segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Artigo - O que aprendemos com o Teste do Vestido e o estilo de Aline Riscado



Por: Marcela de Mingo*


Quem tem acesso à internet deve ter visto a polêmica envolvendo um desafio chamado Teste do Vestido. A ideia era simples: mandar para o namorado/marido uma imagem da apresentadora e atriz Aline Riscado usando um vestido bastante revelador e pedindo uma opinião a respeito.

Sabendo de antemão que vivemos em uma sociedade ainda extremamente machista e em que os homens acham que tem qualquer direito sobre o corpo da mulher, as reações foram, no mínimo, desesperadoras. O teste do vestido apenas provou que ainda temos um longo caminho a seguir na luta feminista e como é importante educarmos as pessoas sobre como o corpo da mulher é dela e apenas dela.


Aline Riscado é uma mulher maravilhosa que já tem mais de 5 milhões de seguidores no Instagram. Com uma carreira que está crescendo cada vez mais, ela tem também um estilo ousado e que não se justifica para ninguém: Aline usa o que tem vontade, e se sente sexy e confiante no próprio corpo. Um vestido como o desafio não só combina perfeitamente com o estilo dela, como também mostra como ela se sente confortável em mostrar as formas. E que isso não diz absolutamente nada sobre o seu caráter.

O pior, porém, foi perceber como o teste do vestido recebeu uma chuvarada de respostas machistas – algumas até extremamente preocupantes. Muitos namorados acabaram respondendo que jamais continuariam com alguém que usasse um vestido daqueles – alguns até fizeram ameaças de agressão física.



Outros até mesmo falaram que a namorada ia parecer ‘um pedaço de carne’ o que é extremamente contraditório. Ao mesmo tempo que homens desejam mulheres como Aline, que achem sexy quando essas mulheres vestem algo assim, eles não aceitam que as suas namoradas façam o mesmo, com a desculpa de que vão ficar desejáveis demais para o outros.

Ou seja, são dois pesos e duas medidas: seja uma puta na cama, mas uma puritana na hora de se vestir. Chame a minha atenção, mas não a dos outros. Seja desejável para mim, mas não para os outros. As mulheres ficam amarradas em uma eterna corda bamba, em um estado de ameaça constante, em que qualquer movimento errado pode lhe render um pé na bunda.



Fora que esse é um exemplo muito claro de como os homens acreditam que tem poder sobre o corpo feminino. Que ela ame a si mesma e o seu corpo longe deles, porque, caso contrário, ela pode ser vista como ‘um pedaço de carne’, ‘como puta’. Mais uma vez, o tanto que uma mulher expõe o seu próprio corpo e a roupa que ela escolhe tem um peso sobre o seu caráter.

O que aprendemos com o famigerado teste do vestido é que não existe nada de engraçado em um homem achar que manda em uma mulher e que pode definir o que ela veste ou deixa de vestir. Mais do que isso, muitos homens por aí ainda têm que aprender bastante sobre feminismo até entenderem que não têm o direito sobre o corpo de mulher nenhuma e que, acima de tudo, o choro é livre: toda mulher pode usar o que quiser – e ninguém tem nada que dar pitaco sobre isso.


* Marcela de Mingo é jornalista e porta-voz do Superla e escreve sobre temas sórdidos e super atuais relacionados ao universo feminino que a gente precisa saber para criar um mundo cada vez mais incrível para todas nós.


Fonte: Portal Superela

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