A cracolândia aqui acabou, não vai voltar mais. Nem a prefeitura permitirá nem o governo do Estado. Essa área será liberada de qualquer circunstância como essa. A partir de hoje, isso é passado."

O prefeito anunciou que todas pensões e hotéis destinados a abrigar usuários de drogas serão interditados e demolidos. "Essa área será reestruturada urbanisticamente com prioridade para habitação popular", afirmou.

No lugar do programa criado pelo ex-prefeito Fernando Haddad (PT), São Paulo terá o Redenção, que inclui internações de dependentes químicos.

A hospedagem e a remuneração por trabalhos como varrer as ruas serão preservadas, desde que os usuários se comprometam a fazer tratamentos de desintoxicação ligados ao Recomeço, programa da gestão do governo de Geraldo Alckmin (PSDB).
"Esse "novo programa" repete fórmulas ultrapassadas, inadequadas e ineficientes do ponto de vista da saúde mental. Repete o "Programa Recomeço", do governo estadual, e a "Operação Sufoco", da gestão municipal. As três iniciativas têm como princípios o tratamento por internação, inclusive involuntária, em parceria com comunidades terapêuticas mantidas por entidades confessionais, não sendo coincidência o nome "Redenção".

Na avaliação do Conselho Federal de Psicologia, as novas ações usam abordagens "inadequadas e ineficientes".O programa de Haddad tinha orçamento anual de R$ 12 milhões e gasto de R$ 1.320 por mês por usuário. O de Dória não tem os custos informados. Já o de Alckmin, que prevê internações compulsórias, custa R$ 80 milhões por ano e R$ 1.350 por usuário por mês.


Fonte: Jornal Huffpost Brasil - The Huffington Post (EUA)

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