terça-feira, 21 de junho de 2016

Semana da Diversidade - ações na UnB discutem temáticas LGBT


Cada vez mais a Universidade de Brasília abre espaços de debates sobre questões de gênero. Esta é a opinião da assistente social Ana Carolina Silvério, egressa da instituição e mediadora de uma das discussões que ocorrem na UnB durante a Semana da Diversidade LGBT. Haverá atividades entre segunda (20) e quinta-feira (23), abertas a todos interessados.

“Serão organizadas mesas de debate; rodas de conversa; cine-debate e oficina de cartazes para a II Parada de Orgulho LGBT na UnB”, descreve Thiago Magalhães, coordenador da Diretoria de Diversidade Sexual – LGBT da UnB.

Caetano Santo Lucio, estudante do 4º semestre de Engenharia de Software, no Gama, é membro da Comissão de Gestão e Monitoramento do Programa de Combate à LGBTfobia na UnB, que organiza a Semana junto com a Diretoria de Diversidade (DIV/DAC). O estudante comenta que os eventos envolvem todos os campi. “Não tem como centralizar quando a pluralidade está espalhada na Universidade”, destaca. “A Semana é importante para que a comunidade tenha reconhecimento e visibilidade, além de promover empoderamento das pessoas LGBT dentro da UnB”, afirma.


Parada

Um dos pontos altos da Semana será a II Parada de Orgulho LGBT na UnB, na quinta-feira (23), das 12h às 14h, no Teatro de Arena, no campus Darcy Ribeiro. "As Paradas LGBT são importantes eventos de afirmação, conscientização e comemoração. Embora pioneira e defensora das pautas inerentes aos direitos humanos de populações historicamente oprimidas, a UnB ainda reproduz toda forma de opressão que se observa na sociedade. Nossa Parada tem ainda a missão de resgatar e fomentar esse espaço de conscientização e discussão, próprio da comunidade acadêmica. Por isso, além da Parada, teremos a Semana da Diversidade LGBT, com eventos que discutem questões importantes para a população LGBT", reforça o coordenador da Diretoria de Diversidade.

O tema Estado Laico e Democracia permeará as atividades deste ano. "A questão é atual e está diretamente relacionada aos visíveis retrocessos na agenda de direitos sociais e ao crescimento do fundamentalismo religioso no nosso país", explica Magalhães.


“Desabapho”

A professora de psicologia da UnB Tatiana Lionço será uma das mediadoras dos “desaBAPHOS”, rodas de conversa realizadas nos campi da UnB. Trata-se da primeira ação de uma proposta de programa de extensão da psicóloga, o Escuta Diversa, que pretende servir como sistema de acolhimento para a comunidade LGBT. A ideia é que as pessoas compartilhem suas vivências, experiências de violações de direitos, relacionamento com família e comunidade. A professora explica que as rodas de conversa estão estabelecidas com base em tripé de integração entre Psicologia, Serviço Social e Direito.

“A ideia é que os próprios participantes sejam protagonistas do 'desaBAPHO', participando com sugestões e soluções”, comenta. Junto com Lionço, estão a professora Lívia Barbosa, do curso de Serviço Social; estudantes de graduação e pós-graduação de Psicologia e membros do programa de extensão (R)Existir - Núcleo LGBT Interdisciplinar, que realiza trabalho acerca questões jurídicas que envolvem a comunidade LGBT.

“Estaremos lá, basicamente, como mediadores. Além disso, caso haja identificação de conflitos, iremos encaminhar para a administração da Universidade”, conta. “A Semana da Diversidade LGBT é uma forma de implementação do Programa de Enfrentamento à LGBTfobia que já foi institucionalizado pela UnB. Trata-se de uma perspectiva preventiva e educativa. É,também, um oportunidade para a comunidade LGBT encontrar novos aliados”, diz.

Lionço, que participou da construção da normativa do Processo Transexualizador do Sistema Único de Saúde (SUS), também estará na mesa de debate sobre Fundamentalismo Religioso e Retrocesso na Agenda de Direitos Sociais - LGBT, Mulheres, Negros e Indígenas, que ocorrerá na terça-feira, no anfiteatro 10, no ICC. Ana Carolina Silvério, coordenadora do Centro de Referência da Diversidade Sexual, Religiosa e Racial da Secretaria de Estado de Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos (Sedestmidh-DF), também participará da mesa de debate. Para ela, a Semana da Diversidade é importante para dar visibilidade para os casos de violência LGBTfóbicas. “As pessoas LGBT existem, precisam ser respeitadas e ter os direitos garantidos. Precisamos fazer enfrentamento de ideologias que são câncer da nossa sociedade, como o machismo, a LGBTfobia, a misoginia e o racismo”, afirma.

Silvério se graduou na UnB em 2009 e avalia que, ao longo dos anos, a diversidade tem tido mais espaço na instituição. “Vejo a UnB muito mais colorida hoje. Na minha época, via as pessoas mais no ‘armário’, era uma comunidade muito mais LGBTfóbica. Vejo o surgimento de coletivos da sociedade civil que se fortalecem e lutam pelos diretos LGBT e fazem com que pessoas se sintam incluídas" encerra.


Programação:

Segunda-feira
desaBAPHO na Faculdade UnB Planaltina (FUP)
Hora: 12h

Terça-feira
Mesa de debate: Fundamentalismo religioso e retrocesso na agenda de Direitos Sociais - LGBT, Mulheres, Negros e Indígenas
Local: Anfiteatro 10, ICC, campus Darcy Ribeiro
Hora: 12h

desaBAPHO na Faculdade UnB Gama (FGA)
Hora: 12h

Roda de conversa: Autoras do livro Notícias de Homofobia no Brasil - distribuição gratuita do livro
Local: Anfiteatro 10, ICC, campus Darcy Ribeiro
Horário: 17h

Quarta-feira
Mesa de debate: Família LGBT - roda de conversa (Mães pela Diversidade)
Local: Faculdade UnB Gama (FGA)
Horário: 11h

Mesa de debate: Estado Laico, Saúde e Garantias de Direitos
Local: Auditório da Unidade de Ensino e Docência (UED), Faculdade UnB Ceilândia (FCE)
Horário: 12h

"Eu (R)Existo": cine-debate sobre o filme "Bichas"
RExistir - Núcleo LGBT Interdisciplinar.
Local: Auditório Joaquim Nabuco, Faculdade de Direito, campus Darcy Ribeiro
Hora: 19h

Quinta-feira
Oficina de Cartazes
Local: Ceubinho, ICC, campus Darcy Ribeiro
Hora: 10h

II Parada do Orgulho LGBT da UnB - Estado Laico e Democracia
Local: Teatro de Arena, campus Darcy Ribeiro
Hora: 12h

desaBAPHO no Darcy
Local: Concha Acústica do Instituto de Artes (IdA), campus Darcy Ribeiro
Hora: 14h (após a Parada)


Fonte: Portal da Universidade de Brasília - UnB

Homofobia pode ser reação de desejo retraído pelo mesmo sexo, diz estudo


Estudo conduzido por universidades americanas e britânicas sugere que a homofobia é mais comum em indivíduos que possuem desejos retraídos pelo mesmo sexo. Tal preconceito cresce ainda por culpa de pais autoritários que reprimem tais desejos, diz a pesquisa publicada na edição de abril do periódico Journal of Personality and Social Psychology.

Os pesquisadores – que são das universidades de Rochester e da Califórnia, nos Estados Unidos, e da Universidade de Essex, na Inglaterra – realizaram quatro experimentos diferentes, cada um envolvendo uma média de 160 estudantes universitários alemães e americanos. A fim de analisar a atração sexual implícita e explícita dos participantes, os cientistas mediram as diferenças entre o que eles diziam sobre sua orientação sexual e como eles regiam em determinadas tarefas.

Os dois primeiros experimentos tinham o intuito de avaliar a atração sexual implícita dos jovens. Para isso, eles tiveram que classificar algumas palavras e imagens exibidas em uma tela de computador como “gay” ou “heterossexual”. Foram também instigados a buscar livremente fotos de pessoas do mesmo sexo ou do sexo oposto.

Já nos dois últimos testes, os cientistas aplicaram questionários que fizeram um diagnóstico do tipo de criação familiar dos participantes, além de suas orientações, crenças e opiniões políticas. Foi medido, por exemplo, o grau de homofobia existente dentro de casa, com indagações do tipo: “Seria assustador para minha mãe descobrir que esteve sozinha com uma mulher homossexual”.

Em todos os experimentos, jovens que cresceram em um ambiente familiar de repressão apresentaram grandes divergências entre o que declararam ser sua orientação sexual e o que foi observado pelos cientistas nos testes de atração sexual enrustida. Além disso, os indivíduos que se declararam heterossexuais, mas não demonstraram isso implicitamente, eram mais propensos a reagir com hostilidade a outros gays.

Segundo os cientistas, os homofóbicos são geralmente pessoas que estão em guerra com elas mesmas e acabam externando esses conflitos. Para os pesquisadores, os homossexuais que vivem em casas controladoras sentem medo de perder o amor e a aprovação dos pais caso admitam atração pelo mesmo sexo, por isso negam ou reprimem a si mesmos este desejo. Ou seja, de acordo com a pesquisa, a homofobia e a agressividade podem ser reação de quem se identifica com o grupo, mas não aceita o fato.


Fonte: Revista Época

Dados do Disque 100 mostram que mais de 80% dos casos de violência contra idosos acontece dentro de casa


O Disque 100, canal da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos responsável pelo recebimento de denúncias de violações de direitos, registrou 12.454 denúncias de violência contra a pessoa idosa nos quatro primeiros meses de 2016 (de janeiro a abril). Os dados, divulgados no Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, mostram que a maior parte das violações acontece dentro da casa das vítimas, cometida por filhos, netos ou outros familiares. Comparado ao mesmo período do ano anterior, o número de denúncias cresceu 20,54%.

"Essas violações acontecem principalmente com os idosos mais dependentes de cuidados, os indefesos, que não têm mobilidade, não só para sair de casa, mas também de reclamar ou denunciar. Esses são os que sofrem mais", afirma o presidente do Conselho Nacional de Direitos do Idoso (CNDI), Luiz Legñani. Ele destaca, ainda, que a data é importante para criar uma consciência sobre o assunto, que não pode ser tratado como normal. "Precisamos criar a consciência de que o idoso precisa ser respeitado e valorizado, bem tratado e bem cuidado. Diante de uma sociedade que prega individualidade, consumismo e isolamento, o idoso acaba ficando deslocado em sua necessidade de conversar e ter companhia", explica.

Os dados revelam, ainda, que as violações mais comuns são a negligência, a violência física ou psicológica e o abuso financeiro e econômico, também chamado de violência patrimonial. Os estados com maior número de denúncias são São Paulo (2820), Rio de Janeiro (1699) e Minas Gerais (1116).


