terça-feira, 26 de abril de 2016

O que muda com o limite de uso dos planos de internet banda larga?



Quem usa internet pelo celular já está acostumado com o aviso sobre a redução da velocidade quando o limite do pacote de dados é atingido. Agora, a medida pode atingir também a internet fixa – aquela usada pelos usuários em casa ou no trabalho. Uma prática de mercado que começou a ser utilizada este ano passou a limitar a níveis menores do que antes o tamanho do pacote de dados dos usuários de telefonia fixa, da mesma forma como já acontecia com a telefonia móvel. Esse “tamanho” é a chamada franquia de dados.

Funciona da seguinte forma: com a franquia menor, o pacote de internet poderia terminar depois que usuário assistisse a cerca de 10 vídeos no Youtube ou 10 episódios de alguma série em um serviço de streaming, como o Netflix. Depois que o consumidor atinge o limite da franquia, a internet é cortada ou diminui drasticamente sua velocidade até o mês seguinte.

Associações de defesa do consumidor manifestaram-se contra a prática, que gerou reações também de organizações da sociedade civil, além de campanhas nas redes sociais. Uma petição online no site da Avaaz (clique aqui para votar) contra o limite na franquia de dados da banda larga fixa já está próxima de alcançar 700 mil assinaturas e a página do Movimento Internet Sem Limites já alcançou mais de 260 mil seguidores em sua página do Facebook.

De acordo com o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), o novo modelo de pacote de dados tem sido adotado principalmente pela Vivo, mas o temor é que ela seja seguida por outras operadoras.

“As principais empresas do setor de telecomunicações e banda larga passaram a criar novos pacotes, novos planos para os seus usuários, com franquias de dados muito menores, especialmente a Vivo”, informou Rafael Zanatta, pesquisador em telecomunicações do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), em entrevista ao programa Ponto Com Ponto Br, da Rádio Nacional de Brasília!, produzido em parceria com a equipe do Portal EBC. Questionada, a operadora informou, em nota, que “a franquia de consumo de dados de internet fixa já é praticada hoje por alguns dos principais players de banda larga fixa”.

O Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (SindiTelebrasil) informou que não se pronunciaria sobre a mudança, já que dizia respeito a empresas específicas e não a decisões do setor.

A Vivo afirmou que os usuários ADSL (antigo Speedy) que comprarem o pacote até o dia 4 de fevereiro deste ano terão seus contratos mantidos e aqueles que adquiriram o plano a partir do dia 5 do mesmo mês estão sujeitos ao novo contrato. Já para os usuários GVT e Vivo fibra, os contratos serão mantidos para quem aderiu até o dia 1° de fevereiro deste ano. Para quem está sujeito ao novo contrato a empresa promete a manutenção do serviço de internet sem bloqueio, mesmo após o término da franquia de dados contratada em condição promociaonal até o dia até 31 de dezembro.

“À medida em que isto vier a ocorrer no futuro, a empresa fará um trabalho prévio educativo, por meio de ferramentas adequadas, para que o cliente possa aferir o seu consumo”, diz a nota.

O Idec alerta que as empresas têm adotado uma estratégia para modificar contratos em andamento oferecendo ao usuário mais velocidade na internet pelo mesmo preço da assinatura, mas reduzindo a franquia. “O fato de as empresas modificarem seus contratos sem apresentarem uma justificativa técnica de porque elas precisam reduzir essas franquias implica em violação do código de defesa do consumidor”, afirmou Zanatta.

Defesa do consumidor

Nesta semana, o Idec deve lançar uma campanha para alertar sobre os riscos que a redução da franquia representa para os usuários de internet. O Instituto manifestou a preocupação ao Ministério da Justiça, em fevereiro, durante uma reunião do grupo de trabalho sobre comunicações da Secretaria Nacional do Consumidor.

“Tem que fazer uma pressão muito grande em cima das empresas para que elas justifiquem esses novos contratos terem franquias tão baixas e pressionar também os órgãos de proteção dos direitos do consumidor, além da Anatel”, disse o pesquisador.

Marco Civil da Internet

Desde 2014, o Marco Civil é a legislação que disciplina o uso da internet no Brasil. Para o pesquisa do do Idec, a redução da franquia de internet fixa está em desacordo com pelo menos dois pontos da legislação. Um deles assegura ao usuário “o direito de não suspensão da internet a não ser por débito decorrente da utilização”.

O outro é o conceito da neutralidade da rede. Isso significa que os prestadores de serviço de conexão à internet não podem ter conhecimento sobre o tipo de dado utilizado pelo usuário, nem pode privilegiar um tipo de dado em detrimento de outro. Ainda é proibido cobrar de modo diferenciado pelo tipo de consumo feito.

“Eles querem criar exceções para a regra de neutralidade de rede para oferecer serviços que não vão computar dados, não vão ter franquia de dados. O que está por trás dessa mudança é uma estratégia muito agressiva de segmentar os consumidores por capacidade de compra, de prejudicar os consumidores que fazem compra por serviço de aplicações, que consomem bastante dado”, afirmou o Rafael Zanatta.


Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Mulheres que Fizeram História: Nise da Silveira, a mulher que revolucionou o tratamento da loucura no Brasil


Em terras de sanidade obrigatória e desenfreada, quem permite a loucura é rei. E rainha. Pois imagine que, sãos e fora de manicômios, estejamos saindo no tapa por nossas verdades. Dividindo o mundo entre o Bem e o Mal. Contabilizando relatos selvagens. Justificando nossa falta de utopia com um racionalismo paralisante. Deixando de sonhar e de se arrepender.

Nem isso, nem aquilo. Nossa existência se encontra bem ali, no meio do isso e doaquilo. No incerto e no incalculável. Entre o olhado e o invisível.

Nise da Silveira, psiquiatra alagoana (1905-1999), enxergou a riqueza de seres humanos que estavam “no meio do caminho”. No meio do caminho entre o existir e a dignidade. No meio do caminho entre a loucura e a exclusão total. Entre o aceitável e o abominável.

Essa mulher se rebelou contra a psiquiatria que aplicava violentos choques para "ajustar" pessoas e propôs um tratamento humanizado, que usava a arte para reabilitar os pacientes.

Esquizofrênicos marginalizados e esquecidos puderam ser autores de obras hoje expostas no Museu de Imagens do Inconsciente, no Rio de Janeiro (RJ). A arte marcou o renascimento daquelas pessoas para a sociedade.

Os ensinamentos de Nise nos falam de uma atualidade que se repete a cada vez que a loucura é estigmatizada e polarizada: é ou não é louco(a). Cobramos de nós mesmos, o tempo todo: sejamos funcionais. Como se não pudéssemos falhar ou viver nossas escolhas fora da curva que definiram para nós.

Nise, essa senhorinha miúda, agigantou a humanidade ao cuidar de brasileiros rejeitados pelo sistema e isolados do convívio. A história dela já foi tema de documentários e agora volta às telas com o filme inédito Nise – O Coração da Loucura, que estreia nesta quinta-feira (21).

Dirigido por Roberto Berliner e estrelado por Gloria Pires, o longa, baseado no livro Nise - Arqueóloga dos Mares, do jornalista Bernardo Horta, traz um recorte acessível e emocionante da atuação da psiquiatra e sua defesa da arte como principal ferramenta de reintegração de pacientes chamados "loucos".


Depois de assistir ao filme, fica evidente, por meio de uma ficção que comove e mobiliza, o fato de que Nise terá sempre nosso respeito e admiração, pois tratou a loucura com carinho e fez dela um motor de vida.

Descobrir a história de Nise é encontrar um pouco de nós mesmos nos momentos em que parecemos não “caber” em nossa própria existência.

Como essa mulher fez a diferença no mundo, listamos algumas razões pelas quais ela merece ser convocada à nossa memória:

Ela foi uma mulher pioneira

Em 1926, ao se formar na Faculdade de Medicina da Bahia, Nise era a única mulher em uma turma de 157 alunos. Ainda na graduação ela apresentou o estudo Ensaio sobre a criminalidade da mulher no Brasil.


Ela deu voz à loucura

“Na época em que ainda vivíamos os manicômios e o silenciamento da loucura, Nise da Silveira soube transformar o Hospital Engenho de Dentro em uma experiência de reconhecimento do engenho interior que é a loucura”, explica à revista Cult Christian Ingo Lenz Dunker, psicanalista e professor titular do Instituto de Psicologia da USP.

Nise era uma defensora da loucura necessária para se viver. “Não se cura além da conta. Gente curada demais é gente chata. Todo mundo tem um pouco de loucura. Vou lhes fazer um pedido: vivam a imaginação, pois ela é a nossa realidade mais profunda. Felizmente, eu nunca convivi com pessoas muito ajuizadas.”

Ela foi presa política

Nise ficou presa de 1934 a 1936, durante o Estado Novo, acusada de envolvimento com o comunismo. Ela foi denunciada por uma colega de trabalho, que era enfermeira. No presídio Frei Caneca, ela dividiu a cela com Olga Benário, a militante comunista alemã que na época era casada com Luís Carlos Prestes, lembra a revista Cult.



Ela foi citada em um livro do Graciliano Ramos 

Na prisão, Nise também conheceu o escritor alagoano Graciliano Ramos, que a cita em seu livro Memórias do Cárcere:

"(...) Lamentei ver a minha conterrânea fora do mundo, longe da profissão, do hospital, dos seus queridos loucos. Sabia-se culta e boa. Rachel de Queiroz me afirmara a grandeza moral daquela pessoinha tímida, sempre a esquivar-se, a reduzir-se, como a escusar-se a tomar espaço.”

Ela implementou a terapia ocupacional no manicômio

Em 1944, Nise passou a trabalhar no Hospital Pedro II, antigo Centro Psiquiátrico Nacional, no Rio de Janeiro. Ela se recusou a seguir o tratamento da época, que incluía choque elétrico, cardiazólico e insulínico, camisa de força e isolamento. Ao dizer “não”, a psiquiatra foi transferida, como “punição”, para o Setor de Terapia Ocupacional do Pedro II. A reportagem da revista Cult lembra que esse era um espaço desprestigiado na época.

Porém, essa transferência foi fundamental para a revolução que Nise provocaria na psiquiatria: foi nesse setor do hospital que ela implementou, junto com o psiquiatra Fábio Sodré, a Terapia Ocupacional no tratamento psiquiátrico.

Ela usou a arte para tratar problemas graves de saúde mental

Nise percebeu que as artes plásticas eram o canal de comunicação com os pacientes esquizofrênicos graves, que até então não se comunicavam verbalmente. As obras produzidas por eles davam “voz” aos conflitos internos que viviam.



