segunda-feira, 30 de maio de 2016

Menina de 16 anos que foi estuprada por 30 homens desabafa na internet: “Não dói o útero e sim a alma”

Adolescente, vítima de estupro coletivo, deixa hospital ao lado da mãe, no Rio.


A adolescente de 16 anos que foi vítima de um estupro coletivo no Rio voltou a fazer um desabafo nas redes sociais. Diante de tantas mensagens de apoio e solidariedade, a jovem acrescentou a mensagem. “Todas podemos um dia passar por isso... Não, não dói o útero e sim a alma por existirem pessoas cruéis sendo impunes!! Obrigada ao apoio”, disse a menina, que, na manhã de sexta (27), também aderiu à campanha na rede social pelo “fim da cultura do estupro”.

Na noite desta quinta (26), ela já havia feito um agradecimento na internet. “Venho comunicar que roubaram meu telefone e obrigada pelo apoio de todos. Realmente pensei que seria julgada mal”. De acordo com relatos da vítima, 33 homens armados teriam participado do crime.


A polícia já pediu a prisão de quatro homens. Um deles é Lucas Perdomo Duarte Santos, de 20 anos, com quem a adolescente tinha um relacionamento, Marcelo Miranda da Cruz Correa, de 18 anos, Michel Brazil da Silva, de 20, e Raphael Assis Duarte Belo, de 41.

Segundo a família da menina, o rapaz que a menina conheceu na escola e com o qual ela já havia tido um relacionamento, teria agido premeditadamente. “Um deles é namorado dela, tinha sido namorado dela, que ela conheceu na escola. E isso foi uma vingança dele. Ele fez isso com ela e chamou mais 30 para fazer o mesmo. O pai dela nem aguenta falar que chora muito. Um ser humano que é capaz de fazer isso com uma menina de 16 anos só, cheia de sonho, né? E eles fazem isso. A família está assim, sem palavras”, lamentou.


Como denunciar

Após a divulgação das imagens, cerca de 800 denúncias chegaram à Ouvidoria do MP. A instituição pede que agora só sejam encaminhadas informações que acrescentem à investigação, como identificação de envolvidos, endereços ou novas provas. As informações podem ser enviadas neste canal.

Casos de estupro, assédio sexual, importunação ofensiva ao puder (provocações verbais) e ato obsceno também podem ser denunciados no site da Polícia Federal ou por meio do Disque 180, a Central de Atendimento à Mulher. Também é possível procurar delegacias estaduais especializadas nesse tipo de crime.

O delegado Alessandro Thies, responsável pelas investigações do caso no Rio de Janeiro, pede ao cidadão que tenha qualquer informação que possa auxiliar na identificação dos autores que entre em contato através do endereço de e-mail: alessandrothiers@pcivil.rj.gov.br.


Estupro é crime

Mulheres são violentadas a cada onze minutos no Brasil. Esta foi a conclusão do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgado em 2015. E não esqueçamos que até o ano de 2009, o estupro era considerado crime contra a honra. E ainda hoje o estupro é um dos crimes menos notificados do Brasil.

Cerca de 50 mil casos de estupro são registrados anualmente no Brasil e estima-se que isso representa apenas 10% da quantidade dos casos. A pessoa que é violentada, a maioria das vezes, deixa de denunciar com medo de retaliações, com vergonha de se expor, e até mesmo com receio de serem culpadas ou tachadas pela violência sofrida.

Não se cale diante de um estupro. É crime. Denuncie!


ATUALIZAÇÃO: 
Um suspeito de participar do estupro coletivo da jovem já foi identificado e terá a prisão pedida. A Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática do Rio investiga o caso e disse que a vítima já foi ouvida e que as investigações estão em andamento. As informações são do G1.
Mais tarde, novos fatos foram surgindo e esclarecendo o crime. A Polícia Civil já pediu à Justiça a prisão de quatro homens que envolvidos no estupro. 
Segundo informações da Veja, Marcelo Miranda da Cruz Correa, de 18 anos, e Michel Brazil da Silva, de 20 anos, são suspeitos de divulgar as imagens da vítima na internet.
Já Lucas Perdomo Duarte Santos, de 20 anos, é o rapaz com quem a adolescente tinha um relacionamento e teria participação direta no crime. O outro homem que teria participado do estupro é Raphael Assis Duarte Belo, de 41 anos, que aparece nas imagens ao lado da garota. 
Segundo depoimento dado à polícia civil, a adolescente de 16 anos foi estuprada no sábado (21) numa comunidade da Zona Oeste do Rio. Em depoimento à polícia, ela disse que foi até a casa de um rapaz com quem se relacionava há três anos. 
Ela diz se lembrar de estar a sós na casa dele e só acordar no domingo, em uma outra casa, na mesma comunidade, com 33 homens armados com fuzis e pistolas. Ela destacou que estava dopada e nua.
A garota retornou para casa na terça-feira (24). A família só soube do estupro na quarta-feira (25), quando fotos e vídeos exibindo a adolescente foram divulgados na internet. A investigação segue em curso. 
A advogada Eloisa Samy Santiago, que atendeu a adolescente na noite de ontem,divulgou em um post no Facebook que ela não é usuária de drogas e que tinha ido até a comunidade recuperar seu celular que tinha sido roubado. "Ela foi dopada e estuprada por traficantes, após voltar à comunidade para recuperar um celular furtado." 
O caso segue sendo investigado.

Em nota divulgada na noite desta quinta-feira (26), a ONU Mulheres Brasil se solidariza com as duas adolescentes vítimas de estupro coletivo no Brasil.

Um dos casos aconteceu no Rio de Janeiro, com uma jovem de 16 anos, estuprada por vários homens. No último dia 20, no Piauí, uma adolescente de 17 anos foi amarrada, amordaçada e estuprada por cinco homens.

No comunicado, a ONU Mulheres solicitou aos poderes públicos dos estados do Rio de Janeiro e do Piauí que seja incorporada a perspectiva de gênero na investigação, processo e julgamento de tais casos "para acesso à justiça e reparação às vítimas, evitando a sua revitimização".


Fonte: Portal O Sul / Jornal Huffpost Brasil (EUA)

Extrema-direita ganha popularidade na Europa


De acordo com uma pesquisa de opinião pública realizada pela ICM Research para o projeto Sputnik-Opinião, os cidadãos da Grã -Bretanha, França e Espanha indicam três razões para o aumento de popularidade do euroceticismo: o alto nível de imigração, as promessas que os governos não cumprem e a desilusão com a União Europeia.

Ao responder à questão "quais, em sua opinião, são as razões para o avanço dos partidos mais radicais, tais como o UKIP na Grã-Bretanha, a Frente Nacional na França e o Podemos (de esquerda) na Espanha", mais de metade dos entrevistados britânicos (53%) e quase um terço dos franceses (30%) afirmam que tal é devido ao aumento do descontentamento em relação à União Europeia.

Apesar disso, 44% de franceses e espanhóis pensam que as razões são os problemas na economia.

A necessidade de realizar reformas sociais foi destacada por quase metade dos entrevistados na Espanha (49%); 55% sublinharam as promessas não cumpridas dos governos como a razão para o crescimento da oposição. De todos os entrevistados só 10% não sabiam o que responder e 11% escolheram outra resposta.

A pesquisa foi realizada de 1 a 4 de maio de 2015 com participação de 4.097 pessoas (2.005 na Grã Bretanha, 1.041 na França, 1.051 na Espanha) e mostrou que 47% dos entrevistados culpam a imigração pelo aumento da popularidade dos partidos de oposição, 46% — as promessas que o governo não cumpriu, e 38% — a desilusão com a União Europeia.

Enquanto os eurocéticos ganham popularidade na Europa, a líder do partido francês Frente Nacional, Marine Le Pen, declarou em um comunicado nesta terça-feira (16) a criação de um novo grupo de extrema-direita no Parlamento Europeu — "Europa das Nações e das Liberdades", integrado por partidos da França, Holanda, Áustria, Itália e Bélgica. O novo grupo contará nomeadamente com participação do Partido pela Liberdade holandês (PVV), do Partido da Liberdade austríaco (FPÖ), da Liga Norte italiana e do Vlaams Belang belga flamengo, com os quais o partido de Le Pen já tem relações, assim como com representantes de outros partidos não citados no comunicado.

A Frente Nacional é um partido que apoia restrições à imigração, sendo contrário à integração europeia (não quer que os países sejam obrigados a seguir as leis decididas pela UE). Marine Le Pen já tem declarado o seu apoio à política externa da Rússia, inclusive no contexto da crise na Ucrânia.


Fonte: Portal Sputnik News

Autores negros se reúnem na UnB


No dia 1º de junho, a Universidade de Brasília sedia a III Jornada Literária de Autoria Negra: Percursos Contemporâneos. Onze autores nacionais estarão reunidos no auditório do Instituto de Letras (IL) para discutir, com professores e estudantes, questões relacionadas ao racismo e ao discurso da “democracia racial” no Brasil.

O Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea (Gelbc), responsável pelo encontro, propõe um espaço de diálogo entre a Universidade e escritores negros para abordar questões que envolvem perspectivas, linguagem, gênero, edição e recepção desta produção. A imagem do negro e a sua representação nos veículos de comunicação de massa também serão objetos de discussão.

Entre os escritores convidados estão o paulista Allan da Rosa (vencedor do prêmio Funarte em Arte Negra, de 2014) e a brasiliense Meimei Bastos, estudante de Artes Cênicas da Universidade de Brasília e educadora. Durante a jornada, haverá o lançamento da 38ª edição do livro Cadernos Negros, além de outras publicações dos autores participantes do encontro.

Serviço:

Data: 1º/6/2016, a partir das 8h30
Local: Auditório do IL, campus Darcy Ribeiro
Informações: http://www.gelbc.com/#!jornadaautorianegra/xhwzd
"Confiando nos contos de fadas,todas as noites antes de dormir eram cem escovadas.Como doía escovar o cabelo seco."(Trecho do poema Genealogia, da escritora Mel Adún)

Fonte: Portal da Universidade de Brasília - UnB

Aula pública debate dez anos da Lei Maria da Penha


A cada dia, dez mulheres morrem no Brasil vítimas de violência. O número coloca o país no 5º lugar no ranking mundial de homicídios femininos. Na data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) – 25 de todo mês – para combater a problemática, o Decanato de Assuntos Comunitários (DAC), por meio da Diretoria de Diversidade, promoveu nesta terça-feira, no campus Darcy Ribeiro, o Dia Laranja pela Eliminação da Violência Contra a Mulher. A aula pública reuniu, no Anfiteatro 9 do ICC Sul, mulheres da comunidade acadêmica para discutir os dez anos da Lei Maria da Penha.