Políticas públicas para a pessoa idosa


O presidente do CNDI afirma ainda que o Brasil pode ser considerado referência em termos de legislação e políticas públicas para o idoso, como a Política Nacional dos Direitos do Idoso e o Estatuto do Idoso. Iniciativas como a Cidade Madura (João Pessoa, PB) e o Centro Dia para idosos fazem parte deste quadro de referência, que ainda precisaria ser expandido para beneficiar um número maior de pessoas.

No entanto, ele avalia que essas políticas ainda não chegam de maneira satisfatória ao público direcionado. Legñani aponta grandes dificuldades, por exemplo, na manutenção do sustento financeiro. "Quando o trabalhador está na ativa, sempre tem alguns benefícios, uma cesta básica, auxílios para transporte, planos de saúde. Muitas empresas conseguem viabilizar esses benefícios e os trabalhadores também. Mas, quando a pessoa se aposenta, tudo isso acaba. Além disso, ele é atingido pelo fator previdenciário, que diminui os benefícios”, explica.

Esta realidade coloca a pessoa idosa em situação vulnerável para um tipo específico de violação: o abuso financeiro e econômico. Isso acontece quando, pela dificuldade da pessoa idosa em gerenciar seu próprio patrimônio, um parente ou pessoa próxima consegue se apropriar indevidamente de salário ou benefício recebido. Neste primeiro quadrimestre de 2016, este tipo de violação representa quase 39% dos casos denunciados, com 4.840 ocorrências.


Fonte: Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República - SDH/PR

Violência sexual também afeta gênero masculino


Mesmo em número bem menor que as mulheres, meninos, adolescentes e homens adultos também são vítimas de violência sexual. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Goiânia de 2009 e 2015, 396 pessoas do sexo masculino foram atendidas em unidades da pasta após terem sofrido algum tipo de abuso sexual.

O maior número de casos registrados é de meninos de cinco a nove anos. Na secretaria, foram atendidos 154 no período em questão. Entre os homens adultos, de 20 a 80, foram realizados 36 atendimentos de 2009 a 2015. A psicóloga e coordenadora do programa de atendimento a vítimas de violência sexual da SMS, Railda Martins, explica que a reação de homens e mulheres diante da situação é parecida.

Railda afirma que os abusos sexuais também acontecem da mesma forma com pessoas de ambos os sexos. “Quando são crianças e adolescentes, a pessoa que pratica o crime é próxima e geralmente acontece dentro da casa da criança. Entre os adultos, existe também o ataque na rua, que leva a violência física e sexual”, afirma Railda. Mas a psicóloga reitera que “ainda assim, o grupo mais vulnerável são mulheres, crianças e adolescentes”.


Denúncia

O ambiente machista das delegacias e o atendimento voltado para mulheres nos hospitais faz com que a denúncia e a procura por suporte médico seja mais um momento complicado para homens adultos que sofrem violência sexual. A coordenadora do Ambulatório de Apoio a Vítimas de Violência Sexual (AAVVS) do Hospital Materno Infantil (HMI), Marce Divina, compara a reação de qualquer pessoa que sofre violência sexual como a de alguém que passou por um acidente grave.

Em caso de ataque - estupro agudo praticado por desconhecido na rua – os médicos oferecem à vítima o coquetel contra doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). “Esse atendimento é feito da mesma forma para o homem e para a mulher”. Assim como as estatísticas de violência contra a mulheres são consideradas baixas em relação ao número real de casos por causa das poucas denúncias, os homens também denunciam pouco. Marce acredita que de cem homens que sofre este tipo de abuso, apenas dez denunciam. É a mesma proporção usada para mulheres.

Saúde

Vítimas de violência sexual podem procurar atendimento no Hospital Materno Infantil e no Hospital e Maternidade Dona Iris, que são unidades de referência em Goiânia. Uma portaria publicada em 2013 pelo Ministério da Saúde (MS) determinou que o Sistema Único de Saúde (SUS) deve prestar atendimento integral a todas as pessoas vítimas de abuso sexual.

Marce afirma que em casos de ataque, muitas famílias questionam sobre a possibilidade de a pessoa mudar a orientação sexual. “Não existe relação nenhuma. É um trauma profundo e a procura pelo hospital é importante para receber todo tipo de amparo e tirar dúvidas como esta”, diz a coordenadora.

Medicação

“Cada pessoa tem um tipo de reação. Algumas ficam isoladas, caladas, outras vão lamentar, chorar, não diferencia de nada do comportamento diante de um acidente”, diz Marce. Para acompanhar o momento de estresse agudo, que pode trazer diversas reações emocionais, a vítima conta com equipe multidisciplinar no HMI, com enfermeira, médico, psicólogo e assistente social.

“Principalmente em casos de ataque por desconhecido, é preciso procurar ajuda médica em até 72 horas, para evitar o contágio por alguma DST”, lembra a coordenadora. No caso do HMDI, o ambulatório funciona das 8 às 12h, de segunda a sexta-feira, mas a vítima pode procurar a maternidade, no serviço de emergência, todos os dias.


Fonte: Jornal O Hoje

8 em cada 10 homens não dividem tarefas domésticas com parceiras


Segunda década do século 21. E, infelizmente, o peso da responsabilidade de cuidar das tarefas domésticas ainda continua sobre as mulheres.

É o que mostra uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (15) pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).

De acordo com o levantamento, 57,5% das mulheres casadas ou em união estável afirmam que são as principais responsáveis pelos cuidados com a casa e com os filhos. 36,4% dizem que as responsabilidades são distribuídas igualmente e apenas 1,4% afirmam que o marido é o principal responsável.

Em relação especificamente aos afazeres domésticos, como arrumar a casa, passar a roupa, lavar a louça, entre outros afazeres, 70,8% das mulheres dizem ser as principais encarregadas. E entre as mulheres casadas, esse percentual avança para 80,8%.

Entre as tarefas domésticas listadas na pesquisa, apenas uma é apontada com a predominância de responsabilidade masculina (77,4%): pequenos consertos e reparos, como troca de lâmpadas e desentupimento de pias.


Falta diálogo?

A pesquisa também mostra que 25,4% das mulheres casadas que se sentem sobrecarregadas com as responsabilidades da casa já conversaram com o marido sobre o assunto, mas nada mudou. Já 11,4% afirmam que, depois de conversarem com o marido, ele discordou que as tarefas deveriam ser divididas.

Entre as mulheres entrevistadas, 17,6% disseram se sentir receosas em tocar no assunto e causar uma briga e 22,3% acreditam que a responsabilidade das tarefas domésticas é mesmo da mulher.

O cenário não melhora quando se trata dos cuidados dos filhos. O levantamento mostra que 63,3% das mulheres afirmam que são as principais encarregadas de cuidar dos filhos. Apenas 16% dizem que essa tarefa é de fato dividida. E somente 0,3% dessas atividades são exercidas pelo marido.

A porcentagem se mostra discrepante também para a quantidade de tempo gasto nos cuidados dos filhos: 71,1% das mulheres passam a maior parte do dia voltadas a essa atividade.

Para as mães que trabalham fora, os maridos aparecem apenas na sétima posição como responsáveis pelas crianças, com 1,1%. Em primeiro lugar estão os avós (10,6%), em seguida a creche (2,9%), escola em tempo integral (2,2%) e outro parente (1,7%).

A pesquisa ouviu 810 mulheres com idade igual ou superior a 18 anos, de todas as classes sociais em todas as capitais e no interior do Brasil e de diversas ocupações. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais, e o intervalo de confiança é de 95%.


Fonte: Portal Huffpost Brasil (EUA)

Após ato racista e homofóbico, UnB condena ofensas e vai apurar caso


A reitoria da Universidade de Brasília (UnB) manifestou hoje (20) repúdio ao protesto ocorrido no campus da universidade na noite sexta-feira (17) em que estudantes foram alvo de ofensas homofóbicas e racistas. Em nota, a reitoria informou que atos de natureza agressiva são devidamente apurados e que continuará o trabalho incessante de promoção de ações de tolerância, respeito e não violência na UnB.

“A reitoria da Universidade de Brasília reitera a postura de respeito ao direito à diversidade nos seus quatro campi e repudia qualquer ato de intolerância e de agressão”, informou a universidade. E acrescentou: “As ocorrências de natureza agressiva e intolerantes são devidamente apuradas e, quando se trata de ações que extrapolam a alçada administrativa da universidade, os órgãos competentes são acionados.”


Como foi

Na noite de sexta-feira (17), estudantes da UnB foram alvo de uma manifestação de um grupo classificado como de “extrema direita”. De acordo com a ocorrência policial registrada por alunos e vídeo publicado nas redes sociais, cerca de 15 manifestantes entraram no Instituto Central de Ciências (ICC) da universidade com megafone e bandeiras do Brasil, gritando palavras preconceituosas contra os estudantes, como insultos racistas e homofóbicos.

No vídeo publicado na internet, os manifestantes gritavam: “vai ter que estudar”, “não vai ter greve”, “maconheiros”, "cotistas golpistas não passarão", além de frases homofóbicas.

A reitoria da UnB informou que uma pessoa teria disparado um rojão do lado de fora do ICC e que houve discussão verbal entre o grupo e alguns alunos. Segundo a UnB, aparentemente os manifestantes eram pessoas que não fazem parte da comunidade acadêmica.

Segundo a nota da reitoria, a segurança do campus foi acionada e retirou o grupo sem a necessidade do uso de força ou de violência. Relata também que, até o momento, não chegou ao conhecimento da administração superior qualquer ocorrência de agressão física.

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UnB também divulgou nota de repúdio ao ato de “violência e intolerância”.

A Polícia Civil do Distrito Federal investiga o caso. O grupo foi denunciado por dois estudantes, de 19 e 21 anos, que compareceram à 2ª Delegacia de Polícia e registraram boletim de ocorrência por injúria.


Denúncia

O assessor de comunicação, George Marques, informou que protocolou uma denúncia no Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) contra Kelly Cardoso, uma das pessoas apontadas como organizadora da manifestação na UnB. “Questionei ao órgão se a atitude implica em ação de terrorismo”, explicou Marques em sua página do Facebook.

A manifestação teria sido convocada pela ativista conhecida como Kelly Bolsonaro. No último dia 9, Kelly postou uma mensagem no Facebook convocando interessados em fazer uma manifestação na universidade. “Tem alguém daqui de bsb a fim de participar de uma ação na UNB?? :) #‎opressão ”, diz a mensagem.

A manifestação ocorreu dias depois que professores da Associação dos Docentes da Universidade de Brasília sugeriram levar ao congresso do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) uma proposta de greve na universidade, a partir do segundo semestre, até que a presidenta afastada Dilma Rousseff volte ao governo.


Fonte: Agência Brasil

Após polêmica, quatro livros deixam de ser usados em prova


Quatro das obras criticadas por vereadores e pais de alunos na polêmica sobre os kits de livros distribuídos na rede municipal de ensino de Taubaté não serão utilizadas para provas.

