quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Assassinatos de Campinas expressam cultura de violência contra as mulheres, diz agência da ONU


A ONU Mulheres manifestou nesta terça-feira (10) repúdio ao crime cometido em Campinas, interior de São Paulo, no primeiro dia do ano, quando o técnico de laboratório Sidnei de Araújo, de 46 anos, invadiu uma residência matando sua ex-mulher, seu filho de 8 anos e outras dez pessoas presentes no local, suicidando-se em seguida.

Segundo a Agência da ONU, tratou-se de um crime de violência de gênero, e não um caso isolado fruto de vingança pessoal. “São casos de machismo e misoginia, que expressam a cultura de violência à qual todas as mulheres estão submetidas diariamente no Brasil devido aos sentimentos de posse e desigualdades estruturais com base em gênero”, disse a entidade em nota assinada pela representante da ONU Mulheres Brasil, Nadine Gasman.

Leia abaixo a nota da ONU Mulheres na íntegra:

"Com pesar, a ONU Mulheres solidariza-se com as e os familiares das vítimas da tragédia de Campinas. E reitera o seu compromisso em defesa da Lei Maria da Penha, instrumento legal fundamental para a prevenção da violência contra as mulheres no Brasil.

É inadmissível que as mulheres continuem a ser barbaramente assassinadas e os crimes de ódio às mulheres sejam disseminados, vilipendiando a memória das vítimas com pretensos elementos de justificativa e de banalização dos assassinatos.

Não é possível considerar as violências de gênero, como as sofridas pelas mulheres em Campinas, como casos isolados ou fruto de vingança pessoal. Ao contrário, são casos de machismo e misoginia, que expressam a cultura de violência a qual todas as mulheres estão submetidas diariamente no Brasil devido aos sentimentos de posse e desigualdades estruturais com base em gênero.

Faz, ainda, o apelo público para que as autoridades responsáveis incorporem a perspectiva de gênero nos processos de investigação policial e criminal, conforme as Diretrizes Nacionais sobre Feminicídio para Investigar, Processar e Julgar com perspectiva de gênero as mortes violentas de mulheres, e apliquem a Lei do Feminicídio (Lei nº 13.104/2015).

As Diretrizes Nacionais contêm recomendações sobre elementos, técnicas e instrumentos práticos com uma abordagem intersetorial e multidisciplinar para ampliar as respostas necessárias durante investigações policiais, processos e julgamentos, para garantir e fortalecer as reparações às vítimas diretas, indiretas e seus familiares.

Por fim, a ONU Mulheres conclama as autoridades públicas de todo o país para investimentos concretos e transparentes em políticas públicas para as mulheres, especialmente as de enfrentamento à violência de gênero, por meio de orçamento apropriado, órgãos especializados, equipes qualificadas, resolutividade dos casos, notificação e sistematização de dados e indicadores com vistas ao controle social, sobretudo pelas organizações de mulheres e feministas, e a responsabilização de agressores.

Nadine Gasman
Representante da ONU Mulheres Brasil"


Fonte: Portal da ONU

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