Ela expôs as artes feitas pelos pacientes

Além do efeito terapêutico, as artes plásticas possibilitaram que os pacientes (ou clientes, como Nise gostava de chamá-los) se tornassem verdadeiros artistas.

A produção do ateliê do Setor de Terapia Ocupacional já tinha despertado a atenção de pesquisadores de saúde mental e médicos, mas críticos de arte também viram naqueles trabalhos obras artísticas dignas de exposição. Foram organizadas duas exposições internacionais e, em 1952, foi inaugurado o Museu de Imagens do Inconsciente, no Rio de Janeiro.


Em entrevista à revista Cult, Luiz Carlos Mello, diretor do Museu das Imagens do Inconsciente e autor da fotobiografia Nise da Silveira – Caminhos de uma Psiquiatra Rebelde, informa que o acervo pessoal de Nise da Silveira é tombado como Memória do Mundo da Unesco. “Com a criação do Museu, também como um centro de estudos e pesquisa, seu acervo atingiu mais de 360 mil obras e se tornou a maior e a mais diferenciada coleção desse tipo de arte no mundo. Suas principais coleções foram tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.”

Ela introduziu gatos e cachorros na rotina dos psicóticos

Nise encorajou os pacientes psicóticos a conviverem com gatos e cachorros. O resultado foi uma admirável promoção de afetividade com os bichinhos.

Ela revelou as emoções dos esquizofrênicos
Elizabeth Maria Freire de Araújo Lima, professora do Curso de Terapia Ocupacional da USP e autora do livro Arte, Clínica e Loucura: Território em Mutação, explica à revista Cult que Nise constatou que o mundo interno do esquizofrênico, considerado inatingível até então, poderia ser acessado, revelando as emoções desses pacientes por meio das artes plásticas. “Nise afirmava que o hospital colaborava com a doença e acreditava que caberia à terapêutica ocupacional parte importante na mudança desse ambiente.”

Ela chamou a atenção de Jung

Nise era uma devoradora de livros e tinha um interesse especial pela obra do psiquiatra suíço Carl Gustav Jung. Ela escreveu uma carta para ele, pedindo ajuda para interpretar as mandalas que os pacientes desenhavam. A correspondência é relatada na fotobiografia Nise da Silveira – Caminhos de uma Psiquiatra Rebelde:
“A configuração de mandala harmoniosa, dentro de um molde rigoroso, denotará intensa mobilização de forças auto-curativas para compensar a desordem interna. Então pedi para que fotografassem algumas mandalas e as enviei com uma carta para C. G. Jung, explicando o que se passava. Foi um dos atos mais ousados da minha vida.”

Bernardo Horta, autor da biografia Nise — Arqueóloga dos Mares, diz à Cult que Nise “constata o que Jung afirmava: se para o neurótico – o que seria todos nós, segundo Freud – o tratamento é por meio da palavra, ou seja, a psicanálise, para o esquizofrênico, segundo Jung, a palavra não dá conta. Para esse paciente, o tratamento deveria ser pela imagem”.

Em 1957, Nise é convidada por Jung para passar um ano estudando com ele no Instituto Junguiano, na Suíça, além de expor o acervo do Museu de Imagens do Inconsciente no II Congresso Internacional de Psiquiatria. Na volta ao Brasil, em 1958, ela criou o Grupo de Estudos C. G. Jung no Rio de Janeiro, que coordenou até morrer, em 1999.


Ela questionou os manicômios 

Para Nise, a experiência em manicômios mostrou que havia uma confusão entre hospital psiquiátrico com cárcere, com os pacientes tratados como presos. Avessa a essa abordagem desde o começo, e defensora de um olhar humanista, em 1956, Nise fundou a Casa das Palmeiras, a primeira instituição a desenvolver um projeto de desinstitucionalização dos manicômios no Brasil.

A Casa é lugar para o convívio afetivo e estímulo à criatividade dos psiquiátricos. A clínica funciona em regime aberto, sem fins lucrativos, à base de doações.

Ela ajudou a escrever a história da psiquiatria

Nise apontou falhas na psiquiatria, contestou práticas e demonstrou soluções, dando novos contornos e sentidos aos tratamentos e às relações entre psiquiatras e pacientes. Em seus 94 anos de vida, a alagoana publicou dez livros e escreveu uma série de artigos científicos.

Ela representa uma resistência atemporal

O psicanalista Christian Dunker, no Blog da Boitempo, reforça a atemporalidade dos feitos de Nise:
“Não me parece um acaso que, em meio ao momento de maior dissenção social que já vivemos, desde os anos de chumbo da ditadura militar, estejamos presenciando o maior retrocesso desde então registrado em matéria de saúde mental. A nomeação de Valencius Wursch Duarte Filho como secretário de saúde mental do Ministério da Saúde, em uma operação indecente de barganha política, é o retorno de tudo o que Nise demorou uma vida para desfazer. Passeatas, manifestações e mesmo a própria ocupação, que persiste há mais de dois meses, de uma das salas do Ministério, parecem não ter voz nem luz contra a volta das piores trevas psiquiátricas.”

“Duarte Filho foi diretor técnico do hospital psiquiátrico Casa de Saúde Dr. Eiras, fechado em 2012 depois de constatadas graves violações aos direitos humanos pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados”, escrevem os psicanalistas Antonio Lancetti e Maria Rita Kehl, e o psicólogo Aldo Zaiden, em um artigo na Folha de S. Paulo.

Segundo a Sociedade Brasileira de Psicanálise, entre os profissionais de saúde, a indicação de Duarte Filho para o cargo é vista como um “retrocesso e uma ameaça real aos avanços conseguidos nos últimos anos com a Rede Nacional de Saúde Mental, que promoveu a substituição dos hospitais psiquiátricos pelos Centros de Atenção Psicossociais, organizados para oferecer atendimento intensivo, articulados a emergências psiquiátricas, residências terapêuticas e outras formas efetivas de reabilitação, beneficiando milhares de pessoas antes sujeitas a maus-tratos de toda ordem”.

Mais do que atual: Nise é urgente para a sociedade brasileira.


Fonte: The HuffPost Brasil (EUA)

Artigo - Sobre Temer, corrupção e cultura da pedofilia


Por: Natacha (Autora do Blog)

“O amor não vê idade”, é o que ouço dizer, até mesmo dentro do movimento feminista (do qual não faço parte, por isso e por outras coisas que não vêm ao caso) desde o ano passado, quando comecei a me envolver mais com a luta contra a pedofilia e o abuso sexual infantil. Só consigo pensar nas mais de 550 mil garotas entre 10 e 17 anos que vivem em casamentos ilegais aqui no Brasil, com pouco ou nenhum acesso à educação, porque “amor não vê idade”, e ainda que a relação seja ilegal, a ilegalidade passa batida perante os olhos da sociedade (que inclui instituição familiar, escola, religião, comunidade em geral) porque “amor não vê idade”. “O que é que o Temer tem a ver com a realidade oculta do casamento infantil aqui no Brasil, cara Natacha? Você está falando de coisas completamente distintas: Marcela já tinha 20 anos quando se casou com Temer, já era adulta, tinha o tão famigerado poder de escolha.”

Talvez você tenha razão.

Sim, ela tinha agência, como vocês gostam de falar. Só que uma coisa ela não teve, ela não teve porque eu não tive e a maioria que me lê não teve: acesso à verdade sobre a história das mulheres, contada fora dos estereótipos sexuais que romantizam a violência sexual. Porque a falta de acesso à história sexual das mulheres é algo estrutural, é algo que permeia a família, a escola, a Academia, a religião, o Estado e todas as instituições que dele derivam. O silêncio histórico das mulheres na construção do pensamento humano não é um vazio sem sentido: este silêncio, que é milenar, é perfeitamente interpretável. Para a supremacia masculina, o silêncio das mulheres é interpretado a partir da inferioridade racional feminina, fonte de fragilidade mental e da Histeria, uma doença inventada pela psicanálise de Breuer e Freud. Para as mulheres que lutam com o objetivo de furar a histórica supremacia sexual masculina, o silêncio não está intrinsecamente ligado à biologia sexual feminina que o sexo masculino julga inferior, mas sim ao fato de que os homens excluíram, à força, as mulheres da possibilidade de ocupar espaços públicos, destinando ideologicamente e materialmente o sexo feminino à posição de “mulher do lar” através dos séculos. Quando eu digo que as mulheres foram excluídas à força da ocupação dos espaços públicos do qual a história do pensamento humano faz parte, é principalmente da força sexual, de poder sexual, que estou falando. A cultura do estupro é sobre o poder sexual dos homens milenarmente usado contra as mulheres.

O poder sexual masculino sequestra o corpo das mulheres e as simbologias provenientes da fisiologia feminina, como por exemplo o parto, a amamentação e a menstruação, que deveriam ser percebidos como processos naturais, parte da vida do sexo feminino, mas que são demonizados, postos como indesejáveis para mulheres pós-modernas, não no sentido ideológico da pós-modernidade, apenas para simplificar o entendimento. Parir é assustador e nojento, as mulheres querem cesárea. Amamentar é nojento e vulgar, vamos dar fórmula ou leite de vaca pra facilitar a vida. Menstruar é nojento, chato, as mulheres querem se livrar do desconforto que sentem quando menstruam. Para o pensamento pedófilo, relacionar-se sexualmente com uma garota que já menstrua não pode mais ser considerado pedofilia. Aprendi isso em discussão com ativista pedófilo na internet, um carinha de 19 anos que se diz apaixonado por uma menina de 12.

Pedófilos usam a menstruação como marco de maturidade associado à ideia de que “mulheres amadurecem mais cedo”.


Com certeza Marcela sabe nada disso. Provavelmente nem você sabia, está sabendo agora. Eu ainda estou construindo e costurando esse saber com o intuito de produzir sentido para a minha própria vida, mas não só, quero que este saber chegue ao maior número possível de meninas e mulheres. É o que desejo como poeta, escritora, educadora e futura oradora (estou no processo). Porque nós temos o direito de acessar a verdade sobre a condição sexual feminina. Nós temos o direito ao acesso à nossa história coletiva. Nós temos o direito de furar o silêncio imposto estruturalmente, resistindo à tecnocracia, à mercantilização das nossas vozes e ideais, à hierarquização do conhecimento promovido pela educação baseada na meritocracia em que só tem credibilidade para gerar conhecimento quem alcançou título de mestra ou doutora.