Ducielly Nóbrega, coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher da Defensoria Pública do Distrito Federal, e Rosa Maria, promotora legal popular, compartilharam conhecimento sobre as medidas protetivas contidas na Lei Maria da Penha e projetos existentes para redução desse tipo de violência. Ao contextualizar a situação de desigualdade e violência contra a mulher no Brasil nos últimos 100 anos, Nóbrega apontou a Lei Maria da Penha como um dispositivo legal criado para corrigir distorções históricas que ainda prevalecem em função da cultura do patriarcado. “Nós temos uma subrepresentação nos espaços de poder, ganhamos menos que os homens pelo exercício da mesma função”, avalia.

A defensora pública reforçou que os atos enquadrados pela lei vão para além da violência física, mas envolvem também a violência psicológica, sexual, patrimonial e moral, praticadas por pessoas, independentemente da orientação sexual. Já os destinatários podem ser mulheres, transexuais e homossexuais femininos – com ou sem laços afetivos com os agressores.

Um dos grandes problemas já constatados em pesquisas e apontados pela defensora é o fato de que essa violência é cíclica e, muitas vezes, por não ser constatada pela vítima, é repetida. Em geral, ocorre após momento de tensão no relacionamento que culmina na agressão, perdoada posteriormente pela vítima. “É importante que a gente ajude as mulheres a romper com esse ciclo de violência, fazer com que elas percebam essa situação”, alertou Nóbrega, que reconheceu também a dificuldade das mulheres em denunciar os casos por medo, vergonha ou falta de estrutura para enfrentar a situação.

A promotora legal popular Rosa Maria relatou a dificuldade de levar adiante as políticas de enfrentamento em função do próprio despreparo e desinteresse das instituições e dos gestores em lidar com a questão. “Enquanto não houver empenho em capacitar os agentes de ponta, a Lei Maria da Penha não será respeitada”, lamentou. No entanto, ela acredita no potencial de mudança advindo da educação. Por meio das ações do projeto Promotoras Legais Populares, Rosa encabeça, junto a outras mulheres, cursos para conscientização delas sobre seus direitos. “Nós fazemos essas mulheres se empoderarem e se descobrirem”, destacou, ao lembrar ainda o caso de uma das participantes que descobriu que estava sendo estuprada há vinte anos e resolveu denunciar o parceiro.


EMPODERAMENTO

Na UnB, o Promotoras Legais Populares existe, desde 2005, como projeto de extensão da Faculdade de Direito, se espelhando em experiência feita na cidade de São Paulo. Dentro da iniciativa, são oferecidos cursos a mulheres de toda a comunidade, realizados semanalmente, no Núcleo de Prática Jurídica da UnB, em Ceilândia, para conscientização sobre a violência. Segundo a estudante de Direito Paula Baqueiro, a iniciativa também funciona como acolhimento a vítimas dessas situações. “O intuito é criar um espaço no qual as mulheres consigam se reconhecer sujeitas da construção de um direito que atenda suas demandas em uma sociedade historicamente desigual em questão de gênero”, explicou.

Além dessa atuação, as promotoras propõem, com a realização de um Fórum, a participação política das mulheres que passam pelo curso. Um dos desdobramentos da iniciativa é o projeto da UnB Voz e Vez, do qual Rosa Maria é coordenadora. A ideia é levar às escolas de Águas Lindas (GO) propostas educativas para enfrentamento do tráfico de pessoas, uma das grandes problemáticas enfrentadas no município.


DIA LARANJA

No dia 25 de todo mês, a Coordenação dos Direitos da Mulher da DIV realizará aulas públicas com temáticas que envolvam a violência contra a mulher. As ações, em parceria com a ONU Mulheres, tem por objetivo ampliar o debate sobre o assunto dentro da Universidade. A ideia é que, a partir das demandas levantadas dentro da instituição, se construa uma rede de atenção às mulheres, com apoio da Ouvidoria para recepção de denúncias da comunidade.

“Nossa proposta é de formar redes para que cada vez mais possamos entender os problemas dentro da Universidade, não só no micro, mas encaminhá-los para resolução”, informou a diretora da DIV, Maria Inez Montagner. A coordenadora dos Direitos da Mulher da DIV, Sílvia Badin, e a coordenadora de campanhas da ONU Mulheres, Amanda Kamanchek, também estiveram presentes.


Fonte: Portal da Universidade de Brasília - UnB

Milhares de mulheres marcham em Brasília contra a cultura do estupro


Após uma contagem regressiva de trinta a zero, cerca de 3 mil manifestantes, a maioria mulheres carregando flores nas mãos, marcharam na manhã deste domingo (29) pela Esplanada dos Ministérios, em Brasília, para protestar contra a cultura de estupro, pedir justiça para os casos que envolvam violência contra a mulher e exigir políticas públicas que garantam a educação de gênero nas escolas brasileiras.

A Marcha das Flores – 30 Contra Todas, organizada por 16 entidades ligadas a causas feministas e de defesa da criança e do adolescente, foi motivada pelo caso da menor estuprada por mais de 30 homens no Rio de Janeiro. Um vídeo com imagens do crime foi publicado na internet na última quarta-feira (25), causando comoção nas redes sociais e a entrada da polícia no caso.

Sob gritos de ordem como Mexeu com uma, mexeu com todas, Não tem justificativa e Lugar de mulher é onde ela quiser, as manifestantes seguiram até a frente do Supremo Tribunal Federal (STF), onde derrubaram as grades que cercavam o local e tomaram a frente do edifício, sobre o qual foram fixadas calcinhas pintadas de vermelho, numa alusão à violência sexual contra a mulher.

“Para nós, a rua é um campo de batalha. Os homens não têm ideia do medo que a gente vive diariamente. Todos têm esse potencial de ser agressor, porque é natural de nossa cultura subjugar a mulher. Essa desconstrução é muito difícil, mas vamos enfrentar”, disse a professora Daniela Gontijo, de 29 anos.

A estátua de Têmis, a deusa da Justiça, que fica em frente ao STF teve o colo coberto por flores e por cartazes nos quais se liam Fere o Corpo, Fere a Alma e Mulheres Contra a Cultura de Estupro. As mulheres gritavam também palavras de ordem contra o presidente da República interino, Michel Temer, e o ministro do STF Gilmar Mendes.

“Só com escola e com políticas públicas que se pode combater qualquer tipo de violência, e em especial a violência contra a mulher e o machismo”, opinou Ana Beatriz Goldstein, funcionária da Secretaria da Mulher do Distrito Federal e uma das organizadoras do ato. Segunda ela, dezenas de diretoras de escolas públicas estavam presentes.

A estimativa de público dada pelas organizadoras foi maior do que a da Polícia Militar, segundo a qual cerca de 2 mil pessoas compareceram ao ato.


Fonte: Portal Agência Brasil

Sem ministras, Brasil perde 22 posições em ranking de igualdade de gênero


A ausência de mulheres no comando de ministérios do governo do presidente interino Michel Temer pode levar o Brasil a despencar 22 posições no ranking de igualdade de gênero do Forum Econômico Mundial.

O ranking, conhecido como Índice Global de Desigualdade de Gênero, é publicado anualmente - a próxima edição deve ser divulgada no segundo semestre deste ano.

A pedido da BBC Brasil, a organização calculou o impacto imediato de um gabinete composto somente por homens na posição do Brasil na lista, e constatou que este cairia da 85ª posição para a 107ª no cômputo geral.

Se todos os outros parâmetros se mantivessem estáveis, "somente a mudança no gabinete faria a posição do Brasil despencar de 85 para 107 dentre os 145 países, e no nosso sub-índice de Empoderamento Político de 89 para 139" afirmou Saadia Zahidi, chefe para Iniciativas de Gênero e Emprego do Fórum.

A queda relativamente brusca se deve ao fato de ser raro, atualmente, um país não possuir pelo menos uma mulher dirigindo um ministério. "Observamos todos os países do nosso estudo e há apenas quatro onde existem mais mulheres do que homens em posições ministeriais, por outro lado, há também apenas cinco onde o número de mulheres ministras é zero".

Tomando-se por base os dados citados por Zahidi, o Brasil entraria para o seleto clube dos países sem ministras ao lado de Brunei, Hungria, Arábia Saudita, Paquistão e Eslováquia.


Estudo

O Índice Global de Desigualdade utiliza dados de pesquisas de percepção e de análises cedidos por várias organizações internacionais (como a Organização Internacional do Trabalho, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e a Organização Mundial da Saúde) para avaliar a situação das mulheres na sociedade, subdividindo-se em categorias como Participação Econômica e Oportunidade; Conquista Educacional; Saúde e Sobrevivência; e Empoderamento Político.

É nesse último quesito em que a ausência de mulheres no gabinete de governo tem maior impacto - fazendo o Brasil cair 50 posições. O cálculo leva em conta números atualizados e fornecidos pela União Interparlamentar, organização que agrega dados de governos do mundo todo.

A fórmula que avalia o nível de Empoderamento Político baseia-se na quantidade de mulheres para homens em posições ministeriais e no Parlamento. Também é levado em consideração o tempo que o cargo mais alto do país (presidência ou primeiro ministro) permaneceu ocupado por mulheres nos últimos 50 anos.

No relatório do ano passado - em que aparece na 85ª colocação geral - o Brasil teve bom desempenho nos quesitos Conquista Educacional e Saúde e Sobrevivência atingindo a pontuação máxima de igualdade. Decepcionou, porém, nos outros dois quesitos, Participação Econômica e Oportunidades e Empoderamento Político.

"O Brasil regrediu levemente, caindo 14 posições desde 2014. Isso se dá possivelmente porque houve queda no número de mulheres em posições de ministérios (de 26% para 15%)", afirma o documento.

Entre 1990 e 2015, o Brasil teve 34 ministras. Dessas, 18 estiveram à frente de pastas durante o período em que Dilma Rousseff foi presidente (2011-2016), de acordo com dados publicados pela estatal de comunicações EBC.


Mulheres no poder

Para Zahidi, a ausência de mulheres no poder é sintoma da falta de políticas que estimulem oportunidades iguais - e não da falta de capital humano.

"Já faz muito tempo que a América Latina superou a discrepância educacional entre homens e mulheres. Há 20, 30 anos, em alguns países elas já eram a maioria a se formar em universidades (…) Essa força de trabalho extremamente hábil são mulheres de 40 e 50 anos, que não ocupam posições de liderança."

"Então, alguma coisa deu errado no meio do caminho. Elas não foram integradas em posições de liderança como deveriam ter sido, considerando o potencial que representam".

"As mudanças que precisavam acontecer nas estruturas institucionais simplesmente não aconteceram. O ambiente de políticas necessárias não aconteceu", lamenta.

Dividendos da diversidade

Zahidi aponta para pesquisas que revelaram que "a desigualdade (entre gêneros) é menor em países onde mais mulheres estão engajadas em tomadas de decisões políticas".

"Além disso, estudos mostraram que mulheres tendem a defender investimentos em áreas diferentes do que homens, produzindo resultados mais democráticos na distribuição de recursos", afirma.

