quarta-feira, 22 de março de 2017

Fotógrafa brasileira quebra estereótipos ao retratar a diversidade do movimento feminista


Esse post não é apenas sobre um projeto de quem se declara feminista – é sobre quebrar estereótipos. Como uma feminista parece? Existem declarações muito fortes a essas mulheres que se atrevem a encarar de frente os tempos nebulosos e machistas em pleno século 21.

Depois de ouvir “feminista é tudo mulher-macho peluda”, e outros adjetivos bem piores, a fotógrafa brasiliense Luisa Dale resolveu capturar a essência de algumas mulheres que tem afinidade com a ideia, depois de contacta-las através do Facebook. Por cerca de dois meses, Luisa fez os registros, as entrevistou, e começou a divulgar os retratos nas mídias sociais com a hashtag #projetoeusoufeminista (#iamfeminist).

Abaixo, você confere uma entrevista exclusiva que fizemos com ela. Você também pode se inspirar com as diferentes facetas mostradas e com o quão diverso é o movimento. Como Luisa mesmo declara: “Não se trata de possuir determinadas características físicas para ser feminista ou não, é só ser mulher e querer combater a violência com mais amor”. Confira:



FTC: Luisa, como você preenche atualmente sua bio nos diversos sites e redes sociais em que participa?

Tenho usado as plataformas sociais basicamente para me promover profissionalmente. Como as imagens que crio e a forma como as apresento são essenciais para uma boa resposta do público, eu procuro ser o mais “minimalista” e impessoal possível, mas sempre deixando uma marquinha de quem eu sou (ou pelo menos, de quem quero me tornar).

No Instagram por exemplo: “slow-life adept (adepta do slow life lifestyle, sem correrias, loucuras, a custo apenas de retorno financeiro). Não sei se me fiz entender bem, mas é um conceito que adaptei do slow food aplicado a toda uma vida. hehe



FTC: Qual foi seu momento “a-ha”, seu estalo, para criar o projeto #EuSouFeminista?


Quando ouvi um cara numa mesa de bar falando que “feminista é tudo peluda e machão” – ou algo do gênero. Na hora eu pensei: “não, não é só isso.” E então, como amante dos retratos na fotografia, o melhor que poderia fazer seria retratar a diversidade do movimento.



FTC: Pra você, por que o feminismo é importante?

Feminismo pra mim é importante para, antes de qualquer coisa, fazer com que nós mulheres nos reconheçamos como irmãs. Por mais que existam seres humanos de todos os tipos, se você olha para uma mulher e a vê como um ser que sofre as mesmas coisas (ou mais) que você, isso se sobrepõe a outras características que poderiam ser obstáculos num possível relacionamento.

O feminismo cria essa rede linda entre as mulheres, só pelo fato de sermos mulheres. E isso é muito, muito poderoso enquanto forma de mudança de padrões na sociedade.



FTC: Qual a resposta que alguma das mulheres disse durante a entrevista que você super se identificou?
Engraçado que com todas as meninas que eu conversei, sempre tinham várias coisas que eram comuns no nosso dia-a-dia. Ter tantos assuntos afins com pessoas que eu nunca havia visto antes é interessantíssimo, prova como basta um olhar mais caridoso para com o outro que coisas incríveis podem sair daí. Mais uma vez, ponto para o feminismo.



FTC: Conta mais sobre esse lance do P&B, do vazio das cores nesta sua série.

Eu sempre gostei de fotos em P&B, sou a maior fã de Ansel Adams (o grande mestre do P&B na fotografia). E nesse projeto em específico, como eu fotografei cada mulher em um local da escolha delas, e que provavelmente eu nunca teria ido antes, eu escolhi o preto e branco para evitar informação demais de cor sendo que o foco era a retratada.

Foi uma escolha técnica para que o assunto principal ficasse em evidência.



FTC: O que tem lido, ouvido, visto ou quais são os seus artistas preferidos neste momento?

Hmmm…Pergunta de vestibular para uma geminiana haha! Artistas “de cabeceira”: Nina Simone tá sempre nas minhas playlists (que mulher!), Gabriel García Márquez e tô sempre acompanhando as postagens das minas do Coletivo Vermelha no Facebook, elas são um grupo de cineastas de SP que criaram esse coletivo buscando entender o lugar da mulher no audiovisual – como eu estou estudando cinema atualmente, me interessa muito saber das criações femininas na área.









O projeto continua? Sim! Todas as meninas, mulheres, e quem se considerar uma mulher, podem participar da hashtag fazendo uma selfie em preto e branco e escrevendo como você se sente sendo feminista e o que isso muda na sua vida.


Acompanhe Luisa Dale em seu site, Facebook e Instagram.


Fonte: Portal Follow the Colours

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