domingo, 24 de janeiro de 2016

Observatório de Favelas abre vagas para Pesquisadores e Coordenador Executivo


O Observatório de Favelas está com vaga aberta para Coordenador Executivo (01 vaga) e Pesquisador (02 vagas) para compôr, durante 10 meses, a equipe técnica do projeto "Democracia como resposta à violência latinoamericana”.

PERFIL:

- PARA O CARGO DE COORDENADOR (A) EXECUTIVO (A):

Graduação em Ciências Humanas, preferencialmente Ciências Sociais; fluência oral e escrita em espanhol; experiência em pesquisas e coordenação de projetos relacionados à violência,
segurança pública e direitos humanos; desejável experiência em ações de mobilização ou campanhas com foco na valorização da vida; disponibilidade para viagens.

- PARA O CARGO DE PESQUISADOR (A):

Graduação em Ciências Humanas, preferencialmente Ciências Sociais; fluência em espanhol; desejável experiência em pesquisas relacionadas à violência, segurança pública e direitos humanos; desejável experiência em ações de mobilização ou campanhas com foco na valorização da vida.

Os currículos devem ser enviados até o dia 25 de janeiro, com a indicação do cargo, para o email: raquel@observatoriodefavelas.org.br

Assunto: Processo Seletivo – Coordenação Executiva ou Processo Seletivo – Pesquisador

Acesse o edital em: http://migre.me/sL1k5


Fonte: Focebook do Observatório de Favelas

Como saber se as roupas que você compra provêm de trabalho escravo?


Na semana passada foi a vez de mais uma gigante da indústria têxtil parar nas páginas dos jornais por exigências trabalhistas abusivas. Dessa vez o Grupo Riachuelo foi condenado ao pagamento de R$10 mil mais pensão mensal à uma costureira da Guararapes Confecções S.A. que era pressionada colocar elásticos em 500 calças por hora, além de produzir mil peças de bainha por jornada de trabalho.

A atividade lhe rendia por mês R$550 e pioras no seu quadro adquirido de Síndrome do Túnel do Carpo, caracterizado por dores e inchaços nos braços em razão dos movimentos repetitivos e em demasia. A costureira declarou que evitava até beber água para que não precisasse ir ao banheiro, já que essas saídas eram controladas em sistemas de ficha pela supervisora do setor.

Já há um tempo reportagens e documentários como The True Cost vêm nos alertando do desrespeito aos direitos humanos e trabalhistas por parte de diversas marcas de roupas, principalmente nas redes de fast fashion.


No Brasil, infelizmente, temos notícia de grandes empresas que exploram o trabalho humano, como a Zara, que recentemente foi autuada pela prática de mão de obra escrava, e a Le Lis Blanc, que passou pelo mesmo papelão por não oferecer condições dignas de trabalho a seus funcionários.

Como consumidores, cabe a nós a escolha: vamos consumir diretamente de marcas que ignoram os direitos humanos? Vale o questionamento antes de comprar aquela roupa bacana nas grandes cadeias.

Mas como saber quem é vilão na indústria da moda?

Já falamos por aqui sobre o trabalho escravo e apresentando o coletivo Repórter Brasil. Eles realizam um trabalho fantástico de denúncia de trabalho escravo no país e recentemente lançaram o aplicativo Moda Livre, que vale a pena ser divulgado.

Ser um consumidor consciente dá trabalho. Não é fácil avaliar toda a cadeia de suprimentos de cada loja compramos. Mas se isso podia ser usado como desculpa para negligenciar práticas antiéticas praticadas por terceiros, agora vai começar a pegar mal: o aplicativo faz todo trabalho pra gente e aponta quem são os mocinhos e os vilões da indústria da moda. A ferramenta está disponível para Android e IOS. Baixada, usada e aprovada.


A proposta é trazer ao público, de forma fácil e rápida, as medidas que as principais marcas vêm tomando para evitar que as roupas vendidas em suas lojas sejam produzidas por mão de obra escrava. Para isso, o app avalia as principais varejistas de roupas do país, além de empresas que foram flagradas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em situações de trabalho escravo.

As companhias listadas na plataforma foram convidadas a responder um questionário que se baseia em quatro indicadores: políticas, monitoramento, transparência e histórico. Com base nas respostas as empresas receberam uma pontuação que as classifica em três categorias: verde, amarelo e vermelho.


A ferramenta está no ar desde 2013 e hoje conta com 47 marcas, dentre as quais somente 5 receberam sinal verde (Scene, Malwee Brasileirinhos, Malwee, C&A e Carinhoso).

Entre as empresas que não demostram ter mecanismos de acompanhamento de seus produtos, têm histórico desfavorável em relação ao trabalho escravo ou não responderam o questionário estão a 775, Bo.Bô, Centauro, Colcci, Collins, Forum, Gangster, Gregory, Havan, John John, Leader, Le Lis Blanc, Lilica & Tigor, Marisol, M. Officer, Talita Kume, Triton, Tufi Duek e Unique Chic.

Além da classificação das marcas, o app oferece um panorama de cada empresa avaliada. Em relação à marca de roupas femininas Bo.Bô, por exemplo, o Moda Livre alerta: "em junho de 2013, fiscais do governo encontraram bolivianos em condições de escravidão costurando roupas para a Bo.Bô e para a Le Lis Blanc, outra marca do grupo Restoque. Nas lojas, elas valiam até 150 vezes mais do que o valor pago por peça para cada trabalhador".

Com essas informações valiosas na palma da mão fica muito mais fácil escolher de quem vamos comprar. Então, antes de entrar numa loja, que tal pensar no tipo de empresa que queremos apoiar?


Fonte: Portal Papo de Homem

Artigo - A marcha para satanás e a intolerância religiosa


Por: Marco Bueno

No Brasil, o direito ao protesto é garantido constitucionalmente pela combinação de três direitos especificados no artigo 5º da Constituição Federal, que são a liberdade de expressão, a liberdade de reunião e a liberdade de associação.

Embora os cidadãos tenham liberdade de protestar, eles devem ficar atentos pois o mesmo artigo que dá o direito faz algumas ressalvas, que são elas: é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público; é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar.

Pois bem, certo de que estão todos cientes de seus direitos e deveres, já há algum tempo está sendo amplamente divulgado nas redes sociais que dia 17/01/2016 uma “Marcha para Satanás” está prevista de ocorrer em várias capitais brasileiras. Contrário do que muita gente pensa a Marcha para Satanás, segundo os organizadores do evento, não é um evento satânico de verdade (a base de pentagramas, sacrifício de animais e cultos a Lúcifer) e sim uma crítica aos movimentos religiosos conservadores, intolerantes, preconceituosos e usurpadores de liberdades e direitos que tentam impor a suas crenças as pessoas que não compartilham da mesma fé e ideais.

Bem, se a intenção dessa Marcha para Satanás tem por objetivo principal trazer a discussão a intervenção religiosa cristã que está ocorrendo em todo o Brasil e até mesmo provocar os crentes fundamentalistas, posso afirmar com muita propriedade que antes mesmo do evento ocorrer, a meta foi alcançada. Digo isto porque me deparei com inúmeros evangélicos se posicionando para boicotar com orações, preces, jejuns esse evento satânico, que segundo os crentes em questão não passa de um movimento social de Lúcifer que escolheu o Brasil para seu reinado.

Infelizmente, vindo de muitos cristãos com suas crendices ignorantes e maléficas, não dá para se esperar atitude diferente em eventos contrários a suas ideologias, crenças, fé, convicções. Isto é uma grande verdade, pois basta a sociedade multicultural precisar discutir assuntos delicados como família, aborto, homossexualidade, liberdade por exemplo – para aparecer cristãos com suas bíblias metendo a colher nas orientações religiosas, nas opiniões, nos hábitos e costumes alheios.

Tratando-se exclusivamente do Ocidente, os evangélicos em grande parte são os que mais desequilibram a sociedade; são os que mais fazem confusão; são os que mais se intrometem nas vidas alheias, são os que mais desejam governar o mundo; são os que mais querem converter/salvar pessoas com seus evangelhos, doutrinas e dogmas, enfim, os evangélicos na sua grande maioria são os que mais causam dissabores sociais, sejam na família, na escola, na rua, na empresa e nas próprias igrejas.

Gostaria de estar sendo sensacionalista, mas a rotina dos religiosos medíocres mostra que não estou. Por pior que seja, dificilmente se vê pagãos, ateus, agnósticos, espíritas, espiritualistas, esotéricos, umbandistas, candomblecistas, satanistas entre tantos outros segmentos promovendo a intolerância religiosa; disseminando o preconceito, a discriminação, o ódio contra os não iguais.