Não desmerecendo a importância da ocupação destes espaços públicos, pois o avanço das mulheres depende desta ocupação também, os avanços dependem de ocuparmos quanto mais espaços públicos pudermos. Apenas apontando que a Academia é, como escreveu Andrea Dworkin, fortaleza da supremacia masculina e que, quem está dentro dela precisa, necessariamente, fazer essa análise e ser ativista contra a hierarquização dos saberes, que é uma ferramenta supremacista (não apenas de sexo mas também de raça).

Nós temos o direito de saber que o zeitgeist (do alemão, significa “espírito da época”, é a soma de toda a cultura produzida pela humanidade), para estar completo, passa necessariamente pela consciência do sexo feminino a respeito de sua própria condição, e estar na Academia não é garantia de acessar este saber. Não sou nada modesta, pergunto a você onde mais você lê o que lê aqui neste blog de uma mãe lésbica quando o assunto é cultura do estupro e pedofilia. A verdade é que, devido à consciência lésbica, eu sei que estamos condicionadas à política sexual masculina dentro e fora de casa. Uma política violentamente predatória que não está presente somente nos atos de abuso sexual, mas também nas teorias sobre sexualidade desenvolvidas por homens, especialmente psiquiatras, dentro da Academia.

A cultura do estupro foi institucionalizada a partir da promoção dos estereótipos sexuais femininos presentes nas obras de Freud, Lacan e seus sucessores, um deles, Richard Gardner, que na década de 1980, afirmou, em uma de suas obras, que a pedofilia é positiva para a sobrevivência da espécie humana.



Tais teorias são usadas por operadores de lei para decisões de guarda. Nos piores dos casos, com base nessas teorias, as guardas estão sendo revertidas da mãe para o acusado de violência doméstica ou abuso sexual infantil. Porque tais teorias têm o poder de perpetuar os estereótipos sexuais sobre as mulheres e tornar vilã a vítima e o agressor em inocente.


Mãe alienadora é o novo “louca”, “doente”, “histérica”. Inquisição pós-moderna.



“Natacha, ainda não entendi o que tem a ver o Temer e a Marcela com tudo isso.”

Se você ainda não conseguiu ligar os pontos, tudo bem. Estou aqui pra te ajudar com isso. Aproveitemos o momento para relembrarmos (como se fôssemos esquecer, rs) quais foram as qualidades femininas levantadas pela Revista Veja a respeito de Marcela:
Bela, recatada e do lar.

A beleza de Marcela está associada ao fato de ser branca, loira, de olhos claros e jovem. Não precisamos partir para uma análise muito profunda a esse respeito, a gente está cansada de saber que o padrão de beleza é uma maneira de promover insegurança feminina por meio da divisão entre as mulheres que agradam esteticamente os homens e as mulheres que não. Qual a estética que agrada os homens? De onde vem essa estética? Além da supremacia branca, racista, eugenista e nazista que só valida a estética eurocêntrica – querem que seus herdeiros sejam brancos -, há também a supremacia masculina, cuja estratégia é associar a beleza à juventude. Quais são as características da juventude? A busca feminina pelo alongamento dos cílios, pelas bochechas rosadas, pelos lábios vermelhinhos, pelo corpo sem pelos, sem estrias, sem celulites, com seios durinhos, revela: o padrão de beleza é a garota branca e magra no início na puberdade. A ode à juventude é uma ode à fragilidade feminina. As características que fogem deste padrão são tão indesejadas que a busca pela juventude, para muitas mulheres, custa a saúde ou até mesmo a vida, perdida por distúrbios alimentares ou por cirurgias estéticas que deram errado.

Marcela é percebida como recatada porque não faz questão de aparecer. Não gostar de aparecer é uma qualidade considerada boa para os homens porque, para eles, aparecer é coisa de homem. A invisibilidade cai bem para uma mulher. A invisibilidade é desejável porque é desejável que mulheres não façam história. A invisibilidade é desejável para as mulheres porque o papel de protagonista da história é reservado ao sexo masculino. Para o sexo feminino, fica o recato: a política sexual masculina quer as mulheres como meras coadjuvantes românticas dos homens. A política sexual masculina quer as mulheres como primeiras-damas, não como líderes políticas. A liderança política feminina irrita profundamente o sexo masculino. Fere, diretamente, os privilégios que eles têm. E eles não querem perder esses privilégios.

Por último, ser do lar significa, para os homens, ser uma mulher que cuida da administração da residência e da educação dos herdeiros dos homens enquanto eles cuidam de construir a sociedade. Enquanto as mulheres estiverem cuidando de questões domésticas, os homens estarão construindo a sociedade, a vida pública. A territorialização feminina, por meio da maternidade, retira do sexo feminino a potência deste sexo ocupar os espaços públicos em pé de igualdade com o sexo masculino. As mulheres saíram de casa e foram trabalhar (lembrando que as mulheres negras sempre trabalharam e inclusive foram escravizadas também por mulheres brancas, como ainda o são), mas os serviços domésticos ainda continuam sob tutela do sexo feminino (lembrando que o trabalho doméstico é majoritariamente composto por mulheres negras e isso é herança da escravidão, inclusive as meninas negras são as mais afetadas pela exploração de trabalho infantil, também herança e manutenção de regimes escravocatas). Meninas brincam de boneca, meninos de carrinho e ferramentas. A divisão do trabalho continua sendo sexual. As garotas aprendem, desde cedo, a desejar funções relacionadas aos cuidados. Meninas são criadas para naturalizar a divisão sexual do trabalho desde antes de aprender a falar. São criadas para que duvidem das próprias potências cognitivas, criativas, da própria percepção da realidade, são criadas para acharem que suas potências de sobrevivência são mais frágeis e que precisam de homens para estarem protegidas de uma suposta inferioridade sexual feminina, em que acreditam pois não têm acesso a uma história mais positiva e verossímil sobre o sexo feminino, a uma história que narre o grande fato da humanidade: se estamos vivas e vivos até hoje, è à força descomunal da sobrevivência das mães que devemos a existência. Mulheres resistimos sempre, estamos sobrevivendo, meio capengas, muito alienadas, mas estamos sobrevivendo.

Sobrevivendo mães e filhas. Netas e avós. A memória das que já se foram. Marcela tinha 20 anos quando sua mãe a apresentou, em um jantar, para Temer: um homem que, na ocasião, tinha 62 anos. Isso quer dizer que, quando Marcela nasceu, Temer tinha 42 anos. Não que isso tenha acontecido – na verdade não sei se aconteceu apesar de valer o exercício de imaginação -, mas você consegue visualizar um cara de 42 anos carregando uma bebê recém-nascida no colo, vendo-a com 4 anos e já desejando-a sexualmente, com 7 anos dizendo em jantares de família, em tom de brincadeira – socialmente aceita, vamos frisar – que ela é uma menina tão linda que ele seria capaz de esperá-la crescer só para poder casar com ela (o filho adulto de um velho que abusou sexualmente de mim me disse isso aos 7 anos), e então sendo entregue a ele logo após completar a maioridade perante a lei, assim, um pouco antes de completar a antiga maioridade, que era aos 21?

Você consegue imaginar?

Imaginando isso, você consegue separar o casamento entre Marcela e um homem 42 anos mais velho da realidade de mais de 550 mil garotas brasileiras entre 10 e 17 anos vivendo em casamentos ilegais? Porque a cultura da pedofilia existe e é a base da cultura do estupro. Embora alguns homens sejam suficientemente espertos para não serem pegos agindo ilegalmente, “esperando em deus”, outros não se importam com a legalidade, estão, como propôs Nietzsche, acima do bem e do mal, são super-homens, são eles os únicos deuses em que acreditam no fim das contas. De um lado, os homens invocam a religião e contrariam a laicidade do Estado enquanto, de outro, controlam os úteros e toda a sexualidade feminina com base em uma moral fabricada exatamente para isso. Controle reprodutivo em massa. Guerra milenar contra o sexo feminino.

Dilma é a Eva da nação brasileira. É o tipo de mulher que foge à maioria dos estereótipos femininos. Assertiva, combativa, destemida, segura, protagonista da própria vida, e o principal: a mulher mais poderosa do país. Mais que muitos homens – é o que mais os irrita, por isso o impedimento e o golpe. Dilma é uma afronta ao patriarcado. “Vagabunda, puta, vadia”, eles dizem. Nós entendemos que a nossa fuga ao gênero que vocês nos impõem irrita profundamente vocês. É a prova do quão inteligente somos, e vocês não esperavam por isso. O patriarcado treme e tenta de maneira inconstitucional golpear o poder feminino conquistado democraticamente. 54 milhões de votos é pouco pra eles. Não importa. Democracia não importa pra eles. O povo não importa pra eles. As mulheres não importam pra eles. Eles querem manter suas propriedades, seus benefícios, e são iguais, o discurso de todos é o mesmo. Em defesa da minha família. Família, Família. Família. Do latim, famulus, que significa escravos domésticos. Os homens nos querem fora de qualquer posição que nos confira o poder de mudar a realidade das mulheres, por nós mesmas e pelas outras, pela nossa história de bruxas queimadas no Fogo da Inquisição. A exclusão das mulheres da sociedade (vida a história do sexo feminino das insituições manicomiais) é a grande punição para uma mulher subversiva, uma mulher negra, uma lésbica, uma mulher prostituída, uma mãe que decidiu não ter um romance com o pai de seus filhos, uma mulher que abortou, uma mulher que matou o cara que batia nela quase todo dia, ou o cara que a estuprava quase todo dia, uma mulher que foi reeleita quando um homem tinha certeza de que ganharia.

Marcela, é a Virgem Maria, é o fundo moral do recado da revista mais conservadora do país sobre como Dilma e todas as nós deveríamos ser. Um recado estrutural, ou seja, que atinge uma parte considerável da população brasileira. Um recado cuja intenção é atravessar a história que nós, mulheres, estamos escrevendo para nós a partir de nossas resistências diárias contra a violência doméstica e sexual. Quem é do rolê dos muros sabe bem o que significa atravessar. Atravessar é fazer seu pixo em cima do pixo de outra pessoa, válido para grafitti também. Nós, mulheres, não deixaremos recados sem resposta. Não deixaremos que os homens brancos mais uma vez atravessem a nossa história querendo contar a deles, que sempre foi contada, há milênios. Este recado midiático dos homens para as mulheres que lutam por seus direitos é uma ameaça velada para nos mandar de volta ao lugar social que eles querem que ocupemos. Não sejamos ingênuas. As mulheres foram o primeiro povo a ser colonizado, a ser tornado o Outro do Sujeito por meio de ações materiais e simbólicas. A ferramenta que os homens utilizam é a cultura do estupro, que pode ser materializada em discursos físicos, concretos, como o ato do abuso sexual infantil, ou em discursos simbólicos que visam fazer a manutenção dos estereótipos sexuais femininos. Quando, lá no início deste texto, eu disse que eu achava que vocês tinham razão ao evocar a agência das mulheres novas diante de homens mais velhos, é porque agência me lembra de publicidade, sintaxe e gramática normativa. Fica difícil não pensar em agente da passiva por livre associação.

