segunda-feira, 29 de maio de 2017

Estudo indica que cuidar dos filhos cansa mais do que trabalhar


Para criar e educar um filho é necessário dedicação, atenção, paciência e muito tempo disponível. Os pais precisam dividir suas horas diárias entre levar a criança para escola, natação, aula de inglês, ao médico e preparar o jantar, além de terem que trabalhar e realizar outras atividades pessoais.

De acordo com um estudo conduzido pela Universidade Católica de Lovanio, na Bélgica, o desgaste físico e emocional atinge um a cada 10 pais. A pesquisa, publicado na última edição da revista científica "Frontiers in Psycology", verificou cerca de 2 mil familiares.

Os resultados mostraram que 13% dos entrevistados sofriam todos os sintomas típicos do esgotamento, ou burnout parental, com abatimento, incompetência e cansaço, sendo que a porcentagem varia de 12,9% para as mães e 11,6% para os pais.

A Síndrome de Burnout ocorre devido tensão emocional e estresse crônico provocado por condições de trabalho desgastantes. O termo "burnout" resultou da junção de burn [queima] e out [exterior], traduzido do inglês, caracterizando um tipo de estresse ocupacional, resultando em exaustão e em um comportamento agressivo e irritadiço.

O estudo, coordenado pela psicóloga Isabelle Roskam, indica que os pais não se sentem exaustos apenas devido aos papeis com os filhos, mas também que esse desgaste é, em muitos aspectos, idêntico ao estresse do trabalho.

Para os autores da pesquisa, o problema surgiu com uma transformação do papel do progenitor a partir da década de 1990 na Europa. Dessa forma, os pais passar dedicar-se cada vez mais os filhos.

"O 'burnout' indica a presença de um enorme desgaste psicológico que agora já não se limita a certas profissões específicas", afirmou Fernando Pellegrino, psiquiatra do ASL de Salerno, na Itália.

Atualmente, os pais precisam atuar em cenários diferentes e com grande pressão. "Os pais não suportam o processo de aceleração histórica, saltos de gerações repentinos que mudam a forma de fazer as coisas das pessoas em um curto tempo e criam a falta de comunicação entre pais e filhos (que, por exemplo, agora têm um modo de se comunicar cada vez mais virtual)", explicou o psiquiatra.

Segundo Fernando Pellegrino, as pessoas possuem muitas dificuldades em seus próprios espaços de trabalho, dificultando também a criação de seus filhos, principalmente se for considerado que hoje em dia a grande maioria não conta com o apoio de avós e outros familiares como se costumava a ter antigamente.

Para tentar impedir que os pais se esgotem de forma elevada é preciso avaliar o estado de tensão, reconsiderar a organização familiar e prezar mais pelas exigências emocionais dos filhos no lugar de correr atrás de mil compromissos.


Fonte: Portal Minha Vida

Michel Temer é um dos 5 líderes mundiais menos populares que o presidente Donald Trump

Presidente do Brasil, Michel Temer, em 20 de maio de 2017

Donald Trump teve uma série historicamente ruim de ciclos de notícias este mês, até que ele deixou o país em uma viagem no exterior na semana passada. Mas acredite ou não, Trump - atualmente com uma classificação de aprovação 40% - está sentado muito bem em comparação com alguns dos outros chefes de Estado e de governo do mundo. Aqui, então, é uma turnê mundial de figuras políticas que são ainda menos populares do que o presidente dos EUA:


Nicolas Maduro da Venezuela

O Presidente Nicolas Maduro pode ter mantido uma taxa de aprovação nos vinte e poucos anos desde o ano passado, Mas atualmente ele é o líder político mais enraizado do mundo. Os venezuelanos tomam diariamente as ruas para protestar violentamente contra o seu governo em meio à escassez de alimentos e remédios - 74% de venezuelanos perderam uma média de 19 libras no ano passado, e aproximadamente 80% dos medicamentos básicos não estão disponíveis.

A situação ficou tão ruim por várias razões. O primeiro é que Maduro tem a desgraça de presidir um país cuja economia é quase totalmente dependente do petróleo (mais de 95% das receitas de exportação vêm dela) em um momento de preços baixos do petróleo, um problema agravado pela grave má gestão financeira ao longo de muitos anos. Em segundo lugar estão as suas tentativas de esmagar a dissidência, sintetizada por sua recente tentativa de abolir a Assembléia Nacional, apenas para recuar diante da reação popular. E não se deve esquecer que Maduro simplesmente não tem o carisma político de seu antecessor, o ainda venerado Hugo Chávez. Até agora, Maduro usou uma combinação de forças policiais, a guarda nacional e milícias armadas para conter os protestos; Quando ele tem que ligar para o exército, o jogo será tudo, mas para ele.


Michel Temer do Brasil

Seguir um presidente impeached deveria ser fácil; A barra foi ajustada para baixo. Mas como o presidente brasileiro Michel Temer descobriu - com um índice de aprovação no Dígitos únicos - seguindo Dilma Rousseff não foi nenhuma caminhada no parque. O veterano político está agora aferrado ao seu trabalho depois que as gravações surgiram dele alegadamente negociar o pagamento de um suborno para silenciar um político corrupto companheiro. Ele pode em breve ser o segundo presidente em uma fila a ser acusado, devido às ligações com o Escândalo do enxerto Lava Jato de grande alcance.

Mas o Brasil já estava em apuros, mesmo antes de este último escândalo irromper. A desaceleração da economia global e a quebra que acompanhou os preços das commodities atingiram fortemente o Brasil, levando à pior recessão do país.O PIB caiu mais do que 7% Nos últimos dois anos, o desemprego triplicou, e pelo menos 3,5 milhões de pessoas que foram eliminadas da pobreza nos anos de expansão entre 2004 e 2014 voltaram a cair. Muito disso remonta a antes da presidência de Temer - mas agora, a Reformas que introduziu para A economia brasileira provavelmente será subsumida por escândalos.


Jacob Zuma da África do Sul

O rating de aprovação do presidente sul-africano Jacob Zuma está em um ponto baixo 20% Nas sete principais áreas metropolitanas do país; Mais de 70 por cento dos sul-africanos querem que ele renuncie. Parte disso tem a ver com a queda da economia da África do Sul, que sofreu com a recessão global ea desaceleração do superciclo das commodities. Desde que Zuma assumiu a presidência em 2009, a moeda do país perdeu um terço de seu valor, e atualmente o desemprego 27%. É difícil permanecer popular com números como esse.