Tirando os casos isolados, dificilmente alguém poderá afirmar com propriedade que os irreligiosos, as pessoas mundanas ou as orientações filosóficas/religiosas não-cristãs são as culpadas pelo alto índice de violência e intolerância religiosa que permeia a sociedade.

Um evento está previsto para ocorrer amanhã 17/01/2016, mas independente de que ele vá acontecer ou não, me corrija se eu tiver errado: se há algum demônio querendo dominar a sociedade brasileira, ele não é das trevas, é dá luz. E pior que isso, ele é cristão.


Confira reportagem da Marcha para Satanás em Natal/RN abaixo:




Fonte: Blog do Marco Bueno / Via Certa Natal

Letra de médico é responsável pela morte de 7 mil pessoas ao ano nos EUA


Ante esta situação caótica, criaram o National e-Prescribing Patient Safety Initiative (NEPSI), cujo objetivo é que os médicos tenham acesso gratuito a uma base de dados eletrônica para expedir receitas de forma digital, verificar as possíveis interações medicamentosas potencialmente perigosas e garantir que as farmácias dêem os medicamentos e as doses adequadas.

O programa foi lançado por uma coalizão de companhias sanitárias e várias empresas eletrônicas como a 'Allscripts', cujo diretor geral, Glen Tullman, mencionou:

- "Temos a tecnologia disponível para evitar estes erros de modo que, por que não fazemos?".

O projeto teria um custo de 100 milhões de dólares e recebeu o apoio de várias companhias, como Dell, Google, Aetna e numerosos hospitais.

Scott Wells, vice-presidente de marketing da Dell, menciona:


- "Nosso objetivo a longo prazo é conseguir com que as receitas, em vez de passar pelas mãos dos médicos, sejam somente emitidas via computador".

Enquanto isso o Google está desenvolvendo um motor de busca personalizado para o NEPSI, que auxiliará os médicos a buscar informação sanitária.

Apesar de que o 90% dos médicos estadunidenses têm acesso a internet, nem 10% deles investiu dinheiro ou tempo suficiente para começar a usar os arquivos médicos e receitas eletrônicas; pois a maioria continua usando caneta Bic e papel.

No Brasil não temos dados estatísticos e nem acompanhamento sobre o assunto, mas a realidade não deve ser diferente já que temos até a pejorativa expressão "letra de médico" para designar péssima caligrafia geralmente presente nas receitas médicas ou em qualquer outro texto escrito à mão.

Apesar de existir até um artigo, o 39, da Resolução nº 1.601/2000O, publicada pelo Conselho Federal de Medicina (CRM), determinando que as prescrições médicas sejam escritas por extenso e de forma legível , os abusos permanecem.

Meu finado pai, que era farmacêutico e que padeceu horrores para decifrar os garranchos dos médicos, tinha uma solução simples e eficiente: aconselhava o paciente a não abandonar o consultório médico até entender o que estava escrito na receita.


Fonte: MedTempus / Portal R7 / Portal do Médico

Artigo - A triste geração que virou escrava da própria carreira


Por: Ruth Manus*

E a juventude vai escoando entre os dedos.

Era uma vez uma geração que se achava muito livre.
Tinha pena dos avós, que casaram cedo e nunca viajaram para a Europa.
Tinha pena dos pais, que tiveram que camelar em empreguinhos ingratos e suar muitas camisas para pagar o aluguel, a escola e as viagens em família para pousadas no interior.
Tinha pena de todos os que não falavam inglês fluentemente.
Era uma vez uma geração que crescia quase bilíngue. Depois vinham noções de francês, italiano, espanhol, alemão, mandarim.
Frequentou as melhores escolas.
Entrou nas melhores faculdades.
Passou no processo seletivo dos melhores estágios.
Foram efetivados. Ficaram orgulhosos, com razão.
E veio pós, especialização, mestrado, MBA. Os diplomas foram subindo pelas paredes.
Era uma vez uma geração que aos 20 ganhava o que não precisava. Aos 25 ganhava o que os pais ganharam aos 45. Aos 30 ganhava o que os pais ganharam na vida toda. Aos 35 ganhava o que os pais nunca sonharam ganhar.
Ninguém podia os deter. A experiência crescia diariamente, a carreira era meteórica, a conta bancária estava cada dia mais bonita.
O problema era que o auge estava cada vez mais longe. A meta estava cada vez mais distante. Algo como o burro que persegue a cenoura ou o cão que corre atrás do próprio rabo.
O problema era uma nebulosa na qual já não se podia distinguir o que era meta, o que era sonho, o que era gana, o que era ambição, o que era ganância, o que necessário e o que era vício.
O dinheiro que estava na conta dava para muitas viagens. Dava para visitar aquele amigo querido que estava em Barcelona. Dava para realizar o sonho de conhecer a Tailândia. Dava para voar bem alto.
Mas, sabe como é, né? Prioridades. Acabavam sempre ficando ao invés de sempre ir.
Essa geração tentava se convencer de que podia comprar saúde em caixinhas. Chegava a acreditar que uma hora de corrida podia mesmo compensar todo o dano que fazia diariamente ao próprio corpo.
Aos 20: ibuprofeno. Aos 25: omeprazol. Aos 30: rivotril. Aos 35: stent.
Uma estranha geração que tomava café para ficar acordada e comprimidos para dormir.
Oscilavam entre o sim e o não. Você dá conta? Sim. Cumpre o prazo? Sim. Chega mais cedo? Sim. Sai mais tarde? Sim. Quer se destacar na equipe? Sim.
Mas para a vida, costumava ser não:
Aos 20 eles não conseguiram estudar para as provas da faculdade porque o estágio demandava muito.
Aos 25 eles não foram morar fora porque havia uma perspectiva muito boa de promoção na empresa.
Aos 30 eles não foram no aniversário de um velho amigo porque ficaram até as 2 da manhã no escritório.
Aos 35 eles não viram o filho andar pela primeira vez. Quando chegavam, ele já tinha dormido, quando saíam ele não tinha acordado.
Às vezes, choravam no carro e, descuidadamente começavam a se perguntar se a vida dos pais e dos avós tinha sido mesmo tão ruim como parecia.
Por um instante, chegavam a pensar que talvez uma casinha pequena, um carro popular dividido entre o casal e férias em um hotel fazenda pudessem fazer algum sentido.
Mas não dava mais tempo. Já eram escravos do câmbio automático, do vinho francês, dos resorts, das imagens, das expectativas da empresa, dos olhares curiosos dos “amigos”.
Era uma vez uma geração que se achava muito livre. Afinal tinha conhecimento, tinha poder, tinha os melhores cargos, tinha dinheiro.
Só não tinha controle do próprio tempo.
Só não via que os dias estavam passando.
Só não percebia que a juventude estava escoando entre os dedos e que os bônus do final do ano não comprariam os anos de volta.


* Ruth Manus é advogada e professora universitária. Lê Drummond, ouve pagode, ama chuchu com bacon e salas de embarque. Dá risada falando de coisa séria. Não perde um XV de Piracicaba contra Penapolense por nada. Sofre de incontinência verbal, tem medo de vaca e de olheiras, que nem todo mundo.


Fonte: Revista Pazes / O Estado de São Paulo

DESIGUALDADE: 62 pessoas têm o mesmo dinheiro que metade mais pobre da população mundial


As 62 pessoas mais ricas do mundo (53 homens e nove mulheres) têm tanto capital quanto a metade mais pobre da população mundial, algo em torno de 3,6 bilhões de pessoas.

O dado chocante foi divulgado nesta segunda-feira (18) pela ONG britânica Oxfam. A descoberta mostra um crescimento galopante da desigualdade no mundo: há cinco anos, a riqueza de 388 pessoas era equiparada à metade mais pobre do mundo.

"O fosso entre a parcela dos mais ricos e o resto da população aumentou de forma dramática nos últimos 12 meses", diz relatório.

A divulgação dos dados, dois dias antes do início do Fórum Econômico Mundial de Davos também não é coincidência: a Oxfam pede a ação dos países em relação a essa realidade e o Fórum, onde se encontram líderes políticos e representantes das empresas mais influentes do mundo pode ser o campo ideal para o começo da mudança.

Para combater o crescimento das desigualdades, a Oxfam recomenda o fim da "era dos paraísos fiscais", acrescentando que nove em dez empresas que figuram entre "os sócios estratégicos" do Fórum Econômico Mundial de Davos "estão presentes em pelo menos um paraíso fiscal".

A Oxfam afirma que acabar com os paraísos fiscais fará com que governos tenham mais recursos para combater a pobreza e a desigualdade.