A promessa foi feita ontem pela secretária de Educação, Edna Chamon, após reunião pública na Câmara, que durou cinco horas.
Integram a lista os livros: “O Livro da Com-Fusão Brasil”, de Ilan Brenman e Fê, a ser trabalhado no 1º ano do ensino fundamental; o “ABC Doido”, de Angela Lago, para o 3º ano; “Terríveis Romanos”, de Terry Deary, para o 7º ano; e “Góticos”, de autores diversos, para o 8º ano.
A decisão, tomada a pedido dos vereadores, tem como objetivo possibilitar que as crianças que não lerem os livros não sejam prejudicadas em suas notas.
“Acho que isso não é o que os pais queriam, mas já é um alívio. Vão poder decidir se o filho vai ou não ler o livro”, disse o vereador Carlos Peixoto (PMDB), presidente da Câmara.
Segundo Edna, dois dos livros -- “O Livro da Com-Fusão Brasil” e o “ABC Doido” -- já não deveriam ser utilizados em provas, pois são para alunos muito novos. Os dois outros serão apenas discutidos em sala de aula, mas sem uso em avaliações. “Foi um compromisso que assumi”.
O acordo serviu para apaziguar os ânimos após uma reunião tensa, mas não agradou o vereador Noilton Ramos (PSD), autor do requerimento que pediu a convocação da secretária.
O parlamentar, que integra a bancada religiosa, quer que os livros sejam recolhidos.
“Não vou aceitar [o acordo] e vou continuar contrário. Eu não acredito que esses livros sejam para formar cidadãos de excelência”, disse.

Polêmica

Na semana passada, vereadores e pais de alunos criticaram trechos dos livros. No “ABC Doido”, por exemplo, a letra T é ensinada como inicial da palavra tridente, e há o desenho de um diabo.
Já no “Terríveis Romanos”, há um ‘guia’ para fazer sacrifícios com animais.
Na reunião de ontem, a maioria dos vereadores usou a tribuna para criticar as obras.
“Muitos livros são bons, mas alguns eu, como mãe, não daria para meus filhos”, disse Maria das Graças, a Graça (PSB). “O produto não é adequado para crianças”, afirmou Nunes Coelho (PRB).
Já Edna defendeu a aquisição dos 32.896 kits, que custaram R$ 9,33 milhões, e foram distribuídos a alunos do 1º ao 9º ano do ensino fundamental e também para estudantes do ensino médio e EJA (Educação de Jovens e Adultos).
“Literatura sempre será matéria controversa. Devemos e vamos ouvir os pais, respeitando valores e crenças, mas não privando as crianças do conhecimento”, alegou. A cada fala de Edna, professores, assessores e secretários municipais, que lotaram a galeria da Câmara, aplaudiam. Cada kit é formado por oito títulos, que variam de acordo com a faixa etária.


Entrevista com a escritora Ângela Lago

Alguns vereadores e pais de alunos de Taubaté pedem que um livro escrito pela senhora, “ABC Doido”, não seja lido por crianças. Como a senhora reagiu a essa polêmica?A minha impressão é que temos em Taubaté um movimento muito interessante a favor da literatura, e que isso é um fato isolado provavelmente de um número de pessoas não significativo.

O livro, escrito há quase 15 anos, já ganhou vários prêmios, como o Jabuti, por ser considerado o melhor livro infantil juvenil de 2000. É a primeira vez que ele é citado em uma polêmica dessas?É a primeira vez que isso ocorreu, por isso mesmo considero um fato isolado. É um livro muito aceito, que já vendeu muito, foi premiado pela Câmara Brasileira do Livro e já tem uma versão na internet, em um trabalho gratuito para as crianças.

Vereadores e pais de alunos consideraram o livro inapropriado para crianças pois, em um de seus trechos, cita que a letra T é a inicial da palavra tridente e traz um desenho do diabo. Como a senhora vê isso?O personagem do diabo não é de uma religião específica, mas é um arquétipo de toda literatura.
Se forem banir o diabo, vamos perder “Fausto”, de \[Johann Wolfgang von\] Goethe, vamos perder livros do Guimarães Rosa, contos do Machado de Assis, como “A Igreja do Diabo”. Isso não tem nenhum senso. Houve uma leitura errônea. Na verdade, meu diabinho é uma figura de ironia. Não estou fazendo uma apologia a ele, mas uma ironia. Quando ele fala ‘cruz não’, é porque ele tem medo da cruz. Ele está diante de um poder que sabe ser maior que o dele. Acredito que a crítica tenha sido resultado de uma leitura apressada, provavelmente de pessoas que não pararam para refletir sobre ela.

A senhora considera o livro seja inapropriado para alguma faixa etária?
De maneira nenhuma. O diabo, enquanto personagem, é uma figura interessante, pois sempre acaba perdendo. É muito adequado para a criança refletir sobre o lugar do mal. No caso, ele sempre sofre castigo, sempre perde. É necessário reflexão sobre os temas, e não afastamento.

Vereadores e pais de alunos pedem que os livros sejam recolhidos. Acha que isso é correto?
Nós estamos em uma época em que queimas de livros não fariam nenhum sentido. Acredito que a maioria da população de Taubaté não vai deixar isso ocorrer, pois é uma cidade progressista.

A senhora teria algum recado para as pessoas que fizeram essas críticas a sua obra?
Não preciso falar nada, pois eu acho que eles vão cair em si sozinhos. No século em que nós estamos, não temos que recomeçar movimentos como a censura a livros, que nunca fizeram bem nenhum à sociedade.


Fonte: Jornal O Vale

Onze coisas que as mulheres não aguentam mais ouvir no Brasil (e por quê)


Enquanto o país tenta entender por que registra 50 mil estupros por ano, discute-se o impacto negativo do machismo e de pequenos gestos cotidianos que alimentam essa cultura.

A jornalista Brenda Fucuta é uma observadora atenta das questões femininas contemporâneas. Dirigiu algumas das principais revistas femininas do país e edita o site Mulheres Incríveis, que traz conversas com executivas de grandes empresas e jovens ativistas do feminismo brasileiro.

De olho na nova agenda do empoderamento feminino, Brenda mostra como certos conceitos e expressões legitimam uma suposta superioridade natural dos homens. Nesse sentido, defende a necessidade de todos (e todas) reaprenderem a olhar e se relacionar com as mulheres.

Baseada em suas conversas com mulheres inspiradoras e na própria experiência no mundo corporativo, a jornalista selecionou e classificou frases, do assédio de rua ao machismo inconsciente, que mulheres não aceitam e não deveriam mais ouvir.


Cantadas de rua

Assobios, buzinadas, olhares, comentários: diariamente, mulheres se veem obrigadas a enfrentar o assédio sexual em espaços públicos. Interações de teor obsceno, sem consentimento, que se impõem como naturais, mas estão longe disso. Exemplos:

"Por que uma menina bonita como você está sem namorado?"

"Eu levaria você para casa."


Para Brenda, a abordagem pode às vezes nem ser agressiva, mas nem por isso é menos desrespeitosa.

"Há homens que não entendem que as meninas querem andar sem ser perturbadas, como os homens também querem. É um desrespeito a uma situação: estou andando, pensando, falando ao celular, não quero ser incomodada."

No caso das cantadas agressivas, avalia Brenda, são "abusos sexuais falados" que buscam demonstrar poder e intimidar a mulher.

"Fazem parte de uma cultura, essa tal cultura do estupro, porque é como se fosse autorizado aos homens falar, tocar e se apropriar do corpo das mulheres de uma forma que as mulheres não fazem com os homens."

A jornalista destaca como a campanha "Chega de Fiu-Fiu", lançada em 2013 pela ONG feminista Think Olga, ajudou a "despertar a sociedade para um assunto que estava velado". "Foi uma grande conquista para a percepção do lugar da mulher na sociedade, porque dávamos pouca atenção a isso."


Frases de orgulho machista

Ditas por homens e também por mulheres, são frases que pressupõem um lugar inferior para a mulher na sociedade.

Incluem desde brincadeiras aparentemente inofensivas sobre o desempenho feminino no trânsito até comentários a respeito da menina que se veste de modo "a não se dar o devido respeito":

"Por que mulheres são contra as cantadas? Não gostam de um elogio?"

"Muito bem, já pode casar".


"Se sai assim (na rua ou na balada) é porque quer. Mulher que se respeita não é estuprada."



Machistas em negação

Outra categoria de frase que não cabe mais na nova etiqueta de gênero, afirma Brenda, é aquela que definiu como "machista em negação": sugere compreensão mas logo revela preconceito.

"São aqueles ou aquelas que sempre começam, ao debater o tema das conquistas femininas, com a seguinte frase: 'Não sou machista, mas...' ou 'Não tenho nada contra o feminismo, mas...', e depois já emendam uma ideia preconceituosa disfarçada ", afirma.

São expressões como:

"Mas vocês não acham que estão exagerando agora? O que mais vocês têm para conquistar?" (a resposta, diz Brenda, é múltipla: direito a não apanhar do marido, a ganhar os mesmos salários dos homens, a dividir o trabalho de casa com homens, a não ser interrompida ao falar, a andar como quiser nas ruas).

"Mas vocês falam em violência contra a mulher, mas e a violência contra os homens?" Sobre isso, Brenda lembra que homens são, de fato, as maiores vítimas de homicídio no Brasil, mas o agressor é quase sempre homem nos casos contra homens e mulheres.

"Mas por que as feministas odeiam os homens?"

Machismo inconsciente (ou 'O machista que se acha feminista')

Uma pesquisa do Instituto Ethos mostrou que em 2010 mulheres ocupavam apenas 13% dos cargos de nível executivo e sênior nas 500 maiores empresas do Brasil. Em 2014, revelou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), as mulheres receberam, em média, 74% da renda dos homens.

Nesse sentido, Brenda questiona o uso de frases que aponta como comuns no mundo corporativo e que denotam uma espécie de machismo inconsciente. Colocações como:

"Acredito na meritocracia. Se a mulher é competente, ela chega lá."

"Não há machismo nessa empresa. Você, por exemplo, tem um salário maior do que muitos colegas homens."

"Sou muito a favor das mulheres e do feminismo. Em casa, por exemplo, são minhas filhas e esposa que mandam em mim."


Para a jornalista, são afirmações que não fazem sentido quando são confrontadas com dados de disparidade de gênero em cargos de chefia e salários.

"As mesmas pesquisas que apontam a falta de mulheres em cargos de direção apontam que no nível inicial do trabalho a proporção de mulheres é até ligeiramente maior. Por esse raciocínio, então, as mulheres não ocupam o alto da hierarquia porque são incompetentes ou não merecem, o que não faz sentido, porque hoje no Brasil as mulheres têm até mais escolaridade do que os homens", afirma.

Brenda diz ver esse tipo de expressão como "campeã do machismo", por revelar desconhecimento do que seja feminismo e do papel da mulher na sociedade no século 21. "Essas frases de machismo inconsciente podem ser até mais perigosas, porque as pessoas acreditam nelas".