Mas o próprio Zuma é o maior problema. Zuma teve Quase 800 encargos De corrupção contra ele, e ele depende de redes de patrocínio para mantê-lo à tona politicamente. Ele se livrou de ministros respeitados (e rivais políticos) como o ministro das Finanças Pravin Gordhan, que cruzou contra a corrupção do governo. No momento, Zuma está preparando sua ex-esposa para ser seu sucessor político para se proteger da acusação, uma vez que ele deixa o cargo. O termo de Zuma vai até 2019 - para a maioria dos sul-africanos, a mudança não pode vir em breve.


Najib Razak da Malásia*

Se você não vai ser popular, você também pode ser rico. O primeiro-ministro da Malásia, Najib Razak, está no cargo desde 2009, ano em que criou um fundo de investimento para o desenvolvimento econômico chamado 1Malaysia Development Berhad (1MDB). Mais que US $ 1 bilhão Terminou na conta pessoal de Najib, que em certo ponto ele tentou passar como um "presente" da família real saudita. Ele foi apoiado pelo procurador-geral da Malásia, que relatou que o dinheiro constituía uma doação legal, e que "a maioria" era devolvida. Não é de surpreender que a sua actual Mínimos de registro .

Mas politicamente falando, Najib não tem muito com que se preocupar - ele mantém o controle firme da United Malays National Organization (UMNO), o partido político que tem dominado a política malaia por quase seis décadas. Ele tem sistematicamente marginalizado os opositores dentro do partido, e seus principais adversários fora do partido foram presos em que os críticos dizem que são acusações politizadas. Quem precisa de popularidade quando você tem poder político e dinheiro no banco?


Alexis Tsipras da Grécia

O primeiro-ministro Alexis Tsipras continua a cair nas pesquisas, pois ele é forçado a aceitar mais e mais medidas de austeridade para manter seu país à tona. Os problemas financeiros da Grécia começaram bem antes de Tsipras assumir as rédeas (o país perdeu 25% De seu PIB desde que a crise começou em 2010), mas Tsipras e seu governo de Syriza agravaram problemas. Syriza desencadeou eleições em 2014 numa época em que parecia que a economia grega estava encontrando seu fundamento, que Tsipras venceu ao prometer curvar Berlim à sua vontade e conseguir que os alemães perdoem a dívida grega (ele ainda está esperando por isso).

Seguiu-se o tumultuoso mandato do ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, cuja retórica impetuosa fez com que uma UE já cansada, ainda menos propensa a conceder concessões à Grécia, e um referendo rápido sobre a aceitação de um novo acordo de resgate de credores estrangeiros. Os gregos disseram que não, mas Tsipras foi em frente e assinou de qualquer maneira.

Dito isto, as duradouras credenciais anti-establishment de Tsipras e a retórica combativa fazem dele o único político grego capaz de passar por medidas de austeridade impopulares para um público esgotado e cansado grego com um protesto público mínimo. Às vezes, as democracias precisam de líderes impopulares.

* Correção: A versão original desta história equivocou o título de Najib Razak. Ele é o primeiro-ministro da Malásia, não o presidente.


Fonte: Revista Time (EUA)

Após gravação de Temer e Aécio, filho de Teori publica desabafo

Ministro Teori Zavascki morreu dias antes de tornar públicas centenas de delações contra o alto escalão da política brasileira. Ele sabia demais.


Francisco Zavascki, filho do ex-ministro do STF Teori Zavascki, morto em um acidente de avião no início deste ano, publicou uma espécie de desabafo em seu Facebook nesta quarta-feira (17), após a revelação pelo jornal O Globo de gravações comprometendo nomes como Michel Temer e Aécio Neves.

O comentário, que foi apagado em seguida pelo jovem, sugeria que a operação Lava Jato passou a contrariar interesses do PMDB e, então, precisava ser contida pelo partido. Francisco disse que o PT também estava “aproveitando tudo de bom que o governo dá”, mas que “era incompetente” e “nunca tentou nada para barrar” a operação da PF.

Ao partido de Michel Temer, o filho de Teori endereçou algumas questões incisivas: “Do que eles são capazes? Será que só pagar pelo silêncio alheio? Ou será que derrubar avião também está valendo?”. Ao fim da publicação, a conclusão do jovem é ainda mais direta. “Desculpem o desabafo, mas não tenho como não pensar que não mandaram matar o meu pai!”.

Confira, a seguir, o texto na íntegra:

“O PMDB está no poder desde sempre e, como todos sabemos, estava com o PT aproveitando tudo de bom que o Governo pode dar… até que veio a Lava jato.

A ordem sempre foi a de parar a Operação (isto está gravado nas palavras dos seus líderes). Todavia, ao que parece, até para isso o PT era incompetente e, ao que tenho notícia, de fato, o PT nunca tentou nada para barrar a Lava Jato (ao menos o pai sempre me disse que nunca tinham tentando nada), o que sempre gerou fortes críticas de membros do PMDB.

O problema é que as investigações começaram a ficar mais e mais perto e os líderes do PMDB viram como única saída, realmente, brecar a Operação a qualquer custo. Para isso, precisava do poder. Derrubaram a Dilma e assumiu o Temer.

Do que eles são capazes? Será que só pagar pelo silêncio alheio? Ou será que derrubar avião também está valendo?

O pai sabia de tudo isso. Sabia quanto cada um estava afundando nesse mar de corrupção. Não é por acaso que o pai estava tão afilho [sic] com o ano de 2017.

Aflito ao ponto de me confidenciar que havia consultado informalmente as Forças Armadas e que tinha obtido a resposta de que iriam sustentar o Supremo até o fim!

Que gente sínica [sic]. Não tem coisa que me embrulha mais o estômago do que lembrar que, no dia do velório do meu pai, diante de tanta dor, ainda tive que cumprimentar os membros daquele que foi apelidado naquele mesmo dia de o “cortejo dos delatados”.

Impeachment já!

Desculpem o desabafo, mas não tenho como não pensar que não mandaram matar o meu pai!”


Fonte: Revista Exame / Jornal Pragmatismo Político

Entrevista - Os transtornos mentais provocados pelas mudanças neoliberais


Uma das metáforas mais potentes – e de maior ressonância até nossos dias – no imaginário de Pier Paolo Pasolini é a de “mutação antropológica”. Trata-se de uma expressão que o cineasta, escritor e poeta italiano utilizava para ilustrar os efeitos psicossociais produzidos pela transição de uma economia de origem agrária e industrial para outra, de corte capitalista e transnacional.

