segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Artigo - Entrada VIP só para mulheres não é benefício, e sim machismo!


Por: Nathalia Marques*


Entrada Vip só para mulheres;

Mulherada paga meia entrada;

Homens 100; Mulheres 60


Aposto que, ao procurar uma balada hétero, você já se deparou com alguns dos anúncios descritos acima e pelo menos uma vez na vida pensou, ou ainda pensa “Nossa, entrada vip pra mulher, que ótimo, me dei bem!”. É, miga, se você ainda pensa assim, sinto dizer, mas não: o preço diferenciado não é benefício, é machismo.

Quando uma balada pratica preços diferenciados e oferece Entrada VIP para as minas, ela não está sendo “legal” com as mulheres, e sim usando uma tática perversa para atrair público – e nessa tática as mulheres são iscas.

A ideia é a seguinte: mulheres ganham entrada VIP ou pagam menos, logo a probabilidade de ter muitas mulheres é alta. Homens héteros vão para baladas em busca de mulheres, logo, se em uma balada haverá muitas mulheres, isso acaba se tornando um atrativo para eles.

Para piorar a situação, ainda há outra consequência dessa tática. Ao não pagar por suas entradas, as mulheres acabam consumindo mais bebida alcoólicas e, consequentemente, ficando mais vulneráveis. Vamos ser honestas, vulnerabilidade de mulheres em baladas interessa a quem? HOMENS, que podem se aproveitar do fato para cometer as mais variadas formas de abuso contra essas mulheres. Ou você vai dizer que nunca ouviu o caso de alguma mina que foi estuprada dentro de uma balada?

O que quero dizer com tudo isso é que, quando uma mulher paga menos, ou ganha entrada VIP para entrar em uma balada, ela está, na verdade, sendo objetificada. E, mesmo que um(a) organizador(a) de uma casa noturna, na sua “inocência”, não tenha essa intenção e possua um milhão de argumentos para justificar a diferença de preço, o cenário não muda, uma vez que isso continua sendo uma prática machista e que contribui não apenas para a objetificação, mas também para situações abusivas que podem comprometer a integridade física das mulheres.

Por isso, é muito importante questionar esse tipo de situação. Vale lembrar, para algumas mulheres que continuam achando que isso é benefício, que, quando estamos na luta pelo fim do machismo – e, como consequência, pela construção de uma sociedade igualitária – questionar e denunciar práticas desiguais é um dever, mesmo que isso esteja aparentemente nos “beneficiando”.


* Nathália Marques é jornalista de formação, blogueira de viagem por opção, feminista por necessidade e leitora assídua por paixão.


Fonte: Portal Lado M

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