Assim, sabendo que o lugar do Sujeito é estruturalmente reservado ao sexo masculino, ao sexo feminino me parece sobrar apenas ser agente da passiva. Primeira dama. Enfeite. Coadjuvante do Romantismo, história literária dos homens. Eis a corrupção das mulheres pelos homens, a começar pelas garotinhas. A Virgem Maria é a garota erotizada pela religião. Deixe essa ideia aterrisar no seu coração.


Contra isso, temos o que as mulheres antes de nós deixaram escrito. Só tem uma coisa mais poderosa do que a herança cultural das mulheres sobre a hierarquia sexual: as nossas próprias vozes ecoando o que nos foi deixado enquanto narramos as nossas próprias histórias.

Pelo fim da estrutura da cultura do estupro cuja base é a cultura da pedofilia, eu digo:

#FicaQuerida


Fonte: Blog MILF WTF

Uma em cada cinco mulheres será mãe antes de terminar a adolescência nos países do Cone Sul, diz UNFPA


Gravidez e maternidade precoce podem trazer complicações de saúde para a mãe e para o bebê, bem como impactos negativos na trajetória de vida de adolescentes. Quando a gravidez não é planejada, ela se torna uma manifestação nítida da vulnerabilidade dos direitos sexuais e reprodutivos de adolescentes e, portanto, de seus direitos humanos.

Essa é a conclusão do relatório “Fecundidade e Maternidade Adolescente no Cone Sul: Anotações para a Construção de uma Agenda Comum”, apresentado nesta terça-feira (19) pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), na Argentina.

De acordo com estimativas da pesquisa, cerca de 1,25 milhão de nascimentos que ocorrem nos países do Cone Sul são de mães adolescentes (15 a 19 anos), sendo que uma em cada cinco mulheres vivendo na região será mãe antes de terminar a adolescência.

O trabalho sistematizou a situação da fecundidade e da gravidez na adolescência em Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, e comparou a legislação e os programas existentes relacionados à saúde sexual e reprodutiva em cada um destes países.

De acordo com o relatório, a tendência da fecundidade adolescente durante a última década foi errática nos quatro países analisados. Apenas no Brasil houve uma queda sustentada, apesar de o país ter registrado forte avanço na década anterior.

A taxa de fecundidade adolescente no Brasil passou de 86 para cada 1 mil habitantes em 2000 para 75,6 em 2010. Entre 1980 e 2000, porém, esse indicador havia subido de 75 para 89,7. Na Argentina, a tendência também foi de baixa, passando de 60,7 em 2000 para 56,9 em 2010, enquanto no Chile, foi de 61,6 para 52,5 no mesmo período. No Paraguai, as taxas que eram de 82,3 no início da década caíram para 72,3 e, no Uruguai, passaram de 63,5 para 61,1.

De acordo com estimativas da ONU, nascem cerca de 14 milhões de crianças de mães adolescentes por ano em todo o mundo. Na América Latina e no Caribe, a taxa de fecundidade adolescente é de 73,2 por 1 mil nascimentos, quase o dobro dos níveis de outras regiões do mundo (48, 9 por 1 mil), só sendo superada pela África, onde atinge 103 por 1 mil. A maior parte das mães são adolescentes que estavam fora do sistema de ensino no momento da gravidez.

“É necessário reforçar e ampliar as políticas públicas abrangentes para garantir a prevenção de gravidez indesejada e destacar a importância da promoção de parcerias para a cooperação Sul-Sul entre os países, para facilitar o intercâmbio e a aplicação de boas práticas”, disse Virginia Camacho, assessora regional em saúde sexual e reprodutiva do Escritório Regional para a América Latina e o Caribe do UNFPA.

Desigualdades

As desigualdades étnicas e culturais em todos os países devem ser consideradas, segundo o relatório. No Brasil, a maternidade adolescente indígena representa o dobro da não indígena. Também no Uruguai são observadas diferenças étnico-raciais, com uma maior proporção de adolescentes mães entre as mulheres afrodescendentes.

No Brasil, a taxa de fecundidade adolescente diminui conforme aumenta a renda do lar. As adolescentes que moram em residências com renda igual ou inferior a 25% do salário mínimo per capita apresentam uma taxa de fecundidade de mais de 126 nascimentos por 1 mil mulheres. Entre as que residem em residências com rendas familiares per capita de duas a três vezes superior ao salário mínimo, a taxa de fecundidade cai para 31 nascimentos por 1 mil mulheres, e entre as que moram em residências com rendas mais altas, a taxa é de 8 a cada 1 mil.

“A gravidez adolescente não só destaca a falta de acesso das meninas e adolescentes aos bens e serviços que lhes permitam exercer os seus direitos sexuais e reprodutivos, mas também constitui uma barreira para que as meninas exerçam o seu direito à educação e ao desenvolvimento saudável, e para alcançar uma transição bem sucedida para a vida adulta”, disse Esteban Caballero, diretor regional do UNFPA para a América Latina e o Caribe.

O relatório analisa os programas de educação em sexualidade que se desenvolvem dentro dos marcos normativos de cada um dos países, tais como a disponibilização de diversos métodos contraceptivos gratuitamente através de sistemas de saúde e acesso à saúde sexual e reprodutiva de forma autônoma, sem a obrigação do acompanhamento de um adulto e como o respeito ao direito à confidencialidade.

O fortalecimento das capacidades e intercâmbios dos países do Cone Sul em seus esforços para garantir o acesso à saúde sexual e reprodutiva e diminuir a gravidez indesejada na adolescência são os principais objetivos do estudo, segundo a agência da ONU.

O relatório completo pode ser encontrado na página do UNFPA Brasil, nas publicações sobre Saúde Sexual e Reprodutiva (disponível somente em espanhol).

Fonte: Portal da ONU

Dia Nacional da Língua de Sinais é comemorado nas Conferências Conjuntas de Direitos Humanos


O Dia Nacional da Língua Brasileira de Sinais – Libras, comemorado neste domingo (24), foi lembrado pelos participantes das Conferências Conjuntas de Direitos Humanos, que garantem acessibilidade às pessoas com deficiência. O evento oferece, por exemplo, intérprete de libras e material em braile.

Além disso, disponibiliza a Central de Acessibilidade, que vai atender os participantes durante todos os dias do evento, que inclui a 4ª Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

Um dos participantes é o delegado da Pessoa com Deficiência de São Paulo (SP), Daniel Santos (18 anos), que espera levar para o seu estado mais conhecimento sobre as leis voltadas à pauta da pessoa com deficiência. “Estou muito feliz por ver que as leis de acessibilidade estão sendo obedecidas e como o evento está preparado para nos permitir aproveitar todos os temas que serão discutidos”. Daniel Santos pretende cursar Direito para continuar lutando pelas causas da pessoa com deficiência.

Para a intérprete de libras Tatiana Elizabete foi uma surpresa a estrutura criada para as Conferências. “Há 20 anos eu trabalho como intérprete e é a primeira vez que eu participo de um evento que consegue assistir a todos os participantes”. Ela explicou, ainda, que a Central de Acessibilidade está preparada para receber os surdos-cegos, que necessitam de atendimento diferenciado para cada caso.

As Conferências Conjuntas de Direitos Humanos seguem até a próxima sexta-feira (29), no Centro Internacional de Convenções do Brasil - CICB. O encontro é realizado pela Secretaria Especial de Direitos Humanos do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos.


Fonte: Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República - SDH/PR

Artigo - ‘Menos humanos': Ao lado de vítimas de desabamento, futebol segue normalmente


Por: Felipe Dana

Uma partida de futebol em meio aos corpos de duas das vítimas do desabamento de um trecho da ciclovia Tim Maia, na zona sul do Rio, na quinta-feira (21), deixou a internet horrorizada. O principal grito foi o de insensíveis.

Triste cena na praia de hoje - pelo menos 2 mortos... Revoltante acontecer isso meses depois da inauguraçao de uma ciclovia que tinha tudo pra dar certo.. muito triste

ESCLARECIMENTO: Infelizmente a cena é real. São as vitimas do desabamento da recém inaugurada ciclovia, parte do legado Olímpico Rio 2016.

Os bombeiros e policiais isolaram as vitimas um tempo depois dessa foto ser feita, foi feita perícia no mesmo local e eles foram retirados posteriormente.

A cena é forte, chocante, conheço pessoas próximas as vitimas - mas aos que acham um absurdo postar uma foto dessas, pensem se o absurdo esta na fotografia ou no fato de uma ciclovia recém inaugurada desabar matando inocentes? Mesmo se as obras aguentassem a ressaca, não deveria haver controle de passagem para evitar que pessoas sejam levadas pelas ondas? Vale a pena realizar essas obras as pressas? E quanto as pessoas ao redor, a fotografia esta ai para a reflexão da nossa indiferença em relação a tudo isso... as vezes a resposta é mais complexa do que uma "simples" indiferença. Registrei o que vi, não tenho as repostas.

Será que devemos esconder a realidade para tentar esquecer mais rápido dela?


Fonte: Jornal HuffPost Brasil (EUA) / Facebook

UnB é umas das 500 melhores universidades do mundo


A UnB subiu 60 posições no ranking QS Universities, que avalia as 800 melhores universidades do mundo entre as mais de vinte mil existentes. A classificação da Universidade ficou entre 491-500 e os destaques foram as áreas de Artes e Humanidades, na posição 368, e o curso de Antropologia, na posição 51-100.

O ranking considera como aspectos-chave a qualidade da pesquisa, o ensino presencial e a distância, a empregabilidade, a internacionalização, a estrutura, a responsabilidade social, a inovação, o incentivo à arte e cultura, a acessibilidade e a excelência.

De acordo com o site, além de se manter como a décima melhor universidade da América Latina e 53° dos BRICS, a UnB é considerada uma instituição de ensino superior de grande porte, com alta intensidade de pesquisa.