"Isso é semelhante ao chamado 'dividendo da diversidade' em negócios, quando equipes tomam decisões melhores por meio de uma variedade de perspectivas", explica Zahidi.

Um estudo da empresa de consultoria McKinsey divulgado em janeiro de 2015 revelou que empresas com uma força de trabalho mista, composta de homens e mulheres de diferentes raças, registram lucros 35% superiores às empresas onde não há o "dividendo da diversidade".

"Nas nossas pesquisas notamos a correlação entre a representação política de mulheres fortes e o aumento na participação de mulheres na força de trabalho, por vezes devido a um efeito de 'modelo', que inspira meninas e mulheres a se tornarem engajadas em ambas atividades políticas e econômicas", concluiu Zahidi.


Polêmica

Assim que anunciou seu gabinete, Temer foi criticado pela ausência de mulheres.

Diversas personalidades do mundo artístico foram sondadas para a pasta da Cultura - "rebaixada" para Secretaria - e teriam se recusado a ocupar a posição.

Ela acabou sendo assumida por Marcelo Calero, depois de recuperar o status de Ministério.

Entre as poucas mulheres que acabaram com cargos importantes no governo estão a executiva Maria Silvia Bastos, ex-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional, designada para a chefia do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, BNDES; a Chefe do Gabinete Presidencial, Nara de Deus, e Secretária de Direitos Humanos, Flávia Piovesan.

Em entrevista à BBC Brasil Piovesan ressaltou que "nunca houve antes uma mulher no BNDES", e que isso seria um meio "muito importante para o exercício do poder". Mas reconheceu que era pouco apenas a presença de ambas no governo. "Claro. Tem que avançar e espero que avancemos".


Fonte: Jornal BBC Brasil (Reino Unido)

‘Impedir vítimas de estupro de tomar a pílula do dia seguinte é dar impunidade ao agressor’


A senadora Ângela Portela, do PT de Roraima – estado com a maior taxa de estupros do país – avalia que a decisão de proibir a entrega da pílula do dia seguinte para mulheres vítimas de estupro, aprovada pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da Câmara na última semana, é uma forma de penalizá-las mais uma vez, ao mesmo tempo em que dá impunidade ao agressor.

Para a parlamentar, a decisão dificulta ainda mais o combate ao estupro. “Se o projeto visa a penalizar as mulheres que usarem a pílula, por causa do estupro, estaremos diante da não punibilidade do agressor. Daí, o combate ao estupro ficará mais difícil”, diz. “Há um estereótipo de que as mulheres vítimas de estupro são culpadas. Tudo pode justificar o crime: ela estava andando sozinha, ela estava de saia curta, ela bebeu, ela entrou no carro, ela deixou ele entrar no apartamento.”

Só no ano passado, foram registrados 47.646 estupros no Brasil, segundo dados oficiais das secretarias estaduais da Segurança coletados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Foram contabilizadas, ainda, 5.042 tentativas de estupro. Roraima é o estado com a maior taxa do país: 55,5 casos a cada 100 mil habitantes. Espírito Santo tem a menor média: 6,1. Só outros três estados têm uma taxa inferior a 10 a cada 100 mil: Rio Grande do Norte (8,7), Goiás (9,4) e Minas Gerais (7,1).

A senadora não foi específica nas questões relativas a seu estado. “De modo geral, falando do Brasil como um todo, acredito que o tradicionalismo e o perfil machista e violento da sociedade têm uma interferência no quantitativo de crimes, especialmente nas ocorrências de estupro”, diz a senadora.



Confira a entrevista


Roraima é o estado com a maior taxa de estupros do país, segundo levantamentos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Que fatores colocam o estado no primeiro lugar do ranking?
Esses números refletem a banalização da violência, o conservadorismo e a forma como o estupro é visto pela sociedade. Na maioria das vezes, mulheres que sofrem violência sexual ainda são tratadas como “provocadoras” do crime, e não como vítimas. Muitas delas não denunciam à polícia por medo e vergonha. Também é preciso melhorar os equipamentos sociais de amparo às mulheres e assim fazer com que se sintam mais seguras para denunciar e pedir ajuda.

Como esse índice alto se reflete no dia a dia das pessoas do estado?

São várias situações. A primeira refere-se ao medo constante dos pais e adolescentes, considerando esse índice alarmante. O segundo, como já disse, é o estereótipo de que as mulheres vítimas de estupro são culpadas pela sociedade. Tudo pode “justificar” o ato abominável do estupro: ela estava andando sozinha, ela estava de saia curta, ela bebeu, ela entrou no carro, ela deixou ele entrar no apartamento. E por fim o medo de denunciar, que pode levar o agressor a reincidir no crime.

As taxas de estupro em outros estados da região amazônica também são altas. Que características regionais interferem para que isso ocorra?
De modo geral, falando do Brasil como um todo, acredito que o tradicionalismo e o perfil machista e violento da sociedade têm uma interferência no quantitativo de crimes, especialmente nas ocorrências de estupro. Eu acho que quanto menos educada a sociedade, maior a ocorrência dos crimes de modo geral, e da violência contra a mulher, especificamente. A questão cultural é preponderante, e o perfil do estuprador não tem relação com cor ou condição social.

O que tem sido feito para reverter esse quadro e combater esse crime em Roraima?

Roraima tem projetos de promoção de políticas públicas para o combate à violência contra a mulher. O governo do estado (gerenciado por Maria Suely Silva Campos, do PP) mantém a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), que investiga todos os casos relacionados à violência contra a mulher, inclusive os de estupro. Além disso, conta com a Casa Abrigo de Maria, que visa a proteger as mulheres dos agressores, com a Coordenação Estadual de Políticas Públicas para as Mulheres e trabalha na implementação do Programa ‘Mulher Viver sem Violência’, visando a garantir o atendimento integral e humanizado às mulheres em situação de violência.

Quais as maiores dificuldades no combate ao estupro? O que falta para avançar?

As soluções passam por investimentos maiores em políticas de enfrentamento à violência, o que inclui melhor segurança nas ruas, campanhas de conscientização e inclusão de debates sobre esse tema na educação, além de medidas legislativas de combate à impunidade.

No último dia 21, a CCJ da Câmara aprovou um projeto de lei que proíbe a venda da pílula do dia seguinte. Isso prejudica o combate ao estupro?
Consideravelmente, sim. A pílula do dia seguinte, hoje garantida por lei, visa a evitar que a vítima de estupro venha a engravidar de uma pessoa que a estuprou. Se o projeto visa a penalizar as mulheres que usarem a pílula, por causa do estupro, estaremos diante da não punibilidade do agressor. Daí o combate ao estupro ficará mais difícil.

Por que esse avanço conservador no Congresso dificulta mais as ações de combate ao estupro?

Do ponto de vista político, o avanço do conservadorismo no Congresso Nacional é delicado. Ali, é a casa de todas as vozes e pensamentos, mas não podemos deixar que a vontade de poucos se sobreponha às concepções da maior parcela da sociedade. Quero com isso dizer que não acredito que boa parte da sociedade aceite que uma mulher estuprada seja penalizada, por se recusar a ter uma gravidez que é fruto de um crime.

Também vimos na última semana uma série de comentários de cunho extremamente sexualizado dirigidos a uma criança de 12 anos, participante de um programa de TV, que caracterizaram pedofilia. Existe uma cultura de estupro no país? Por quê? Como combatê-la?

Não diria que existe uma cultura do estupro. Diria que existe uma cultura machista, patriarcal e discriminatória, que impõe à mulher um papel de subalternidade. Neste contexto, há homens que se sentem donos do corpo, da cabeça e até mesmo da vida das mulheres. Assim, podem explorar sexualmente, estuprar, agredir e até mesmo matar uma mulher, como mostram os índices de assassinato de mulheres em nosso país.

E pouco importa a idade. Daí a prática de pedofilia, que também é um crime, em geral praticado contra as mulheres, mas que também atinge garotos. O caso da pequena Valentina (participante do Master Cef Júnior, da TV Bandeirantes), de 12 anos, é um horror e revela que realmente estamos diante da sexualização da infância. Para combatermos toda esta cultura machista, precisamos lutar muito. Começando por intensificarmos as políticas de combate às práticas de violência sexistas. Temos leis importantes, como a Lei Maria da Penha, a Lei do Feminicídio, e a lei de punição ao estupro. Precisamos também garantir delegacias de defesa da mulher, varas e juizados e as casas de referência, que acolham e apoiem as vítimas.


Fonte: Revista Fórum

Zika: OMS nega pedido de cientistas para adiar Olimpíada do Rio


A Organização Mundial da Saúde (OMS) rebateu hoje (28) as declarações de um grupo de cientistas e afirmou que não há motivos para adiar ou cancelar os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, previstos para agosto, devido ao surto do vírus Zika. Na avaliação da OMS, eventual mudança no calendário da competição não alteraria significativamente a propagação do vírus. O Brasil é um dos 60 países que registraram a presença do Zika em seu território.

"Com base na avaliação atual do vírus Zika circulando em quase 60 países globalmente e em 39 nas Américas, não há nenhuma justificativa de saúde pública para adiar ou cancelar os Jogos. A OMS continuará monitorando a situação e atualizando as recomendações, se necessário", afirmou a entidade, em comunicado.

A manifestação da OMS foi provocada por uma carta aberta na qual pesquisadores de pelo menos 15 países pediram à organização e ao Comitê Olímpico Internacional (COI) o adiamento do evento esportivo em nome “da saúde pública” devido à presença do vírus Zika na cidade.

Em nota, a OMS também ressaltou que está fazendo recomendações ao governo brasileiro e ao Comitê Olímpico sobre formas de reduzir o risco de atletas e turistas de contraírem o vírus durante os Jogos, como o combate ao mosquito Aedes aegypti,que além do Zika, transmite a febre chikungunya, febre amarela e a dengue.

Ontem (27), após a divulgação da carta dos cientistas, o Ministério da Saúde esclareceu que o mês de agosto, quando a competição será realizada, é o período do ano de baixa incidência das doenças provocadas pelo mosquito. O ministério ressaltou ainda o fato de a OMS não ter feito nenhuma recomendação para restrição de viagens, exceto às grávidas.


Fonte: Portal Agência Brasil

Brasil reduziu desmatamento, mas ainda enfrenta diversas ameaças à biodiversidade, alerta PNUMA


O Brasil tem apresentado avanços na redução do desmatamento da Amazônia e do Cerrado, mas precisa fortalecer a proteção da Mata Atlântica e combater ameaças — que incluem atividades da agricultura, mineração, geração de energia, pesca e extração de petróleo — a sua biodiversidade.

A conclusão é de um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), publicado no último domingo (20) — Dia Internacional para a Diversidade Biológica. O documento avalia os progressos da América Latina e do Caribe no cumprimento das Metas de Aichi de Biodiversidade, adotadas por mais de 190 países em 2010.