"Uma vez ouvi o presidente de uma grande empresa, em um evento de empoderamento de mulheres, dizendo que era super comprometido com a causa até porque quem mandava nele em casa eram mulheres. Quando diz isso, volta a colocar a mulher em um lugar ultrapassado, de submissão, em casa novamente."


Feminismo e desinformação

A editora do site Mulheres Incríveis diz acreditar que ainda exista muita incompreensão, inclusive entre mulheres, sobre o que seja o feminismo.

Como no caso de mulheres que dizem não ser feministas porque "defendem a diferença entre homens e mulheres" ou porque "acreditam na convivência pacífica entre homens e mulheres".

Segundo ela, nenhuma corrente do chamado novo feminismo defende a anulação das diferenças entre homem e mulher. "O que esses movimentos pretendem é a busca de direitos sociais iguais."

Brenda identifica a persistência de "mal-entendidos" em torno do conceito de feminismo - "palavra forte e ainda carregada de preconceito". Cita o exemplo de executivas de sucesso que, embora tenham postura feminista, rejeitam o "selo" de feminista.

"Vivemos um momento de transição em relação a direitos humanos, diversidade, inclusão de minorias. Ainda bem, senão ninguém falava sobre isso. Aí, quando a gente fala, parte da população se sente ameaçada e nem mesmo sabe por quê. Sente-se acuada, com medo de perder coisas. E aí começa a criar uma reação em cima de mal-entendidos e, em geral, por falta de conhecimento."

Brenda afirma conceber e praticar o feminismo como um "exercício de transformação da sociedade para um jeito mais libertador de convivência, não julgador".

Nesse sentido, afirma que o debate motivado pelos casos recentes de estupro coletivo no Brasil é positivo por "jogar luz numa ferida social que não gostamos de comentar".

Para ela, sem minimizar os episódios de estupro coletivo, é preciso avançar a discussão para o abuso sexual que ocorre dentro das casas e no entorno das vítimas, que compõe a maioria dos registros.

"Isso é muito sério e deve ser combatido, mesmo que seja ativismo de sofá, pegar a moldura do Facebook (contra a cultura do estupro) e reproduzir. Essa é a grande próxima etapa, encarar essa questão delicada sobre a qual ninguém quer falar, mas precisa ser iluminada".


Fonte: Jornal BBC Brasil (Reino Unido)

Casos de abuso e exploração sexual de crianças aumentam 9% no Amazonas


O Amazonas registrou 85 casos de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes nos primeiros quatro meses de 2016. O número levantado é um aumento de 9% na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo informações da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas. Em 2015 foram registrados 757 casos de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes no estado. A maioria, 511, foi vítima de estupro.

Nesta semana em Manaus, a agressão e a violência sexual contra um bebê de um ano e quatro meses gerou comoção na capital amazonense. O menino está com hematomas em todo o corpo provocados por mordidas, inclusive nos órgãos genitais. Um adolescente de 17 anos, namorado da mãe da criança, confessou o crime. Ele foi apreendido. A mulher, que tem 22 anos, foi presa por omissão.

Outro caso de violência e abuso sexual também ganhou repercussão em Manaus. Uma menina de 7 anos desapareceu na porta de casa. Três dias depois o corpo dela foi encontrado enterrado no quintal de uma residência vizinha. O acusado do assassinato morava no local e era conhecido da família. Ele também foi preso.


Familiares ou conhecidos

Segundo a delegada Juliana Tuma, crimes como esses são registrados todos os dias na Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente. A maioria deles é cometido por familiares ou pessoas próximas às vítimas. “Geralmente o agressor, independentemente do crime, no que pertine a crianças e adolescentes, é alguém de confiança e de relação de dependência emocional com a vítima. Às vezes, o agressor não tem só a confiança da vítima, mas a confiança dos pais para isso”, disse a delegada.

Para a psicóloga Dilza Santos, é importante que pais ou responsáveis fiquem atentos aos sinais que podem indicar a ocorrência desses crimes. Um deles é a mudança de comportamento. “O primeiro traço forte que a criança dá é o isolamento. Aquela criança que brincava sempre, tava sempre sorrindo e agora está quietinha, não quer brincar com ninguém. Eu toco nela e ela fica assustada, não me olha mais nos olhos. Você percebe uma tristeza muito grande, ela quase não fala, tem problema de insônia. Observar também quando tiver fazendo a higiene dessa criança se tem dor, se tem marcas”, disse.


Apoio psicológico

De acordo com a psicóloga, as crianças vítimas desses crimes precisam receber atendimento psicológico, inclusive as que ainda são muito pequenas, como é o caso do bebê de um ano e quatro meses. “Mesmo que essa criança se desenvolva, vá ter uma infância com uma família que vai dar carinho para ela, de alguma forma lá na frente esse trauma vai ser manifesto. Aí cabe a um profissional ficar acompanhando essa vítima, para que observe o comportamento dela. De repente, podem surgir fobias de algo que relembre esse fato, esse momento de dor que ela passou”, diz a psicóloga.

O conselheiro tutelar Marcos Lima, que acompanha o bebê citado na reportagem, reforça a importância das denúncias para o combate a esses crimes. “Existe, no nosso ponto de vista, muitas pessoas que ainda tem muito receio, um pouco de cuidado de denunciar. O que nós pedimos é que as pessoas tenham um pouco de confiança nas instituições, porque com uma simples denúncia a gente pode livrar, tirar uma criança de uma situação semelhante a que essa criança passou. Não precisa ter o fato, basta ter a suspeita. Comunica para a gente, que a gente vai tomar as providências”, disse o conselheiro.

Denúncias de crimes contra crianças e adolescentes e outros tipos de violação de direitos humanos podem sem feitas no Disque 100.


Fonte: Portal Amazônia

Metal é so para homem? Documentário mostra participação das mulheres na cena


“Quando você começa a ouvir heavy metal muitas coisas passam despercebidas. E quando eu comecei, por morar em uma cidade do interior de minas, eu não sentia falta de mulheres dentro da cena ou pelo menos não percebia.

O que eu queria mesmo era viver intensamente tudo que estava a minha volta, comprar discos, ir a shows, organizar eventos, tocar em bandas, mas eu não enxergava a real importância das mulheres dentro do heavy metal.

Com o passar dos anos comecei a enxergar tudo de forma de diferente e a cada dia sinto a intensidade da presença feminina dentro da cena. Por isto decidi fazer este documentário abordando temas que envolvem as mulheres dentro da cena underground no Brasil.

Espero que todos gostem e possam tirar proveito do conteúdo elaborado.”


Assista ao documentário abaixo:



Fonte: Portal Heavy Metal Online

Mulheres negras, como Tia Eron, são apenas 0,39% na Câmara




No centro das atenções do Brasil nesta terça-feira (14), a deputada Tia Eron (PRB-BA) usou a sua fala na sessão do Conselho de Ética para nos lembrar de uma estatística estarrecedora: a baixa representatividade da mulher negra no Congresso Nacional.

Ao proferir seu voto decisivo pela cassação do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) no colegiado, Tia Eron disse que: ‘ninguém manda nessa nega aqui’ e lembrou que o processo se arrastava há sete meses ‘e precisaram chamar uma mulher para resolver o que os homens não conseguiram’.

A deputada que deu o voto decisivo pela cassação de Eduardo Cunha no Conselho de Ética faz parte da maioria da população brasileira. As mulheres são 51,4% dos brasileiros e os negros, 53,6%, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Apesar disso, ao lado de Tia Eron, entre os 513 deputados federais eleitos há apenas uma segunda mulher negra na Câmara, a colega de partido Rosângela Gomes (PRB-RJ). A deputada Benedita da Silva (PT-RJ), precursora entre as mulheres negras na política brasileira, está de licença médica. Com a licença de Benedita, as mulheres negras são 0,39% da Câmara dos Deputados.

Para o cientista político Leonardo Barreto, doutor em Ciências Políticas pela UnB (Universidade de Brasília), a baixa representatividade das mulheres negras na política brasileira decorre das duas grandes barreiras de preconceito enfrentadas por elas, uma barreira dupla: de gênero e de raça.

Barreto lembra que o País tem uma média histórica de apenas 10% de mulheres na política (na Câmara são 10%, 52 deputadas entre 513 eleitos), ambiente ainda dominado pelos homens. Na opinião dele, esse número vai demorar muito a subir se não houver cotas de cadeiras para mulheres, como acontece em outros países (na Argentina, por exemplo). A lei eleitoral brasileira exige que 30% dos candidatos dos partidos sejam mulheres, mas não estabelece cotas nas vagas. Com isso, o número de mulheres eleitas ainda é pequeno.

— Os mecanismos de preconceito da sociedade brasileira não impedem apenas o voto às mulheres negras. A primeira barreira é chegar a ser candidato. A maior parte das legendas não consegue cumprir a cota de 30% [de candidatas mulheres]. Tanto que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) reconheceu isso e determinou que parte do dinheiro do fundo partidário tem que ser usado para formação política para mulheres, para formar essas candidatas. Mas isso é recente e ainda não há muito efeito prático.

Para Barreto, a melhor solução para aumentar a representatividade das mulheres seria criar cotas de vagas, algo como 40% das cadeiras, durante um período de tempo, 20 ou 30 anos.

— Tem toda uma literatura de Ciência Política que dá a receita de que você quebra a estrutura de preconceito colocando mais pessoas lá dentro, que sirvam de exemplo para que novas acabem entrando. É um processo de empodeiramento, que poderia acontecer de forma natural, mas você pode acelerar isso por meio de cotas.

A deputada Benedita da Silva (PT-RJ), que foi a primeira senadora negra eleita no Brasil e hoje é deputada federal licenciada, em tratamento médico, concorda que só uma reforma política poderia resolver o problema da ausência de mulheres negras no Congresso Nacional. Benedita conversou por telefone com o R7.

— Não acredito que sem uma profunda reforma política, haverá mais participação de mulheres. Precisamos de mais políticas públicas voltadas para as mulheres. E isso me preocupa. Há sobretudo essa ausência da mulher negra [na política] e um aumento da violência contra a mulher, com estupros, assassinatos, violência doméstica que tem acontecido num universo penoso da política de gênero.

A deputada lembrou que é importante ter mais mulheres na política, não só negras, mas também as indígenas que têm representação ainda menor.

— Minha trajetória foi difícil e não está completa ainda, enquanto não tivermos mulheres na Câmara e no Senado, nas prefeituras e na Presidência. E não é só isso que basta. Precisamos acesso igual à Educação. Para uma nação que tem maioria feminina e maioria de mulheres negras seria muita importante essa investida.


Fonte: Jornal Tribuna Hoje

A homofobia internalizada está entre as causas do ataque em Orlando?


Relatos de que o atirador Omar Mateen frequentava regularmente a boate gay que atacou e usava aplicativos de encontros para homens homossexuais levaram à especulação sobre se ele foi motivado por uma homofobia internalizada.