Durante os anos 1970, Pasolini identificou, em seus livros Escritos Corsários e Cartas Luteranas, uma verdadeira transmutação nas sensibilidades de amplos setores da sociedade italiana, em consequência do “novo fascismo” imposto pela globalização. Acreditava que esse processo estava criando – fundamentalmente por meio do influxo semiótico da publicidade e da televisão – uma nova “espécie” de jovens burgueses, que chamou de “os sem futuro”: jovens com uma acentuada “tendência à infelicidade”, com pouca ou nenhuma raiz cultural ou territorial, e que estavam assimilando, sem muita distinção de classe, os valores, a estética e o estilo de vida promovidos pelos novos “tempos do consumo”.

Quarenta anos depois, outro inquieto intelectual de Bolonha – o filósofo e teórico dos meios de comunicação Franco “Bifo” Berardi – acha que o sombrio diagnóstico de Pasolini tornou-se profético, diante da situação de “precariedade existencial” e aumento de transtornos mentais que as mudanças neoliberais provocaram.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o suicídio é hoje a segunda causa de morte entre jovens e crianças – a grande maioria do sexo masculino – entre 10 e 24 anos. Do mesmo modo, a depressão – patologia emocional mais presente no comportamento suicida – será em 2020 a segunda forma de incapacidade mais recorrente no mundo.

Berardi acredita que esses dados – assim como a maioria dos atos violentos produzidos nos últimos anos, os assassinatos em massa ou os atentados suicidas radicais – estão estreitamente vinculados às condições de hipercompetição, subsalário e exclusão promovidos pelo ethos neoliberal. Sugere que ao analisar os efeitos que a economia de mercado tem em nossas vidas, devemos também incorporar um elemento novo e transcendente: o modo como os fluxos informativos acelerados a que estamos expostos por meio das “novas tecnologias” influem em nossa sensibilidade e processos cognitivos.

Esclarecimento: Berardi não é nenhum tecnófobo ou romântico dos tempos do capitalismo pré-industrial. Compreende – e utilizou a seu favor – os avanços que a tecnologia introduz em nossas vidas.

Desde o final dos anos 1960, liderou diversos projetos de comunicação alternativa, tais como a revista cultural A/traverso, a Rádio Alice (uma das primeiras emissoras livres da Europa), a TV Orfeu (a primeira televisão comunitária da Itália). Participou de programas educativos da Rádio e Televisão Italiana (RAI) ligados ao funcionamento e efeitos das novas tecnologias. Além disso, “Bifo” foi um observador atento de fenômenos contraculturais como o ciberpunk, ou as possibilidades futuras de governos tecnofascistas.

Sua carreira foi fortemente marcada pelo compromisso político. Foi membro ativo – desde a Universidade de Bolonha, onde graduou-se em Estética – da revolta de Maio de 68. No início dos anos 70, esteve vinculado ao movimento de esquerda extraparlamentar “Poder Operário”. Posteriormente – no começo dos 80, durante seu exílio na França – frequentou Michel Foucault e trabalhou junto com Félix Guattari no campo disciplinar então nascente da esquisoanálise. Berardi é autor de mais de vinte livros, entre os quais destacam-se El Alma del Trabajo: desde lá alienación a la autonomia (A alma do trabalho: da alienação à autonomia), Generación post-alfa. Patologías e imaginarios en el semiocapitalismo (Geração pós-alfa. Patologias e imaginários no semiocapitalismo), Héroes: asesinato de masa y suicidio (Heróis: assassinato de massa e suicídio) e Fenomenología del fin (Fenomenologia do fim).

Segue a entrevista:

Em seus últimos trabalhos, você disse que o efeito das tecnologias digitais, a mediatização das relação de comunicação e as condições de vida que o capitalismo financeiro produz estão estreitamente vinculados ao crescimento das patologias da esfera afetivo- emocional, assim como de suicídios em nível mundial. Disse inclusive que estamos diante de uma verdadeira “mutação antropológica” da sensibilidade. De que maneira esses fenômenos estão relacionados ao aumento de suicídios e de patologias psíquicas?

Trata-se naturalmente de um processo muito complicado que não pode ser reduzido a linhas de determinação simples. A combinação dessas condições técnicas, sociais, comunicacionais pode produzir – e de fato produz, em um grande número de casos – uma condição de individualização competitiva e de isolamento psíquico que provoca uma extrema fragilidade, a qual se manifesta às vezes como predisposição ao suicídio.

Não pode ser acaso o fato de que nos últimos quarenta anos o suicídio tenha crescido enormemente (em particular entre os jovens). Segundo a Organização Mundial de Saúde, trata-se de um aumento de 60%. É enorme. Trata-se de um dado impressionante, que precisa ser explicado em termos psicológicos e também em termos sociais. Quando li pela primeira vez essa informação, me perguntei: o que aconteceu nos últimos 40 anos? A resposta é clara.

Ocorreram duas coisas. A primeira foi que Margaret Thatcher declarou que a sociedade não existe, que só há indivíduos e empresas em permanente competição – em guerra permanente, digo eu. A segunda é que, nas ultimas décadas, a relação entre os corpos se fez cada vez mais rara, enquanto a relação entre sujeitos sociais perdia a corporeidade, mas não a comunicação. O intercâmbio comunicacional tornou-se puramente funcional, econômico, competitivo. O neoliberalismo foi, em minha opinião, um incentivo maciço ao suicídio. O neoliberalismo – mais a mediatização das relações sociais – produziu um efeito de fragilização psíquica e de agressividade econômica claramente perigosa e no limite do suicídio.


Qual o sentido profundo do que disse Margareth Thatcher?

Quando Margareth Thatcher disse que não se pode definir nada nem ninguém como sociedade, que só há indivíduos e empresas que lutam por seu proveito, para o sucesso econômico competitivo, declarou algo com enorme potência destrutiva. O neoliberalismo, a meu ver, produz um efeito de destruição radical do humano. A ditadura financeira de nossa época é o produto da desertificação neoliberal. A financeirização da economia é fundada sobre uma dupla abstração. O capitalismo sempre se fundou sobre a abstração do valor de troca (abstração que esquece e anula o caráter útil e concreto do produto). Mas a valorização financeira não precisa passar pela produção útil. O capitalista industrial, para acumular capital, tem de produzir objetos – automóveis, petróleo, óculos, edifícios. Já o capital financeiro não precisa produzir nada. A acumulação do capital financeiro não se faz por meio de um produto concreto, mas tão somente através da manipulação virtual do próprio dinheiro.


