domingo, 29 de janeiro de 2017

Após 26 anos, Globo desiste de explorar nudez feminina e Globeleza surge vestida em nova vinheta


Em 2017, a Globeleza, ícone de carnaval da Rede Globo, representada pela dançarina e graduanda em Educação Física Erika Moura não é mais apresentada nua para apreciação do que seria o estereótipo de uma “mulata brasileira”. Dessa vez, ela veste roupas e ornamentos típicos de comemorações em diferentes regiões do país. Seu corpo agora se movimenta para além do samba e dança frevo, axé e outros ritmos.

Esta é a primeira mudança significativa desde a criação do conceito de musa do carnaval da Globo em 1991. Então, o que quer a emissora?

Não é de maneira inocente que apontamos esta mudança como significativa. Sabemos que a novidade não apaga da memória, tampouco perdoa, anos de grave objetificação do corpo da mulher negra na maior emissora do país. Também nunca esqueceremos os ataques racistas sofridos pela atriz e ex-Globeleza Nayara Justino por ser considerada “negra demais” para o papel (http://bit.ly/2j9DovG). Sabemos que nada é feito sem esperar retornos positivos da audiência, mas também que a Globo sempre se deu ao luxo de permanecer omissa à sua prévia tradição.

O mérito dessa mudança é das ativistas negras que, por anos, clamam novas e verdadeiras representações da mulher negra nos meios de comunicação, sabendo da responsabilidade de uma empresa como a Rede Globo em formar opinião e perpetuar estereótipos.

Como disseram a filósofa Djamila Ribeiro e a arquiteta e ativista negra Stephanie Ribeiro em um manifesto contra a imagem sexualizada da Globeleza, publicada na Revista AzMina no ano passado (http://bit.ly/2i8LjYs): “Não podemos mais naturalizar essas violências escamoteadas de cultura. A cultura é construída, portanto, os valores dela também o são. É preciso perceber o quanto a reificação desses papéis sulbalternos e exotificados para negras nega oportunidades para nós desempenharmos outros papéis e ocuparmos outros lugares. Não queremos protagonizar o imaginário do gringo que vem em busca de turismo sexual”.

Na terceira parte do nosso Minimanual de Jornalismo Humanizado, sobre racismo, um recorte de gênero fala sobre a representação da mulher negra na mídia e como quebrar tais papéis sulbalternos e exotificados, assim como, finalmente, fez a Rede Globo com a Globeleza: http://bit.ly/minimanual-parte3.

Na página da Globo no Facebook, onde o vídeo da vinheta também foi publicado, internautas elogiaram a mudança e muitos classificaram a nova postura da emissora como um avanço bastante representativo para as mulheres.



Fonte: Portal Think Olga / Portal Terra

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