Além disso, a organização defende mais duas abordagens: maiores investimentos em serviços públicos e salários mais altos àqueles mal remunerados.

"Devemos abordar os governos, as empresas e as elites econômicas presentes em Davos para que se empenhem a fim de acabar com esta era de paraísos fiscais, que alimenta as desigualdades globais", diz Winnie Byanyima, diretor-geral da Oxfam International, que estará em Davos.

Líderes proeminentes como o papa Francisco e Christine Lagarde, diretora do FMI, já pediram por ações que revertam o curso da desigualdade, mas, segundo a Oxfam, os discursos não tem se revertido em ações. Tanto que a previsão da organização, que o 1% mais rico da população superaria os 99% restantes em termos de receitas no ano de 2016 se concretizou um ano antes do esperado.


Fonte: Brasil Post

Não é a maconha! Álcool é a 'porta de entrada' das drogas, aponta pesquisa


"A maconha é a porta de entrada das drogas". Quem nunca ouviu isso? Bem, agora a ciência nos ajuda a acabar com esse mito.

O álcool é a primeira substância consumida por pessoas que mais tarde apresentam problemas com o uso de drogas. Esse é o resultado de uma pesquisa publicada neste mês no Journal of School Health, nos Estados Unidos, e que você pode acessar aqui.

Pesquisadores da Texas A&M University e da University of Florida avaliaram os padrões de uso de drogas nos Estados Unidos ouvindo 2.835 estudantes.

A pesquisa informa ainda que o consumo de álcool entre os jovens, na maioria das vezes, precede do uso de tabaco ou maconha. Há também uma relação entre a idade em que os jovens começam a consumir álcool e a predisposição para o abuso de outras substâncias mais tarde.

"Os entrevistados que iniciaram o uso de álcool na sexta série relataram tempo de vida significativamente maior no uso de substâncias ilícitas e também o uso de substâncias ilícitas mais freqüentes do que aquelas que iniciam o uso de álcool na nona série ou mais tarde".

A conclusão é: "Nossos resultados apontam que quanto mais cedo ocorre o contato com álcool, mais provável é que as pessoas se envolvam com o uso de substâncias ilícitas no futuro".

Estudos anteriores já apontavam a total falta de veracidade na frase de que "a maconha é a porta de entrada das drogas". Mas apontar o álcool como o grande vilão é novo. E esclarecedor também.


Fonte: Jornal Brasil Post

14 mulheres brasileiras que fizeram história para inspirar o nome da sua filha


1. Carmen


Cantora e atriz luso-brasileira, Maria do Carmo Miranda era mais conhecida como Carmen Miranda. Em duas décadas de carreira ela lançou mais de 300 músicas, fez shows em muitos países e chegou a ser a mulher mais bem paga dos EUA.

Carmen foi uma mulher forte e decidida, que desde jovem traçou o objetivo de ficar famosa e gerenciou boa parte da própria carreira. Ela foi ainda a primeira sul-americana a ser homenageada com uma estrela na Calçada da Fama e foi uma inspiração para o Tropicalismo no Brasil, movimento cultural da década de 1960.


2. Tarsila



Pintora e desenhista brasileira, Tarsila do Amaral foi uma das figuras centrais da primeira fase do movimento modernista no Brasil. Estudou em São Paulo e em Barcelona. Seu quadro Abaporu, de 1928, inaugurou o movimento antropofágico nas artes plásticas.


3. Elza


Aos 21 anos de idade Elza Soares já era viúva e tinha cinco filhos para criar —o que fazia cantando e compondo músicas. Com 32 anos sofreu muito para estar ao lado do jogador de futebol Garrincha, que se envolveu com ela quando ainda era casado.

Muitas tragédias abalaram a vida de Elza (como a morte da mãe, do Garrincha e de três dos sete filhos). Apesar das dificuldades, Elza disse certa que “a vida continua. Enquanto existir, quero mais dela”.


4. Celina


Celina Guimarães Viana foi a primeira eleitora do Brasil. Para isso, ela fez um requerimento se baseando em uma lei recém-promulgada no Rio Grande do Norte, que enunciava: “No Rio Grande do Norte, poderão votar e ser votados, sem distinção de sexos, todos os cidadãos que reunirem as condições exigidas por lei”.

Ao votar em 5 de abril de 1928, na cidade de Mossoró, ela se torna a primeira mulher brasileira a fazê-lo.


5. Marta


Marta Vieira é uma atacante que já ganhou cinco vezes o título de melhor jogadora do mundo, um recorde. Ela também é maior artilheira da história das Copas do Mundo de futebol feminino.

Como se não bastasse, é a maior artilheira da história da Seleção Brasileira (contando a Masculina e a Feminina) — com 100 gols, é maior que Pelé.


6. Dandara


Dandara juntou-se ainda menina ao grupo de negros que desafiaram o sistema escravista por quase um século no Quilombo dos Palmares. Casada com Zumbi, valorizava muito a liberdade, era contra acordos com o governo e se matou quando capturada.

Dandara participava ativamente da elaboração das estratégias de resistência e foi figura central na defesa do quilombo.


7. Maria Esther



Maria Esther Bueno é a maior tenista brasileira de todos os tempos. Tem o impressionante número de 589 títulos e venceu dezenove torneios do Grand Slam. Venceu uma partida em apenas 19 minutos e era conhecida pela elegância no estilo de jogo e potência no saque.


8. Luz (ou Dora)


Luz del Fuego era uma bailarina e feminista brasileira. Apresentava-se frequentemente nua ou com poucas roupas e fundou o primeiro clube naturista do Brasil — usou o dinheiro de sua autobiografia para arrendar uma ilha na Baía de Guanabara, onde vivia e praticava o naturismo.

Nascida Dora Vivacqua em uma cidade pequena, Cachoeiro do Itapemirim, no ES, odiava usar sutiã e desfilava pela praia de calcinha e bustiê improvisados com lenços quando ainda nem sonhavam em inventar o biquíni.


9. Leila


A atriz Leila Diniz é sempre lembrada como defensora do amor livre, do prazer sexual e símbolo da revolução feminina, que rompeu conceitos e tabus por meio de suas ideias e atitudes.

Carlos Drummond de Andrade tem uma frase que resume bem o espírito da mulher que chocou a sociedade ao simplesmente ir à praia grávida de biquíni: “sem discurso nem requerimento, Leila Diniz soltou as mulheres de vinte anos presas ao tronco de uma especial escravidão.”


10. Maria da Penha


Por trás de um nome simples está uma das mulheres mais importantes da história recente do Brasil. Maria da Penha Maia Fernandes é líder de movimentos de defesa dos direitos das mulheres e vítima de violência doméstica — ficou paraplégica ao levar um tiro do marido enquanto dormia.

O nome dela virou Lei em 2006, estabelecendo o aumento das punições às agressões contra a mulher e uma série de medidas para proteger a integridade física e psicológica de mulheres vítimas de violência.


11. Leolinda


A baiana Leolinda Daltro é precursora do feminismo no Brasil no século 19. Engajada na causa indigenista, separou-se do marido e viajou pelo interior do Brasil pregando a integração das populações indígenas por meio da educação laica. Foi escorraçada de Uberada, em MG, aos gritos de “mulher do diabo”.

Quando teve seu alistamento eleitoral negado, fundou o Partido Republicano Feminino. O objetivo era mobilizar as mulheres pelo direito ao voto. Morreu em um acidente automobilístico em 1935.

Seu obituário publicado na revista ‘Mulher’, editada pela Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, assinala que Leolinda “teve que lutar contra a pior das armas de que se serviam os adversários da mulher: o ridículo”.


12. Francisca


A compositora Chiquinha Gonzaga, autora de mais de duas mil músicas de gêneros diferentes, foi a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil.

Francisca Edwiges Neves Gonzaga também envolveu-se com a política, militando em prol da abolição da escravidão e pelo fim da monarquia.


13. Zilda


Zilda Arns Neumann foi uma médica pediatra e sanitarista brasileira, indicada várias vezes pelo governo brasileiro ao prêmio Nobel da Paz. Morreu, aos 75 anos, no terremoto do Haiti em 2010.

Fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, organismo que tem como objetivo a promoção do desenvolvimento integral de crianças entre 0 e seis anos de idade, Zilda ajudou a derrubar a mortalidade infantil, no Brasil, de 62 por mil (na década de 80) para 20 por mil.


14. Maria Quitéria


Maria Quitéria perdeu a mãe ainda criança e, aos 10 anos, viu-se com a responsabilidade de cuidar da casa e dos irmãos. Mais velha, quis muito lutar pela independência do Brasil e vestiu-se de homem para conseguir entrar no Exército.

