quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Assassinos movidos pelo ciúme - Quando se sentem traídos, homens matam mais que mulheres. Especialista diz que, para prevenir, é preciso denunciar


As mulheres são as maiores vítimas dos crimes passionais. Um levantamento feito nos últimos anos dos homicídios motivados por ciúmes ou traição que tiveram maior repercussão na imprensa mostra que os homens foram vítimas em 5 em 17 crimes da mesma natureza ocorridos na capital e no interior. O empresário Rildo José Brasão, de 41 anos, morto com cinco tiros (de 11 disparados) na manhã do dia 26 de outubro foi o sexto. Rildo foi morto pelo empresário Fernando da Rocha Nascimento, de 39 anos, horas depois da mulher dele lhe confessar ter tido um caso com a vítima.

Esse também é o motivo do assassinato dos outros homens vítimas de crime passional: um relacionamento amoroso com a mulher ou ex-mulher do autor. A exceção é o português Antônio Joaquim Ramos Tavares, 41 anos, morto a facadas este ano por Wellington Rangel, Wellington desconfiou que a vítima fosse amante de sua ex-mulher. Mas ele estava apenas hospedado na casa dela, segundo a polícia.

O empresário Fernando, que assumiu o assassinato de Rildo, poupou a mulher supostamente por causa dos filhos. Nem sempre isso acontece, porém. “Geralmente, o homem se volta contra a mulher”, afirma o psicólogo forense Leonardo Faria. Alguns matam os filhos também. No ano passado, Raimundo Ailon de Sousa Lemos matou a mulher Maria Divina Monteiro, 30 anos, e os filhos Welisson, Walina e Pedro Henrique, de 13, 12 e 3 anos, respectivamente, depois que Maria postou uma foto no seu perfil em uma rede social com um possível namorado.

Quando o marido traído direciona a raiva para a terceira pessoa é porque tem sentimentos pela companheira ou atribui a traição a uma causa externa, no caso, o amante, observa Faria. Em 2004, num dos casos de maior repercussão na capital, o tenente-coronel Davi Dantas matou o amante da mulher, o médico ortopedista Marcelo Pacheco de Brito. O fato de matar o amante pode ser interpretado como uma tentativa de proteger o amor ameaçado pela presença do outro, sugere o psicólogo Luiz Ronaldo Freitas de Oliveira, professor do curso de Psicologia da Faculdade Meridional de Passo Fundo (RS). “É uma defesa despertada pelo medo do abandono e do desamparo”, explica.

Os principais motivos que levam uma pessoa a matar outra, motivada pela traição ou suposta traição, é o ciúme relacionado ao controle sobre o outro, explica o professor que estuda os crimes passionais. Há outros fatores, como o medo do abandono. “As pessoas, excessivamente ciumentas podem tomar decisão baseada na forma distorcida como enxergam a realidade.”


Fonte: Jornal O Popular

0 comentários:

Postar um comentário

Twitter Facebook Favoritos

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Facebook Themes