quarta-feira, 1 de março de 2017

8 mitos sobre o aborto


Todo mundo tem uma opinião sobre o aborto, mas pouca gente conhece os fatos que o cercam. Juntamos aqui dezenas de dados sobre interrupção de gravidez para mostrar: aborto é coisa de mulher casada, religiosa, trabalhadora, com filhos, rica e pobre – mas só morre quem não tem dinheiro para fazê-lo com segurança.


Não é verdade: o aborto é muito comum no mundo inteiro. Juntando legais e ilegais, são 56 milhões ao ano, segundo a Organização Mundial da Saúde. O fato de ele ser proibido em 119 países não quer dizer que não aconteça. A OMS calcula que, entre 2010 e 2014, um quarto de todas as gestações do mundo tenha terminado em aborto voluntário.

No Brasil, 500 mil mulheres interromperam suas gestações em 2015, segundo a Pesquisa Nacional do Aborto. E mais: a curetagem (a raspagem do útero, feita para remover o que sobra depois de um aborto) foi o terceiro procedimento ginecológico mais realizado pelo SUS entre 2014 e 2016 – só perdendo para as cesarianas e cirurgias gerais.



68% das brasileiras usam continuamente algum método contraceptivo. E, segundo o Ministério da Saúde, 50% das mulheres que abortaram no Brasil estavam usando algum tipo de anticoncepcional quando engravidaram. Ou seja, as mulheres engravidam mesmo tentando evitar o filho – já que nenhum método é 100% seguro.



A não ser que estejamos falando da Virgem Maria, gestações só acontecem com a participação de duas pessoas: um homem e uma mulher. Ou seja, a gravidez indesejada é um problema dos homens também. A maior parte das gestações que terminam em aborto, inclusive, são fruto de relacionamentos estáveis.



O aborto é a decisão mais difícil tomada por meio milhão de brasileiras todos os anos. Quem decide interromper uma gravidez – e decide cometer um crime, segundo a lei brasileira -, o faz porque não vê escolha. “A mulher que aborta entra sozinha em um mundo ilegal, que ela não conhece, e precisa comprar os remédios com traficantes ou buscar médicos clandestinos. Ela faz todo o processo sem ajuda. Não é uma situação fácil”, disse Debora Diniz, antropóloga responsável pela Pesquisa Nacional do Aborto (a maior sobre o tema no País), em um evento em São Paulo. Por isso, não adianta proibir – quem quer abortar vai dar um jeito. Peguemos as religiões, por exemplo. O catolicismo, o judaísmo, o espiritismo e algumas correntes do islamismo condenam a interrupção da gravidez. Ainda assim, 88% das mulheres que abortam no Brasil têm religião. A criminalização, na prática, só decide as condições em que o aborto será feito: se será seguro ou não. E se mais – ou menos – mulheres vão colocar as suas vidas em risco.



Você já paga por ele. Abortos ilegais e procedimentos pós-abortos já vão parar no SUS. Quando uma mulher interrompe uma gestação em clínicas sem fiscalização ou com métodos caseiros, as chances são grandes de ela precisar de cuidados médicos. Ou seja, a ilegalidade do aborto gera um custo para os cofres públicos, que não existiria se os procedimentos fossem todos seguros (ou seja, legais). E não estamos falando de pouco dinheiro.



É verdade que, segundo a OMS, o aborto é a causa da morte de 47 mil mulheres ao ano no mundo inteiro – e de disfunções físicas e mentais de outras 5 milhões, além de ser a razão de internação de 7 milhões. Mas existe um detalhe que muita gente ignora: a interrupção da gravidez só mata quando é realizada de forma insegura, fora dos padrões da Organização Mundial da Saúde. Em países onde o aborto é legalizado, ele é seguro. Nos EUA, por exemplo, a mortalidade dos abortos é de 0,7 morte a cada 100 mil procedimentos. Na Suécia, entre 1988 e 2007, não morreu nenhuma mulher por aborto (embora a taxa por lá seja de 17,5 abortos a cada mil mulheres, uma das mais altas da Europa).



Segundo o Ministério da Saúde, quanto maior a renda e a escolaridade da mulher, maiores são as chances de sua primeira gravidez resultar em um aborto. As mulheres que interrompem a gravidez são, em sua maioria, maduras e esclarecidas. Adolescentes que engravidam de forma indesejada não têm autonomia – financeira e psicológica – para procurar a interrupção.



Passar por uma gestação, dar à luz, olhar para o bebê – e então dá-lo embora é uma decisão ainda mais difícil do que abortar. O Estatuto da Criança e do Adolescente diz que é direito da mãe entregar o filho para a adoção. Mas o Estado tenta manter a criança com a mãe ou com a família. É crime, por exemplo, amigos ou uma família interessada adotarem o bebê sem a participação da Justiça – como costuma acontecer em filmes americanos, tipo Juno.


Fonte: Revista SuperInteressante

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