Em vários livros de História ela é descrita como a “Joana D’Arc brasilera”.


Fonte: Portal BuzzFeed

Baianas lutam para evitar que evangélicos transformem o "acarajé" em "bolinho de Jesus"


Neste 21 de janeiro, Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, o que você vai comer: um acarajé ou um bolinho de Jesus? É bom ir avisando: estamos falando daquele bolinho de feijão fradinho temperado com cebola e pimenta, frito em óleo de dendê, muito popular no Brasil, sobretudo na Bahia, onde nasceu das oferendas às divindades (orixás) do candomblé – religião brasileira de matriz africana em que dança, música e comida são o tripé da prática espiritual. Nos terreiros, preparado pelas tias baianas, ele sempre atendeu pelo nome de acarajé, mas de uns anos para cá alguns grupos de evangélicos tentam rebatizar a iguaria de bolinho de Jesus. O nome pode soar engraçado, mas ecoa pouca ou nenhuma tolerância com as práticas religiosas do candomblé. Como se justifica, então, o novo batismo, em um país que preza sua diversidade religiosa e cultural?

“Não se justifica, mas tem raiz nas baianas do acarajé que mudaram de religião. Saíram do candomblé, onde essa comida é sagrada e ritual, e se tornaram evangélicas, mas não queriam deixar de vender o acarajé, porque tiram daí o seu sustento”, explica Rita Santos, coordenadora da Associação Nacional das Baianas de Acarajé e Mingau (ABAM). Os pastores de algumas igrejas exigiram dessas mulheres que elas abandonassem as roupas típicas de baiana, próprias a quem é do candomblé e ligadas à prática dessa religião, e que mudassem o nome do produto que comercializavam. Isso, apesar de que o ofício das baianas – considerado uma das profissões femininas mais antigas do país – entrou para o patrimônio cultural imaterial do país em 2005, graças ao tombamento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em seu Livro dos Saberes. E a despeito delas – mais de 5.200 cadastradas em uma recém-lançada plataforma digital – terem seu Dia Nacional da Baiana de Acarajé, todo 25 de novembro.

O tema não é novo, porém é quente. Há pouco mais de um mês, a Prefeitura de Salvador baixou um novo decreto municipal regulando a atividade, que diz que para vender acarajé em logradouro público é preciso estar de bata, de saia e de torço. O esforço para isso surgiu da ABAM e também foi adotado no Rio de Janeiro (o segundo estado do país com mais baianas tradicionais, onde, inclusive, o ofício delas é patrimônio imaterial estadual), no interior de São Paulo, em Hortolândia, e em outras cidades do país. “A gente espera que, com isso, as pessoas não usem o nome bolinho de Jesus, o que é um desrespeito para quem é da religião [candomblé]”, explica Rita, que além de coordenar as atividades da ABAM, vende acarajé com seus trajes típicos e seu tabuleiro no Memorial das Baianas, que fica no Pelourinho, em Salvador.

Se os evangélicos mais radicais exigem que se abandone os símbolos do candomblé na hora de se vender os pratos típicos, o contrário não necessariamente é verdade. Da diretoria da ABAM, conta sua coordenadora, faz parte uma companheira evangélica que veste de baiana do acarajé durante seu horário de trabalho no tabuleiro. “Não tem problema algum. Basta respeitar”. Para conquistar esse respeito e “para preservar nossa cultura”, é que a associação se esforça para que cidades como São Paulo adotem a regra da indumentária obrigatória. “São Paulo tem decreto até para a venda de cachorro quente, mas não quer regulamentar a atividade das baianas”, diz Rita, que afirma ter entregado o texto do decreto de Salvador ao secretário municipal dos Direitos Humanos Eduardo Suplicy, na capital, à deputada estadual Leci Brandão e a outros políticos do estado. Seu pedido mais recente de análise está nas mãos da Secretaria Municipal da Reparação.

Para Nega Duda, baiana que cultua as tradições da Bahia em São Paulo, cozinhando pratos típicos e organizando desde 2008 um samba de roda à moda do Recôncavo Baiano, “não faz sentido pegar algo que já existe e mudar só porque você é de outra religião”. Duda é uma das coordenadoras do ato que acontece nesta quinta-feira na Avenida Paulista contra a intolerância religiosa e racial a partir das 19h, com concentração sob o vão do MASP. Duda, que acredita que as recentes agressões a crença das religiões de matriz africana é um fenômeno nacional, “que extrapolou a Bahia, está em Brasília, em São Paulo, no país inteiro”. “Lutar contra isso é um trabalho de formiga. Caminhamos dez passos para dar 20 passos para trás. Mas não podemos deixar de lutar, nunca. Temos que usar as redes sociais para denunciar todo tipo de agressão: a mim, a você, ao vizinho”, convoca.

Outra forma efetiva de resistência de terreiros de candomblé e associações de baianas do acarajé, segundo Rita Santos, tem sido sua auto-declaração como Pontos de Cultura. Os Pontos de Cultura fazem parte da política pública do Governo federal que garante que coletivos culturais, sem fins lucrativos e com ação comunitária sejam certificados pelo Ministério da Cultura como entidade que preserva e difunde o patrimônio cultural nacional. “Quando um terreiro vira Ponto de Cultura, parece que as pessoas pensam duas vezes antes de fazer alguma coisa contra ele. Não deveria ser assim, porque o respeito vem antes disso, mas é uma maneira da gente se proteger”, declara.

Junto com essa chancela que ajuda a preservar os terreiros, as baianas tradicionais celebram também a criação de um portal recém-lançado pelo Governo do Estado da Bahia para difundir seus saberes, o Bahia tem dendê. E continuam fazendo suas oferendas à orixá Oyá, ou Iansã, preparando sua comida preferida: àkàrà (bola de fogo, no idioma africano yorubá), o vulgo e saboroso (para os que toleram) acarajé.


Fonte: Jornal El País (Espanha)

Os adolescentes que se rebelaram contra Hitler e viraram heróis


A organização chegou a ser juvenil do mundo, ao incluir 90% da juventude alemã. É claro que esse número era uma ameaça sistemática às famílias dos adolescentes que se negavam a participar e um modo de proibir qualquer outro tipo de organização juvenil.

À medida que a Juventude Hitlerista aumentava o nível de instrução militar e restringia a liberdade de seus integrantes, muitos dos jovens começaram a abandonar a organização, mesmo que isso pudesse significar uma punição severa. E foram esses adolescentes descontentes que formaram os primeiros grupos rebeldes nas grandes cidades da Alemanha: em pouco tempo, 5 mil jovens estavam reunidos em grupos com diferentes nomes, mas que faziam parte de uma grande organização chamada de Os Piratas de Edelweiss. Eles usavam roupas coloridas e se juntavam para tocar músicas proibidas. Reuniam-se à noite em espaços públicos e simplesmente passeavam, a pé ou de bicicleta. E isso já era suficiente para que o regime nazista os considerasse criminosos.

Com o decorrer da Segunda Guerra Mundial, as atividades dos Piratas ficaram mais radicais, humanitárias e perigosas: eles ajudavam desertores do exército, refugiados de campos de concentração, sabotavam depósitos militares, colocavam água com açúcar nos tanques dos veículos nazistas, pichavam nas paredes frases contra o nazismo, descarrilavam vagões de trens repletos de munição e abasteciam com explosivos os grupos de resistência. Também distribuíam panfletos de propaganda que incentivavam os soldados a desertar e voltar para as suas famílias. E é claro que tudo isso tinha consequências graves: quando um Pirata era capturado, no mínimo era espancado e tinha a cabeça raspada. Alguns eram presos, outros enviados a reformatórios, hospitais psiquiátricos ou campos de concentração. Alguns, inclusive, foram assassinados.

Em 1988, os Piratas de Edelweiss foram reconhecidos como “Justos entre as Nações” por Yad Vashem, em Jerusalém. Em 2005, a denominação criminosa dada pela Gestapo foi revogada e eles foram declarados “lutadores da resistência” e heróis. Desse modo, foi prestada uma homenagem justa àqueles que resistiram e lutaram pela liberdade em uma época de crueldade extrema.


Fonte: Canal de TV History Channel

Artigo - Você pode estar criando um coitadinho. É isso mesmo o que você quer?


Por: Mônica Raouf El Bayeh

Bilhete da escola. Tenho que assinar. Assino: ciente e envergonhada. A filha reclama de entregar o bilhete assinado assim. Ótimo. Eu também tive muita vergonha de receber bilhete da escola. Mas assumo minha parte. Se fui chamada, errei em algum lugar. Dei limites de menos, espaço demais. Olhar de menos, celular demais. É preciso ver onde eu vacilei.