Mas o que é isso e como isso tem a ver com o pior ataque a tiros da história recente dos Estados Unidos, que completa uma semana neste domingo?

Investigadores estão tentando determinar o que levou o segurança de 29 anos a assassinar 49 pessoas e ferir outras dezenas enquanto elas se divertiam em uma popular casa noturna, a Pulse.

Eles estão analisando indícios de que Mateen se inspirou no islamismo radical, após ser revelado que ele jurou lealdade ao grupo extremista autodenominado "Estado Islâmico" e ter sido investigado duas vezes pelo FBI, a polícia federal americana, por ligações com terrorismo.

O pai do atirador também sugeriu que seu filho manifestava fortes opiniões contra gays, levando muitos a crer que o ataque foi motivado por homofobia.

Mas, conforme novas informações sobre Mateen vêm à tona, mais complexo fica esse cenário.

Testemunhas disseram que ele esteve na Pulse várias vezes nos últimos três anos e interagiu com homens em aplicativos de relacionamento para gays. À rede CNN, sua ex-mulher, Sitora Yusufiy, disse cogitar que ele tivesse uma inclinação homossexual em segredo.

Isso fez especialistas questionarem se o atirador foi levado a agir, ao menos em parte, por um intenso desprezo por sua própria orientação sexual. Ele poderia ter sido levado a odiar e agredir gays porque odiava a si mesmo?

"Apesar de não ser comum, não é inédito que uma pessoa seja violenta com gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros (LGBT) por causa de um dilema interno próprio", diz Genevieve Weber, especialista em aconselhamento de pessoas afetadas por homofobia internalizada e professora da Universidade Hofstra, em Nova York.

As definições de homofobia internalizada variam, mas é essencialmente quando pessoas LGBT se deparam com crenças sociais negativas sobre esta comunidade e absorvem estas noções, considerando-as como a única verdade possível.

Pesquisadores dizem que se trata de algo involuntário e que, apesar de Mateen ser um exemplo extremo, é algo que afeta muitos homossexuais e transgêneros em algum ponto de suas vidas.

"Infelizmente, é um conceito bastante simples", diz Ilan Meyer, pesquisador sênior de lei para políticas públicas e orientação sexual da Universidade da Califórnia, em Los Angeles. "Todos aprendemos quais são as convenções sociais. Aprendemos sobre o estigma e o preconceito direcionado a certos grupos desde muito cedo."

"Então, quando uma pessoa começa a se reconhecer como gay ou lésbica, essa negatividade já está presente."

As mensagens da sociedade sobre a homossexualidade podem vir de diversas fontes, dizem especialistas, como a família, a escola e a mídia.

O preconceito pode ser transmitido discretamente, por meio de xingamentos ou declarações preconceituosas - "isso é tão gay" -, ou claramente, por meio do bullying e de ensinamentos contra gays por religiões que não aceitam o público LGBT.

"Muitas religiões não são homofóbicas", diz Meyer. "Mas, em alguns casos, se você é uma pessoa religiosa e ouve mensagens negativas repetidamente de pessoas que são renomadas em sua comunidade, pode ser uma lição muito dolorosa."

"Isso certamente ocorre na comunidade cristã evangélica dos Estados Unidos, por exemplo, onde você pode aprender coisas terríveis ao ir à igreja toda semana."

Sohail Ahmed, um jovem muçulmano de Londres, diz que ter travado uma batalha com sua própria sexualidade o levou a manifestar visões religiosas cada vez mais extremadas, ao ponto de ter considerado realizar um ataque terrorista.

"Pesquisava todo o texto islâmico para saber o que fazer ao ter desejos homossexuais", disse ele à BBC. "Algo que sempre surgia era a necessidade de ter mais fé, fortalecer seu lado religioso. Pode parecer paradoxal... mas me tornei mais radical na tentativa de me curar da homossexualidade."

Ahmed diz ter escondido sua verdadeira orientação sexual de todos que conhecia e começado a acreditar que era uma pessoa "má".

"Pensava que era gay como punição de Deus por algo que tinha feito. Era horrível acordar todo dia com uma voz na cabeça dizendo que eu era desprezível", conta ele.

"Era um ciclo sem fim. Só aumentou meu ódio por mim mesmo e por outros gays. Foi muito destrutivo."

Ahmed deixou para trás estas opiniões e, agora, ajuda outras pessoas a deixarem de ser radicais. Ele se assumiu gay e, hoje, segue um ramo mais progressista do Islã que aceita o público LGBT.

Mas especialistas alertam que a homofobia internalizada pode ter também um impacto negativo na saúde mental de uma pessoa e causar depressão e ansiedade, impedir alguém de ter relacionamentos íntimos ou levá-las a atitudes perigosas.

"A homofobia internalizada não é um problema mental em si, mas causa distúrbios psicológicos", afirma Meyer.

"Com certeza, se você está passando por um período difícil de autoaceitação, pode ser bem estressante e levar ao consumo abusivo de drogas ou álcool. Você pode vir a usar drogas durante o sexo para se anestesiar do que está fazendo."

Pessoas afetadas por este sentimento precisam entender que se trata de uma condição que pode ser superada, afirma Weber.

"Com a ajuda adequada de um terapeuta ou alguém que realmente entenda o que está acontecendo, a pessoa pode se recuperar e amar a si mesma ao perceber que há toda uma comunidade que a apoiará."

Tanto Weber quanto Meyer dizem que esclarecer a sociedade como um todo é crucial para evitar que uma pessoa desenvolva uma homofobia internalizada e seus efeitos negativos.

"Os ambientes escolares precisam não só ser inclusivos, mas ensinar às crianças sobre gays e lésbicas", diz Meyer. Ele também incentiva que qualquer um que enfrente problemas com sua sexualidade busque por imagens e histórias positivas na internet.

Weber diz ser importante se certificar de que há pessoas preparadas para ajudar nestes casos. "Temos de garantir que há profissionais treinados para compreender a questão e estar acessíveis a quem precisa."

Ainda não se sabe ao certo se Mateen realmente sofria com uma homofobia internalizada - ou se ele tentou buscar ajuda. Meyer diz que não há pesquisas suficientes para apontar uma ligação direta entre a homofobia internalizada e comportamentos violentos.

"No entanto, Mateen não seria a primeira pessoa a demonstrar homofobia tanto interna quanto externamente." Entre os exemplos estão políticos conservadores que manifestaram posições anti-LGBT e depois foram "tirados do armário" ao ter sua homossexualidade exposta pela mídia, diz ele.

Mas, quanto ao atirador de Orlando, essa é uma questão que ainda não foi respondida.


Fonte: Jornal BBC Brasil (Reino Unido)

Lei Seca completa oito anos e ajuda na redução de acidentes de trânsito


Há exatos oito anos, a proibição de dirigir alcoolizado monopolizou as conversas de bar, os jantares em família e até as celebrações religiosas. Entrava em vigor a Lei Federal nº 11.705/08, com redução dos níveis de tolerância para aplicação de multa e para classificar como criminosa a conduta do infrator. De lá para cá, as autoridades de trânsito contabilizam a redução de 686 mortes, apesar do crescimento da frota e do número de condutores no período.

O saldo positivo, porém, não pode ser comemorado por uma parcela da população. Famílias e amigos continuam enterrando vítimas de pessoas que, mesmo alcoolizadas, decidem pegar o volante. Muitos deles, jovens recém-habilitados. O caso mais recente ocorreu há uma semana. O empresário Algmar Romualdo dos Santos, 43 anos, perdeu a vida em um acidente de trânsito, na madrugada de 13 de junho, na Avenida Elmo Serejo, em Taguatinga. Ele voltava do trabalho com a mulher, Mariza Ponssiano, 53, quando teve o veículo atingindo por outro, que invadiu a contramão da via.

No volante estava Jonathan Blasse de Brito Silveira, 20. Algmar morreu na hora. Mariza ficou internada por quatro dias. Em 10, terá que voltar ao hospital a fim de fazer outra cirurgia. O resultado do teste do bafômetro acusou que Jonathan tinha 0,63 miligramas de álcool por litro de ar expelido dos pulmões. Ele recebeu voz de prisão ainda no hospital. Na delegacia, foi indiciado por homicídio e tentativa de homicídio com dolo eventual — quando se assume o risco de matar. Levado à audiência de custódia, foi posto em liberdade menos de 24 horas após o fato, mediante o pagamento de R$ 8 mil de fiança. A reportagem fez contato com a família de Jonathan, mas um homem que se identificou como pai dele não quis dar entrevista.

Com a clavícula e a mão quebradas, dores no corpo e uma tristeza imensa, Mariza recebeu o Correio em casa, na sexta-feira, quando recebeu alta. “A dor física é pequena diante da dor da perda dele. Era um homem maravilhoso, um pai e um avô amoroso. Esse jovem acabou com a vida da minha família. Não sei onde ele está. Mas sei onde estou e onde o meu marido está. A única pessoa que está presa é o meu marido, em uma cova”, revolta-se (leia Depoimento). Família e amigos de Algmar preparam uma passeata para hoje, às 9h, em frente à Pizzaria Du’Cheff, na Quadra 402 de Samambaia Norte.


Consequências

O caso de Algmar e Jonathan se junta a dezenas de outros e engrossa uma estatística preocupante. A de jovens alcoolizados que deixam um rastro de mortos e feridos no trânsito do Distrito Federal. Em reportagem publicada na última segunda-feira, o Correio mostrou que um em cada cinco jovens mortos no asfalto está alcoolizado. Os números reais são maiores, pois falta incluir na conta quem morre 30 ou mais dias após o acidente. E as vítimas como Algmar. “Boa parte dos jovens é rebelde. Para eles, a lei não tem a menor importância. Só depois de sofrer as consequências de infringi-la”, avalia Dirceu Rodrigues Alves Júnior, chefe do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet).

Na avaliação de Rodrigues, uma das causas do desrespeito é a falha na fiscalização. “Não há como controlar 70 milhões de motoristas individualmente. Ainda não se fez nada para que isso (alcoolemia) fosse detectado de maneira coletiva. Nem para que o bafômetro fosse usado como equipamento de proteção individual, anexado ao veículo para que o condutor não usasse o veículo sob o uso de álcool”, diz.

No Distrito Federal, o desrespeito é maior entre os homens. Para cada 18 pegos alcoolizados ao volante, uma mulher acabou autuada pelo mesmo motivo. E as autuações só crescem. Na última década, a fiscalização emitiu 69.357 multas por desobediência à lei seca.

Mais informações no jornal citado na fonte.


Fonte: Correio Braziliense

Cauã interpreta travesti em clipe


O ator Cauã Reymond novamente dá o que falar. Ele interpreta um travesti no clipe de “Your Armies”, novo single de Barbara Ohana, dirigido por Allexia Galvão e Daniel Rezende, indicado ao Oscar pela montagem de “Cidade de Deus”. No clipe, o galã travestido contracena com Julio Machado, em clima de dominação e vingança, com direito a aparição de Cauã de calcinha e sutiã em cenas de chega mais com outro homem.