De 2005 a 2009, o Brasil registrou uma queda de 36% na taxa de desflorestamento da porção da Amazônia em seu território. Na comparação entre os anos 1990 e 2000, o índice anual de perda da cobertura vegetal do Cerrado caiu de 0,79% para 0,44%.

Apesar desses progressos, a análise do PNUMA estima que, de 1990 a 2015, o Brasil registrou uma redução de quase 55 mil hectares no tamanho de suas florestas. Até o ano passado, o maior compromisso de reflorestamento feito pelo país previa a restauração de cerca de 12 mil hectares.

A agência da ONU alerta para a situação da Mata Atlântica brasileira — que foi dramaticamente fragmentada e é, atualmente, composta por zonas separadas que não ultrapassam os mil hectares cada.

Segundo o PNUMA, a fragmentação de todos os tipos de florestas afeta negativamente não só a biodiversidade local, mas também a capacidade de a vegetação estocar carbono.

Ao lado da Caatinga e do Pantanal — região pantanosa mais extensa em todo o planeta —, o Cerrado também corre riscos associados a mudanças no uso das terras nas regiões onde a vegetação é encontrada. A expansão da agropecuária é citada como uma das ameaças ao bioma que, no Brasil, concentra a maior biodiversidade do mundo verificada em áreas de savana.

O incidente envolvendo a ruptura das barragens da Samarco em novembro de 2015 foi lembrado pelo PNUMA como exemplo de perigo associado à mineração para os habitats naturais brasileiros.

Segundo a agência das Nações Unidas, desde o final do ano passado, o Brasil enfrenta efeitos “devastadores” da liberação de substâncias tóxicas que já percorreram 850 km e se deslocaram de Minas Gerais até o Espírito Santo.

O PNUMA citou ainda outros casos de contaminações do meio ambiente provocadas por atividades mineradoras e extrativistas, como os vazamentos de petróleo em Loreto e o despejo de resíduos nocivos em córregos na Amazônia — prática realizada por décadas e suspensa apenas em 2009 por pressão de comunidades indígenas.


Investimentos trazem riscos para região da bacia Amazônia

O programa da ONU chama atenção também para os investimentos em infraestrutura na bacia Amazônica: 416 represas já estão operando ou estão em construção na região e outras 334 já foram propostas ou planejadas.

Brasil, Chile e Equador são citados como as nações que concentram o maior número desses projetos — que podem levar à ampliação de redes rodoviárias para porções da Amazônia antes intocadas. Comércio e busca por bens como madeira, minérios e petróleo podem motivar expansões capazes de provocar degradação ambiental, ressalta o PNUMA.

O relatório destaca a dependência dos estados latino-americanos e caribenhos de recursos oriundos de habitats naturais. Mais de dois terços do abastecimento de energia do Brasil, por exemplo, é fornecido por hidrelétricas — proporção que tende a aumentar devido a projetos já previstos para a bacia Amazônica.

Reservas privadas, parcerias internacionais e terras indígenas são destaques na proteção de habitats naturais
Ainda sobre a porção brasileira da bacia Amazônica, o PNUMA considerou como uma das mais efetivas formas de proteção da natureza a categorização oficial de faixas do território como “terras indígenas”. Evidências indicam que florestas administradas por indígenas apresentaram taxas anuais de desmatamento menores e menos variáveis do que em outras regiões protegidas.

O relatório elogia o projeto Gestão Ambiental e Territorial Indígena (GATI), que já foi implementado em 32 terras indígenas desde 2010 — escolhidas para contemplar todos os biomas florestais brasileiros, mas também pelo fato de registrarem ameaças à biodiversidade que poderiam ser contidas pela iniciativa.

O programa busca fortalecer as práticas de uso sustentável e conservação dos recursos naturais através de capacitação e eventos de troca de informações.

A pesquisa do PNUMA também destaca o impacto positivo que propriedades privadas protegidas podem ter em meio aos esforços de conservação. No Brasil, a rede privada de reservas já alcança quase 480 mil hectares.

De acordo com a agência das Nações Unidas, essas terras podem conscientizar comunidades sobre os benefícios da preservação ambiental e complementar — mas não substituir — o papel das unidades de conservação do Estado.

O PNUMA revela ainda que um quinto da Amazônia brasileira está sob proteção de 300 unidades de conservação através de iniciativas como a Integração de Áreas Protegidas do Bioma Amazônico (IAPA) — uma parceria do programa da ONU, da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o World Wildlife Fund e a União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN).


Pesca excessiva e poluição ameaçam vida marinha

O Brasil também é citado no relatório — junto com a Colômbia e o Peru — por abrigar comunidades pesqueiras que poderão ser afetadas pelo colapso dessa atividade — causado por gestões não sustentáveis e ineficientes dos recursos naturais.

Em décadas recentes, a pesca continental registrou uma queda de cerca de 60% na produção, que está sob pressão de métodos tradicionais ignorados por políticas que visam à implementação de estratégias mais sustentáveis.

Outra ameaça à vida marinha no Brasil é a poluição. O país apresenta “zonas oceânicas mortas” onde a biodiversidade dos mares não consegue sobreviver devido aos baixos níveis de oxigênio da água. A maior parte dessas regiões estaria associada a áreas urbanas, como Recife, Rio de Janeiro e São Paulo.

Brasil é um dos campeões da agricultura sustentável

Apesar dos diversos desafios à preservação da biodiversidade, o Brasil também foi destaque na análise do PNUMA por abrigar a terceira maior área de cultivo do mundo adequada ao Padrão da Rede de Agricultura Sustentável (SAN) — quase 236 mil hectares distribuídos por 339 fazendas, a maioria das quais é de cafeicultores.

Informação e monitoramento são pontos fortes de estratégias brasileiras

O país foi elogiado ainda por ser o único Estado que realiza um acompanhamento quantitativo da conscientização da população sobre a perda de biodiversidade. Em 2012, 50% dos brasileiros tinham conhecimento sobre o tema — índice que representa um aumento em comparação aos 43% de 2006.

Iniciativas para monitorar e projetar riscos para espécies também foram louvadas por preverem diferentes cenários de acordo com a execução plena ou não do Código Florestal brasileiro.

As estimativas indicam que a aplicação da lei poderá ter impactos negativos segundo a espécie analisada, pois o Código poderá instituir mudanças no uso da terra que vão diminuir o território que alguns animais — como o tatu-bola-da-caatinga — possuem atualmente como habitat.


Fonte: Portal da ONU

Novo regulamento facilita acesso de pessoas com deficiência


O Conselho Diretor da Anatel aprovou nesta sexta-feira (20) um regulamento com o objetivo de assegurar o acesso a serviços e equipamentos de telecomunicações às pessoas com deficiências auditivas, visuais, motoras e cognitivas em igualdade de condições com as demais pessoas, tanto na zona urbana quanto rural.

O Regulamento Geral de Acessibilidade em Serviços de Telecomunicações de Interesse Coletivo (RGA) beneficiará cerca de 45,6 milhões de brasileiros que declararam algum tipo de deficiência, segundo o Censo de 2010. Também trará benefícios para um segmento crescente da população: os idosos, que tendem a apresentar deficiências em algum momento ao longo da vida. De acordo com projeções do IBGE, os idosos representarão 18,7% da população em 2030 ­- hoje constituem 10,8%.

Para o secretário nacional da Pessoa com Deficiência da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Antonio José Ferreira, o regulamento traduz o avanço da pauta na promoção e defesa dos direitos da pessoa com deficiência nos últimos anos.

"O RGA é uma prova inequívoca da eficácia da articulação que a Secretaria vem fazendo no governo nos últimos anos. Sementes plantadas transformam-se em conquistas para as pessoas com deficiência em forma de acessibilidade comunicacional, que garante a esse segmento equiparação de oportunidades. De parabéns as pessoas com deficiência que por sua luta fazem do Brasil um país para todos."


Novas regras

Entre as novas regras, constam a ampliação de funcionalidades e facilidades nos equipamentos usados para telecomunicações e a implementação de melhorias no atendimento das prestadoras, tanto de forma remota quanto presencial. As empresas deverão, por exemplo, disponibilizar páginas na internet acessíveis e garantir aos seus clientes com deficiências mecanismos de interação como mensagem eletrônica, webchat e videochamada.

As prestadoras terão a obrigação de disponibilizar ao assinante com deficiência visual a opção de receber cópia de documento (contrato de prestação do serviço e contas, por exemplo) em braile, com fontes ampliadas ou outro formato eletrônico acessível, mediante solicitação.

Deverão, ainda, ofertar planos de serviços para pessoas com deficiência auditiva, garantindo que somente sejam cobrados os serviços condizentes com esse tipo de deficiência, e possuir atendimento especializado que possibilite a melhor comunicação às pessoas com deficiência auditiva no seu setor de atendimento presencial.

No caso das Centrais de Intermediação de Comunicação (CIC) colocadas à disposição de deficientes auditivos pelas prestadoras para comunicação entre si e com as demais pessoas, há previsão de intermediação por vídeo e por mensagens, de forma gratuita, em tempo integral.

O regulamento unifica dispositivos antes dispersos em outras normas da Anatel e está em conformidade com as proposições da Convenção sobre Direito das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo, incorporadas ao arcabouço jurídico brasileiro por meio do Decreto Legislativo nº 186/2008, tendo equivalência às emendas constitucionais.

Para acompanhamento da implantação do regulamento, será constituído um grupo composto pela Anatel e pelas prestadoras, com possibilidade de participação de representantes do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

Será ainda criado um ranking comparativo entre as prestadoras, de acordo com as ações de acessibilidades promovidas por elas, com a finalidade de incentivar melhorias no atendimento aos usuários com deficiência.


Fonte: Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel)

Artigo - Não Estamos Preparados Para Sermos “Pais” De Nossos Pais


Por: Portal Raízes

Nascemos filhos. E esperamos ser filhos para sempre. Mimados, educados, amados.
Que nossos pais invistam doses cavalares de amor em todo nosso caminho pela vida. Quando a vida doer, haja um colo materno. Quando a vida angustiar, encontremos neles um conselho sábio. E, quando isso nos falta, há sempre uma lacuna, um sentimento estranho de sermos exceção.

Mesmo adultos, esperamos reconhecer nossa meninice nos olhos dos nossos pais. Desejamos, intimamente, atenções miúdas, como a comida favorita no dia do aniversário ou a camiseta do time de futebol se estamos na casa deles.

Não estamos prontos para trocar de lugar nessa relação.

É difícil aceitar que nossos pais envelheçam. Entender que as pequenas limitações que começam a apresentar não é preguiça nem desdém. Não é porque se esqueceram de dar o recado que não se importam com a nossa urgência. Que pedem para repetirmos a mesma frase porque não escutam mais tão bem – e às vezes, não está surdo o ouvido mas distraído o cérebro. Demora até aceitarmos que não são mais os mesmos – que dirá “super-heróis”? Não podemos dividir toda a nossa angústia e todos os nossos problemas porque, para eles, as proporções são ainda maiores e aí tudo se desregula: o ritmo cardíaco, a pressão, a taxa glicêmica, o equilíbrio emocional.