Alunos contam histórias. O professor foi injusto... todo mundo falando, só com ela ele brigou... ninguém tinha feito o trabalho também...todo mundo tirou nota baixa... adolescentes mentem? Nunca os nossos, claro.

Digamos que eles são criativos. Inventam uma versão que lhes seja assim mais favorável. Fatos distorcidos não são realidade. Mas vem cá, você foi adolescente. Já fez igual, não lembra? Vai dar uma de inocente e comprar a briga do filhinho coitado sem questionar a veracidade da situação?

Lembro de minha mãe falando enquanto rangia os dentes. As palavras separadas por síladas para dar tempo da raiva escorrer entre elas. Num olhar fuzilante que deixava claro: que minha vida corria perigo.

- Eu não fa-lei pa-ra não con-ver-sar du-ran-te a au-la ? Eu não dis-se pa-ra es-tu-dar di-rei-to?

Casos de falta de educação, antigamente, eram facilmente resolvidos com castigos ou chinelos. Hoje viram verdadeiros tsunamis. É a sala de aula virando lama. Crianças sendo criadas num falso mundo onde tudo pode. Aprendendo que mentir dá lucro. E que desvios trazem vantagens. Em troca de que? Meio ponto?

Pais, ao invés de conversar para melhorar a criança, crucificam o professor. Destratam, desrespeitam, ameaçam, processam . Armam verdadeiras guerras por whatsapp, com direito a emoticons e outras figurinhas.

Essas pessoas insanas têm a exata noção do que fazem? A clara consciência de que estão sendo manipulados pelos filhos? Invertendo a ordem de valores dando razão a quem não tem? Difamando profissionais com anos de experiência? É o mundo de pernas para o ar. Chamem o responsável pelo responsável!

A questão era sobre cores. Ela não achou a resposta no texto. Respondeu assim mesmo: deve ser branco, azul, amarelo, vermelho, rosa, verde, preto, cinza... Tive que rir. Na falta do que dizer, ela disse tudo o que sabia da matéria. Merece dez? Merece mil!

Vida é assim, a gente torce, retorce e dá um jeito de sair pelas portas da possibilidade. Adorei. Ela me mostrou seu melhor. Não se deixou entregar, nem abater. Não se fez de coitadinha. Lutou a boa batalha e venceu.

Mesma prova. Era para usar o máximo possível de cores para mostrar o conhecimento da matéria. O rapaz nem lápis de cor se deu ao trabalho de levar. Pintou tudo de preto. Fez o mais meia boca possível. Trabalho porco de quem estava pouco ligando para aquilo ali. Ganhou meio ponto, valia três.

Pais não se preocupam em ensinar que não se faz trabalho meia boca. Ao contrário, como bons advogados, vasculham brechas nos enunciados das provas para mendigar pontos extras. Mendigam. Mas não chegam humildes de chapéu na mão. Espadas em punho. Prontos para a batalha. Sangue em troca de décimos. Vergonha alheia. Que pena dessa gente.

Não percebem o que estão fazendo. Criam lesmas. Pessoas sem ética, sem garra, sem moral, sem estofo. Seres que tendem a se arrastar pela vida ao invés de andar em pé, cabeça erguida, lutando pelo que querem.

Alo! O filho é seu! Fácil cuspir a culpa em quem não tem. Difícil é assumir, se desculpar, responsabilizar. Estamos criando monstros. Plantas moles, frágeis, sem tronco. Parasitas que não sabem dar frutos. Coitadinhizar crianças é matar a capacidade delas serem pessoas melhores. Coitadinhos são pessoas incapazes de construírem a própria felicidade. Muito triste produzir um coitadinho.

Aprender a obedecer, a respeitar, a não prejudicar o outro não é castigo, é lição. Eles não são reizinhos donos do mundo. A lei que vale para todos, vale para eles também. Não se leva vantagem em tudo. Vantagem é trabalhar para ter o que precisa. É saber que tudo tem retorno. E o que você manda, volta para você sempre. Muitas vezes em forma de notas no boletim.

Crianças pedem socorro de várias formas. Socorra. Foi chamado na escola? Escute, encare, repense. Venha desarmado. Ali, na sua frente, tem um profissional que reparou o que a gente deixou passar. Não desconte sua raiva em quem está te mostrando esse fato. Não se trata de um embate com vencedores e vencidos. Trabalhe em conjunto. Lutamos juntos por crianças melhores.

Você pode estar criando um coitadinho. É isso mesmo que você quer? Se não for, pare, reavalie. Ponha a mão na consciência! Tirar nota baixa é aprendizado. Tinha que ter estudado mais. Saber que a nota aumentou porque a mãe arrumou um jeitinho, é desserviço. Ser chamado a atenção pelo professor não é constrangimento, é aprendizado. Saber que a mãe foi rodar a baiana na escola por causa disso, é aprender a ser bandido.

Poderia dizer que pais que deseducam podem começar a comprar cigarros para levar na cadeia em dias de visita. Não direi. Do jeito estranho que estamos, a continuar assim, talvez palanques eleitoreiros sejam o futuro para essas crianças manipuladoras e sem limites de hoje. De qualquer forma, um triste fim para todos nós.

Filho é pipa. Precisa vento, precisa linha, precisa embate também. Cada uma com sua rota, seu voo, seu aprendizado. Voltam rasgadas, tronchas, sem um pedaço da rabiola? A gente dá colo, passa remédio, sopra e manda voar de novo. É no voo que se aprende a voar. Pipa bonita é a que dança no ar.


Fonte: Coluna "Um Dedo de Prosa" / Portal G1

Multa para quem jogar lixo na rua em todo o território nacional é aprovada no senado


A Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) aprovou, em decisão terminativa, no dia 29 de setembro, o projeto que obriga os municípios e o Distrito Federal a multar quem for pego jogando lixo nas ruas. A medida já é comum em algumas cidades, como no Rio de Janeiro – a medida foi para a análise da Câmara dos Deputados. Caso seja aprovada, passará a valer em todo o território nacional.

De acordo com o Senado, o texto altera a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010) para proibir o descarte irregular de lixo em via pública e para determinar que os municípios e o Distrito Federal regulamentem a forma correta de descarte.

O relator na CMA, senador Jorge Viana (PT-AC), apresentou voto favorável à proposta, apresentada pelo ex-senador Pedro Taques. Para Jorge Viana, “sanções pecuniárias ainda são ações pedagógicas e preventivas necessárias para se evitar condutas indesejadas”. Ele considera que o projeto contribuirá para educar a população com relação ao correto descarte dos resíduos sólidos.

Viana também apresentou emenda para retirar previsão de prazo de regulamentação da medida do projeto – ele considera que a a atitude seria uma ingerência sobre o Distrito Federal e sobre os municípios.


Fonte: Agência Senado / Ecoguia.net

Dilma veta energias renováveis não hidráulicas no Plano Plurianual


Na semana passada, Dilma Rousseff vetou diversos pontos do Plano Plurianual (PPA) para o período de 2016-2019. No Programa 2033, com foco nos objetivos, metas e iniciativas para o setor de energia elétrica, todos os vetos dizem respeito às energias renováveis não hidráulicas e às energias alternativas. Os trechos no PPA que tratam de hidrelétricas e termelétricas (nenhum deles vetado pela presidente) superam em muito aqueles que se referem a energias alternativas e renováveis.

O Objetivo 1169 do Programa diz “Promover o uso de sistemas e tecnologias visando a inserção de geração de energias renováveis na matriz elétrica brasileira” e foi vetado juntamente com as respectivas metas e iniciativas. Elas incluem a adição de 13.100 megawatts de capacidade instalada de geração de energia a partir de fontes renováveis; o incentivo ao uso de fontes renováveis por meio da geração distribuída; o uso de fonte solar fotovoltaica; e a implantação de projetos de desenvolvimento de fontes renováveis. Dilma também vetou iniciativas como “Implantação de Usinas de Fonte Solar em Instalações Públicas” e “Incentivo à Geração de Energias Renováveis”. (Leia o documento no final desta postagem.)

“O veto não é condizente com os compromissos assumidos no acordo de Paris e não é condizente com os últimos leilões de energia que já estão priorizando energias renováveis no Brasil”, afirma Paulo Artaxo, físico e professor da Universidade de São Paulo e referência mundial em mudanças climáticas. O ex-deputado Alfredo Sirkis, diretor executivo do Centro Brasil no Clima, considera a justificativa para o veto “surrealista, meio incompreensível”.