Nesse cenário, que peculiaridades você observa nas formas como nos relacionamos com nosso trabalho – diferentemente, por exemplo, do caso de um trabalhador industrial dos anos 70 –, que nos deixa tão expostos à saturação patológica expressa em seus livros?
O movimento dos trabalhadores do século passado tinha como objetivo principal a redução do tempo de trabalho, a emancipação do tempo de vida. A precarização e o empobrecimento produzido pela ditadura neoliberal produziram um efeito paradoxal. A tecnologia reduz o tempo de trabalho necessário, mas o capital codifica o tempo liberado como parado e o sanciona, reduzindo a vida das pessoas a uma condição de miséria material. Em consequência, as pessoas jovens são continuamente obrigadas a buscar um emprego que não podem encontrar, a não ser em condições de precariedade e subsalário. O efeito emocional é ansiedade, depressão e paralisia do desejo. A condição precária transforma os outros em inimigos potenciais, em competidores.


Você tem analisado com regularidade as formas como as tecnologias da comunicação e o uso que delas fazemos interagem com as condições de vida instauradas pelo capitalismo. Qual papel pensa que cumprem as redes sociais, no marco de uma sociedade com um tipo de capitalismo altamente desregulado? De que maneira os efeitos que esse sistema econômico produz em nossas vidas são complementares ou se relacionam com o uso que fazemos desse tipo de plataformas digitais?
As redes sociais são, ao mesmo tempo, uma expansão enorme – virtualmente infinita – do campo de estimulação, uma aceleração do ritmo do desejo e, ao mesmo tempo, uma frustração contínua, uma protelação infinita do prazer erótico, embora nos últimos anos tenham sido criadas redes sociais que têm como função direta o convite sexual. Não creio que as redes (nem a tecnologia em geral) possam ser consideradas como causa da deserotização do campo social, mas creio que as redes funcionam no interior de um campo social deserotizado, de tal maneira que confirmam continuamente a frustração, enquanto reproduzem, ampliam e aceleram o ritmo da estimulação.

É interessante considerar o seguinte dado: no Japão, 30% dos jovens entre 18 e 34 anos não tiveram nenhuma experiência sexual, e tampouco desejam tê-la. Por sua vez, David Spiegelhalter, professor da Universidade de Cambridge, escreveu em Sex by Numbers que a frequência dos encontros sexuais foi reduzida a quase metade, nos últimos vinte anos. As causas? Estresse, digitalização do tempo de atenção, ansiedade. Isso produziu o surgimento do que, para Spiegelhalter, é a “single society” [sociedade solteira], quer dizer, uma sociedade associal, na qual os indivíduos estão por demais ocupados em buscar trabalho e relacionar-se digitalmente para encontrar corpos eróticos com os quais se relacionar.


Nesta mesma linha de análise, você também disse que as formas de relacionamento com as novas tecnologias afetam os paradigmas do humanismo racionalista clássico, em particular nossa capacidade de pensar criticamente. Considerando isso, de que maneira as dinâmicas multitasking [tarefas simultâneas], ou abertura de janelas de atenção hipertextuais podem chegar a deformar as formas sequenciais de elaboração mental?
A comunicação alfabética possui um ritmo que permite ao cérebro uma recepção lenta, sequencial, reversível. São estas as condições da crítica, que a modernidade considera condição essencial da democracia e da racionalidade. Porém, o que significa “crítica”? No sentido etimológico, crítica é a capacidade de distinguir, particularmente, de diferenciar entre a verdade e a falsidade das afirmações. Quando o ritmo da afirmação é acelerado, a possibilidade de interpretação crítica das afirmações reduz-se a um ponto de aniquilamento. McLuhan escreveu que quando a simultaneidade substitui a sequencialidade — ou seja, quando a afirmação se acelera sem limites — a mente perde sua capacidade de discriminação crítica, passando daquela condição a uma neomitológica.


Apesar do déficit comunicacional ao qual muitos especialistas atribuíram a derrota de Hillary Clinton e, concretamente, à sua postura ante o estilo confrontador e “politicamente incorreto” que Trump utilizou para enfrentar temas vinculados com as guerras culturais, esta “redução da capacidade crítica” que você identifica influenciou no resultado das eleições?
Nos últimos meses tem se falado muito da comunicação da pós-verdade no contexto das eleições nos Estados Unidos, que levaram um racista a ganhar a presidência. Porém, eu não acredito que o problema verdadeiro esteja no circuito da comunicação. A mentira sempre foi normal dentro da comunicação política. O verdadeiro problema é que as mentes individuais e coletivas perderam sua capacidade de discriminação crítica, de autonomia psíquica e política.


Embora alguns especialistas reduzam a importância do termo “nativos digitais” (dizendo que não passa de uma metáfora que fala mais do poder desproporcional que cedemos às novas tecnologias do que dos efeitos reais que estas têm sobre os indivíduos), o conceito guarda uma significativa relação com a “mutação antropológica” que você identifica nos jovens da primeira geração conectiva. Que valor você atribui ao conceito de “nativos digitais” e como pode se relacionar com a noção criada por Marshall McLuhan de “gerações pós-alfabéticas” que você tem retomado em alguns de seus livros?
Em absoluto, não creio que a expressão “nativo digital” seja meramente metafórica. Pelo contrário, trata-se de uma definição capaz de nomear a mutação cognitiva contemporânea. A primeira geração conectiva, aquela que aprendeu mais palavras por meio de uma máquina do que pela voz da mãe, encontra-se numa condição verdadeiramente nova, sem precedentes na história do ser humano. É uma geração que perdeu a capacidade de valorização afetiva da comunicação, e que se vê obrigada a elaborar os fluxos semióticos em condições de isolamento e de concorrência. Em seu livro L’ordine simbolico della madre (A ordem simbólica da mãe), a filósofa italiana Luisa Muraro argumenta que a relação entre significante e significado é garantida pela presença física e afetiva da mãe.

O sentido de uma palavra não se aprende de maneira funcional, mas afetiva. Eu sei que uma palavra possui um sentido — e que o mundo como significante possui um sentido — porque a relação afetiva com o corpo de minha mãe me introduz à interpretação como um ato essencialmente afetivo. Quando a presença afetiva da mãe torna-se rara, o mundo perde calor semiótico, e a interpretação fica cada vez mais funcional, frígida. Naturalmente, aqui não me refiro à mãe biológica, nem à função materna tradicional, familiar. Estou falando do corpo que fala, estou falando da voz. Pode ser a voz do tio, da avó ou de um amigo. A voz de um ser humano é a única forma de garantir de maneira afetiva a consistência semântica do mundo. A rarefação da voz transforma a interpretação num ato puramente econômico, funcional e combinatório.