Vamos ficando um pouco cerimoniosos por amor. Tentando poupar-lhes do que é evitável. Então, sem querer, começamos a inverter os papéis de proteção. Passamos a tentar resguardar nossos pais dos abalos do mundo.

Dizemos que estamos bem, apesar da crise. Amenizamos o diagnóstico do pediatra para a infecção do neto parecer mais branda. Escondemos as incompreensões do casamento para parecer que construímos uma família eterna.
Filtramos a angústia que pode ser passageira ao invés de dividir qualquer problema. Não precisam preocupar-se: estaremos bem no final do dia e no final das nossas vidas. Mas, enquanto mudamos esses pequenos detalhes na nossa relação, ficamos um pouco órfãos. Mantemos os olhos abertos nas noites insones sem poder correr chorando para a cama dos pais. Escondemos deles o medo de perder o emprego, o cônjuge ou a casa para que não sofram sem necessidade e, aí, estamos sós nessa espera; não há colo nem bala nem cafuné para consolar-nos.

Quanto mais eles perdem memória, vigor, audição, mais sozinhos nos sentimos, sem aceitar que o inevitável aconteceu. Pode até surgir alguma revolta interior por esperar deles que reagissem ao envelhecimento do corpo, que lutassem mais a favor de si, sem percebermos, na nossa própria desorientação, que eles não têm a mesma consciência que nós, não têm como impedir a passagem do tempo ou que possuem, simplesmente, o direito de sentirem-se cansados.

Então pode chegar o dia em que nossos pais se transformem, de fato, em nossos filhos. Que precisemos lembrá-los de comer, de tomar o remédio ou de pagar uma conta. Que seja necessário conduzi-los nas ruas ou dar-lhes as mãos para que não caiam nas escadas. Que tenhamos que prepará-los e colocá-los na cama. Talvez até alimentá-los, levando o talher a sua boca.


E eles serão filhos que darão mais trabalho porque lembrarão que são seus pais. Reagirão as suas primeiras investidas porque sabem que, no fundo, você sabe que lhes deve obediência. Enfraquecerão seus primeiros argumentos e tentarão provar que ainda podem ser independentes, mesmo quando esse momento tiver passado, porque é difícil imaginarem-se sem o controle total das próprias rotinas. Mas cederão paulatinamente, quando a força física ou mental reduzir-se e puderem encontrar no seu amor por eles o equilíbrio para todas as mudanças que os assustam.

Não será fácil para você. Não é a lógica da vida. Mesmo que você seja pai, ninguém o preparou para ser pai dos seus pais. E se você não o é, terá que aprender as nuances desse papel para proteger aqueles que ama.

Mas, se puder, sorria diante dos comentários senis ou cante enquanto estiverem comendo juntos. Ouça aquela história contada tantas vezes como se fosse a primeira e faça perguntas como se tudo fosse inédito. E beije-os na testa com toda a ternura possível, como quando se coloca uma criança na cama, prometendo-lhe que, ao abrir os olhos na manhã seguinte, o mundo ainda estará lá, como antes, intocável, para ela brincar.

Porque se você chegou até aqui ao lado dos seus pais, com a porta aberta para interferir em suas vidas, foi porque tiveram um longo percurso de companheirismo. E propor-se a viver esse momento com toda a intensidade só demonstrará o quanto é grande a sua capacidade de amar e de retribuir o amor que a vida lhe ofereceu.


Fonte: Portal Raízes

Nas Américas, mulheres pagam até 40% mais caro por serviços de saúde, alerta OPAS


Nas Américas, as mulheres pagam de 16 a 40% a mais por serviços de saúde, embora proporcionem mais cuidados não remunerados que os homens – como assistência a familiares idosos. O público feminino da região também apresenta um maior número de necessidades médicas não atendidas.

As informações são da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), que participou na terça-feira (24) de um simpósio sobre saúde e igualdade de gênero durante a 22ª Conferência Mundial da Saúde, em Curitiba.

Segundo a coordenadora da Unidade Técnica de Gênero, Família e Curso de Vida da agência regional da ONU, Haydee Padilla, apesar das disparidades registradas entre homens e mulheres, países americanos têm conquistado avanços significativos.

“Em uma pesquisa recente da OPAS/OMS, verificamos que 19 de 32 Estados adotaram políticas para gênero e saúde, 88% têm dados separados por sexo e idade, 53% têm dados separados por etnia e 56% comprometeram recursos para aumentar capacidades em gênero e saúde”, explicou.

“Com informações detalhadas, somos mais assertivos no que fazemos e podemos evidenciar ante os tomadores de decisões quais os problemas e onde utilizar melhor os recursos.”

Também presente no encontro, a representante da ONU Mulheres no Brasil, Nadine Gasman, destacou que “mais da metade da população brasileira é formada por mulheres e negros”.

“Por isso, precisamos falar de gênero e raça. Precisamos de ações afirmativas, fazer coisas especiais para as populações que estão ficando para trás, porque temos que caminhar todos juntos”, ressaltou.


Homem branco heterossexual não pode ser padrão de políticas públicas

O pesquisador e professor da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Marcos Nascimento, destacou ser necessário que a população masculina participe mais ativamente da promoção da saúde reprodutiva. “Muitos homens não se preocupam com isso, como se reprodução fosse uma tarefa apenas da mulher.”

O especialista alertou ainda que, quando se trata de gênero e masculinidade, não se podem esquecer questões como raça, etnia, pobreza e orientação sexual.

De acordo com o psicólogo e ex-coordenador da Política Nacional de Atenção Integral da Saúde do Homem, Eduardo Schwarz, o desafio de trabalhar com gênero é integrar o modelo biomédico com o biopsicossocial.

“Cada homem é um universo e está dentro de um coletivo. Não estou falando só do homem branco, heterossexual, de classe média. Estou falando também de negros, das travestis, de pescadores, índios”, disse.


Preconceito contra pessoas trans é obstáculo ao acesso à saúde

Outra participante do simpósio, a professora do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade Federal de Uberlândia, Flávia Teixeira, chamou atenção para a discriminação enfrentada pela população trans em locais de atendimento.

“Para garantir o acesso aos serviços de saúde para pessoas trans, é necessário que profissionais e serviços de saúde sejam, concomitantemente, competentes e respeitosos”, alertou.

Segundo a especialista, o preconceito costuma fazer esse grupo adiar ao máximo o uso dos serviços de saúde e, assim, acessar mais os serviços de emergência. “É preciso capacitar os serviços de emergência porque é muitas vezes a porta de entrada delas e, em muitas situações, a única porta de entrada.”

Teixeira também ressaltou a necessidade de não reduzir o/a transexual como “presa no corpo errado”. “Não se deve antecipar a demanda, deixe que a pessoa informe a queixa.”

A professora enfatizou ainda que as instalações físicas das unidades de saúde precisam estar adequadas para legitimar o reconhecimento da população trans nos serviços de saúde.

“É o caso do acesso ao banheiro, da presença de cartazes, da conscientização de todos os profissionais, começando pelos responsáveis pela segurança e recepção. Com medidas como essas, você acaba com aquele sentimento de improviso e favor”, explicou.

Saiba mais sobre a participação da OPAS na 22ª Conferência Mundial da Saúde aqui.

Fonte: Portal da ONU

Políticas de saúde, educação e mediação de conflitos por terra são prioridades para indígenas


Com o mote igualdade, respeito e reconhecimento, os indígenas que lutam por terras e pelo respeito à vida participaram da 12ª Conferência Nacional de Direitos Humanos, realizada no último mês de abril, em Brasília.

O movimento indígena é unânime ao defender que a demarcação de terras é o único mecanismo capaz de superar definitivamente os conflitos entre indígenas e produtores rurais. Mas os entraves para que os territórios sejam restituídos se multiplicaram nos últimos anos. “Hoje os ataques aos povos indígenas acontecem de forma articulada nos três poderes da República. No Executivo, há a decisão de paralisar a demarcação, no Legislativo, há constantes ameaças de retrocessos e de impedir o acesso aos territórios, e no Judiciário se torna cada vez mais comum a interpretação que leva a decisões de revisão ou cancelamento dos processos demarcatórios já concluídos”, denuncia Sônia Guajajara, líder e ativista indígena.

A presidente do Conselho Nacional de Direitos Humanos, Ivana Farina, afirma que a 12ª Conferência Nacional de Direitos Humanos foi um encontro para agregar histórias e conhecimentos. "Há pessoas e mais pessoas, com diferentes credos e vidas. A junção desses diferentes valores dar-se-á para que haja um bom resultado em todas as áreas", disse.

Segundo Ivana, a população indígena precisa de ajuda. "É um povo sofrido, que luta muito para que suas reivindicações resultem bem. Nós vamos ajudá-los e estamos juntos para lutar junto", diz.

A ativista Sônia afirma também que o encontro da 12ª Conferência Nacional de Direitos Humanos foi proveitoso e pode ter resultados. “Conhecemos e conversamos com muitas pessoas diferentes com visões boas sobre vários assuntos. Acredito que essa conferencia possa ajudar e muito o nosso povo”, diz.

Para o Cacique Paraguassu Gomes, da Aldeia Bananal, em Peruíbe, litoral sul do estado de São Paulo, afirma que a maior luta dos povos indígenas, atualmente, é sobre a demarcação de terras. “Sabemos que hoje a situação das demarcações estão muito lenta e o indígena precisa muito de ter suas terras garantidas para a preservação de sua identidade costumes rituais e o convívio em geral com a natureza”, explica.


Educação e Saúde

A política de saúde para os povos indígenas é uma das questões mais delicadas da política indigenista. Sensíveis às enfermidades trazidas por não-índígenas e habitando regiões de difícil acesso, esses povos são vítimas de doenças como malária, tuberculose, infecções respiratórias, hepatite, doenças sexualmente transmissíveis, entre outras. “Queremos ter nossos direitos garantidos como na questão da saúde indígena que hoje vem sendo muito precária e desrespeitosa. Muitos indígenas morrem porque não têm o tratamento adequado”, afirma Paraguassu.

Os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) são, atualmente, de responsabilidade da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), e foram delimitados a partir de critérios epidemiológicos, geográficos e etnográficos. Cada DSEI possui um conjunto de equipamentos que permite a realização do atendimento de casos simples, ficando as ocorrências de alta complexidade a cargo de hospitais regionais, implicando em um aparato para remoção dos doentes.

O controle social se dá por meio dos Conselhos Indígenas de Saúde (Condisi), que garantem, ao menos no plano da legislação, a participação dos índios na gestão dos DSEIs. Os conselheiros são escolhidos pelas comunidades atendidas e participam de reuniões periódicas organizadas pelos gestores de cada DSEI. Na prática, a relação entre os povos indígenas e esses gestores é tensa, permeada por problemas relacionados à gestão e a aplicação de recursos.