Entre as razões, a presidente escreve que “o Objetivo [1169] seria redundante em relação a outros Objetivos existentes no PPA”, o que “prejudicaria a expressão da política pública, a organização do planejamento e da atuação governamental prevista na estrutura programática do Plano”. A justificativa do veto termina com a afirmação de que as fontes renováveis correspondem a cerca de 40% da matriz energética brasileira. O argumento da redundância foi utilizado para diversos outros vetos do PPA.

Sirkis considera que houve avanços recentes em relação às fontes solar e eólica no país, como “nova regulamentação do solar distribuído pela ANEEL [Agência Nacional de Energia Elétrica]” e o crescimento das energias eólicas. Em 2014, por exemplo, o Brasil foi o quarto colocado mundial na expansão da potência eólica. “[…] Não vamos superestimar os efeitos desses vetos. Mas também não devemos deixá-los passar em brancas nuvens senão virá mais retrocesso”, afirma Sirkis.

O presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), José Goldemberg, referência internacional na questão de energia, não considera os vetos “má vontade do governo com energias renováveis”. Ele afirma que “esse documento [o PPA] não é um documento que realmente vai fixar politicas de governo, ele fixa linhas gerais”. Para ele, os itens vetados podem ter sido considerados muito específicos pelo governo.

Já o pesquisador Paulo Artaxo cita as propostas brasileiras para a Conferência do Clima de Paris, realizada no fim do ano passado: “Se o Brasil, na sua INDC [o documento com as propostas de cada país para a Conferência do Clima], assumiu o compromisso de aumento da fração de energias renováveis, não faz sentido vetar um item, por exemplo, que implementa o incentivo ao uso de fonte solar fotovoltaica de geração de energia elétrica”.

A INDC brasileira tinha como meta alcançar 45% de contribuição das energias renováveis – incluindo a hidrelétrica – na matriz até 2030. Em discurso na Conferência do Clima de Paris (COP-21), no fim do ano passado, Dilma destacou o papel das renováveis na redução de emissões: “O governo e a sociedade brasileira estão fazendo sua parte. […] Seguimos com nossos esforços de ampliar a participação das energias renováveis na nossa matriz”.

Para o sócio fundador do ISA, Márcio Santilli, são vetos do passado contra o futuro. “Esses vetos protegem o modelo corrupto de geração centralizada contra qualquer ameaça à sua hegemonia moribunda”.

Plano Plurianual

O Plano Plurianual é um instrumento com diretrizes para o desenvolvimento das políticas públicas do governo a médio prazo. Previsto pela Constituição, ele contém objetivos, metas e iniciativas para orientar as ações do Estado em um período de quatro anos em diversos setores, incluindo energia elétrica.


Fonte: ISA / Revista Ecológica

Artigo - Síndrome do Culpe a Yoko


Por: Helena Vitorino

Cresci ouvindo que a Yoko Ono foi a responsável pela desintegração dos Beatles.

Mesmo nos círculos menos inteirados sobre a música dos Beatles – e até daqueles que só lembram dos nomes John Lennon e Paul McCartney como integrantes do grupo – frequentemente ouvia máxima dos que não se conformaram com o fim da banda: foi a Yoko Ono, aquela bruxa.

Particularmente, nunca fui fã dos Beatles. Guardo certa consideração pelo John Lennon, e creio que mais pelo mito do que pela música em si. Mas depois de estudar essa máxima, que alcunho de “Síndrome do Culpe a Yoko“, eu descobri a verdade: sou fã mesmo é dessa mulher.

O trabalho artístico da Yoko Ono é dos mais intimistas, conceituais e introspectivos que há na esfera da arte performática e experimental. E o próprio John Lennon afirmou em entrevista que foi a instalação artística de Yoko, um teto de vidro que trazia a palavra “Sim!”, que o instigou a conhecer aquela artista de peculiaridade tão extrema. Se o próprio Lennon – que era quem dormia e acordava com ela – deixou mais do que claro que foi o talento e a ousadia artística de Yoko que o conquistaram, por que ainda insistem em etiquetá-la como A Megera da Separação dos Beatles?

Essa questão me atiçou quando um grupo de amigos quis justificar a ausência de um companheiro como culpa da nova namorada. É óbvio que novas experiências nos apresentam novas influências, e que novas influências tendenciam nossas escolhas para perspectivas até então não conhecidas. Mas foi aí que começaram a pesar: não foi a influência do relacionamento – ou até mesmo da namorada – que o afastou do grupo, mas a “loucura” e o “egoísmo” da menina, que “aprisionava” um cidadão de vinte e quatro anos no apartamento e o “proibia” sistematicamente de estar com os amigos. Tudo isso sem sequer conhecer a garota.

Aqui entre nós: sabemos que relações possessivas podem levar muitas pessoas ao extremo. Pela insegurança, pela cultura machista ou por tradições patriarcais. Mas em qual momento da história o livre arbítrio de um homem maior de idade e vacinado pode ser corrompido pelo poder maligno de sua namorada? Sem questionar as torturas e tensões psicológicas que alguns e algumas aplicam nos cônjuges, me diga: quão comum é culpar, única e exclusivamente, a namorada ou esposa por toda transformação de comportamento do seu cônjuge?

E aí voltamos com a Yoko. Artista, ativista, pacifista, cantora e muitas outras coisas – dentre elas, companheira de John Lennon. E mesmo saindo da boca do homem que era por Yoko e para Yoko que ele levantava todas as manhãs, a voz que a chamava de “culpada” ganhou mais corpo ainda com a morte de Lennon. Por que essa satanização?


Ignora-se completamente – ou insiste-se em ignorar – que mesmo antes do fim da banda, os membros dos Beatles já não convergiam em ideais e perspectivas de carreira. Lennon estava transformando seu próprio gênero, o que impactava os elementos dos Beatles, e as interferências e opiniões de Yoko nas produções ocorreram a convite do próprio Lennon. Na mesma época, não se decidiam sobre um empresário, e tudo isso culminou no fim da banda. É chato? É chato. Acontece? Acontece! E onde é que entra a “desgraçada” da Yoko Ono nessa história? Entra no discurso machista – desculpe, mas vocês vão ter que engolir – que ela é a “causadora” do mal dos Beatles. Assim como Elza Soares foi a “causadora” do alcoolismo de Garrincha. Assim como Eva foi a “causadora” do inferno eterno oferecendo a maçã pro homem. Assim como a garota-desconhecida era a “causadora” do sumiço do colega.

É o que chamo de Síndrome do Culpe a Yoko – uma estratégia psicológica para manter a glória dos Beatles intacta, depositando os transtornos e incongruências na mulher; ou para manter a genialidade e malemolência de Garrincha intactas, depositando as fraquezas e vícios na mulher; ou até mesmo para manter a pureza e a fidelidade de Adão intactas, depositando toda falsidade e traição na mulher. Mantenha-o limpo e deposite a podridão na mulher.


E quer saber?

Yoko Ono transitou desde os primeiros dias de vida entre a vida de luxos de uma família rica japonesa e a fome e mendicância depois do bombardeio de Tóquio. Transitou entre continentes durante a Segunda Guerra Mundial, e transitou entre o conservadorismo da família tradicional e as excentricidades bizarras que despontavam no seu íntimo na adolescência. Transitou entre críticas ferozes e agradáveis na música, na arte e na performance.

Yoko Ono foi forçada pela família a se casar aos vinte e três anos de idade. Depois de alguns anos, veio o divórcio, e Yoko entrou em depressão profunda. Seu segundo casamento durou meses. Dele, nasceu sua primeira filha, Kyoko Chan Cox. O pai da menina a sequestrou durante o período pela disputa de guarda, alegando incapacidade de Yoko, e conseguiu ficar com a criança. Depois disso, ele rebatizou a menina sob nome de Ruth Holman e sumiu. Yoko só conseguiu encontrá-la quando Kyoko já tinha trinta e cinco anos.

Depois disso tudo, meu aviso é: muito cuidado com a Síndrome de Culpe a Yoko. Ela é comum em homens e mulheres, de todas as idades, e percorre o submundo das cultura machista. Antes de chamar a Yoko Ono de bruxa, bunda murcha e destruidoras de bandas, considere tudo que ela passou para se manter como artista, como mulher, e sã.

Ser a “viúva megera” do maior ídolo britânico deveria pesar mil vezes mais quando você casou forçada, teve sua filha sequestrada e viveu à margem de sustentar-se pela arte experimental. Mas não: provando que é muito mais superior do que nós, Yoko Ono, no auge de seus oitenta e dois anos, é a maior mantenedora do legado de Lennon: fundou memoriais, museus, exposições, bienais e eventos filantrópicos em homenagem ao falecido marido. E você, portador da Síndrome de Culpe a Yoko, o que você fez além de repetir o jargão?