Em seu livro A linguagem e a morte – um seminário sobre o lugar da negatividade, Giorgio Agamben diz que a voz é aquilo que vincula o corpo (a boca, a garganta, os pulmões, o sexo) ao sentido. Se substituirmos a voz por uma tela, o sentido erótico, afetivo e concreto do mundo se desvanece e ficamos sós, trêmulos e desprovidos da garantia de que o mundo seja algo carnalmente concreto. O mundo torna-se puramente fantasmal, matemático, frio.


Em seu livro Heróis, você se concentra no crescente fenômeno de suicídios a nível mundial e relaciona-o com os crimes de massas que presenciamos no final dos anos 1990 — como os massacres em Columbine ou Virginia Tech — até chegar a episódios recentes, como o do piloto suicida da Germanwings, ou o atentado no Bataclan. O que a história de vida dos agressores destes crimes te diz das condições existenciais nos tempos do capitalismo financeiro? De que forma esses episódios nos falam do espírito de nossos tempos?
Acredito que a financeirização é essencialmente o suicídio da humanidade. Em todos os níveis: a devastação do meio ambiente, a devastação psíquica, o empobrecimento, a privatização, provocam medo do futuro e depressão. Basicamente, a acumulação financeira alimenta-se por meio da destruição daquilo que foi a produção industrial no passado. Como pode o capital investido ser incrementado nos tempos do capitalismo financeiro? Somente através da destruição de alguma coisa. Destruindo a escola você incrementa o capital financeiro. Destruindo um hospital, incrementa-se o capital financeiro. Destruindo a Grécia, incrementa-se o capital do Deutsche Bank. É um suicidio, não no sentido metafórico, mas no material.

Nesse cenário, não me parece tão incompreensível que os jovens se suicidem numa situação similar. Além disso, a impotência política que o capitalismo financeiro produz, a impotência social e a precariedade, impulsa jovens desesperados a atuarem numa forma que parece (e que de fato é) ser o único jeito de obter algo: matando pessoas casualmente e matando a si mesmos. Trata-se da única ação eficaz, porque matando obtemos vingança, e matando obtemos a libertação do inferno que o capitalismo financeiro tem produzido.

Pouco tempo atrás, em junho de 2016, um jovem palestino chamado Mohammed Nasser Tarayah, de 17 anos, matou uma menina judia de 13 anos com uma faca e, posteriormente, foi assassinado de maneira previsível por um soldado israelense. Antes de sair de sua casa para ir matar — e se matar — escreveu em seu Facebook: “A morte é um direito, e eu reivindico esse direito”.

São palavras horríveis, porém, muito significativas. Significam que a morte lhe parecia a única forma de se libertar do inferno da violência israelense e da humilhação de sua condição de oprimido.


A nível mundial, a taxa de homens que se suicida é quatro vezes maior que a de mulheres que incorrem na mesma prática, embora segundo a OMS, elas tentem em mais ocasiões. Da mesma forma, não temos visto casos de assassinatos em massa realizados por mulheres. Ao que você atribui que tanto os suicídios, como os crimes de massas, sejam protagonizados quase exclusivamente por homens? De que forma o capitalismo os compele a reproduzirem tais níveis de impotência, violência e autodestruição?
A violência competitiva, a ansiedade que essa violência implica, é uma translação de uma ansiedade sexual que é unicamente masculina. As mulheres são vítimas da violência financeira, bem como da vingança masculina e terrorista contra a violência financeira. A cultura feminista pode considerar-se a única forma cultural e existencial que poderia criar lugares psíquicos e físicos de autonomia frente à agressão econômica e à agressão terrorista suicida. Porém, hoje, quando falamos de suicídio, cabe ressaltar que não estamos falando do velho suicídio romântico, que significava um desespero amoroso, uma tentativa de vingança de amor, um excesso de pulsão erótica. Falamos de um suicídio frio, de uma tentativa de fugir da depressão e da frustração.


Para finalizar, poderia nos falar de possíveis práticas que proponham soluções, ou das potencialidades que você enxerga nesta geração pós-alfabética? Em seu livro Heróis você retoma o interessante conceito de “caosmose”, criado por Félix Guattari, o qual supõe um tipo de instância estético-ética de superação que daria sentido ao contexto de super-estimulação e precariedade existencial que você vê em nossos tempos…
Guattari falava de “espasmo caósmico” para entender uma condição de sofrimento e de caos mental que pode ser solucionada somente através da criação de uma nova condição social, de uma nova relação entre o corpo individual, o corpo cósmico e o corpo dos demais. Somente a libertação da condição capitalista, somente a libertação da escravidão laboral precária, e somente a libertação da concorrência generalizada, poderia abrir um horizonte pós-suicida.

Porém, a afirmação política dos nacionalistas racistas “trumpistas”, em quase todos os países do mundo, me faz pensar que estamos cada vez mais longe de uma possibilidade similar, e que, aos poucos, estamos nos aproximando do suicídio final da humanidade. Eu sinto muito, mas, neste momento, não vejo uma perspectiva de caosmose, somente uma de espasmo final. Mas isso é o que eu consigo entender, e está claro que meu entendimento é muito parcial.


Fonte: Portal Insurgência / Portal Outras Palavras

Entrevista - "Reclamar do politicamente correto é desculpa de quem continua propagando injustiças”, diz representante da ONU Mulheres

Kenia Maria foi nomeada a primeira Defensora dos Direitos das Mulheres Negras da ONU Mulheres


Atriz, escritora, YouTuber, mãe de santo, militante feminista… A lista de predicados associados a Kenia Maria, 41, é longa e acaba de ganhar mais um importante título. A carioca de Del Castilho, subúrbio do Rio de Janeiro, foi nomeada pela ONU Mulheres do Brasil a primeira Defensora dos Direitos das Mulheres Negras, no mundo. “O nosso pedido é muito simples: que a sociedade nos trate como humanas”, disse em seu primeiro pronunciamento como defensora.