Segundo Paraguassu, há dificuldade nas escolas porque são fora das tribos. “O indígena quando sai de sua aldeia para estudar fora é submetido a outros costumes e ainda há muito preconceito por ser indígena e estar ali no meio do não indígena. Eu mesmo já sofri muito quando estudava fora da aldeia e hoje sabemos que escolas ensinam tudo coisas boas, mas também muitas coisas ruins que fazem parte da sociedade não-indígena. Não temos uma aula que conta nossa história. É tudo muito superficial, mas estamos lutando contra isso”, afirma.

Conforme o censo de 2010, cerca de 900 mil indígenas vivem no Brasil. Destes, 450 mil são mulheres e têm menos de 22 anos. A população indígena brasileira está dividida em 305 etnias que falam 274 línguas.


Fonte: Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República - SDH/PR

Como o governo Temer pode impactar os direitos LGBTs?


Com duas semanas de vida, o governo do presidente interino Michel Temer já implementou algumas mudanças no país, entre elas a extinção do Ministério das Mulheres, Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos, reduzido a uma secretaria subordinada à pasta da Justiça.

A decisão motivou preocupação entre defensores dos direitos LGBTs - cuja pauta estava entre as linhas de atuação do ministério - sobre o risco de eventuais retrocessos.

A BBC Brasil conversou com especialistas, militantes, parlamentares e outros para tentar dimensionar como a gestão Temer pode impactar a população LGBT.

Apesar de concordarem quanto à preocupação diante das decisões recentes do governo interino, os entrevistados divergem ao opinarem sobre as chances de retrocessos nos direitos de gays, lésbicas, bisexuais, travestis e transexuais.

Para um grupo, os posicionamentos e decisões recentes, somados a um Congresso crescentemente conservador e às alianças com a bancada evangélica, indicam graves possibilidades de perda de direitos conquistados. Para outro, há que se ter cautela e monitorar o desenvolvimento da agenda do governo para o setor.

Entre as preocupações estão o menor poder de influência da Secretaria de Direitos Humanos, agora não mais o status de ministério, sobre políticas públicas de outras pastas que afetam diretamente a população LGBT, como a Saúde e a Educação.

Além disso, cogita-se que o Projeto de Lei 6583/2013 (Estatuto da Família, atualmente parado na Câmara dos Deputados), que busca definir a família apenas como a união entre um homem e uma mulher, ganhe força no cenário atual, ameaçando direitos já adquiridos, como a união civil entre casais homossexuais, aprovada pelo Supremo Tribunal Federal em 2011.

Para alguns, a indicação da jurista Flávia Piovesan para comandar a secretaria é vista com bons olhos - sua carreira é ligada à defesa dos direitos da população LGBT. Outros são críticos: consideram que, ao aceitar o cargo, a advogada legitima uma administração que não estaria comprometida com tais pautas.


Poder de influência

Para a deputada federal Erika Kokay (PT-DF), que integra um grupo de parlamentares frequentemente associado a discussões em torno dos direitos LGBTs no Congresso, a falta de "transversalidade" é um dos maiores problemas.

"Quanto à união civil, por exemplo, há limites em termos de retrocessos que eles podem implementar, porque é algo aprovado pelo STF. Mas todas as políticas públicas que foram construídas nos últimos anos estão ameaçadas porque jogou-se o Ministério de Direitos Humanos no subsolo da Esplanada. Sem o poder de influenciar as outras pastas, tira-se a possibilidade de políticas transversais", diz.

Pioneiro do movimento LGBT brasileiro na década de 1970, James Green, brasilianista e professor da Universidade de Brown (EUA), se diz muito preocupado.

"Como já estamos vendo pela movimentação no Congresso, o primeiro direito adquirido que vão tentar derrubar é o decreto assinado pela presidente Dilma Rousseff no final de abril, que dá o direito de travestis e transexuais usarem seu nome social no serviço público federal", avalia.

Para ele, a ausência de mulheres ministras na gestão Temer afeta diretamente a população LGBT.

"As mulheres têm sido, ao longo do tempo, grandes aliadas do movimento LGBT, porque entendem que as questões que afetam essas populações são as mesmas que as mulheres já enfrentam há muitos anos, como assédio sexual, violência e desprezo na sociedade", indica.

Apesar de considerar o rebaixamento da pasta de Direitos Humanos um retrocesso na área, o Miguel Mesquita, superintendente estadual de Promoção dos Direitos Humanos do Rio, diz que os Estados podem dar prosseguimento às agendas já em curso, mesmo com a redução de importância do setor em Brasília.

"Será crucial que sejam fortes para que não haja retrocesso maior, mantendo seus compromissos e uma unidade de diálogo sem a necessidade de o ministério estar lá. Temos feito isso no Rio. Estamos convidando todos os núcleos estaduais de enfrentamento ao tráfico de pessoas, por exemplo, para que o encontro nacional que normalmente é feito em Brasília seja realizado aqui", diz.


Alertas

O presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Travestis e Transexuais (ABGLT), Carlos Magno Silva Fonseca, diz que o Estado brasileiro precisa se responsabilizar por essa população e lutar contra a violência.

Ele relembra as centenas de assassinatos e atos violentos contra homossexuais, travestis e transexuais ao redor do país.

"Tememos pelos iminentes retrocessos e por este governo que em tão pouco tempo deu sinais graves de perdas de direitos para nós. Temer não vai sair em defesa dos LGBTs. Não é e nem nunca foi o perfil dele, e não será do seu governo tampouco. Nosso receio é que muitas das conquistas em termos de política pública nas áreas da saúde e da rducação sejam perdidas, como a atenção aos LGBTs no SUS, por exemplo".

Fonseca afirma que a maioria das entidades do setor deve se posicionar contra a nova secretária de Direitos Humanos, e teme pela diminuição dos comitês LGBTs existentes no antigo ministério.

"Eu lamento que ela tenho entrado para esse governo, porque ela esta dando legitimidade para a extinção do ministério e a ausência de mulheres no gabinete. Ela vai ajudar a fazer uma maquiagem democrática, porque não conseguirá fazer muito, na prática, devido às cobranças que vai enfrentar. Para a ABGLT é um desserviço e gostaríamos que ela renunciasse", diz.

Ligada aos direitos humanos há mais de 20 anos como pesquisadora, professora e militante, a jurista Flávia Piovesan disse em recente entrevista à BBC Brasil que pretende atuar com independência, e que uma de suas condições para aceitar o cargo foi poder avançar nas pautas em que ela acredita.

Entre as áreas que considera mais urgentes, destacou o combate à homofobia. "Não podemos admitir desperdício de vidas em razão da intolerância pela diversidade sexual."

Questionada na conversa sobre os movimentos sociais que a criticam por ter aceito o convite, a jurista defendeu o diálogo. "Acho que é o momento de dialogarmos e de lutarmos pelo pluralismo - e não dessa separação, desses muros, dessa polarização."

A BBC Brasil procurou a SDH e o Ministério da Justiça, mas ambas as pastas não quiseram comentar a reportagem. A nova secretária ainda não assumiu o cargo.


Bancada Evangélica

Uma das preocupações levantadas pelos entrevistados são as aliança entre o Executivo e as bancadas conservadoras do Congresso, conhecidas como "BBB" ("Bíblia, Boi e Bala"), algo que já ocorria nas administrações petistas.

Dias antes da votação no Senado, que acabou por afastar a presidente Dilma Rousseff, o então vice-presidente Michel Temer apareceu em uma mensagem de vídeo, onde aparece ao lado do deputado federal Pastor Marco Feliciano (PSC-SP), falando sobre religião.

"Nós, que somos religiosos - e eu tomo a liberdade de dizer que a palavra religião vem de religo, religare -, nós todos queremos fazer uma religação dos brasileiros. Com muita fé, nós todos, eu também, vamos orar pelo nosso país", diz Temer no vídeo, exibido durante um congresso evangélico em Santa Catarina.

Paulo Iotti, diretor-presidente do Grupo de Advogados Pela Diversidade Sexual e de Gênero, baseado em São Paulo, lembra que Dilma sofreu críticas ao ceder aos conservadores em assuntos importantes, como o kit anti-homofobia que seria distribuído nas escolas do país.

"Ela estava de joelhos para o fundamentalismo religioso e o reacionarismo maral. Estava muito problemático o governo dela. Mas o governo Temer deu sinais muito ruins em pouquíssimo tempo, muitos marcos simbólicos em pouquíssimos dias", diz.

Miguel Mesquita, da Secretaria de Direitos Humanos do Estado do Rio, pondera que a interação entre os grupos evangélicos, tanto no Congresso quanto na sociedade em geral, e os movimentos LGBT precisa ocorrer com base em respeito mútuo.

"A gente não pode violar direitos em nomes de outros direitos. Os direitos LGBTs, os direitos da mulher e dos afrodescendentes têm que ser garantidos a qualquer custo, e a gente tem que entrar numa sintonia de respeito mútuo, ninguém tem o direito de avançar sobre o direitos de outro grupo", diz.


Fonte: Jornal BBC Brasil (Reino Unido)

Mulheres utilizam a poesia como forma de inserção na sociedade

Marina Mara gosta de comparar a poesia a uma bala: uma vez instalada no alvo, deixa marcas. A diferença é que, ao contrário da bala, a poesia não é passível de cirurgia. É preciso, portanto, cuidar dos versos. E Marina faz deles uma bandeira para muitas questões, assim como Juliana Motter, Noélia Ribeiro e Ádyla Maciel. Elas são poetas de gerações diferentes, mas cultivam temas afins e enxergam a poesia como forma de posicionamento político, cultural e social.

Aos 54 anos, autora de quatro livros, Noélia Ribeiro considera que, ultimamente, ficou difícil se distanciar de questões políticas e sociais. Ela tem escrito mais sobre os temas que de costume. “Minha poesia representa meu empoderamento político e social porque não tem como fugir disso”, acredita a autora de Escalafobética. “A poesia empodera sempre: é uma maneira de falar de forma bela, artística. Sempre vai ser uma arma se você souber usar, se souber comover o outro. E sempre vai ser uma arma de mudança do pensamento.”

É uma forma de pensar que também agrada a mais nova desse time de mulheres empenhadas em encarar os versos como forma de inserção no contexto social. Ádyla Maciel tem 22 anos, nasceu em Brasília e vem de uma história trágica de violência sofrida pela mãe. Estudante de letras, ela encara a poesia como instrumento de inserção social. Com verba do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), ela criou a Mostra itinerante de poesia falada, com sessões de declamação em 20 instituições de 10 cidades do Distrito Federal. Nos versos, Ádyla carrega várias bandeiras, inclusive a feminina.