O decano de Graduação, Mauro Rabelo, considera que as mudanças refletem o esforço da comunidade acadêmica e o reconhecimento da relevância de se tratar bem a informação que é revelada acerca das atividades e de tudo o que é produzido dentro da instituição.

“Muito do que se revela pelos rankings tem a ver com a imagem institucional”, diz. “Esse reconhecimento envolve o trabalho contínuo dos servidores, docentes e gestores para divulgar essas informações”, completa.

Ele também considera que a publicação desses dados pelo ranking ajudará a atrair ainda mais estudantes. “Dessa forma, a Universidade ganha fama no cenário nacional e internacional. Ter mais intercâmbio de informações, enviando e recebendo alunos do exterior, aumenta a qualidade das relações de produção de conhecimento e a reputação acadêmica”, finaliza.


Antropologia

Nascido como Departamento de Antropologia, junto com a própria Universidade, foi desativado com a crise em 1965 e voltou a existir em 1969.

Além do reconhecimento da qualidade do curso de graduação, tanto o mestrado, que surgiu em 1972, quanto o doutorado, criado em 1981, têm sido avaliados ininterruptamente pela Capes com conceitos A.

O professor Guilherme Sá, coordenador da Graduação em Antropologia, acredita que o reconhecimento da excelência do curso está diretamente ligado ao envolvimento e à inclusão de estudantes com temas de pesquisa de grande abrangência e relevância no cenário contemporâneo. “Essa postura engajada permite que dialoguemos com o que há de mais atual nos debates antropológicos internacionais. Tudo isso faz com que valorizemos ainda mais o status público e de qualidade de uma universidade idealizada por um antropólogo, Darcy Ribeiro”, enfatiza.


Fonte: Universidade de Brasília - UnB

Proposta em análise na Câmara torna inelegíveis condenados por pedofilia

A Câmara dos Deputados analisa projeto de lei que torna inelegíveis condenados por pedofilia. De acordo com a proposta, da deputada Conceição Sampaio, do PP do Amazonas, os candidatos a cargos eletivos que tenham sido condenados por crime de pedofilia perderão os direitos políticos por oito anos.

Em entrevista ao Com a Palavra a deputada discutiu os principais pontos da proposta. Confira o áudio completo.



Fonte: Site da Câmara dos Deputados

Ratinho chuta a assistente de palco Milene Pavorô e depois debocha


O apresentador Ratinho deu um chute em sua ajudante de palco Milene Pavorô | Oficial, ao vivo, no programa que foi ao ar pelo SBT – Sistema Brasileiro De Televisão, no último dia 15. Visivelmente constrangida, a integrante do elenco deixou o palco no meio do quadro Foguetinho.

Após agredir Milene – ao que parece, o chute acertou a nuca da moça –, Ratinho demostrou desconforto ao vê-la deixar o palco. “Não podemos perder a esportividade”, disse, chamando o diretor do programa. ‘Aroldo, o senhor notou que ela é uma funcionária rebelde? Providências terão de ser tomadas… Ela vai pra rua.’

Tentei publicar este vídeo no YouTube, mas o conteúdo tem direitos autorais e foi retirado do ar. Queria mostrar a que ponto chegou o entretenimento na televisão. Há um mar de mulheres lutando pelo fim da violência doméstica. A TV poderia reforçar o discurso, mas, ao contrário, faz o desfavor de mostrar o Ratinho nessa lamentável cena.

Mulheres são vitimadas diariamente em seus lares, e nem a lei que tornou o feminicídio em crime hediondo fez baixar os índices deste tipo de delito. Para reforçar o discurso machista e mascarar a agressão, o SBT culpa a mulher – atitude comum aos agressores: no site da emissora, o vídeo tem o título: “Pavorô vira caixa andante e se dá mal”. A culpa é dela, claro.

Quão infeliz o chute do Ratinho. O golpe claramente constrangeu Pavorô, a ele próprio e aos demais integrantes do elenco. Eu também fiquei constrangido. O Programa do Ratinho é veiculado em todo o Brasil. Quantos por aí não tomarão o exemplo do Carlos Massa?

E que dizer da Havan, anunciante do quadro? Se a rede de lojas patrocina ao programa patrocinou, de tabela, a agressão. Correto? Que chute o Ratinho deu em seu anunciante, não. Afinal, eu, por exemplo, se entrar numa Havan, pensarei: a loja que patrocina violência contra a mulher. Por sorte, o caso não repercutiu. O golpe afetará pouco o marketing da empresa.

Em menos de dois minutos vimos, no Programa do Ratinho, como agredir, constranger, assediar e ameaçar uma mulher. O desserviço foi veiculado em cadeia nacional, em veículo explorado por meio de concessão pública, e que deveria ser útil ao povo – e, quando falo em utilidade, não me refiro aos suspeitos testes de DNA.

A submissão da mulher no mercado de trabalho, reforçada, neste caso, pelo homem que, na imagem do diretor, diz que irá “encaixotá-la”, deve ser combatida, rechaçada e extinta, sobretudo nos veículos de comunicação de massa.

Este chute acertou a Pavorô, mas doeu em muitas mulheres por aí. O Ratinho, o SBT e a Havan devem desculpas a todas elas. Senão, somos nós quem devemos encaixotá-los.


Fonte: Portal Carta Campinas

Nota pública: ONU Mulheres alerta para violência contra mulheres indígenas e conclama garantia de direitos


Confira abaixo a nota na íntegra:

“A ONU Mulheres faz o alerta público para o aumento de conflitos violentos contra povos indígenas do Mato Grosso do Sul, Bahia e Ceará. Ao passo que conclama as autoridades públicas sobre a necessidade de intensificar ações voltadas para a prevenção de violência, o acesso e a garantia de direitos e justiça aos povos indígenas, ressalta o acolhimento humanizado, a celeridade de resposta do poder público e o rigoroso enfrentamento à impunidade frente a violações de direitos e práticas criminosas contra a vida, etnicidade e territorialidade como pontos fundamentais.

A ONU Mulheres presta solidariedade a Ceiça Pitaguari, acometida por violência de ordem sexista, marcada por ameaças e intimidações a ela dirigida dentro de aldeia, na região de Maracanau (CE). Sobre a jovem Jaqueline Kaiowá, ameaçada devido a disputas territoriais para retomada de terras indígenas, instamos o poder público do Mato Grosso do Sul para prestar toda a assistência necessária aos povos indígenas para que possam fazer pleno uso de seus direitos sem intimidações, ameaças, violências e discriminações. Tal solidariedade é estendida a todas as mulheres indígenas que vivenciam situação de violações de direitos humanos e violência no Brasil.

Num contexto de defesa de territórios e exclusões sociais, as mulheres indígenas têm sido alvo de violências perversas baseadas em gênero, a exemplo de feminicídios, exploração sexual, tráfico de pessoas e agressões de outras naturezas que se acentuam na medida em que elas afirmam o seu protagonismo político em defesa dos seus povos e seus direitos.

Baseada nos compromissos internacionais de direitos humanos dos povos indígenas, no Dia Nacional dos Povos Indígenas, a ONU Mulheres Brasil reafirma o seu compromisso com as mulheres indígenas por meio do fortalecimento da sua liderança política e do seu empoderamento como tomadoras de decisão e negociadoras nos processos de garantia de direitos de seus povos e territórios.”

Nadine Gasman
Representante da ONU Mulheres Brasil


Fonte: Portal da ONU

Índios Kokama e Tikuna recebem posse permanente de terras no Amazonas


Portaria do Ministério da Justiça publicada hoje (25) no Diário Oficial da União declara a Terra Indígena Riozinho, localizada nos municípios de Juruá e Jutaí (AM), de posse permanente dos grupos indígenas Kokama e Tikuna.

De acordo com o texto, a proposta foi apresentada pela Fundação Nacional do Índio (Funai) com o objetivo de definir os limites da área, identificada como sendo tradicionalmente ocupada pelos grupos indígenas Kokama e Tikuna.

Ainda segundo a portaria, houve uma contestação no sentido de descaracterizar a tradicionalidade da ocupação, mas a demanda foi devidamente analisada e não logrou êxito. A Constituição prevê que os povos indígenas detêm o direito originário e o usufruto exclusivo sobre as terras que tradicionalmente ocupam.

A Terra Indígena Riozinho tem superfície aproximada de 362.495 hectares e perímetro também aproximado de 461 quilômetros. A publicação estabelece que a Funai promova a demarcação administrativa do local para posterior homologação pela presidenta Dilma Rousseff.


Fonte: Portal Agência Brasil

Há conflito entre interesses de farmacêuticas e sociedade, diz especialista da OPAS/OMS


Existe um conflito entre as necessidades de saúde pública e os interesses da indústria farmacêutica, que tem origem nas disparidades existentes entre a lógica do lucro fomentado pela economia de mercado e a condição de saúde desejada pela sociedade.

Essa é a conclusão do estudo“Produção: a corda bamba entre o mercado e as necessidades de saúde pública”, que faz parte da publicação “Uso Racional de Medicamentos: fundamentação em condutas terapêuticas e nos macroprocessos da Assistência Farmacêutica”, lançada no mês passado pela Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS).

Segundo o artigo, da pesquisadora Kellen Santos Rezende, um dos principais problemas no Sistema Único de Saúde (SUS) é o crescente desinteresse comercial dos fabricantes de insumos e medicamentos em manter a comercialização de medicamentos antigos, mas que ainda têm seus resultados positivos sobre a saúde.

“Podemos citar, neste contexto, medicamentos oncológicos antigos, como a L-asparaginase, indicado para leucemia linfocítica aguda em pacientes pediátricos”, lembrou o artigo. “Dado que o período da novidade comercial (e lucrativa) de um produto como esse foi há um bom tempo, os produtores que precisam continuar a ter altas taxas de lucratividade para manter o interesse dos seus investidores e, por isso, lançam no mercado alternativas terapêuticas mais caras, mas que nem sempre são melhores que os antigos”, completou.

Além do problema da substituição de medicamentos antigos para a maior lucratividade, o artigo citou episódios de desabastecimento de medicamentos da atenção básica, que ocorrem frequentemente no sistema de saúde brasileiro.

“É o caso da adrenalina (vasoconstritor) e fenitoína (anticonvulsivante), além de grupos de insumos farmacêuticos ativos que não mais são produzidos no país, tais como antibióticos e produtos para doenças raras”, declarou.

“O resultado prático disto é que hoje o sistema de saúde nacional enfrenta graves crises de desabastecimento de medicamentos antigos, amplamente utilizados, muitos deles da atenção básica”, disse o texto.