Simplesmente aprenda.


Fonte: Portal NOO / Blog As Mina na História

Ataques sexuais levam Finlândia a oferecer aulas a imigrantes sobre como tratar mulheres


Imigrantes que chegam à Finlândia estão recebendo aulas sobre valores morais finlandeses e sobre como se comportar em relação a mulheres.

Preocupado com um aumento nos ataques sexuais, o governo quer garantir que pessoas oriundas de culturas mais conservadoras saibam o que esperar na nova casa.

Johanna é uma dessas professoras animadas e cheias de energia que atraem até o aluno mais entediado. Ela usa as mãos para enfatizar suas mensagens e ameniza temas difíceis com sorrisos.

"Na Finlândia", ela diz suavemente, "você não pode comprar uma esposa". "Uma mulher só será sua se ela quiser - porque aqui as mulheres são iguais aos homens."

No centro de recepção escondido em meio à neve em uma floresta, os alunos, todos recém-chegados em busca de asilo, acompanham atentos.

Alguns dos jovens iraquianos, alguns com bom inglês e finlandês aceitável, balançam a cabeça em acordo. Outros, sobretudo os mais velhos, trocam olhares ressabiados enquanto as palavras do Johanna são traduzidas para o árabe.

Um homem, escondido em uma jaqueta preta de esqui, parece tomar notas, enquanto a única mulher na sala com véu esboça um sorriso.

"Você pode ir a uma discoteca com uma mulher aqui", acrescenta Johanna. "Mas se lembre: mesmo se ela dançar bem perto e estiver com uma saia curta, não significa que ela quer fazer sexo com você."

Um adolescente somali puxa a blusa de lã sobre as orelhas e abaixa a cabeça entre as mãos, como se seu cérebro não pudesse lidar com as novas informações.

"Esse é um país muito liberal", ele diz, incrédulo. "Temos muito a aprender. No meu país se você fizer sexo com uma mulher você é morto", afirma, conferindo a reação do colega ao lado.

"Isso é impressionante", diz um imigrante do Mali. "No meu país uma mulher não deve sair sem o marido ou irmão."

Johanna passa a tratar sobre homossexualidade e os iraquianos na fila do fundo começam a dar risadinhas.

Pode parecer brincadeira, mas os centros de recepção a imigrantes na Finlândia levam essas aulas voluntárias de etiqueta e cultura muito a sério.

Se homens provenientes de culturas muito distintas e conservadoras não conhecerem logo os costumes e regras a serem respeitados no país, eles nunca irão se integrar, alerta Johanna.

Os homens podem resmungar quando ela diz que os finlandeses dividem as tarefas de casa com as mulheres, mas eles já não rejeitam táxis conduzidos por mulheres.

Desde o outono no hemisfério norte, quando Johanna começou a dar essas aulas, mulheres em busca de asilo a procuram para reclamar dos maridos, que não estariam seguindo o modo finlandês de tratar as mulheres.

Esses homens também são informados sobre a legislação local, então sabem o que esperar caso toquem alguma mulher de forma inapropriada. E esse é o motivo pelo qual as sessões são bancadas pela polícia e pelo Ministério do Interior finlandês.

No último outono, três imigrantes foram condenados por estupro na Finlândia. Na noite de Ano Novo, houve uma série de ataques sexuais em Colônia, na Alemanha, e em Estocolmo, na Suécia.

As vítimas nesses casos declararam que os agressores tinham aparência árabe - suspeita que o chefe adjunto de polícia em Helsinque, Ilkka Koskimaki, decidiu tratar em público.

"É um assunto difícil", ele reconhece. "Mas temos que dizer a verdade. Normalmente não revelamos a origem étnica de um suspeito, mas esses incidentes - em que grupos de jovens estrangeiros cercam uma mulher em público e a atacam - se tornaram um fenômeno."

'Não são todos'

Uma van de polícia estaciona em um centro de recepção no centro de Helsinque onde a equipe de policiamento preventivo de Koskimaki ministra aulas como as de Johanna. Um grupo de imigrantes de chinelos e fumando nos degraus cobertos de neve rapidamente entra no local, claramente alarmado pela presença policial.

Um iraquiano musculoso em roupas de ginástica se aproxima de forma cautelosa e pergunta à repórter da BBC se ela precisa de seguranças para visitar o centro.

"Por favor", ele pede, "não pense que todos aqueles em busca de asilo são perigosos por causa de alguns poucos criminosos."

A aula no centro de recepção da floresta está chegando ao fim e os imigrantes recebem uma lição de casa sobre as leis locais de igualdade de gênero. Ao deixar a sala, um iraquiano com uma jaqueta colorida aperta a mão da repórter da BBC.

"A Finlândia é ótima", ele afirma, "mas quando me casar, minha mulher será uma dona de casa que irá cozinhar a comida que eu gosto - e ela certamente não irá a discotecas."


Fonte: BBC Brasil

Pais falam honestamente sobre por que se arrependem de ter tido filhos


Você já se arrependeu alguma vez de ter tido filhos?

A paternidade e a maternidade mudam nossas vidas de várias maneiras, então não parece ser razoável esperar que todas as mães e pais desfrutem da tarefa de criar os filhos. Ainda assim, muitas pessoas se sentem relutantes em admitir que gostariam de voltar à vida que tinham antes de ter filhos, por medo de serem tachados de “ingratos” ou “péssimos pais”.

Mães e pais em busca de um canal para compartilhar sentimentos postaram suas histórias em uma conversa no site de perguntas e respostas Quora intitulada: ‘Como é o arrependimento de ter tido filhos?’

“Para ser honesto, existem momentos em que fico lá e quero bater minha cabeça contra o batente da porta, simplesmente detesto ser pai”, um usuário escreveu no site.

Esse pai percebeu que não estava sozinho em suas frustrações, depois que buscou ajuda através da terapia.

“O terapeuta me disse que isso era muito mais comum do que eu imaginava, mas havia um grande tabu em dizer que você simplesmente odiava ser pai”, escreveu.

“Então busquei no Google ‘odeio ser pai’ e surpresa: estavam em todos os lugares. Pessoas oprimidas pelo tédio e arrependimento.”

O homem, cujo filho tem 9 anos, disse que preferiu não se identificar por “razões óbvias”.

“Eu realmente o amo”, o pai escreveu. “Apenas desejaria que outra pessoa de fato apreciasse o processo de criá-lo, já que em um nível objetivo e subjetivo, minha própria vida é marcadamente menos agradável desde que ele chegou. Isso é pura honestidade.”

“A melhor analogia seria que, em vez de ser você mesmo, você está representando um roteiro, dia após dia, de fingir estar entusiasmado com algo que você odeia. Que te desgasta. Você gostaria de se libertar e ser você de novo.”

Ele concluiu que sentir arrependimento por ter se tornado pai pode deixar a pessoa em uma posição muito solitária.

“O estranho sobre este dilema é que ninguém, muito menos os outros pais, tem muita simpatia por você”, escreveu. “Mesmo se você estiver clinicamente deprimido ao ponto da disfunção.”

“Espera-se que uma pessoa que tenha uma criança veja isso como um tipo de presente precioso multifacetado do Cosmos. Como alguém pode ser tão ingrato ao Cosmos por um presente de tamanha magnificência?”.

“E que, em resumo, é uma grande fração do problema de conviver com isso. Existem problemas piores, claro, mas este em particular é o meu.”

Um mãe, cuja filha tem hoje 17 anos, disse que era “desesperada” para ter um bebê e isso a levou ao casamento: “Com o primeiro homem que teve interesse em ter um filho comigo, mesmo sabendo, no fundo, que estava tomando uma decisão errada”.

Ela disse que a “urgência biológica” de ter filhos se tornou tão forte que a fez “ignorar os sinais vermelhos que o meu agora ex-marido estava enviando constantemente para mim, bem como ignorar que eu havia passado os últimos 27 anos insistindo que eu não queria filhos”.

A mãe teve que deixar de trabalhar por causa de complicações na gravidez, e isso causou dificuldades financeiras, mas os problemas, segundo ela, iam além disso.

“Tenho certeza de que existem muitas pessoas neste mundo que têm filhos de uma hora para outra que não podem sustentar e nunca sentiram que ter um filho foi um erro. Eu senti, e ainda sinto, que cometi um erro.”

A mãe fez questão de afastar qualquer ideia de que não ama sua filha.

“Para ser clara, EU AMO minha filha e me refiro a ela como minha ‘magnum opus’”, escreveu.