Para a jovem poeta, a literatura é uma forma de união e, no caso das mulheres, uma forma de defesa. “Antigamente, as mulheres eram mais isoladas e não sabiam do poder que tinham contra o machismo. Nós conseguimos nos defender através da literatura”, diz. Política, vida familiar, as próprias experiências, tudo pontuado pela opinião, são ingredientes da poesia de Ádyla. Nos versos, ela encontra uma espécie de libertação. Filha de uma costureira, foi em Planaltina que ela encontrou, aos 12 anos, o primeiro abrigo literário na forma de saraus e de um concurso de poesia.

Mais informações no jornal citado na fonte.


Fonte: Correio Braziliense

Regulação da venda de alimento industrializado é desafio no combate à obesidade


Um acordo internacional para restringir a venda de alimentos ultraprocessados pode ajudar a combater a obesidade e a hipertensão – associadas a problemas graves de saúde. A avaliação é de especialistas que se reuniram na Conferência Mundial de Promoção da Saúde, esta semana, em Curitiba. Inspirada nos marcos legais que impuseram restrições à venda de tabaco e de bebidas alcoólicas, uma convenção poderia colocar limites à publicidade – principal responsável pelo aumento do consumo produtos na América Latina, de acordo com os cientistas.

Os alimentos ultraprocessados são aqueles industrializados prontos ou quase prontos para comer, como pizzas, lasanhas, salgadinhos, biscoitos recheados, macarrão instantâneo, nuggets (frango empanado), embutidos e refrigerantes. Para que não estraguem e tenham boa aparência, passam por procedimentos que retiram nutrientes naturais e alteram a composição.

Uma das estratégias para diminuir a procura desses itens deve ser a restrição da publicidade, defende a coordenadora do Núcleo de Alimentação e Nutrição Escola da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Inês Rugani. Ela explica que as empresas concentram investimentos em marketing, para convencer as pessoas, principalmente as crianças, a consumir. Outro desafio, acrescenta, é incluir avisos de advertência na parte da frente dos rótulos, como ocorre com o cigarro.

“A parte da frente do rótulo é tida pelas empresas apenas como um espaço de comunicação com o cliente, para peças de publicidade, que ora confundem ora trazem mensagens enganosas. No caso de produtos infantis, bonequinhos, essas coisas encorajam o consumo”, alertou.

Segundo ela, na Inglaterra, pesquisas provam que as crianças chegam a afirmar que o sabor dos alimentos muda conforme o rótulo. Aqueles associados às grandes redes têm a preferência. “Quando você tem o Shrek em algum produto infantil, se o seu filho viu o filme do Shrek, ele quer aquele, mesmo sendo igual ao que não tem. E prova [o alimento] e acha mais gostoso porque o Shrek está ali na frente”, acrescentou Inês, ao relacionar os ultraprocessados à crescente obesidade infantil no país.


Lobby da indústria

A pesquisadora Ana Paula Bortolettto, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), acrescenta que um marco internacional é instrumento com capacidade de ajudar os países a terem mais força diante do lobby da indústria de alimentos. Ela conta que empresas recorrem à Justiça e a organizações internacionais para evitar qualquer forma de regulamentação.

“Hoje, empresas têm mais poder que os países, impondo dificuldades para a implementação de políticas públicas que tenham como objetivo prevenir a obesidade e melhorar a alimentação”, disse ela, que também integra a Coalizão Latino-Americana Saudável.

Segundo Ana Paula, a coalização conversa com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e organizações da sociedade para discutir se a convenção pode se limitar à América Latina.

Como o consumo desses produtos chegou ao limite nos países mais ricos, as empresas se voltam para o Hemisfério Sul, com estratégias agressivas, como a publicidade e o lobby, disse o assessor de Nutrição e Atividades Físicas da Opas Fábio Gomes. Ele confirmou que vários países do bloco discutem os benefícios de um marco legal internacional e denunciam a interferência da indústria de alimentos nas políticas públicas.


Obesidade


Estimativas da Opas apontam que, em uma década, o consumo de ultraprocessados aumentou 30%, por pessoa, em países latino-americanos, enquanto cai na América do Norte.

A obesidade alcança 8,4% dos jovens brasileiros entre 12 e 17 anos. Além disso, 17% deles estão acima do peso ideal, segundo o Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (Erica), do Ministério da Saúde. O levantamento também mostra que um em cada cinco adolescentes hipertensos, cerca de 200 mil, poderia não ter esse problema caso não fosse obeso. O levantamento foi feito de 2013 para 2014, com base em entrevistas a 85 mil adolescentes de escolas públicas e privadas de 124 municípios acima de 100 mil habitantes.


Indústria

Procurada pela Agência Brasil, Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia) informou que trabalha com o governo para “desenvolver iniciativas focadas na saudabilidade e no bem-estar da população”. Cita a participação no Plano Nacional de Vida Saudável, documento que orienta a população a não consumir ultraprocessados e que faz críticas à publicidade dos produtos.

“É preciso implantar programas educativos para que os consumidores possam escolher os alimentos e compreendam a importância de aliar nutrição equilibrada e prática de atividades físicas”, acrescenta a nota.


Fonte: Portal Agência Brasil

Vídeo de menina vítima de tráfico humano fazendo sexo com colegas em banheiro de escola choca EUA


Enquanto o estupro coletivo de uma menina de 16 anos no Rio consterna o Brasil, um caso envolvendo uma adolescente de 15 anos vem chocando os Estados Unidos.

Vídeos e fotos compartilhados nas redes sociais mostram a garota mantendo relações sexuais com outros estudantes no banheiro da South Fort Myers High School, em Fort Myers, na Flórida. Imagens de câmeras de segurança registraram ao menos 25 jovens entrando no local no momento do incidente, ocorrido no último dia 17.

A história motivou vários comentários na internet, a maioria deles julgando o comportamento da garota. Até que, na última quarta-feira, uma amiga da família revelou, em entrevista à rede de TV americana NBC, que a menina era, até recentemente, vítima de tráfico humano e abuso sexual.

"Ela não estava preparada para ter uma decisão estável e racional naquela situação", afirmou Megan Estrem, fundadora da ONG Be the Light ("Seja a luz", em tradução literal).

"Tráfico sexual é uma experiência muito traumatizante", acrescentou. "O que é perturbador é que esse tipo de comportamento não é incomum entre as vítimas."

Estrem concedeu a entrevista a pedido da mãe da garota, que, segundo a imprensa americana, estava revoltada com os comentários sobre menina.

Segundo a ativista, jovem ficou prisioneira de um traficante de pessoas dos 13 aos 15 anos. Após ser libertada, passou por uma série de terapias antes de ir para a escola, o que tinha acontecido havia apenas duas semanas antes do incidente.

A mãe da menina, que não quis aparecer, afirmou que ela foi até o banheiro com um garoto de quem estava a fim. Ele teria pedido para manter relações sexuais, e ela teria concordado. Em seguida, outros jovens começaram a entrar no local.

Estrem disse que a adolescente não teve relações sexuais com 25 rapazes, como tem sido divulgado: a maioria teria apenas assistido.

"Ela vivia em um ambiente no qual era ordenada a se comportar se uma certa forma. E havia sérias consequências se ela não o fizesse", contou a ativista à NBC.


Investigações

Até a publicação desta reportagem, a imprensa americana reportava apenas uma prisão no caso: a de um jovem de 16 anos, jogador de futebol americano, que teria sido responsável pelo vídeo.

Em texto publicado no site da escola, que tem cerca de 2 mil alunos, a diretora Melissa Layner afirmou que o estudante foi acusado de ato de crueldade contra uma criança, ao permitir que ela iniciasse uma relação sexual, e por posse de material obsceno.

Até o momento, 16 estudantes foram punidos pelo departamento de educação do condado. Na esteira do caso, uma igreja local realizou um fórum sobre cultura do estupro, e a escola enviou cartas aos pais dos alunos.

Em um comunicado, o xerife Mike Scott, do Condado de Lee, afirmou ser "lamentável que esse incidente tenha ocorrido", e que a polícia está comprometida em fazer com que os responsáveis paguem por seus atos.

Inicialmente, a polícia havia decidido não entrar com ações criminais, mas isso mudou quando o vídeo veio à tona.

De acordo com a rede CBS, alunos afirmaram que imagens foram compartilhadas por aplicativos de mensagem, pelo Snapchat e em outras redes sociais. Segundo advogados, os estudantes envolvidos podem ser acusados de divulgar pornografia infantil.

Segundo a agência de notícias AP, a garota e sua família não manifestaram intenção de denunciar os jovens envolvidos no caso.

Na Flórida, manter relações sexuais com menores de 16 anos é considerado estupro. E adolescentes entre 16 e 17 anos só podem se relacionar com jovens entre 16 a 24 anos.


Fonte: Jornal BBC Brasil (Reino Unido)

58 Brasil tem um Trilhão de reservas internacionais, a "poupança'' contra crise


As reservas internacionais ultrapassaram ontem (9) a marca simbólica de US$ 300 bilhões, de acordo com o Banco Central (BC). É a primeira vez na história do país que o volume de divisas internacionais alcança esse patamar. O valor exato, divulgado pelo BC, é de US$ 300,271 bilhões, mais de meio trilhão de reais.

As reservas no encerramento de 2010 estavam em US$ 288,57 bilhões. De lá para cá a autoridade monetária foi induzida a comprar mais dólares no mercado à vista e a contratar operações de compra no mercado futuro (swap cambial reverso) com o objetivo de conter a desvalorização da moeda norte-americana ante o real.

Houve, portanto, um aumento expressivo do ritmo de intervenções do BC no mercado de câmbio, o que explica, em parte, a entrada de mais US$ 11,7 bilhões nas reservas só neste início de ano. Com a forte entrada de dólares de investidores internacionais, que querem se beneficiar das altas taxas de juros brasileiras, o BC comprou US$ 10,82 bilhões no mercado à vista até o último dia 4.

O aumento das reservas vende, para a comunidade financeira internacional, a imagem de fortalecimento de liquidez interna e dá respaldo para o enfrentamento de crises, como ataques especulativos contra a moeda nacional ou como a crise que atingiu todas as economias mundiais a partir de setembro de 2008. Mas manter esse volume expressivo de reservas, porém, importa em um custo de carregamento alto, pois aumentou a dívida pública em cerca de US$ 24 bilhões no ano passado com a emissão de títulos e o consequente pagamento das taxas de comissão.


Fonte: Portal Agência Brasil

Falsos motoristas do Uber enganam mulheres em SP


Acostumada a pegar Uber há cinco meses em São Paulo, a dentista Yumi Sasaki, 26 anos, quase entrou em uma enrascada ao embarcar em um carro de um falso motorista do aplicativo. O susto ocorreu na noite de quarta-feira (18), na Liberdade, região central.

O homem rodou com ela por cinco minutos, até que a dentista percebeu o risco e desceu do veículo quando ele parou no semáforo. Já a advogada Janaina Galvão, 31, percebeu a farsa antes mesmo de embarcar e conseguiu se livrar do homem (leia no depoimento ao lado).