Criada em uma família liderada por mulheres empoderadas, ela começou sua militância muito cedo. Quando jovem, por meio da dança africana, promovia o resgate da ancestralidade e empoderava meninas nas comunidades cariocas. A criação sem distinção de gênero foi transferida também aos filhos, Matheus, 20, e Gabriela, 18, que dentro de casa desempenham as mesmas tarefas, mas nas ruas enfrentam diariamente o racismo de uma sociedade ainda desigual.

Quando o recorte é feito da perspectiva da mulher negra, as estatísticas são alarmantes. Elas já são 55,6 milhões de brasileiras, que chefiam 41,1% das famílias afrodescentes. Porém, ainda recebem 58,2% da renda das mulheres brancas e viram o número de assassinatos aumentar 54%, enquanto o feminicídio de brancas caiu 10%, entre 2003 e 2013. Dos cargos de liderança das maiores empresas brasileiras, elas ocupam apenas 0,4%. “Não tem ninguém nos abrindo as portas”, diz em entrevista à Marie Claire.

Por isso, na nova função, ela quer jogar luz sobre racismo que faz milhões de vítimas no País e aquecer o debate sobre a lei 10.639/03, que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas, públicas e particulares, do ensino fundamental até o ensino médio, mas que ainda não é cumprida.

“Hoje muita gente reclama do politicamente correto, que nada mais é do que uma desculpa para quem quer continuar propagando injustiças. Se está desagradando, agredindo, matando, não tem como ser correto. É inaceitável. Precisamos escrever novas histórias”, acrescenta.

A seguir, ela fala sobre sua trajetória, se emociona ao relembrar ataques racistas e convoca a sociedade para o debate – e avanço -, que precisa levar em consideração a questão racial.


“Hoje muita gente reclama do politicamente correto, que nada mais é do que uma desculpa para quem quer continuar propagando injustiças";, diz Kenia Maria


MARIE CLAIRE Como foi o convite da ONU Mulheres?
KENIA MARIA Ele de seu muito por conta da minha história e da minha família. Sou do subúrbio e venho de uma família de militantes, como o capoeirista Mestre Celso. Meu nome é KENIA por causa do país africano e eu participo de projetos sociais desde os meus 13 anos, quando minha mãe me introduziu ao universo da dança no resgate da minha ancestralidade. Eu tenho uma herança espiritual muito grande. Sou mãe de santo, que é uma herança deixada pelo meu avô. Minha militância aumentou aos 18 anos, quando participei da fundação do AfroReggae, em Vigário Geral. Lá precisei lidar com meninas muito machucadas pela extrema violência presente na comunidade. Era um tempo em que não adiantava falar de feminismo e direitos, a gente precisava falar de vida, de sobrevivência no meio de uma guerra. Desde então, nunca parei de lutar. Há quatro anos, criei com meus filhos e marido, o ator Érico Brás, o canal “Tá Bom Pra Você”, no YouTube, onde questionamos a ausência do negro na publicidade. E agora estou prestes a lançar dois livros infantis que tratam da história afro-brasileira.

MC Quando você se deu conta de que estava militando pelas mulheres negras?
KM Eu nasci militando. Minha mãe, que é pedagoga e feminista, nunca me deixou alisar o cabelo, num país onde a regra é clarear o máximo possível, começando pelos fios. Já senti desde cedo que tinha algo diferente na minha criação. Sempre brinquei com os mesmos brinquedos dos meus irmãos. De carrinho a bonecas, dividíamos tudo. Todo mundo sempre realizou todas as tarefas de casa. E uma das coisas mais importantes: ela nunca nos escondeu o fato de vivermos em um país racista.

MC Como é então para você se tornar a primeira Defensora dos Direitos das Mulheres Negras da ONU Mulheres?
KM
Uma enorme responsabilidade. Não tem como falar de igualdade de gênero no Brasil sem fazer um recorte racial. Quando olho para a iniciativa “Por um planeta 50-50 em 2030: um passo decisivo pela igualdade de gênero”, sempre penso quais mulheres serão de fato atingidas por ela. Em dez anos, o feminicídio das mulheres negras aumentou 54%, mesmo com a existência da Lei Maria da Penha, e o da mulher branca diminuiu 10%. Cerca de 80% das empregadas domésticas brasileiras são negras. Quando vamos poder falar que estamos caminhando juntas pela mesma causa? Nós ainda não estamos em pé de igualdade e toda vez vamos nos posicionar ainda precisamos abaixar o tom e falar de maneira pedagógica. Isso precisa mudar.

MC As feministas negras falam muito do rótulo da mulher negra raivosa que carregam. Você também nota isso?
KM
Vivo isso o tempo todo. Sou a raivosa, mesmo tendo uma voz doce. Já virou um rótulo. Isso vem muito da ideia equivocada que se propaga sobre a mulher negra ser mal amada. Começa desde cedo. Na escola, por exemplo, nunca somos escolhidas para ser a noiva da quadrilha. Depois, o tempo passa, e se torna comum ouvir que não servimos pra casar. É uma rejeição constante. E aí quando abrimos a boca para brigar, ninguém nos ouve. Imagina uma pessoa que nunca teve voz, aquela figura da cozinha, que sempre sorri e ama todo mundo, ou aquela mulher da cama, que está sempre disponível, mas que de repente começa a falar de cidadania. Ela não é bem aceita. Somos sempre vistas com o olhar do colonizador, o olhar racista.

MC Onde é que mais se dá a invisibilidade da mulher negra?
KM
Eu a vejo em todos os lugares. Falta mulher negra nos espaços de poder, na publicidade, na medicina… Mas o que mais me incomoda é a invisibilidade na publicidade e na arte, dois espaços formadores de opinião. É pura estratégia de manutenção de poder. Se eu não posso me expressar artisticamente, não formo opinião e não digo quem eu sou. Deixo de existir perante a sociedade. Mulher negra não faz comercial de absorvente, por que mulher negra não sangra? Mulher negra não faz comercial de margarina, porque ela não merece ter uma família feliz? Mais do que vontade de avançar, existe uma necessidade.

MC Qual é o seu objetivo nesta nova função a fim de mudar esta realidade?
KM
Quero resgatar cada vez mais a ancestralidade das religiões de raízes africanas em nosso País e também fazer valer a lei 10.639/03, que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas, públicas e particulares, do ensino fundamental até o ensino médio, mas que ainda não é cumprida. É preciso levar a representatividade para as crianças. E para isso vou usar muito o poder mobilizador da Internet.