De peruca loura, maquiado, Cauã impressiona nas cenas fortes . Em entrevista ao Jornal o Globo, ele contou: “Tentei transmitir delicadeza, porque é um assunto muito importante. Espero que a gente realmente consiga passar uma mensagem dessa luta contra a intolerância, porque infelizmente esse clipe está saindo num momento muito oportuno, o que só reforça a mensagem. As pessoas precisam aprender a respeitar as diferenças, independentemente da orientação sexual, religiosa, política. Precisamos respeitar o espaço alheio”. Confira o play.


Fonte: Correio Braziliense

Massacre contra povo Guarani-Kaiowá segue sob o silêncio do governo


Parece não ter comovido ainda as autoridades de Brasília o conflito de terras envolvendo índios Guarani-Kaiowá, quilombolas e fazendeiros pecuaristas do Mato Grosso do Sul. Denúncias de ataques a crianças, atingidas com balas de borracha e até com fios de arame farpado (foto) repercutem a todo instante, sem que o governo brasileiro se manifeste publicamente contra o massacre. Uma das razões do conflito se dá por conta da inércia do governo na demarcação das terras indígenas. Enquanto não há regulamentação, os fazendeiros utilizam produtos industriais e fertilizantes que contaminam nascentes nas áreas historicamente pertencentes aos Guarani-Kaiowá.

Mas o conflito já deixou, além de feridos e ameaçados, mortos. No dia 29 de agosto, o indígena Semião Fernandes Vilhalva, de 24 anos, foi assassinado no município de Antônio João, a 402 km de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, quando tentava buscar seu filho de 4 anos, no horário que ocorria conflito entre fazendeiros e indígenas.

Semião pertencia à etnia Guarani-Kaiowá, grupo que ganhou a atenção da opinião pública em 2012. Naquele ano, indígenas de outra comunidade Guarani-Kaiowá emitiram uma declaração de "morte coletiva" de 170 homens, mulheres e crianças após receberem uma ordem de despejo decretada pela Justiça de Naviraí (MS).

A liminar foi rapidamente suspensa pela Justiça Federal e a comoção pública em favor desta população tradicional brasileira se dispersou. No entanto, outros problemas dos Guarani-Kaiowá - que viviam no Mato Grosso do Sul até serem expulsos de suas terras nos anos 1940 e 50 - seguem há anos sem resposta.

No município de Antônio João, os Guarani-Kaiowá tiveram a homologação de suas terras em 2005, mas ainda não têm o direito de usufruir de sua área tradicional. Com um processo de disputa da terra parado na Justiça Federal desde 2005, centenas de índios estiveram confinados em menos de 150 hectares, dos 9.317 que foram homologados. O restante da área foi dividida em nove fazendas, em posse de latinfundiários do estado.

Diante da omissão e letargia do governo federal e do Judiciário, os índios ocuparam as fazendas em agosto deste ano. No contra-ataque dos fazendeiros, Semião foi morto a tiros, motos foram incendiadas e o clima de tensão tomou conta da cidade. "Muitas pessoas da comunidade foram espancadas durante o confronto e duas pessoas foram parar no hospital por causa dos ferimentos e dos tiros de balas de borracha", relata a professora indígena Inaiê.

Arte que circula na rede mostra a demarcação forçada dos fazendeiros


Após a reunião com o Ministério da Justiça, ficou estabelecida a criação de uma comissão para iniciar os processos de indenização e a permanência das tropas da Força Nacional até que o clima no município se tranquilize.

Segundo o Cimi, o confronto em Antônio João é mais um exemplo da saga Guarani-Kaiowá pelo reconhecimento de suas terras, cujos processos estão engavetados no Ministério da Justiça ou na Justiça Federal. Para a entidade, a falta de agilidade e de proatividade do governo federal contribui para os agravamentos dos conflitos.


Menino teria sido agredido com arame farpado

*Texto original extraído da rede

Pirrainha Kaiowá atacado com arame farpado por pistoleiros mandados por fazendeiros no MS. É um costume desses pistoleiros atacar as crianças assim. Semana passada mataram mais um líder. Semana passada deram tiro de bala de borracha em neném.


Fonte: Conexão Jornalismo

Artigo - As bruxas que somos hoje!



Por: Michele Távora*


O estigma social das bruxas, como seres maléficos, feios e velhos sempre me incomodou muito.

Esse ódio pelas mulheres curandeiras, benzedeiras, mães e sacerdotisas nasceu há séculos atrás e teve seu auge com a publicação do livro Malleus Malleficarum (Martelo das Bruxas) escrito pelos dominicanos Kramer e Sprenger em 1486, um verdadeiro manual de Caça às Bruxas.

Kramer foi considerado insano pela Igreja e condenado em 1490, mas o livro continuou sendo publicado, ajudando fortemente a disseminar e incitar o ódio contra mulheres que tivessem conhecimentos sobre ervas e ousassem competir, mesmo que não fosse essa a intenção, com os únicos detentores da conexão espiritual-Deus e os homens.

Protestantes e adeptos do Cristianismo diziam não legitimar a obra Malleus Malleficarum mas entraram na onda de histeria e foram responsáveis por mais de nove milhões de crimes durante a Inquisição, a Era das Fogueiras.

A sabedoria pagã, conhecimentos ancestrais sobre ervas e plantas, era passada por oralidade. Como medida de proteção, os próprios “bruxos e bruxas” ajudaram a propagar a ideia de que seriam seres velhos, disformes, caricatos, de que não passavam de lendas, numa tentativa de enfraquecerem seus poderes e assim quem sabe, as perseguições diminuíssem.

As perseguições e matanças só foram extintas no século XVIII mas ainda hoje temos os resquícios culturais desse período histórico.

A figura da bruxa como um ser horrendo, invejoso e transformadora de príncipes em sapos ainda é bastante reforçada, as produções da Walt Disney são especialistas em divulgar esta ideia.

São séculos e séculos de opressão às mulheres, violências psicológicas cada dia mais refinadas e eficazes, criando algemas mentais invisíveis e poderosas, enfraquecendo e escravizando milhares de mulheres em relacionamentos doentios, uso de drogas e aceitando condições na sociedade em que as colocam em lugares de inferioridade e subserviência.

As que ousam se empoderar e tomar as rédeas de suas vidas, estão muitas vezes sozinhas, são classificadas de putas, vadias, feministas, feminazis e por aí vai…

Essa necessidade de sempre classificar, demonizar o que foge da “normalidade” tem seus conceitos muito bem enraizados há séculos atrás.

Mas estamos numa Era, numa Nova Era, em que não suportamos mais viver enclausuradas mentalmente e as que não conseguem lutar, estão ficando doentes, depressivas ou com síndromes de ansiedade.

As religiões que fazem uso desses conhecimentos ancestrais das ervas em seus cultos e rituais também são fortemente atacadas e demonizadas.

No que erramos em tratarmos nossas vidas com os presentes da Natureza, em celebrarmos as estações, em nos curarmos com tudo que vem dela, que é nosso, nos foi dado?
Erramos pois somos mestras de nós mesmas, não damos lucro à nenhuma empresa e nem precisamos da benção da água benta de nenhum padre e nem do óleo ungido de nenhum pastor.

Porque conhecemos a passagem estreita entre a vida e a morte, sabemos do poder e da força que carregamos em nossas entranhas, nos conectamos com a sagrada sabedoria que vem da Natureza, somos senhoras de nós mesmas, não precisamos de ninguém para dizer por onde devemos ir.

Vamos continuar sendo perseguidas por vários séculos ainda. Está nas suas mãos deixar-se escravizar novamente ou levantar-se e empoderar-se de si mesma.

Mulheres que dizem basta para relacionamentos abusivos e opressores.
Mulheres que se demitem de seus empregos e se tornam grandes empreendedoras.
Mulheres que não terceirizam a educação de seus filhos.
Mulheres que usam de sua intuição e da voz do coração e estão chegando em lugares inacreditáveis.
Mulheres que se libertam das drogas vendidas em farmácias e respeitam seus corpos.
Mulheres que acessam os saberes ancestrais e se curam com a ajuda da Natureza.
Mulheres que anulam toda a competitividade criada culturamente e se aliam às outras mulheres, pois sabem da força que possuem quando estão juntas.
É com essas que quero ficar.


Que o fogo das fogueiras que queimaram milhares de mulheres, há séculos atrás, seja o mesmo fogo restaurador e purificador, que nos limpa de todas as amarras do passado.

Que este mesmo fogo nos empodere e nos conecte, nos una nesta grande teia da VIDA.

Agradeço imensamente à todas as mulheres sagradas que fazem parte do movimento internacional do Ressurgimento do Sagrado Feminino.


* Michele Távora é pedagoga e criadora do MagaTerra Fitocosméticos, que tem por responsabilidade resgatar o poder químico natural presentes na natureza na forma de cosméticos naturais,produzidos artesanalmente.


Fonte: Portal Matricaria

Brasil já contabiliza 10 casos de estupro coletivo esse ano


O estupro coletivo de uma garota de 16 anos no Rio de Janeiro chocou o Brasil e o mundo. Mas o fato não é isolado. Tem ocorrido com frequência em diversas partes do país e quase sempre com características semelhantes: jovens embriagadas ou dopadas são violentadas por pessoas conhecidas. Levantamento feito pelo Estado de Minas aponta que só este ano foram denunciados pelo menos 10 casos de estupro coletivo, seis deles revelados após a divulgação da violência ocorrida no Rio de Janeiro. Ano passado, foram ao menos 20 casos.

Somente no Piauí, entre maio e junho, no intervalo de 30 dias, foram três ocorrências de estupro coletivo. E eles ocorreram cerca de um ano depois de um caso de extrema crueldade, quando quatro jovens, em maio do ano passado, na cidade de Castelo do Piauí, foram estupradas, espancadas e jogadas de um penhasco. Uma delas não resistiu aos ferimentos e morreu. Em 2012, outro caso de extrema violência coletiva contra mulheres, na Paraíba, também chocou o Brasil e originou a CPI da violência contra a mulher, a terceira já realizada pelo Congresso. Sete mulheres foram estupradas coletivamente em Queimadas, interior da Paraíba, por 10 homens durante uma festa de casamento. Duas delas foram assassinadas.

De lá para cá, os registros só aumentam. Mas essas histórias reveladas são pequenas ainda perto da violência de que são vítimas mulheres em todo o Brasil, já que o estupro é uma das formas de violência mais subnotificadas no mundo inteiro. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os casos registrados correspondem a apenas 35% do total de estupros. Ano passado, foram notificados 47,6 mil casos no Brasil, o que corresponde a uma ocorrência a cada 11 minutos. E a maioria das vítimas é crianças e adolescentes. Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado em março do ano passado, revela que 88,5% das vítimas desse tipo de violência eram do sexo feminino, mais da metade tinha menos de 13 anos e 70% das vítimas eram crianças e adolescentes.