Yumi contou ter pedido o carro depois que saiu do trabalho e ficou na porta do prédio, mexendo no celular e olhando para a rua no intuito de saber se o carro estava chegando. O veículo que apareceu no aplicativo era um Honda Civic na categoria UberX, a qual disponibiliza automóveis mais básicos e não fornece a cor deles.

Em um determinado momento, um carro, que ela acredita ter sido um Renault Sedan chegou. O motorista baixou o vidro e perguntou: “É Uber, Uber?”. A dentista disse que sim e entrou.

De inicio, ela percebeu que algo estava errado porque não apareceu o endereço que ela ia na tela do celular do motorista, que fica no para-brisa. “Ele logo foi falando que era seu primeiro dia como se estivesse justificando o fato do endereço não ter aparecido automaticamente”, disse.

Após rodar dois quarteirões e ainda achando estranho, Yumi recebeu uma ligação do verdadeiro motorista do aplicativo para saber onde ela estava. Neste momento, ela começou a pensar em um jeito de sair do carro. “Eu ainda perguntei para ele se realmente era eu que ele deveria ter pegado e ele disse que sim. A princípio não achei que estava fazendo aquilo por mal e que poderia ter acontecido um engano”, disse.

Porém, quando o falso motorista respondeu que era ela mesma, a dentista aproveitou que o carro estava parado no farol e em uma atitude desesperada, saiu do veículo. “Eu fiquei nervosa e com medo. Não sei o que poderia ter acontecido. Minha sorte é que eu consegui puxar o pino da porta”, explicou.

Após o episódio, ela voltou para seu endereço de origem e entrou no carro original. “Eu contei para o motorista e ele disse que eu preciso ficar atenta na placa e modelo e essa é minha dica para outras pessoas”.

O delegado Milton Toschi Júnior, do 51º DP (Rio Pequeno) disse que os falsos motoristas podem responder por falsidade e alertou os usuários. “Cautela sempre, checar a placa, modelo do carro e ficar atenta porque tem pessoa de boa fé que não imagina que no local pode ter um bandido”, disse.


Depoimento

Janaina Galvão, 31 anos, advogada

"Não sei o que ele poderia ter feito"

Depois de trabalhar 14 horas na quarta-feira, resolvi pedir um Uber. Meu emprego é no Itaim Bibi (Zona Oeste) e, por mais que tenha bares, acho deserto. No aplicativo veio que o motorista estava em um Hyundai HB20.

Em um determinado momento, chegou um carro e o motorista perguntou: “Você pediu Uber?” Como estava escuro, não consegui ver o modelo do veículo, mas parecia ser mais chique do que um HB20 e estranhei. Eu disse para ele que o automóvel era outro e ele disse que tinha trocado e o aplicativo não atualizou. Resolvi perguntar o nome e, após gaguejar, me disse um nome diferente do motorista que eu estava esperando.

O homem disse que queria me conhecer melhor e iria me levar para onde eu quisesse porque era linda e parecia que iria tentar sair do carro quando gritei e ele saiu. Eu fiquei em choque. Não sei o que ele poderia ter feito comigo. Não acho que iria me sequestrar. Também não sei se a intenção era fazer algo ou só queria ter feito uma cantada de péssimo gosto.

Graças a Deus eu consegui perceber. Não vou deixar de usar Uber nem táxi por causa disso. Já usei o Uber cinco vezes depois disso. O conselho que dou é para a pessoa não falar seu nome nem do motorista e conferir a placa. O verdadeiro motorista me disse que não existe isso de trocar o carro e não atualizar o sistema.


Resposta Do uber

Aplicativo disse para usuário reforçar a atenção

A assessoria de imprensa do Uber disse que quando o passageiro chama um motorista pelo aplicativo, de imediato já aparece para o usuário o nome do motorista, foto de identificação, modelo e placa do carro. O aplicativo disse ser importante que os usuários fiquem atentos a essas informações antes de embarcar na viagem.

Na resposta ao DIÁRIO, o Uber disse que vale lembrar que, para se cadastrar para usar o aplicativo, os motoristas parceiros precisam ter carteira de motorista com licença para exercer atividade remunerada e passam por checagem de antecedentes criminais nas esferas federal e estadual.

Ao chamar um Uber, é possível acompanhar o trajeto dele até a chegada no ponto inicial, permitindo que o usuário aguarde a chegada do carro em segurança. Ao longo do trajeto é possível compartilhar a sua localização e o tempo de chegada em tempo real com quem o usuário desejar.


Fonte: Diário de São Paulo

Andróginas, transexual, plus-size, quarta idade, albinos… Qual é a nova cara da moda?


“Está na hora de abrir mão de rótulos e abraçar a diversidade no mundo da moda e da mídia!”

Vejam as(os) modelos que estão estão mudando o conceito de beleza no mundo da moda e da publicidade:


Melaine Gaydos

A modelo Melaine Gaydos, de 27 anos, nasceu com uma doença genética rara chamada displasia ectodérmica, que afeta cabelo, dentes, unhas, pele, poros, cartilagem e formação óssea. Um namorado a convenceu a tentar modelar. “Ele me ajudou a entender que eu sou única pessoa que se parece comigo, que havia um potencial”, disse Melaine.




Thando Hopa

Thando Hopa é Sul-Africana, albina e advogada. Depois de 25 anos cercada pelo preconceito, resolveu aceitar a proposta do estilista Gert-Johan Coetzee e posar para sua campanha, iniciando uma promissora carreira como modelo. Natural de Joanesburgo, na África do Sul, Thando já havia sido convidada para desfilar, mas negou. “Eu pensei: ‘é uma profissão tão rasa – por que eu iria querer fazer isso?”




Lea T

Lea T é a primeira modelo transexual de destaque mundial. Está entre as 50 principais modelos da atualidade, segundo o site Models.com. Filha do craque da seleção Toninho Cerezo, Lea nasceu Leandro, e ganhou fama ao trabalhar como modelo da grife Givenchy. Morando em Milão, na Itália.




Denise Bidot

Aos 29 anos, a modelo americana, Denise Bidot é uma das mais reconhecidas modelos plus – size da atualidade, “É hora de para de se desculpar. Eu quero que as mulheres se sintam confiantes e sexy por saber que não há nada de errado em ser você mesmo. Esqueça todas as regras”, disse a modelo.




Rain Dove

A modelo americana Rain Dove nunca se encaixou idéia da sociedade de como deve ser uma “bela” modelo feminino – mas isso não a impediu de forjar uma carreira de enorme sucesso na indústria da moda. Aos 25 anos desafiou estereótipos por estrelar uma série de campanhas de moda masculina ao lado de modelos masculinos.




Myla Dalbesio

É uma modelo plus size da agencia ford artista americana de Wisconsin. “Eu quero criar alguma transparência na indústria da moda e humanizar as mulheres que trabalham dentro dela”.




Andreja PejiĆ

Pejic, 23 anos, que nasceu na Bósnia e Herzegovina antes de ir para Melbourne , começou sua carreira de modelo aos 16 anos e rapidamente ganhou reconhecimento internacional por sua aparência andrógina. Ele desfilou para Jean Paul Gautier como homem e mulher. Pejic que foi formalmente conhecido como Andrej , passou por uma cirurgia de mudança de sexo em janeiro de 2014.




Jillian Mercado

É uma modelo de 28 anos de idade com uma doença degenerativa chamada Distrofia Muscular que provoca fraqueza progressiva e perda de massa muscular . Como alguém que desenvolveu a doença na infância, Mercado já perdeu a capacidade de andar e está confinada a uma cadeira de rodas – mas isso não a impediu de desenvolver um estilo único. “Eu amo meu corpo, muito”, disse aos telespectadores em uma entrevista em vídeo a Vivala . “Eu uso o que eu quiser para vestir. Eu sou obcecada com maquiagem. Eu tenho uma vida muito, muito impressionante agora e estou muito feliz com tudo o que está acontecendo porque eu trabalhei tão duro para chegar onde estou . ” Jillian já fez campanhas para grandes marcas como a italiana Diesel. “Eu uso o que eu quiser para vestir. Eu sou obcecada com maquiagem. Eu tenho uma vida muito, muito impressionante agora e estou muito feliz com tudo o que está acontecendo porque eu trabalhei tão duro para chegar onde estou . ” Jillian já fez campanhas para grandes marcas como a italiana Diesel.




Winnie Harlow

Chantelle Brown-Young mais conhecida como Winnie Harlow é uma modelo de 21 anos. Winnie sofreu de bullying durante muitos anos devido às manchas brancas na sua pele negra, causadas pelo vitiligo, doença que causa a morte das células responsáveis pela pigmentação da pele. Ficou conhecida por participar do programa America’s next top model”, apresentado por Tyra Banks. Hoje, é modelo da marca espanhola Desigual.




Jamie Brewer

É uma atriz e modelo americana mais conhecida por seu trabalho em American Horror Story, foi a primeira modelo com síndrome de down a desfilar na Ew York Fashion week.




Elliott Sailors

Ex-musa sensual de marcas de moda praia, Elliot Sailors agora compete de igual para igual no mercado de modelos homens. Elliott apareceu de biquíni em várias campanhas. Mas em outubro do ano passado, a top resolveu fazer uma mudança radical em sua carreira. Aos 31 anos, Elliott decidiu se tornar um modelo masculino. Elliott explicou que decidiu se reinventar para se manter na carreira, já que estava se sentindo ‘velha’ para o mercado de modelos femininos.




Robyn Lawley

É uma modelo plus size australiana. Segundo Robyn, ” Já é hora de abrir mão de rótulos e abraçar a diversidade no mundo da moda e da mídia! #loveyournaturalsize”.




Carmen Dell'Orefice

Tem 84 anos é conhecida na indústria da moda por ser modelo de trabalho mais velha do mundo. Ao contrário da maioria das modelos que tem uma carreira curta, a diva Carmen Dell’Orefice já se mantém no sucesso há quase 70 anos desde que foi achada pela esposa de um fotografo ao descer de um ônibus em Nova York, aos 13 anos.




Shaun Ross

Shaun é um modelo profissional de moda afro-americano, ator e dançarino, mais conhecido por ser o primeiro modelo albino masculino. Ele tem sido destaque nas campanhas foto-editoriais nas principais publicações de moda, incluindo a britânica GQ, Vogue Italiana, i-D Magazine, Paper Pagazine e Another Man. Ele foi modelado por Alexander McQueen e Givenchy.




Alex Minsky

Minsky é um ex- fuzileiro naval que perdeu a perna em uma explosão durante o período que serviu no Afeganistão. Ele tem sido destaque em GQ e uma campanha para o mais recente filme Jogos Vorazes . Ele também é o embaixador da marca para marca LiveFit atlético.




Fonte: Portal Trendnotes / Pinterest

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