MC Já foi vítima de racismo?
KM
Todo dia. Mas teve um episódio muito marcante e doloroso, e diz respeito ao racismo no atendimento médico. A mulher negra é tratada com diferença dentro dos hospitais e isso se deve a uma herança histórica. [No século 19, o médico norte-americano James Marion Sims, que depois viria a ser conhecido como o “pai da ginecologia” usava escravas negras como cobaia de seus experimentos e descartava o uso de qualquer tipo de anestesia. Desta maneira, ele concluiu de maneira equivocada que a mulher negra era resistente à dor.] Esse é um mito que a gente paga até hoje. Há dois anos, sofri um aborto espontâneo e cheguei ao hospital particular com muita dor na alma, porque esperávamos muito por aquele filho, e física. A médica me olhou e perguntou se, antes de me medicar, poderia me examinar. Segundo ela, eu suportaria. Esse foi o caso de racismo mais forte que já sofri. E hoje já é comprovado que as negras recebem menos anestesia durante o parto, além do tratamento inferior nas consultas.

MC De que maneira sua militância impacta na criação da sua filha?
KM
A Gabriela, tem 18 anos, nasceu na Venezuela, e como lá não existiam leis raciais, ela sofreu muito na escola particular. Sempre foi a única negra. Mas desde sempre eu a orientei como fui orientada, mostrando que essa realidade existe e precisa ser combatida. Ela é super feminista.

MC Ela já enfrentou algum episódio de racismo que te marcou?
KM
Ela é vítima de assédio com muita frequência. Isso é muito doloroso. Nas Olimpíadas do Rio, foi cercada nas ruas de um bairro nobre e negociada por um rapaz, que acompanhava uns estrangeiros. Nervosa, ainda foi obrigada a ouvir de um camelô: ‘Calma, moça, ele só te achou bonita’. E por se irritar e não dar ouvido, ela é sempre desqualificada, ouve muito xingamento. Ela chegou em casa muito transtornada. O racismo nos obriga a carregar uma mala pesada sem alça e rodinha, todos os dias. E no caso da mulher negra são duas, porque ainda carregamos a mala do machismo. Então, é sempre um peso enorme sair de casa.

MC E do seu filho, teve algo muito marcante?
KM
Ele tinha 9 anos e ainda morávamos na Venezuela. Num dia qualquer, chegou em casa com muita dor de cabeça. Não tinha comido nada no intervalo, porque ficou trancado dentro da sala. Perguntei o motivo e ele disse que, quando chegou na cantina, todas as crianças e adultos que estavam por lá riram e perguntaram se ele tinha sido esquecido no forno. Isso até hoje me deixa um pouco engasgada e magoada. Foi o que nos fez voltar a viver no Brasil. Dá muito trabalho criar um filho negro neste mundo.


Fonte: Portal Géledes / Revista Marie Claire

Experimento social revela como homens reagem quando as mulheres aceitam seus ‘elogios’


Para alguns homens, as mulheres parecem objetos feitos para serem apreciados por sua beleza e inocência. Mas enquanto um número cada vez maior de mulheres se recusa a aceitar o estereótipo de belas, recatadas e do lar, uma escritora e ativista mostrou como os homens reagem quando seus elogios são aceitos por elas.

Tudo começou com um tweet em que a autora Feminista Jones dizia “Irrite um homem hoje: diga a ele que você concorda com o elogio que ele lhe fez“.



Na sequência, Feminista descreveu como reage quando é elogiada, agradecendo naturalmente e dizendo que concorda com todas as qualidades atribuídas a ela. O resultado dessa abordagem é assustador e mostra que os homens (não todos, é claro) não gostam de saber que as mulheres concordam que são lindas e inteligentes. Muitas vezes, eles chegavam até mesmo a “retirar os elogios” feitos ao verem que a autora estava de acordo com tudo.

Confira a sequência de tweets publicados por ela sobre o assunto:

Also an interesting observation is how many assume that a woman wouldn't say Thank You when agreeing with them. Lol

“Outra observação interessante é de quantos homens assumem que uma mulher não irá dizer ‘Obrigada’ quando concordar com eles.“


They even complain when you say "Thanks" with a straight face instead of "Thank you" with frilly giggles and fake blushed 😂😂😂😂

“Eles até mesmo reclamam quando você agradece com uma cara séria ao invés de dizer ‘Obrigada’ com risadas bobas e falsamente corada”


That goes back to what most women were saying abt their experiences w/this. The expectation's that women should show no self-appreciation

“Isso volta ao que a maioria das mulheres estava dizendo sobre suas experiências. A expectativa de que mulheres não deveriam mostrar auto-apreciação“, escreveu ela.

Algumas seguidoras de Feminista fizeram um teste quando foram elogiadas e mostraram o resultado – que só comprova o que a autora havia comentado.

Espia só:






Fonte: Portal Hypeness

Mulheres que fizeram História: Frida Kahlo, a pintora que revolucionou a cultura mundial


Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderon foi uma das personagens mais marcantes da história do México. Patriota declarada, comunista e revolucionária Frida Kahlo, como ficou conhecida, teve uma vida de superações e sofrimentos que refletidos em sua obra a tornaram uma das maiores pintoras do século.

Nascida em 6 de julho de 1907 em Coyoacan, México, filha do famoso fotógrafo judeu-alemão Guillermo Kahlo e de Matilde Calderon y Gonzales, mestiça, Frida sempre foi apaixonada pela cultura de seu país e adorava tudo que remetesse às tradições mexicanas. Fato que ela sempre fazia questão de demonstrar em sua maneira de se vestir e em seu trabalho ao incluir elementos da cultura popular.

Em seu diário, publicado em 1995 e traduzido para diversas línguas, e em sua autobiografia publicada em 1953, Frida deixou registradas suas dores e sobretudo suas frustrações pela infidelidade do marido, por quem era extremamente apaixonada, e pela impossibilidade de ter filhos. Toda sua obra, constituída majoritariamente por auto-retratos reflete essa condição.

Sua primeira tragédia acontece quando ela tinha seis anos e uma poliomelite a deixou de cama por vários dias. Como seqüela, Frida fica com um dos pés atrofiado e uma perna mais fina que a outra. Mas o fato trágico que mudaria sua vida para sempre aconteceu quando ela tinha dezoito anos.