Para Jeanete Mazzieiro, secretária Executiva do Fórum de Mulheres do Mercosul e integrante do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM), o estupro sempre aconteceu e sempre foi escondido, já que a vítima e até a família muitas vezes se sentem envergonhadas e com medo de denunciar. Segundo ela, além disso, ainda é complicado fazer a denúncia, nem sempre tem delegacias especializadas e não existe um protocolo padrão de atendimento às vítimas. “Tudo isso dificulta mais ainda que essa odiosa violência contra a mulher seja denunciada”, afirma Jeanete, que cobra legislação mais eficiente para punir esse tipo de crime.


Protocolo

Com a repercussão do caso do Rio de Janeiro, o Congresso Nacional resolveu se mexer. Foi criada uma comissão externa para apurar os casos mais recentes, entre ele o de Bom Despacho, interior de Minas, onde uma estudante foi estuprada em um congresso, e também as denúncias do Piauí. A comissão está acompanhando as investigações e pretende, ao final, propor mudanças na legislação. Segundo o deputado federal Edson Moreira (PSB-MG), a intenção é criar um protocolo padrão, que já existe no Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul e que está sendo implantado no Piauí, e garantir que seja colocado em prática. Segundo Moreira, será considerado agravante o uso de álcool ou outras substâncias para dopar a vítima e a prática desse tipo de violência por mais de uma pessoa.

De acordo com a deputada Jô Moraes (PCdoB), muito do que vem sendo discutido já tinha sido proposto pela CPMI da Violência contra a Mulher, mas não saiu do papel. Segundo ela, a intenção é alterar a legislação para endurecer as penas para os estupradores. Mas, segundo Jô, é preciso ir além e passar a tratar da prevenção e da educação para evitar que essa cultura de violência e exploração sexual da mulher seja banida.


Fonte: Portal em.com.br

Por que bandeira do arco-íris se tornou símbolo do movimento LGBT?


Ao redor do mundo, a bandeira do arco-íris tem sido exibida em prédios e manifestações como forma de solidariedade com as 49 pessoas mortas por um atirador em uma boate gay de Orlando. Mas como este símbolo se tornou tão amplamente reconhecido?

A bandeira de seis faixas e cores foi usada por pessoas para lá de diversas: Paul McCartney encerrou um show em Berlim, no início da semana, enrolado nela. A bandeira foi hasteada na Catedral de Exeter, no sudoeste da Inglaterra, durante uma vigília pelas vítimas. E em Paris, a Torre Eiffel foi iluminada com as cores do arco-íris.

"Não consigo pensar em qualquer outro símbolo com tamanho reconhecimento ao redor do mundo", diz o ativista gay britânico Peter Tatchell.

"Ele ficou universal desde os anos 90. E mostra a diversidade não só na comunidade LGBT, mas na vida em geral".

A bandeira do arco-íris surgiu em 1978, quando Gilbert Baker, um artista baseado em San Francisco, nos EUA, criou um design com oito cores. Em 25 de junho daquele ano, o Dia da Liberdade Gay nos EUA, as primeiras versões da bandeira foram vistas nas ruas.

Baker explicou que sua ideia era promover a ideia de diversidade e inclusão, usando "algo da natureza para representar que nossa sexualidade é um direito humano".

O uso da bandeira se disseminou por San Francisco e em outras grandes cidades como Nova York e Los Angeles. Na década de 1990, ela já era reconhecida como símbolo global para direitos LBGT.

"A bandeira susbtituiu o triângulo rosa, até porque é um símbolo mais positivo", explica Tatchell, referindo-se ao uso da forma geométrica para identificar homossexuais em campos de concentração na Alemanha Nazista.

As oito cores da bandeira original de Baker representavam diferentes aspectos da vida:
  • Rosa - sexualidade
  • Vermelho - vida
  • Laranja - cura
  • Amarelo - a luz do sol
  • Verde - natureza
  • Azul-turquesa - arte
  • Anil - harmonia
  • Violeta - human spirit
O número de cores foi depois reduzido para seis; saíram anil e rosa, e azul-turquesa foi substituída por azul.

Segundo o vexilólogo (especialista em bandeiras) Graham Bartram, do Flag Institute, em Londres, "era muito difícil obter tecidos de cor rosa, e como as bandeiras eram costuradas, em vez de impressas, a cor foi descartada".

Para Bartram , a bandeira do arco-íris deu certo por causa de sua simplicidade. "Funciona um pouco como os aneis olímpicos, que foram concebidos para usar cores presentes nas bandeiras de todas as nações participantes",

A bandeira não é acolhida universalmente como um símbolo de libertação. Autoridades na Jamaica, país que tem leis criminalizando o homossexualismo, reclamaram na Embaixada dos EUA quando esta hasteou a bandeira com o arco-íris no seu prédio em Kingston após o massacre de Orlando - o procurador-geral jamaicano classificou a atitude como "desrespeitosa".

A história da bandeira, porém, precede 1978 e o movimento LGBT. No século 18, o filósofo anglo-americano Thomas Payne sugeriu o uso dela para identificar navios neutros durante períodos de guerra.

No início do século passado, o pacifista americano James William van Kirk desenhou um bandeira com as cores do arco-íris, conectada a um globo. A ideia era mostrar como pessoas de diferentes nações poderiam viver juntos, em harmonia.

"O arco-íris é algo que desenhamos desde pequenos", conta Bartram. "Assim, todos nós sabemos do que se trata e podemos interpretá-la como quisermos. Por isso é que ela funciona tão bem".


Fonte: Jornal BBC Brasil (Reino Unido)

Fiscalização flagra trabalho escravo e infantil em marca de roupas de luxo em SP


"Desenvolvemos nossos produtos com o objetivo de atender mulheres que valorizam a sofisticação, o requinte e o conforto sempre com um olhar contemporâneo", dizem peças publicitárias da marca de roupas femininas Brooksfield Donna.

Mas uma investigação de fiscais do Minstério do Trabalho sugere que esse objetivo possa estar sendo cumprido com ajuda da exploração de trabalho escravo.

Após inspeção em uma das oficinas subcontratadas pela empresa, em São Paulo, no início de maio, auditores do Programa de Erradicação do Trabalho Escravo, do Ministério do Trabalho e Emprego autuaram a marca por trabalho análogo à escravidão e trabalho infantil, em mais um triste flagrante escondido por trás de catálogos de roupas luxo no Brasil.

Cinco trabalhadores bolivianos - incluindo uma menina de 14 anos - foram encontrados na pequena oficina no bairro de Aricanduva, cuja produção era 100% destinada à marca. Sem carteira assinada ou férias, eles trabalhavam e dormiam com suas famílias em ambientes com cheiro forte, onde os locais em que ficavam os vasos sanitários não tinham porta e camas eram separadas de máquinas de costura por placas de madeira e plástico.

Os salários dos trabalhadores bolivianos dependiam da quantidade de peças produzidas - R$ 6,00, em média, por roupa costurada. Na cozinha, perto de pilhas de retalhos e muita sujeira, foram encontradas panelas com arroz e macarrão para a alimentação de famílias inteiras.

Procurada pela reportagem, a Via Veneto, proprietária da Brooksfield Donna, negou vínculo com a oficina e afirmou que "não mantém e nunca manteve relações com trabalhadores eventualmente enquadrados em situação análoga a de escravos pela fiscalização do trabalho".


Vínculo

Com valores unitários que podem ultrapassar R$ 500,00 nas lojas, todas as peças apreendidas tinham etiquetas da Brooksfield Donna. Segundo o Ministério do Trabalho, a empresa se recusou a pagar os direitos trabalhistas dos resgatados - o valor total estimado pelas autoridades, somando os cinco trabalhadores, seria de R$ 17,8 mil.

À BBC Brasil, em nota, o departamento de marketing da Via Veneto afirmou que "a empresa não terceiriza a prestação de serviços e seus fornecedores são empresas certificadas. A empresa cumpre regularmente todas as normas do ordenamento jurídico que lhe são aplicáveis".

Questionada, a marca se recusou a comentar o flagrante específico do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), as etiquetas e anotações referentes à marca encontradas nas roupas e o fato de toda a produção ser feita com exclusividade para a Brooksfield Donna.

Também preferiu não explicar como funciona sua cadeia de produção, nem a finalidade da subcontratação de oficinas de costura como a encontrada pelos fiscais.

De acordo com o relatório da inspeção do MTE, apresentado com exclusividade à BBC Brasil e à ONG Repórter Brasil, a marca "é inteiramente responsável pela situação encontrada na oficina" e foi considerada "a real empregadora", responsável "pelos ilícitos trabalhistas constatados".

Os auditores argumentam que a Via Veneto comanda o processo de "definição do tipo e quantidade de peças desejadas", estipula os preços de custo e venda e é responsável pela "aprovação das peças-pilotos que serão utilizadas como modelos a serem reproduzidos no corte e na costura", além dos prazos para entrega e do controle de qualidade, feito por "inspetores de qualidade designados pela Via Veneto".

Só depois da aprovação pela marca de roupas, segundo o relatório, "é realizado o pagamento à confecção, e por sua vez, o repasse à oficina, e na sequência, o pagamento aos trabalhadores mantidos em informalidade na oficina de costura".

"Os fornecedores são totalmente dependentes economicamente dela, constituindo-se, na verdade, em meros intermediadores de mão de obra barata e precarizada."


Responsabilidade

A adolescente de 14 anos flagrada pelos auditores só se levantou da mesa de trabalho quando percebeu que acabava de perder o "emprego", contou à BBC Brasil a auditora-fiscal Livia Ferreira.

"Mesmo depois de o dono tentar impedir que entrássemos, ela continuou na máquina. Só saiu quando nos viu e subiu para o quarto, bastante assustada", diz, descrevendo "um ambiente desorganizado, sujo, improvisado, em que qualquer pessoa não gostaria de estar".

Ela conta que, na maior parte das fiscalizações, os imigrantes encontrados em situação análoga à escravidão viviam na miséria em seus países.

"Eles vêm para o Brasil porque a situação onde estavam é muito ruim", diz. "Esta é a crueldade da vulnerabilidade social. Muitas vezes o próprio trabalhador não consegue visualizar que o estamos tirando de uma condição de escravidão."

Segundo o relatório da fiscalização, "apenas com muitas horas de trabalho os trabalhadores imigrantes conseguiriam gerar renda suficiente para garantir as despesas com alimentação e moradia administradas pelo gerente da oficina, além da almejada sobra que, remetida à Bolívia e convertida em moeda local, poderia minimamente prover a subsistência de uma família inteira".

