terça-feira, 2 de maio de 2017

Brasil enfrenta primeira greve geral em 21 anos

Foto: Nacho Doce (Reuters)

Greve Geral contra Reforma Trabalhista


O Brasil vive, nesta sexta-feira, a primeira greve geral em 21 anos, levando ao encerramento dos transportes públicos, escolas e serviços públicos nas principais cidades e a protestos nas ruas que culminaram em confrontos com a polícia. Na origem da greve está o pacote de reformas laborais proposto pelo Presidente Michel Temer.

Em alguns pontos de São Paulo e no Rio de Janeiro os manifestantes criaram barricadas utilizando pneus a arder para impedir a intervenção da polícia e bloqueando o acesso às auto-estradas e aos principais aeroportos. As autoridades responderam com gás lacrimogéneo. Num desses locais, na cidade paulista, um automobilista conseguiu furar as barreiras atropelando vários manifestantes, tendo sido detido depois de uma perseguição policial. Segundo o Globo, duas pessoas ficaram feridas sem se conhecer o seu estado de saúde. Em São Paulo, no final da tarde, registavam-se pelo menos 16 detidos.

Deverão ser milhares os trabalhadores que se juntarão à greve de 24 horas que se iniciou às zero horas desta sexta-feira em resposta às propostas do Governo brasileiro que pretende enfraquecer as regulamentações laborais e alterar a segurança social através de medidas que forçariam, por exemplo, muitos brasileiros a estender a sua vida de trabalho antes de poderem começar a receber a respectiva pensão.

“Vai ser a maior greve da história do Brasil”, afirmou à Reuters Paulo Pereira da Silva, presidente do sindicato do comércio, Força Sindical.

Por outro lado, Vanger Freitas, presidente do Sindicato Central dos Trabalhadores, a maior confederação laboral do Brasil, afirmou, em comunicado, citado pela Reuters, que “Temer nem sequer quer negociar”. “Ele apenas quer respeitar as exigências dos empresários que financiaram o golpe de Estado precisamente para acabar com a segurança social e legalizar a exploração dos trabalhadores”, disse ainda Freitas.

O Governo rejeitou estas acusações, defendendo que está a trabalhar para desfazer os danos económicos causados pelo anterior Governo, apoiado pelos sindicatos: “A herança disso foi 13 milhões de desempregados”, afirmou Márcio de Freitas, porta-voz de Temer. “O Governo está a realizar reformas para mudar esta situação, para criar emprego e crescimento económico”.

O número de desempregados no Brasil atingiu o recorde de 14,2 milhões de pessoas no primeiro trimestre deste ano, o que representa 13,7% da força de trabalho do país, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nos três primeiros meses de 2017, o desemprego saltou 2,8% em relação ao mesmo período de 2016 e 1,7% em comparação com os dados de Outubro-Dezembro.

Foto: Ueslei Marcelino (Reuters)
Integrantes do MST protestam em Brasília nesta sexta-feira


Imprensa internacional repercute greve geral no Brasil


A imprensa internacional deu destaque à greve geral realizada no Brasil nesta sexta-feira (28/4). Diversos veículos de comunicação de fora do País mencionaram as paralisações de diversas categorias e protestos em várias cidades brasileiras contra as reformas trabalhista e da Previdência do governo do presidente Michel Temer.

A agência de notícias Associated Press repercutiu as informações sobre a falta de transporte público pelo Brasil, "à medida que manifestantes fecharam estradas e entraram em confronto com a polícia". Segundo a AP, o governo do presidente Michel Temer argumenta que a flexibilização das leis trabalhistas "darão vida a uma economia moribunda" e alertou que o sistema previdenciário "irá falir sem mudanças".

"A economia brasileira passa por uma grande recessão e muitos brasileiros estão frustrados com o governo Temer, que argumenta que as alterações irão beneficiar os cidadãos no longo prazo. Mas com tantos brasileiros desempregados, muitos sentem que não podem suportar qualquer corte em seus benefícios", segundo a reportagem.

As informações da agência foram replicadas pelos jornais New York Times e Washington Post.

O Wall Street Journal afirmou que a greve "praticamente paralisou" o trânsito em São Paulo e que os manifestantes querem impedir o governo de cortar o "generoso sistema previdenciário" do País. "Nos últimos dois anos, o Brasil passou pela sua pior recessão, que acabou com a sua receita fiscal, o que tornam as mudanças ainda mais urgentes, segundo alguns economistas", destacou o jornal.

O agência britânica BBC repercutiu que esta "é a primeira greve geral no País em mais de duas décadas". "As pesquisas sugerem que o presidente Michel é muito impopular, mas até hoje, ele ainda não havia enfrentado uma demonstração disso em massa como nesta greve", segundo a publicação.

Foto: Andressa Anholete
Índios aderem ao protesto em Brasília


A BBC ainda trouxe a informação de que o projeto da reforma trabalhista está progredindo no Congresso "ao mesmo tempo em que o País passa por um escândalo de corrupção que não termina, ligado a muitos políticos importantes, o que aumenta o descontentamento do povo".

"Independente do resultado dos protestos, Temer ainda parece relativamente forte no Congresso. Essa é a marca de sua administração: um presidente que tem rejeição nas ruas, mas consegue fazer as coisas andarem no Congresso", destacou a BBC.


Brasileiros em Berlim protestam contra reformas de Temer

Em frente ao monumento mais famoso de Berlim, o Portão de Brandemburgo, cerca de 60 brasileiros se reuniram nesta sexta-feira (28/04) para prestar apoio às greves e manifestações que ocorrem em diversas cidades no Brasil.

"Estamos sendo solidários com a greve geral que ocorre contra as reformas trabalhista e previdenciária. Temos amigos e famílias no Brasil, por isso é importante apoiar esse movimento. Também queremos chamar a atenção da comunidade internacional para a atual situação do país", afirmou o engenheiro Roberto Rocha, um dos organizadores do protesto.

Manifestantes exibiram cartazes em português e alemão em frente ao Portão de Brandemburgo


Com faixas em alemão, português e inglês, nas quais se declararam contra o governo do presidente Michel Temer e a favor da democracia, os manifestantes pediram a saída do presidente e defenderam a manutenção de direitos dos trabalhadores.

"Não há como ficar neutro na atual situação. Todos os brasileiros têm que tomar partido. Estou aqui para prestar minha solidariedade com a greve, não poderia ficar em casa e esperar que os outros se manifestassem", acrescentou o escritor Rafael Cardoso.

Além de brasileiros que moram em Berlim, o protesto reuniu ainda alemães e turistas brasileiros que estavam de passagem pela cidade. "O que está acontecendo no Brasil nos deixa muito tristes e precisamos fazer algo. Hoje é um dia muito importante para o país e por isso estamos aqui", afirmou a gestora cultural alemã Helga Dressel.


Fonte: Jornal Público Comunicação (Portugal) / Jornal Correio Braziliense / Jornal Deutsche Welle (Alemanha) / The HuffPost Brasil - The Huffington Post (EUA)

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