Os desabastecimentos de produtos importantes para o SUS têm ocorrido com frequência cada vez maior, sendo justificados por diversos motivos relacionados “à tênue relação existente entre as necessidades de saúde pública e as lógicas de mercado”, enfatizou o documento.

“Por isso, os governos em seus diversos âmbitos de atuação devem estabelecer mecanismos de regulação para que esta relação não seja deficitária para o lado da saúde pública.”

“Este balanço deve ser regulado para não afetar de forma negativa nenhum dos lados para a quebra da relação existente entre produtores e consumidores, agravada pela natureza dos produtos envolvidos serem produtos para atendimento da saúde da população”, completou.

Outro problema é o monopólio na produção de determinados medicamentos, o que torna os aumentos de preços excessivos, que por sua vez provocam alta exagerada dos gastos do poder público. “Quando se trata de produtos estratégicos para a saúde, a situação torna-se mais delicada”, disse o artigo.

Entre as sugestões para contornar os problemas, a autora citou o fortalecimento da produção nacional, especialmente em épocas em que as condições cambiais são desfavoráveis à importação.

Ela sugeriu também o fortalecimento das universidades como rede de conhecimentos e inovações, de modo a contribuir para a sociedade, seja na prestação de serviços ou na introdução de novos produtos. E uma melhora dos serviços de informação do sistema público para reduzir os episódios de desabastecimentos de produtos de baixo interesse pelo mercado.

Leia aqui o artigo completo da OPAS/OMS.


Fonte: Portal da ONU

Artigo - O bom samaritano é ateu


Por: Javier Salas

Se alguma vez – Deus queira que não – apanhar de assaltantes enquanto vai de Jerusalém a Jericó, é melhor que depois passe por ali um samaritano pouco religioso. Porque ser religioso ou ateu não deixa as pessoas melhores, mas parece condicionar a forma de entender a generosidade e o altruísmo com desconhecidos. E as pessoas menos religiosas têm uma tendência mais espontânea a ajudar o próximo, segundo os últimos estudos.

O último trabalho surpreendeu ao mostrar que as crianças criadas em ambientes religiosos são menos propensas a ser generosas, que existe uma correlação inversa entre o altruísmo e a educação em valores identificados com a fé. Por meio de um experimento realizado com menores de 5 a 12 anos em seis países culturalmente muito diferentes (Canadá, EUA, Jordânia, Turquia, África do Sul e China), os pesquisadores descobriram que os estudantes que não recebem valores religiosos em suas famílias são notavelmente mais generosos quando se trata de compartilhar seus tesouros com outras crianças anônimas.

“É importante destacar que as crianças mais altruístas vêm de famílias ateias e não religiosas”, destaca o chefe do estudo, Jean Decety, neurocientista e psicólogo da Universidade de Chicago. “Espero que as pessoas comecem a entender que a religião não é uma garantia para a moralidade, e que religião e moralidade são duas coisas diferentes”, acrescenta ao ser questionado da importância desse estudo.

Além disso, na pesquisa perguntava-se aos pais se seus filhos eram mais ou menos generosos e, curiosamente, os pais e mães mais religiosos acreditam que estão criando uma prole mais solidária: os religiosos dão como certo que seus filhos são mais altruístas, mesmo que na hora da verdade compartilhem menos. Outra descoberta importante é que a religiosidade faz com que as crianças sejam mais severas na hora de condenar danos interpessoais, como por exemplo os empurrões. “Essa última descoberta encaixa bem com pesquisas anteriores com adultos: a religiosidade está diretamente relacionada com o aumento da intolerância e das atitudes punitivas contra delitos interpessoais, incluindo a probabilidade de apoiar penas mais duras”. Em resumo, os menores criados em ambientes religiosos seriam um pouco menos generosos, mas mais propensos a castigar quem se comporta mal.

Dois anos atrás, o sociólogo de Stanford Robb Willer publicou um estudo no qual, através de experimentos, mostrou que a compaixão levava as pessoas não religiosas a serem mais generosas enquanto nas mais apegadas à fé a compaixão não influenciava em seu nível de generosidade. “Para os menos religiosos, a força de sua conexão emocional com outra pessoa é fundamental para decidir se irão ajudá-la ou não”, afirmou Willer na época. “Os mais religiosos, pelo contrário, fundamentam menos sua generosidade nas emoções e mais em outros fatores, como o dogma, a identidade de grupo e a reputação”.

Há séculos diferentes autores abordam o debate sobre se a religião, acreditar e temer a Deus, provoca nos humanos uma atitude mais bondosa, mais solidária, mais empática com o sofrimento dos demais. Nos últimos anos, entretanto, a pesquisa psicológica revelou várias tendências consistentes, como o fato dos religiosos motivarem seu altruísmo em valores diferentes e usarem critérios distintos para determinar quais ações são imorais.

A ideia de que a religião consolida o altruísmo, entretanto, aparece em diversos estudos, como os que vêm sendo publicados por autores como Azim Shariff, ao demonstrar na revista Science a importância da fé na hora de se mostrar mais generoso com os demais. Em seus trabalhos testou o altruísmo das pessoas depois de fazê-las pensar (consciente e inconscientemente) em Deus e suas manifestações: aqueles que liam sobre Ele e assistiam vídeos relacionados antes do teste se mostravam notavelmente mais generosos do que os que não o faziam. As motivações não eram a compaixão e a empatia, mas ajudavam mais ao próximo ao ter presente a figura divina.

Por isso, Shariff considera que os resultados do estudo em crianças publicados na sexta-feira “parecem superficialmente contraditórios” com seu trabalho. Mas de grande importância: “Acho que são conclusões fascinantes a partir de um esforço impressionante. Esse estudo nos obriga a repensar seriamente as coisas a fim de conciliar o que sabemos”, resume Shariff, da Universidade do Oregon.

O difícil seria explicar por que ateus e religiosos (ou pouco religiosos frente a muito religiosos) agem de forma diferente quando se trata de pensar nos demais. Mesmo que não existam respostas conclusivas, tanto Shariff como Decety mencionam uma certa licença moral outorgada por aqueles que já rezam pelos demais: se já cubro a quota de generosidade em minha paróquia, isso me exime de precisar ser altruísta com desconhecidos. “É uma falha mental particularmente interessante: realizando algo bom, que ajuda a fortalecer nossa própria imagem positiva, se desinibe o comportamento egoísta e, portanto, somos mais propensos a tomar decisões imorais”, explica Decety, um dos maiores especialistas em empatia. Isso explicaria o fato de crianças criadas em lares religiosos, que se percebem como mais sensíveis e justas, serem na verdade as menos altruístas entre seus colegas de classe.

Shariff, mais crítico, considera que isso tem uma leitura inversa. “Eles se limitam a um tipo específico de generosidade espontânea. É possível que alguém seja enormemente altruísta doando 20% de seus ganhos à caridade. E como estruturou seu altruísmo dessa forma, não se sente obrigado a doar a um mendigo na rua que lhe pede dinheiro de forma espontânea, ou a um psicólogo que lhe dá a oportunidade de compartilhar com alguém em um experimento”.

Na parábola de Jesus descrita por Lucas nos Evangelhos, era o sacerdote a não se aproximar do necessitado, e somente o samaritano parou para ajudá-lo. Mas não sabemos quem era o mais religioso dos dois, e se isso teve alguma relação com a atitude tomada.


Fonte: Jornal El País (Espanha)

Idosa aprende a ler e, aos 79 anos, se forma em universidade do Rio


Uma idosa, moradora da Zona Oeste do Rio, resolveu aprender a ler e escrever aos 67 anos. Hoje, aos 79, dona Leonides Victorino, nascida na Zona da Mata de Minas Gerais, já tem até diploma universitário em História da Arte. A história foi contada pelo RJTV, nesta quinta-feira (23).

Dona Leonides passou a infância na lavoura. Começou a trabalhar como doméstica e lavadeira, mas nunca perdeu o foco. “Eu era meio triste, as pessoas falavam que era analfabeta, parecia que tinha uma faca que cortava o coração”, contou ela.

Foi quando ela, aos 67 anos, decidiu botar em prática o sonho de aprender a ler e escrever, junto dos cinco netos.

Em 2014, mais uma conquista. Dona Leonides se formou em História da Arte na Universidade da Terceira Idade, na Uerj. “Eu sonho grande, não sonho pequeno, não”, brincou ela.


Fonte: Portal G1

Cerca de 5% dos usuários de crack e similares no Brasil vivem com HIV, aponta relatório do UNAIDS


Às vésperas da sessão especial da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre drogas, que começa na próxima terça-feira (19), o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS) alertou na sexta-feira (15) para o fracasso de muitos países em reduzir novas infecções pelo HIV entre usuários de drogas injetáveis.

Iniciativas do Brasil foram elogiadas na pesquisa. No país, quase 5% da população que utiliza crack e/ou similares vive com HIV – proporção equivalente a cerca de oito vezes a taxa de prevalência do vírus entre a população em geral, conforme apontado por estudo da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) citado no relatório.

O documento do UNAIDS assinala que, devido à ausência de abordagens centradas nos direitos humanos e na saúde dos usuários de drogas injetáveis, o número mundial de infecções por HIV entre esse público não foi reduzido de 2010 a 2014.

A agência da ONU destacou que, com isso, a comunidade internacional não cumpriu a meta estabelecida pela Assembleia Geral em 2011 para reduzir em 50%, até 2015, a transmissão de HIV entre pessoas que injetam entorpecentes.

“O mundo tem que aprender as lições dos últimos 15 anos, seguindo o exemplo de países que reverteram sua epidemia de HIV entre pessoas que injetam drogas adotando estratégias de redução de danos que priorizam seus direitos humanos”, afirmou o diretor-executivo do UNAIDS, Michel Sidibé. Portugal, China, Irã, Quênia e Moldávia estão entre essas nações bem-sucedidas.

A pesquisa ressalta que abordagens baseadas na criminalização e na execução agressiva da lei criaram barreiras às tentativas de mitigar as consequências negativas enfrentadas pelos usuários.

Prender pessoas pelo consumo ou posse de drogas para uso pessoal também aumenta sua vulnerabilidade ao HIV e a outras doenças infecciosas, como hepatite B, hepatite C e tuberculose, durante o encarceramento, apontou o relatório.

Programas brasileiros como a iniciativa De Braços Abertos, da Prefeitura de São Paulo, foram elogiados por oferecerem apoio abrangente a indivíduos que usam craque, incluindo emprego, alimentação, abrigo e cuidado médico completo – envolvendo prevenção do HIV, exames diagnósticos para o vírus e terapia antirretroviral. O sucesso do projeto levou o Ministério da Justiça a replicar a experiência em outras cidades brasileiras, no âmbito da sua Política Nacional sobre Drogas.

