segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Quadrinhos acolhem, num crescente, a criatividade feminina


A presença delas nas HQs já é constante no meio e, desde o século 19, quadrinistas mulheres garantem sua presença em um universo que se torna cada vez mais amplo, sendo desenhado, escrito e consumido também por elas. As personagens femininas ganham novos enredos, contrastes e personalidades e a figura unicamente sensual já não convence suas leitoras cada vez mais ávidas.

Publicações inspiradas em histórias reais de mulheres fortes e novos modelos de heroínas e protagonistas confirmam a tendência e os novos rumos das histórias ilustradas. Com o impulso e a ajuda de divulgação pela internet, diversos trabalhos femininos de HQ têm ampliado seu espaço. É o caso do coletivo Ladys´s Comics, do Mulheres nos quadrinhos, da autora Alexandra Presser, e outras tantas publicações de qualidade que ocupam o espaço físico e virtual.

O coletivo Lady’s Comics conquista espaço por meio do site que serve como plataforma de divulgação e mostra de trabalhos por todo o país. A internet tem servido como trampolim para que quadrinistas divulguem suas obras e, no meio virtual, o número de homens e mulheres que escrevem e desenham suas histórias é cada vez mais próximo.

A ilustradora Alexandra Presser, de Florianópolis, aproveitou o espaço para publicações independentes e lançou recentemente a HQ Arroz, que fala sobre mudanças e amizades. Alexandra destaca que o crescimento e a aceitação dos quadrinhos brasileiros aumentaram muito nos últimos 10 anos, fato que beneficia também o surgimento de novas autoras. “Diversos quadrinhos de boa qualidade, escritos e ilustrados por mulheres, mostram para as leitoras que elas também devem ser representadas e mostram para os leitores que as mulheres não são bidimensionais. Se continuarmos avançando, os estereótipos femininos das histórias serão ultrapassados”.


Feminino

Tais estereótipos são, inclusive, um dos pontos mais trabalhados pelas autoras. Presser destaca que acha ruim que ainda seja preciso que mulheres escrevam personagens femininas para que elas sejam bem representadas, com profundidade e amplitude psicológica. No entanto, para a ilustradora, este quadro pode mudar. “O mercado de quadrinhos só tem a perder sem elas. A presença feminina no gênero ajuda a mostrar a força e a complexidade das mulheres, que foram por muitos anos diminuídas por meio da objetificação nas histórias. Nós sempre soubemos disso e agora, finalmente, estamos encontrando espaço para mostrar”.

Ale gosta de escrever sobre o cotidiano, sobre fatos que acredita que farão alguma diferença na vida dos leitores. A autora sente orgulho de quadrinistas que estão na frente de batalha, como a Petra Leão, que escreve para a Turma da Mônica Jovem e trabalha sempre a favor da igualdade de gêneros, ou a Kaol Porfírio, com suas ilustrações de personagens femininas fortes.

Entre as protagonistas femininas das HQs destacam-se Persépolis e Olympe de Gouges, dos livros homônimos e baseados em histórias reais.

Além deles, a recente heroína com inclinações para vilã Nimona, da jovem autora Noelle Stevenson, também conquista seu espaço no mercado. Entre os três quadrinhos, criados a partir de estilos de desenho e escrita diferentes, encontra-se em comum o fato de que suas personagens principais são mulheres fortes e bem desenvolvidas, com personalidades que saem da bidimensionalidade e histórias que se desenvolvem a partir de suas próprias ações e vontades. São personagens que mostram autonomia e firmam-se como a representação de mulheres reais e não estereotipadas.

A presença feminina no gênero ajuda a mostrar a força e a complexidade das mulheres, que foram por muitos anos diminuídas por meio da objetificação nas histórias”
Ale Presser, ilustradora


Estante

Arroz
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Autora: Ale Presser
Preço médio: R$ 30
Edição independente
Número de páginas: 88

Nimona
À venda em sites e livrarias
Autora: Noelle Stevenson
Preço médio: R$ 32
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 272

Olympe de Gouges

À venda em sites e livrarias
Autores: José Louis Bocquet e Catel Muller
Preço médio: R$ 81
Editora: Record
Número de páginas: 488


Fonte: Jornal Correio Braziliense

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