domingo, 29 de janeiro de 2017

Depois deste discurso, a Suécia proibiu o castigo corporal

Foto: Bertil Hellstrom
Astrid e seus netos de férias em Tallberg, 1968


A sueca Astrid Lindgren era uma pessoa fascinante. Ela não foi apenas uma escritora de contos de fadas, mas também uma lutadora pela justiça. Não tinha medo de falar e sua palavra tinha peso. Nos anos 1970 o castigo físico em crianças fazia parte da criação. No entanto, Astrid acreditava profundamente nos danos que causava na formação de uma pessoa saudável e batalhou contra isso.

Em 1978, quando lhe foi entregue o Prêmio Nobel da Paz na Alemanha, ela fez um discurso que rodou o mundo. Com poucas palavras disse que as raízes da agressão que invadiu nosso mundo começam no início da nossa vida: na infância. E a criança que recebe a primeira lição da violência de seus pais acredita que apenas com este remédio é possível resolver todos os problemas.

No Incrível.club concordamos completamente com ela e publicamos uma parte do discurso que fez com que a Suécia se tornasse o primeiro país a proibir oficialmente repressões físicas.
Desde que a humanidade habita este Planeta, criou guerras e lutou entre si. O nosso frágil mundo sempre está em perigo. Não será a hora de nos perguntarmos se fazemos algo todos os dias que nos leva a conflitos? Como podemos melhorar ou esquecer da agressão constante? 
Acho que devemos começar do início, com as crianças! Elas são as únicas que em breve governarão a Terra e terão de decidir se querem continuar com a violência ou se viverão em paz e com alegria. 
Lembro-me de como fiquei chocada quando percebi que somos governados por pessoas comuns, que não têm o dom da providência divina nem uma sabedoria extraordinária. Elas são como nós, com suas fraquezas e paixões, mas têm poder. Por que essas pessoas tomam tantas decisões erradas? Será que é porque são más por natureza? 
Não acredito. As crianças não nascem nem boas nem más. Então o que é que determina se serão abertas e gentis ou cruéis e amargas? Somos nós, seus pais, as pessoas que devem mostrar e ensinar às crianças o que é o amor. Ou involuntariamente ensinar o oposto. 
Um dia, conheci a mulher do pastor, que me contou que, quando era jovem e deu à luz a seu primeiro filho, não acreditava na punição corporal, embora bater nas crianças naquela época fosse uma prática comum. 
No entanto, quando seu filho estava com quatro ou cinco anos e fez uma travessura, ela decidiu, apesar de todos os seus princípios, bater nele pela primeira vez em sua vida. Ela disse ao filho para ir ao quintal e pegar um galho para esta finalidade. 
O menino demorou para retornar e, quando voltou, tinha o rosto molhado de lágrimas. Ele disse: “Mamãe, não encontrei nenhum galho, mas uma pedra, que você poderá jogar em mim“. 
Nesse momento a mãe se deu conta da situação percebida do ponto de vista da criança: se a minha mãe quer me machucar, não importa como vai fazer isso, ela pode ter o mesmo sucesso usando uma pedra. 
A mãe colocou a criança no colo e os dois choraram juntos. Colocou a pedra em uma prateleira da cozinha, como um lembrete de que a violência não é solução. 
Mas os nossos filhos assistem televisão, veem a enorme quantidade de agressão que existe no mundo e, talvez, acreditem que seja a única maneira de resolver todos os problemas. E, agora mesmo, em nossa casa, podemos ensinar a eles que há outro caminho. E é o que podemos fazer por este mundo. 
A nenhum de nós seria ruim colocar uma pedra em uma prateleira da cozinha para lembrar: ”Não à violência!"

Este discurso gerou, na Suécia e na Alemanha, fortes discussões sobre a punição corporal. Em 1979, a Suécia tornou-se o primeiro país do mundo a proibir completamente punições físicas contra crianças tanto na escola como em casa.


Fonte: Portal Incrível

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