Outro destaque do país no relatório são os custos do tratamento para a hepatite C – relativamente inferiores aos valores em países desenvolvidos. Um tratamento para 12 semanas com o medicamento sofosbuvir custa cerca de 7 mil dólares no Brasil. Nos Estados Unidos, os custos chegam a 84 mil dólares e, no Reino Unido, 53 mil dólares. Na França e na Alemanha, os valores foram calculados em torno dos 45 mil dólares.

Na Índia e no Egito, porém, as despesas são bem menores, atingindo 483 dólares e 900 dólares respectivamente.

O dirigente do UNAIDS lembrou que o organismo conta com uma Estratégia de Aceleração da Resposta ao HIV para fortalecer os esforços de combate à epidemia até 2020 e reduzir a menos de 500 mil o número de novas infecções.

O programa também exige dos Estados-membros que garantam que no mínimo 90% dos mais de 12 milhões de pessoas que injetam drogas tenham acesso a um tratamento combinado para a prevenção do HIV, incluindo terapias de substituição de opioides, acesso a camisinhas e a aconselhamento, diagnóstico e serviços de tratamento para tuberculose e vírus transmitidos pelo sangue, como o HIV e as hepatites B e C.

A Agenda 2030 recém-adotada pela comunidade internacional prevê ainda que, até 2030, a epidemia de HIV seja erradicada.

Acesse o relatório do UNAIDS na íntegra aqui.


Fonte: Portal da ONU

Solteiras aos 27 anos, o drama das ‘mulheres que sobraram’ na China


"Sempre achei que ela tinha uma ótima personalidade. Mas ela não é muito bonita, fica na média. É por isso que ela é uma 'mulher que sobrou'", diz uma mãe sobre a filha solteira.

A cena faz parte de uma de uma propaganda que está viralizando na China por tratar do estigma das mulheres que passaram dos 35 anos e ainda não se casaram.

O anúncio está provocando um acalorado debate por tratar das chamadas "sheng nu", algo como "mulheres que sobraram", um problema latente em uma sociedade em que as mulheres devem priorizar o casamento e a maternidade.

Com quatro minutos e feita no estilo documentário, a campanha "Marriage Market Takeover" (algo como "invadindo o mercado de casamentos") foi feito pela marca de produtos de beleza SK-II.

Em um comunicado enviado à BBC, o presidente da empresa, Markus Strobel, disse que o vídeo faz parte de uma "campanha global para inspirar e empoderar as mulheres a moldar seu próprio destino".

"Nós mostramos um problema da vida real de mulheres chinesas talentosas e corajosas que são pressionadas para casar antes dos 27 anos, por medo de serem rotuladas como 'sheng nu'."


Pressão da sociedade

Pela definição do governo, o uma "mulher que sobrou" se refere a qualquer mulher acima de 27 anos solteira.

O Partido Comunista Chinês tenta pressionar essas mulheres para casarem, para lidar com um grave desequilíbrio de gênero causado pela política do filho único, que foi revogada recentemente.

Mas de acordo com Leta Hong Fincher, autora do livro Leftover Women: The Resurgence of Gender Inequality in China (As mulheres que sobraram, o ressurgimento da desigualdade de gênero na China, em tradução livre), as chinesas não casadas estão em um "verdadeiro momento de mudança", já que muitas estão começando a abraçar um estilo de vida de solteira e lutando contra o estigma.

"Essas jovens estão sendo alvo de uma campanha deliberada do governo para pressioná-las a casar", disse Leta. "Mas as mulheres chinesas hoje estão cada vez se educando cada vez mais e resistindo ao casamento. Essas mulheres solteiras estão tendo vidas ótimas. Mas essa tortura psicológica vivenciada por essas mulheres para se casarem é algo extremamente real. E reflete a realidade de muitas jovens profissionais na China."


Pais e filhas

O vídeo intercala testemunhos emocionantes das mulheres com a opinião de seus pais.

"Na cultura chinesa, respeitar os pais é o mais importante. E não se casar é visto como o maior sinal de desrespeito", diz uma delas, sem conseguir segurar o choro. "As pessoas acham que uma mulher solteira é incompleta", afirma outra.

O vídeo foi intensamente compartilhado no Facebook mundo afora. E, na China, recebeu mais de 4 mil curtidas e foi compartilhado mais de 20 mil vezes na rede social Weibo. "Eu sou solteira e precisava ver esse vídeo para saber que não estou sozinha e não tomei as decisões erradas. É possível ser feliz sem um homem. Não deveríamos ser punidas por nossas escolhas, já que não estamos prejudicando ninguém", comentou uma usuária.
'Os homens precisam se esforçar mais'

A propaganda termina com as mulheres e seus pais visitando o chamado mercado do casamento, que são lugares em que pais colocam cartazes com os pontos positivos de seus filhos, na expectativa de encontrar um parceiro para eles.

Mas, na propaganda, os cartazes das mulheres em questão são acompanhados com frases delas a seus pais. "Eu não quero me casar só pelo fato de estar casada. Eu não serei feliz dessa maneira", diz um dos pôsteres.

"Eu me oponho ao termo 'mulher que sobrou'", diz outro cartaz com a foto de uma das mulheres, cuja a mãe reage: "Os homens que sobraram precisam se esforçar mais."

Será mesmo que a sociedade chinesa vai passar a aceitar a escolha dessas mulheres? "No momento, essa expectativa é uma mera fantasia."

"Casamento na China ainda é algo extremamente patriarcal. Mas acredito que essa tendência de mulheres optando por serem solteiras e independentes vai crescer – o que estamos vendo é só o começo."


Fonte: Jornal BBC Brasil (Reino Unido)

IBGE explica raiva de Sul e Sudeste contra o Nordeste


Se dependesse das regiões Sul e Sudeste do país, o presidente da República para o quadriênio 2015 – 2018 seria Aécio Neves. O Brasil estaria se preparando para inaugurar mais uma República banqueira como tantas outras que o fizeram chegar ao limiar do século XXI como o quarto país mais desigual do mundo, perdendo só para países africanos miseráveis.

O que livrou os brasileiros – inclusive do Sul e do Sudeste – da escuridão política foi o povo nordestino. O Nordeste, por ser a segunda região mais populosa do país depois do Sudeste e por ter dado a Dilma Rousseff apoio ainda mais intenso do que o que o senador tucano teve no Sudeste, reelegeu a presidente.

O mais interessante nesse processo é que a região dos coronéis de outrora, que sustentou a ditadura militar nos seus estertores – quando o resto do país já exigia redemocratização – e que votava nos conservadores apesar de a vida de seu povo, com a direita no poder, piorar a cada ano, aprendeu a votar em causa própria.

A eterna prepotência das regiões do resto país que se desenvolveram mais devido à política e não a méritos próprios, vem gerando surtos de preconceito contra o Nordeste nas últimas eleições presidenciais, com destaque para as de 2010 e 2014, quando o Ministério Público teve que entrar em campo para punir surtos racistas e xenofóbicos.

O caso de São Paulo é pior, em termos de ignorância, preconceito e xenofobia. O povo paulista, hoje, emula o povo nordestino, que elegia, reelegia e elegia de novo seus algozes enquanto sua vida piorava. Os paulistas acabam de conceder o SEXTO mandato de governador ao PSDB apesar da piora galopante das próprias vidas.

A hegemonia tucana fez com que, de 2001 a 2011, São Paulo se tornasse o Estado que mais perdeu participação no PIB da indústria brasileira. Apesar de ainda responder pela maior parte da produção industrial (33,3%), SP teve recuo de 7,7 pontos percentuais em sua participação no PIB industrial, onde há os melhores empregos.

Ironicamente, enquanto a falta de água caminha para se tornar história no Nordeste, sobretudo devido à incrível obra de Transposição do Rio São Francisco, que, apesar das sabotagens, em breve estará concluída, no Sudeste, sobretudo em Minas Gerais e SP, a população paga pela incúria dos governos conservadores dos últimos 12 anos.

A inversão do desenvolvimento no país se torna gritante na comparação entre o PIB industrial do Norte e do Sul do país. Enquanto o primeiro cresceu 1,9 ponto percentual no período de 2001 a 2011, o Sul perdeu 2,1 pontos.

Tudo isso vem acontecendo porque, após a chegada do PT ao poder, em 2003, o Brasil tratou de reparar uma chaga histórica. Qual seja, o processo deliberado de incremento econômico do Sul e do Sudeste em detrimento do Norte e do Nordeste, que foi política de Estado ao longo de nossa história, desde o descobrimento.

O que puxava os índices de desenvolvimento do Brasil para baixo sempre foi o Nordeste, mas só até que Lula chegasse ao poder. Dali em diante, essa equação começou a se inverter.

Quando os paulistas acusam os nordestinos de terem sido responsáveis pela reeleição de Dilma por não saberem votar, mostram quanto não sabem nada sobre o próprio país. Os nordestinos sabem muito bem porque votam no PT, como mostra a mais nova edição da PNAD contínua, do IBGE.

A nova Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) produz informações contínuas sobre a inserção da população no mercado de trabalho e suas características, tais como idade, sexo e nível de instrução, permitindo, ainda, o estudo do desenvolvimento socioeconômico do País através da produção de dados anuais sobre trabalho infantil, outras formas de trabalho e outros temas permanentes da pesquisa, como migração, fecundidade etc.

Pois bem: segundo a nova PNAD contínua, divulgada na última quinta-feira, no período de 12 meses (fechado em junho) o Nordeste liderou a criação de postos de trabalho no país. De 1,5 milhão de empregos criados nesse período, 1 milhão foi criado no Nordeste e o resto pelas demais regiões.

Vejamos, então, quem é que não sabe votar: o povo de São Paulo, que vota há vinte anos em um governo que liderou a redução da presença de seu Estado no PIB, que materializa uma inédita escassez de água e que vê seus problemas sociais se agravarem, ou o povo do Nordeste, que votou maciçamente em um governo que vem fazendo a vida melhorar tanto na região?

O PIB nordestino cresce a uma taxa quatro vezes maior que a do resto do Brasil. Isso ocorre porque, após a chegada de Lula ao poder, o governo federal vem fazendo o que tem que ser feito no país para acabar com um nível de desigualdade que mantém os brasileiros no atraso.

Como é que se distribui renda? Antes de distribuir por idade, sexo etc., a renda começa a ser distribuída geograficamente e, passo a passo, a atuação governamental vai se sofisticando por idade, gênero etc.