"Na prática, no modelo adotado naquele núcleo fabril, não há qualquer limitação de jornada, sendo inexistentes os limites, inclusive de espaço físico entre a vida fora e dentro do trabalho", prosseguem os auditores. "Esta jornada, agravada pelo ritmo intenso, pelo nível de dificuldade, detalhamento e concentração exigidos no trabalho de costura de peças de vestuário, (...) tendo ainda em vista a remuneração por produção, sem limites físicos entre o ambiente produtivo e de vivência, leva os trabalhadores ao esgotamento físico e mental."

Diante da recusa da Brooksfield Donna em reconhecer o vínculo com a oficina e pagar as verbas trabalhistas e de indenização aos trabalhadores, o Ministério Público do Trabalho instaurou um inquérito civil contra a marca, que deve recorrer.


Fonte: Jornal BBC Brasil (Reino Unido)

No Dia Mundial do Refugiado, conheça os campos que acolhem milhões pelo mundo


Uma em cada 113 pessoas no mundo é, atualmente, reconhecida como refugiado. O dado é apresentado pelo relatório “Tendências Globais” do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), que registra o deslocamento forçado de pessoas pelo mundo. O documento, divulgado nesta segunda-feira (20), aponta um total de 65,3 milhões de pessoas deslocadas até o final de 2015, um aumento de quase 10% com relação a 2014.

Esta é a primeira vez que os números de deslocamento forçado ultrapassaram o marco de 60 milhões de pessoas. Os países que se destacam como origem de refugiados são: Síria, com 4,9 milhões de refugiados; Afeganistão, com 2,7 milhões e Somália, com 1,1 milhão. Já os países com maior número de deslocados internos são Colômbia (6,9 milhões), Síria (6,6 milhões) e Iraque (4,4 milhões), destaca o relatório.

Rosita Milesi, diretora do Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH), explica que os “refugiados deixam o país de origem para fugir de guerras ou de perseguições por motivo de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opinião política”. Enquanto os migrantes, por sua vez, saem por vontade própria. “O deslocamento é a única alternativa para salvar sua vida”, completa Milesi.

O conceito de refugiado está previsto na Lei 9.474 de 1997, conhecida como Estatuto dos Refugiados. Segundo a legislação brasileira, é considerada refugiada “a pessoa que, devido a grave e generalizada violação de direitos humanos, é obrigada e deixar seu país de nacionalidade para buscar refúgio em outro país”.

A diretora do IMDH afirma que o Brasil recebe refugiados de diversas nacionalidades. Segundo o último relatório divulgado pelo Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), até abril de 2016, 8.863 pessoas foram reconhecidas como refugiadas no Brasil. Os principais países de origem destes refugiados são: Síria, Angola, Colômbia e República Democrática do Congo.

Desde 2001, o Dia Mundial do Refugiado é celebrado no dia 20 de junho, de acordo com resolução aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). Por isso, neste dia, oPortal EBC lista os principais campos de refugiados espalhados pelo mundo e os conflitos aos quais se relacionam.

Conheça os principais campos de refugiados do mundo:

Dadaab, Quênia


Considerado o maior campo de refugiados do mundo, Dadaab, no Quênia, encontra-se sob ameaça de fechamento. De acordo com as Nações Unidas, o governo do país justifica que a ação tem a ver com custos, segurança e fatores ambientais. Além disso, o Quênia alega presença de islamistas radiais do Al Shabab, filiado à Al-Qaeda, no local. A previsão é fechar o campo até novembro deste ano.

Para a agência da ONU, a medida poderia afetar até 600 mil pessoas em acampamentos de refugiados no norte do país, especialmente somalis e de sul-sudaneses.

Há mais de 25 anos, Dadaab acolhe pessoas que foram forçadas a fugir de perseguições e guerras na África. O complexo de Dadaab inclui cinco acampamentos que abrigam 350 mil pessoas. A Somália, de onde vem a maior parte dos refugiados neste campo, enfrenta um violento conflito desde a queda do ditador Siad Barre, em 1991. Além disso, secas comprometem a segurança alimentar do país. Como resultado disso, uma milícia radical islâmica conhecida como Al-Shabaab, filiada à Al-Qaeda, ganhou espaço no país.


Nakivale, Uganda


Mais de meio milhão de pessoas buscam abrigo nos campos de Nakivale, em Uganda, para fugir da violência e do abuso dos direitos humanos principalmente do Sudão do Sul, Burundi, Somália e República Democrática do Congo, segundo o Acnur. Além disso, o espaço acolhe refugiados de Ruanda desde a guerra civil e genocídio na década de 1990. Isso faz de Uganda o terceiro país no mundo que mais abriga refugiados.

Nakivale existe desde 1958 e hoje é composto por mais de 70 vilas. De acordo com a agência da ONU, em Uganda os refugiados têm os mesmos direitos dos nativos, podem trabalhar e até estabelecer seus próprios negócios. “Eles têm liberdade para ir e vir e ganham terras para uso agrícola, para diminuir a dependência de ajuda humanitária”, explica o Acnur.


Dollo Ado, Etiópia


O complexo de Dollo Aldo, localizado no sudeste da Etiópia, é composto por cinco campos e abriga somalianos que fugiram das condições precárias de seu país, especialmente motivados pela fome e seca. Além disso, parte dos refugiados são vítimas do grupo Al Shabab.

Com mais de 213 mil refugiados, o campo recebe desde 2011 famílias que lutam contra a desnutrição. Até maio deste ano, um dos campos do complexo, Hillaweyn, contabilizava 23% da má nutrição global. Organizações como Médicos Sem Fronteiras (MSF) e International Medical Corps (IMC) são responsáveis pelos centros nutricionais. De acordo com o MSF, ali são atendidas cerca de 200 crianças desnutridas.


Kakuma, Quênia


Assim como Dadaab, o Kakuma está ameaçado de fechamento. O campo, que existe desde 1991, abriga somalianos e sudaneses que fugiram das guerras e condições precárias em seus países de origem. Além de refugiados do Burundi, da Etiópia e República Democrática do Congo. Atualmente, o campo tem mais de 100 mil refugiados, sendo que 53,2% deles são homens.

Um dos motivos para o fechamento do campo é a violência. Grupos rivais se enfrentam e a superlotação é preocupante, de acordo com o Acnur. Os moradores temporários de Kakuma enfrentam dificuldades como má-nutrição e surtos de doenças, como a malária.


Zaatari, na Jordânia


O campo de Zaatari é um assentamento temporário que foi estabelecido em julho de 2012, em meio ao grande fluxo de refugiados da Síria. Hoje, ele é o terceiro maior campo de refugiados do Oriente Médio, de acordo com o Acnur, com mais de 80 mil residentes sírios. Mais de metade da população de Zaatari é formada por crianças, sendo que uma em cada três delas não frequenta a escola.

De acordo com o Acnur, existem também mais de 9 mil jovens no campo com idades entre 19 e 24 anos que precisam de treinamento profissional, além de oportunidades de emprego e geração de renda, demandas também da população adulta. Cerca de 5,2% destes jovens estavam na universidade na Síria, mas abandonaram os estudos devido ao conflito. Os que se graduaram são 1,6%.


Ain Al-Hilweh, no Líbano


O campo Ain Al-Hilweh, próximo da cidade costeira de Sidon no Líbano, foi fundado em 1948 após a derrota dos estados árabes na guerra árabe-israelense. Nos anos 1980, a maioria dos campos de refugiados no Líbano foram dominados por forças pró-sírias e membros do Fatah.

Isso mudou quando a Autoridade Nacional Palestina começou a financiar o campo. Além disso, o Fatah concordou com um cessar fogo, quando não conseguiu derrotar outros grupos fundamentalistas de Ain Al-Hiweh. Ainda hoje os refugiados do campo no Líbano enfrentam a violência, disputas entre facções tornam-se fatais com regularidade.


Sahrawi, Argélia


O campo Sahrawi, no sudoeste da Argélia, é formado por um complexo de cinco campos que abrigam africanos do oeste do deserto do Saara desde o conflito com forças marroquinas por questões territoriais na década de 1970. Nesse contexto, o governo da Argélia acolhe mais de 100 mil refugiados saharawis.

A República Sahrawi é parcialmente reconhecida e luta para se consolidar em uma área do Deserto do Saara que hoje é controlada pelo Marrocos. Segundo a ONU, os povos africanos alegam que os marroquinos agem como se fossem colonizadores.

O acampamento é cercado por um muro de 2, 5 mil quilômetros de extensão que separa a Argélia do Saara Ocidental. Existem cerca de três milhões de minas terrestres na área que circunda o muro, além de 150 mil soldados marroquinos e radares em toda a extensão.


Yida, Sudão do Sul


Com mais de 70 mil refugiados, Yida, no Sudão do Sul, não foi reconhecido oficialmente como um campo de refugiados nem pelo Acnur nem pelo governo sul-sudanês. Os refugiados sudaneses começaram a atravessar a fronteira em direção ao Sudão do Sul em junho de 2011, quando eclodiu o conflito entre o governo de Cartum e os rebeldes do Movimento Popular de Libertação do Sudão (SPLM), no estado de Kordofan do Sul.

A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) atua em Yida, no estado de Unity no Sudão do Sul, desde novembro de 2011. Lá a organização administra um hospital no campo de refugiados e um serviço de consultas, além de prestar serviços médicos na área do campo usada para cadastramento dos refugiados.

Para o MSF, o crescimento desordenado do acampamento ameaça as condições de saúde dos refugiados de forma geral. Além disso, existem problemas relacionados à segurança devido à proximidade do território controlado por forças rebeldes.

Em abril deste ano (2016), o Acnur começou a planejar a realocação dos residentes num campo em Pamir, a 10 quilômetros da fronteira entre Sudão e Sudão do Sul.


Mbera, Mauritânia


O acampamento de Mbera, que fica na Mauritânia a três quilômetros da fronteira com o Mali, abriga mais de 40 mil pessoas que fogem dos conflitos iniciados em 2012 entre o exército malinês, o movimento rebelde tuaregue e outros grupos armados. Os refugiados são, em sua maioria, famílias de etnia tuaregue vindas da região de Timbuktu.

Lá o MSF presta assistência médica primária e materna aos refugiados e trata crianças desnutridas. De acordo com a organização, “os refugiados enfrentam um futuro de isolamento no deserto, totalmente dependentes de assistência externa e ajuda humanitária”. As temperaturas na região podem chegar a 45 graus Celsius durante o dia.


Nyarugusu, Tanzânia


Na Tanzânia, refugiados, principalmente de Burundi e da República Democrática do Congo, encontram acolhimento no campo de refugiados Nyarugusu. Criado em 1997 para dar refúgio a 50 mil congoleses que fugiram do seu país devido à guerra, o campo conta hoje com cerca de 160 mil pessoas.

De acordo com o MSF, os abrigos são feitos de troncos de árvores cobertos por lonas plásticas, cada um de 40 por 10 metros. Com a superlotação do campo, a organização internacional afirma que "os alimentos e a água tornaram-se um problema" e causa conflitos entre os residentes.


Fonte: Portal Agência Brasil

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