quinta-feira, 30 de março de 2017

Pesquisa divulga dados sobre violência sexual na Bahia


No palco do Centro Cultural da Câmara Municipal de Salvador, 24 jovens do grupo Tá Ligado Em Que? narram a história de Flor, uma estudante de aproximadamente 15 anos, que mora com a mãe e o padrasto em um lar humilde da capital baiana.

Devido às transformações corporais oriundas da puberdade, a moça começa a ser elogiada pelos garotos da escola e, em casa, é assediada e violentada pelo padrasto, que ameaça matá-la se revelar para a mãe ou qualquer outra pessoa.

Porém, com ajuda dos colegas e do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente Yves de Roussan (Cedeca-BA), a garota consegue acompanhamento psicológico e o padastro é preso.

O drama vivido por Flor, no espetáculo baseado na cartilha de prevenção e cuidados do Cedeca-BA, é o reflexo do resultado divulgado nesta terça-feira (28) da pesquisa feita em cinco municípios do estado Bahia sobre “Cenários das Violências Sexuais Contra Crianças e Adolescentes”, por meio do projeto de intervenção Down to Zero, organizado pelo Plan Internacional Brasil (ONG internacional referência na defesa de direitos de crianças e adolescentes), ECPAT-Brasil (organizações da sociedade civil que trabalha para a eliminação da exploração sexual de crianças e adolescentes ), executado pelo Cedeca.

“Atuamos em Salvador e região metropolitana, pois o projeto se propõe a diminuir e erradicar até 2020 a violência sexual contra crianças e adolescentes”, explicou Sara Regiana de Oliveira, gerente de projetos da Plan, durante a apresentação.


Pesquisa

Segundo dados da pesquisa com base nas denúncias recebidas pelo canal Disque 100, desde 2011 o estado da Bahia tem o maior número de notificações de casos de exploração sexual de crianças e adolescentes: são 41.715 denúncias, sendo 26.263 relacionadas a violações de direitos de crianças e adolescentes.

Desses registros, 48% correspondem a casos envolvendo meninas; 37,6%, com meninos; e 14,4% não informaram.

“Dados sobre exploração sexual são muito difíceis de levantar, porque, infelizmente, a sociedade não conhece este fato como violação de direitos, muitos acham que crianças e adolescentes em contexto de exploração não são vítimas, mas causadoras do ato”, afirmou Sara Oliveira.

Além de Salvador, a pesquisa contemplou cidades da região metropolitana, a exemplo de, Camaçari, Lauro de Freitas, Itaparica, Vera Cruz e Mata de São João.

Para o cônsul honorário da Holanda na Bahia e Sergipe, Egbert Bloesma, é preciso que a sociedade mude o comportamento para erradicar a exploração. “ Mostramos o que a Holanda faz e a nossa visão sobre o problema da exploração sexual no Brasil”, comentou Bloesma, que criticou o comportamento da sociedade após o resultado da pesquisa.

Conforme o documento divulgado pela Down to Zero, entre às causas que impulsionam os índices de violência deste tipo, o tráfico de drogas aparece em primeiro lugar, com 78,7% de frequência.

“Na pesquisa, a gente mostra a diferença, não só entre exploração sexual e abuso sexual, mas de outras tipificações de violência sexual, trazemos o olhar dos entrevistados, de acordo com o senso comum, mas, ao mesmo tempo, trabalhamos com conceitos , trazendo a diferenciação entre o que a sociedade ouve e sabe e o conceito mais técnico da definição”, acrescentou Sara Oliveira.

A coordenadora-executiva do Cedeca, Luciana Andrade, destacou que a pesquisa foi quantiqualitativa, produziu e atualizou dados e conhecimentos sobre a violência e exploração sexual nos municípios já citados.


Fonte: Jornal A Tarde / Portal UOL Notícias

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