Ou seja: para distribuir renda no Brasil, há que fazer, primeiro, as regiões mais pobres crescerem mais do que as regiões mais ricas.

Com efeito, se o Norte e o Nordeste fossem um país – como, inclusive, quer parte do Sul e do Sudeste –, seriam um dos países que mais crescem no mundo, com o PIB do último ano crescendo mais de 4%.

Infelizmente, só há uma forma de distribuir renda: para alguém ganhar, alguém tem que perder. Não dá para todos ganharem da mesma forma se um tem mais e outro tem menos, e o que se quer é justamente maior igualdade. Assim, o Norte e o Nordeste precisam crescer mais do que o Sul e o Sudeste mesmo.

Se aqui, no "Sul Maravilha", não fôssemos tão egoístas e alheios à realidade, entenderíamos que não adianta querermos o desenvolvimento só para nós – ou mais para nós – porque o povo das regiões empobrecidas migra para cá, aumenta a demanda por serviços públicos e, mergulhado na pobreza e no abandono, vê seus filhos caírem na criminalidade.

Com o maior crescimento do Norte e do Nordeste, a migração cai ou muda de rumo, como tem acontecido – hoje, há cada vez mais nordestinos voltando à região de origem. Além disso, o Sul e o Sudeste poderão parar de enviar recursos, via impostos, para combater a miséria extrema nas regiões mais pobres.

De certa forma, o povo do Sul-Sudeste tem um "motivo" para não gostar dos quatro governos do PT a partir de 2003. A percepção de que o desenvolvimento dessas regiões não tem sido grande coisa, não chega a ser cem por cento errada. Porém, isso ocorre porque está havendo redistribuição de renda entre regiões, no Brasil.

No atual ritmo de crescimento do Norte e do Nordeste, em mais um mandato do PT o Brasil terá outra face – mais justa, mais coerente com um país que não pode ser rico em uma ponta e miserável na outra. E, ainda que grande parte do povo das regiões preteridas não entenda, ao fim todos sairemos ganhando com isso.


Fonte: Jornal Brasil 247

Harriet Tubman é a nova cara da nota de 20 dólares norte-americana


Martha Washington, a mulher de George Washington (primeiro presidente dos EUA), já tinha figurado temporariamente nas notas de um dólar nos anos de 1880 e 1890. Pocahontas, a mulher indígena norte-americana que inspirou o filme da Disney, ligada ao estabelecimento colonial em Jamestown, surgiu nas notas dos anos 1860, mas em poucos exemplares que circularam entre um grupo restrito de pessoas.

Foi preciso passar mais de um século até os Estados Unidos da América decidirem consagrar definitivamente a face principal de uma nota a uma figura feminina, e a escolhida foi anunciada quarta-feira pelo Departamento do Tesouro: é Harriet Tubman, afro-americana, ativista anti-esclavagismo, abolicionista e sufragista, que irá substituir a face de Andrew Jackson, o sétimo presidente dos EUA.

Saiba mais sobre a Harriet Tubman clicando aqui

"Quando anunciei, em junho passado, que uma mulher iria figurar na nova nota de dez dólares, esperava encorajar um debate nacional sobre mulheres na nossa democracia. A resposta foi poderosa", revelou em comunicado o secretário do Tesouro dos EUA, Jack Lew. "A decisão de pôr Harriet Tubman na nova nota de 20 dólares foi tomada após os milhares de respostas que recebemos dos americanos, novos e velhos".

As notas de cinco, dez e 20 dólares serão assim redesenhadas e a imagem de Jackson continuará na nota de 20 dólares, mas no verso.

Janet Yellen, a presidente da Reserva Federal norte-americana, comentou a escolha de Tubman, que teve um papel determinante na libertação de mais de 300 escravos e morreu em 1913, com 91 anos - sete anos antes de as mulheres norte-americanas garantirem o direito ao voto. "Na História americana, as mulheres tomaram importantes decisões para a sociedade livre e democrática de que desfrutamos hoje. Saúdo a decisão do Departamento do Tesouro de honrar estes feitos", frisou Yellen.

Tubman serviu mesmo no exército norte-americano durante a guerra civil e liderou vários grupos armados que resgataram escravos do sul: nascida escrava, conseguiu fugir para Filadélfia e foi responsável pela fuga da própria família em direção ao norte, que repudiava a escravatura.

À CBS, Jack Lew garantiu que não esperava que tantos norte-americanos decidissem participar no debate sobre as figuras que iriam estar nas novas notas de dólar. "Não estamos apenas a falar de uma fotografia numa nota. Estamos a falar de usar a frente e o verso das notas para contar um fantástico conjunto de histórias", sublinhou.

O Tesouro espera revelar a nota nota de 20 dólares em 2020, ano em que se assinala o centenário do sufrágio feminino nos EUA.


Fonte: Diário de Notícias

O silêncio dos inocentes: a cada 100 índios que morrem no Brasil, 40 são crianças


Cerca de 40% de todas as mortes entre índios brasileiros registradas desde 2007 foram de crianças com até 4 anos. O índice é quase nove vezes maior que o percentual de mortes de crianças da mesma idade (4,5%) em relação ao total de óbitos no Brasil no mesmo período.

Um levantamento da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) obtido pela BBC Brasil por meio da Lei de Acesso à Informação revela que indicadores da qualidade do serviço de saúde prestado aos índios estão em patamar muito inferior aos do resto da população.

Os dados detalham todas as mortes de índios registradas desde 2007 em cada um dos 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI), que englobam uma população de cerca de 700 mil índios. As informações de 2013 estão incompletas.

O levantamento mostra que nos últimos sete anos 2.365 índios morreram por causas externas (acidentes ou violência), dos quais 833 foram vítimas de homicídio. Outras 228 mortes por lesões não tiveram sua intenção determinada. Não há informações sobre a autoria dos crimes.

O DSEI Mato Grosso do Sul responde pelo maior número de assassinatos de índios: 137 nos últimos sete anos. Na reserva de Dourados, área indígena visitada pela BBC Brasil, moradores evitam circular à noite por medo de ataques.

Delmira Cláudio, índia guarani kaiowá, teve três filhos assassinados dentro da reserva, todos com menos de 30 anos. Líderes da comunidade atribuem a violência à inoperância policial, ao aumento de moradores não índios e à venda de álcool dentro da reserva.

Os suicídios, por sua vez, foram a causa de 351 mortes de indígenas desde 2007. A região do Alto Solimões, no oeste do Amazonas, registrou mais casos, 104.

Um artigo recente da pesquisadora Regina Erthal apontou como principal causa para o fenômeno, comum entre o povo ticuna, o acirramento de conflitos que têm como base “o abandono a que tal população tem sido submetida pelos órgãos responsáveis pela definição e implementação das políticas públicas”.

Caso fosse um país e levando em conta os dados de 2012, o DSEI Alto Solimões teria a segunda maior taxa de suicídios por habitante do mundo, 32,1 por 100 mil, atrás apenas da Groelândia. O índice entre os índios brasileiros é de 9 suicídios por 100 mil e, no país, 4,9.

Comparações entre os padrões de morte dos índios e dos demais brasileiros em 2011, último ano em que há dados gerais disponíveis, revelam outras grandes discrepâncias.

Enquanto entre os índios as mortes se concentram na infância e só 27,4% dos mortos têm mais de 60 anos, na população geral os com mais de 60 respondem por 62,8% dos óbitos.

Nas últimas décadas, avanços no sistema de saúde reduziram as mortes por doenças infecciosas e parasitárias entre os brasileiros para 4,5% do total. Entre os índios, o índice é de 8,2%.

Hoje quase a metade das mortes no Brasil se deve a doenças mais complexas e difíceis de tratar: problemas no aparelho circulatório (30,7%) e câncer (16,9%).

Já entre os índios doenças respiratórias, como gripes que evoluem para pneumonia, ainda são a principal causa de morte (15,3%). Cânceres respondem por apenas 2,9% dos óbitos entre indígenas.

Desde o fim de janeiro, a BBC Brasil espera a resposta a um pedido de entrevista com o secretário Especial de Saúde Indígena, Antônio Alves, para tratar das informações que embasam esta reportagem.

Questionamentos à secretaria sobre as mortes de crianças e as ações para combatê-las foram ignorados, apesar de numerosos e-mails e telefonemas.

A BBC Brasil ainda tentou tratar dos temas com o novo ministro da Saúde, Arthur Chioro, e com o ex-ministro Alexandre Padilha, responsável pela pasta entre 2011 e o início deste ano. Os pedidos de entrevista foram igualmente recusados.

Para o médico Douglas Rodrigues, especialista em saúde indígena da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a alta mortalidade entre crianças mostra que atendimento a índias gestantes e recém-nascidos ainda deixa muito a desejar.

Ele diz que as mortes de índios por doenças infecciosas têm duas razões principais: a maior vulnerabilidade de alguns grupos mais isolados a essas doenças e falhas na assistência médica.

“O mais grave é que essas doenças são evitáveis. Não dá para aceitar que em pleno século 21 tantos índios morram por doenças infecciosas.”

O professor diz que, nas últimas décadas, houve grandes avanços nos serviços de saúde para os índios. Em 1999, a União assumiu a responsabilidade pela saúde indígena, que passou a ser gerenciada pela Funasa (Fundação Nacional de Saúde).

Em 2010, com a criação da Secretaria Especial da Saúde Indígena (Sesai), subordinada ao Ministério da Saúde, as ações passaram a ser geridas por um órgão exclusivamente voltado aos índios.

No entanto, segundo o professor, a acelerada melhora nos índices verificada até o início da última década praticamente se interrompeu.

Ele cita os dados de mortalidade infantil entre os índios. Segundo uma apresentação da Sesai, a taxa despencou de 74,6 para mil nascidos vivos, em 2000, para 47,4, em 2004. No entanto, de 2004 a 2011, o índice diminuiu em velocidade bem menor, para 41,9.

No Brasil, a mortalidade infantil em 2011 foi de 15,3. E diferentemente do histórico entre os índios, o índice nacional segue baixando em ritmo uniforme.

“Saiu-se de uma situação de quase desassistência aos índios e foi se aumentando o número de pessoas e lugares em que há profissionais, o que teve um impacto muito grande. Mas depois de 2005 houve uma estabilização, o que é preocupante”, diz Rodrigues.

“Agora é o momento de fazer um ajuste fino, de melhorar a qualidade”.


Fonte: Jornal Diário do Centro do Mundo

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