Frida na época estudava medicina na primeira turma feminina da escola Preparatória Nacional. Então, no dia 17 de setembro de 1925, na volta para casa, ela e seu noivo Alejandro Goméz Arias, sofreram um grave acidente de ônibus que a deixou a beira da morte. Transpassada por uma barra de ferro pelo abdômen e sofrendo múltiplas fraturas, inclusive na coluna vertebral Frida levou vários meses para se recuperar. Ao todo foram necessárias 35 cirurgias e mesmo depois da recuperação ela teria complicações por causa do acidente pelo resto de sua vida chegando a relatar : “E a sensação nunca mais me deixou, de que meu corpo carrega em si todas as chagas do mundo.”

Foi durante o período em que esteve se recuperando que surgiu a pintora. Sua mãe colocou um espelho sobre sua cama e um cavalete adaptado para que ela pudesse pintar deitada e Frida fez seu primeiro auto-retrato dedicado a Alejandro que a havia abandonado: “Auto-retrato com vestido de Terciopelo”. Sobre sua obstinação em pintar auto-retratos, 55 ao todo, que representam um terço de toda sua obra ela justificava dizendo: “Pinto a mim mesma porque sou sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor”.

Dois anos depois do acidente Frida leva três de seus quadros a Diego Rivera, um famoso pintor da época que ela conhecera quando freqüentava a Escola Preparatória Nacional em 1922, para que os analisasse. Esse encontro resultou no amor de ambos e na revelação de uma grande artista.

Em 21 de agosto de 1929 eles se casam, Frida então com 22 anos e Rivera com 43, dando início a um relacionamento dos mais extravagantes da história da arte. Em 1930 Frida engravida e sofre seu primeiro aborto ficando muito abalada pela impossibilidade de levar adiante uma gravidez devido a seu estado de saúde delicado. Sobre essa dor ela confessou: “Pintar completou minha vida. Perdi três filhos e uma série de outras coisas que teriam preenchido minha vida pavorosa”.
No mesmo ano, já tendo recuperado sua mobilidade, porém com limitações e tendo que usar freqüentemente um colete de gesso, Frida acompanha Diego em suas viagens aos EUA revelando seu talento para o resto do mundo e encantando a todos com seu jeito irreverente e único.

Em 1932 ela sofre seu segundo aborto sendo hospitalizada em Detroit (EUA), e sua mãe morre de câncer no dia 15 de setembro do mesmo ano. Em 1934 o casal está de volta ao México, mas Frida sofre novo aborto e tem os dedos do pé direito amputados. O relacionamento com Rivera piora e ele começa a traí-la com sua irmã mais nova Cristina. No ano seguinte Frida e Rivera se separam e Frida conhece o escultor Isamu Noguchi com tem um caso, mas logo ela e Rivera se reconciliam e voltam a morar juntos no México.

Em 1936 novas cirurgias no pé além de persistentes dores de coluna, um problema de úlcera, anorexia e ansiedade. Apesar de tudo, em 1937, Frida conhece Leon Trotski que se refugia em sua casa em Coyoacan junto com a esposa Natalia Sedova. Trotski foi seu mais famoso caso de amor.

Em 1938, Fria Kahlo conhece André Breton, escritor, poeta e famoso teórico do surrealismo, que se encanta por sua obra e lhe apresenta Julian Levy, colecionador e dono de uma galeria em Nova York, responsável por organizar a primeira exposição individual de Frida, realizada em 1939.

A exposição foi sucesso absoluto e ela logo estava realizando exposições em Paris onde conheceu grandes artistas como Pablo Picasso, Kandinsky, Marcel Duchamp, Paul Eluard e Max Ernst. Frida foi a primeira pintora mexicana a ter um de seus quadros expostos no Museu do Louvre, mas foi apenas em 1953, um ano antes de sua morte, que ela consegue realizar uma exposição de suas obras na Cidade do México.

Ainda em 1939 Frida e Diego se separam novamente, desta vez oficialmente, mas voltam a se casar em 8 de dezembro do ano seguinte.

Em 1941 morre Guillermo Kahlo e ela e Diego mudam-se para a “Casa Azul”, hoje um museu em sua homenagem. Em 1942 ela começa a escrever seu famoso diário onde escreve sobre todas as suas dores e pensamentos em um emaranhado de textos propositadamente sobrepostos, cheio de ilustrações e cores.

De 1942 a 1950 Frida é eleita membro do Seminário de Cultura do México, passa a dar aulas na escola de arte “La Esmeralda”, mas sua saúde cada vez pior a obriga a lecionar em casa. Com o quadro “Moisés”, Frida ganha o Prêmio Nacional de Pintura concedido pelo Ministério da Cultura do México. Nesse período ela também é obrigada a fazer mais de seis cirurgias e usar um colete de ferro que quase a impede de respirar permanecendo longos períodos no hospital e tendo de usar uma cadeira de rodas.

Em agosto de 1953 ela tem sua perna amputada na altura do joelho devido a uma gangrena. Sobre mais esse duro golpe Frida escreve em seu diário:

''Amputaram-me a perna há 6 meses, deram-me séculos de tortura e há momentos em que quase perco a razão. Continuo a querer me matar. O Diego é que me impede de o fazer, pois a minha vaidade faz-me pensar que sentiria a minha falta. Ele disse-me isso e eu acreditei. Mas nunca sofri tanto em toda a minha vida. Vou esperar mais um pouco...''.

No mesmo diário ela também desenhara uma coluna cercada por espinhos com a legenda: “Pés, para que os quero se tenho asas para voar.” Revelando a ambiguidade de seus sentimentos com relação a todo seu sofrimento.

A idéia da morte parecia algo tranqüilizador para Frida que tivera uma vida tão conturbada e freqüentemente ela se refere a isso em seu diário e em sua autobiografia, porém mais do que nunca ela tenta se agarrar a vida, pois como ela dizia: “...a tragédia é o mais ridículo que há...” e “...nada vale mais do que a risada...” .

Mas sua condição delicada não a impediu de participar, mesmo em uma cadeira de rodas de uma manifestação contra a intervenção norte-americana na Guatemala em 1954.

Na noite de 13 de julho daquele mesmo ano Frida Kahlo é encontrada morte em seu leito. A versão oficial divulgou que ela teve morte por embolia pulmonar, mas suas últimas palavras em seu diário foram: “Espero a partida com alegria...e espero nunca mais voltar...Frida.”.

Para saber mais:

Em 2002 foi lançado o filme "Frida" com a atriz Salma Hayeck no papel da personagem principal e Alfred Molina no papel de diego Rivera. A direção é de Julie Taymor e o filme recebeu dois Oscar por melhor maquiagem e trilha sonora.


Fonte: Portal Infoescola

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