“Se algo acontecesse com ela, eu ficaria inconsolável. Para sempre. Preferiria morrer com ela se ela morresse. Meu erro não tem a ver com amá-la ou que exista algo de errado com ela. Nada disso é verdade. Não é — isso nunca passou pela minha cabeça, nem de vez em quando — sua culpa de forma alguma que eu tenha me tornado mãe. Nunca a culpei, nem para mim mesma ou em voz alta, pelos meus fracassos.”

“E, por causa disso, porque ela é realmente incrível, a sensação mais frequente é a de culpa. Sinto-me culpada a todo momento por não ser a mãe que ela merece.”

Culpa foi um sentimento expressado por muitos pais na conversa.

“Eu de fato me arrependo por ter feito um trabalho tão ruim ao criá-lo — ele merecia mais do que fui capaz de dar a ele”, escreveu outra mãe.

“Arrependo-me de ter tido filhos, porque não estava preparada (23) e porque sou muito egoísta para realmente me preocupar com os sentimentos de outras pessoas além dos meus. Arrependo-me de ter tido um filho porque realmente, realmente era uma tarefa muito grande com a qual eu não era capaz de lidar.”

Outro tema frequente foram os esforços feitos pelos pais para garantir que seus filhos se sentissem amados e desejados.

“Eu me empenhei em fazer de tudo para evitar que ela se sentisse rejeitada ou mal-amada, mesmo ignorando minhas fortes tendências introvertidas, porque ela precisava que eu a deixasse ser melosa quando na verdade eu não era aquela pessoa”, escreveu a mãe.

“Foi difícil ser mãe e ainda é, e ainda existe a culpa, mas também existe amor e responsabilidade.”

Os pais também quiseram deixar claro que os sentimentos de arrependimento estavam relacionados com a situação, e não propriamente com os filhos.

“Se eu acho que ELA é um ‘erro’? Não, não acho, mas acho que TÊ-LA foi um erro”, um pai escreveu.

“Foi justamente a próxima coisa que aconteceu e, embora eu a ame, se eu tivesse oportunidade de voltar atrás, para como as coisas eram antes, sim, eu aceitaria. As pessoas simplesmente não querem escutar esse tipo de coisa.”

Outra mãe acrescentou que, por outro lado, sua filha é exatamente o que a ajuda a lidar com o arrependimento de ter se tornado mãe.

“Se me arrependo de ter tido uma segunda filha? Sim. Se me arrependo de ter tido MINHA FILHA? Não”, disse.

“Ela está sempre rindo e cheia de alegria, e me lembra que a dificuldade não é tudo.”


Fonte: Jornal Brasil Post / The Huffington Post UK

Oito presos no CE passam no Sisu: 'Vou mostrar que as pessoas mudam'


Oito presos do sistema penitenciário do Ceará foram aprovados no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) na Universidade Federal do Ceará (UFC) e Universidade Estadual do Ceará (UECE). Os detentos foram aprovados nos cursos de Matemática, Serviço Social, Educação Física, Pedagogia e Administração na UFC, um dos mais concorridos do Ceará. O resultado é recorde no Ceará, segundo a Secretaria da Justiça.

“É muito melhor ser reconhecido como alguém que está buscando uma segunda chance do que como alguém que cometeu um delito", diz um dos presidiários aprovados, que teve a identidade preservada. "Todos merecem uma oportunidade de refazerem suas vidas dignamente. Sei que o preconceito é muito grande, mas isso não diminui as minhas forças. Eu vou mostrar que as pessoas mudam quando realmente desejam essa mudança. Nunca me senti tão feliz”, completa.

"Os alunos que se matriculam no sistema prisional querem mudar de vida quando saírem dali. A gente tem atualmente 769 alunos; se a gente conseguir fazer com que 10 se sintam melhor e prontos para saírem do local, a gente entende que a escola tá acertando na sua parte", diz a coordenadora da escola Aloísio Leo Arlindo Lorscheider.

Dificuldade de matricular

A escola de ensino fundamental e médio foi fundada em 2013 para atender os presidiários do Ceará. Além da aprovação, a escola tenta incluí-los nas universidade, o que é uma dificuldade, segunda a professora Poennia Gadelha. "A Defensoria Pública não dá conta de toda a demanda do sistema penitenciário cearense, e os advogados particulares cobram muito caro para fazer uma solicitação desse tipo ao judiciário, algo em torno de R$ 10 mil", diz.

Para que o presidiário seja admitido em uma universidade, é preciso obter autorização judicial. Atualmente, dois presidiários do Ceará estudam em cursos de nível superior à distância pelo Prouni, mas os aprovados pelo Sisu nos anos anteriores não obtiveram permissão para o estudo.


Enem para privados de liberdade

O Enem para pessoas privadas de liberdade (PPL) é uma versão especial do exame dedicada exclusivamente a adultos privados de liberdade e jovens sob medida socioeducativa que também inclui privação de liberdade.

Para garantir a participação destas pessoas, as unidades prisionais e socioeducativas firmaram termo de adesão com o Inep, indicando um responsável pela inscrição e acompanhamento de cada candidato. No caso da região metropolitana de Fortaleza, esse acompanhamento é realizado pelos membros do núcleo gestor da EEFM Aloísio Leo Arlindo Lorscheider, a saber: Raimundo Nonato, diretor, e as três coordenadoras escolares, Maria Aparecida, Poennia Gadelha e Sirlandia Dantas.

As provas utilizam o mesmo modelo e tem o mesmo nível de dificuldade do Enem tradicional, sendo composto por 180 questões, subdividas em quatro grandes áreas do conhecimento: Ciências Humanas, Ciências da Natureza, Matemática e Linguagens e Códigos e Redação.

Os resultados do Enem PPL também podem ser utilizados para fins de Certificação de Conclusão do Ensino Médio pelas Instituições autorizadas pelo Inep. Para tanto, o candidato deve atingir o atingir o mínimo de 450 pontos em cada uma das áreas de conhecimento do exame e o mínimo de 500 pontos na redação.


Fonte: Portal G1

ONU afirma que vacina contra a AIDS estará disponível neste ano


A vacina já foi testada em alguns pacientes e apresentou um poder de “cura funcional”, ou seja, ela é capaz de suspender a medicação retroviral da pessoa infectada pelo vírus HIV e deixar o sistema imunológico do paciente intacto e normal.

“Nós fizemos um progresso inimaginável”, disse o Diretor Executivo da UNAIDS, Michel Sidibé. “Há alguns anos, uma pessoa tinha HIV e tinha que tomar 18 pílulas por dia, hoje apenas uma, talvez, com uma injeção a cada seis meses será suficiente”.

Uma das grandes vitórias da batalha contra o HIV, segundo o representante, tem sido controlar a epidemia e reduzir o número de novas infecções, pois embora o vírus nunca desapareça em pouco tempo ele “vai parar de ser um assunto para focar a preocupação com a saúde dos governos”.

Contudo, para Sidibé, ainda existem muitos desafios a serem superados nesse campo da saúde, especialmente a diminuição do uso de preservativos entre os jovens. A falsa segurança contra a Aids é o grande inimigo no enfrentamento da doença nos próximos anos. Batalha que só será vencida com programas de prevenção, acesso universal ao tratamento e apoio às pessoas infectados pelo HIV.

“AIDS não vai acabar até que cheguemos a construir sociedades inclusivas onde há menos risco, porque não é só para combater uma doença, trata-se de mudar a sociedade e respeitar a dignidade das pessoas”, salientou Sidibé.


Fonte: Portal Razões para Acreditar / Soropositivo.org

Artigo - Por que "dar pinta" é tão ruim?


Por: Fabrício Longo*

É motivo de piada, é motivo de desconfiança, vira meme, debate, treta... Por que será que uma pose, uma virada de mão ou um jeito de falar transformam alguém em "suspeito", e já servem para adiantar a punição?

A bola da vez é o modelo Renan do #BBB16, que segundo internautas está "dando muita pinta". Em uma matéria sobre o caso - afinal, uma coisa dessas é até notícia - um amigo do rapaz até o DEFENDEU (atenção à palavra) dizendo que, por trabalhar com moda, Renan é muito vaidoso e "tem esse jeitão". Ele está sendo ACUSADO de ser gay e de estar tentando - e falhando em - esconder isso, a ponto de precisar ter sua autodeclarada heterossexualidade DEFENDIDA por um amigo. Qual é o crime nessa história?

O crime é o de atentar contra a masculinidade. Por mais que se trate de um homem alto, musculoso e bonito - ou talvez por isso mesmo, já que sua aparência talvez devesse servir para "pegar mulher" - , Renan OUSA ter "comportamentos afeminados" com se preocupar com o cabelo e com suas roupas. Por alguma coisa que as pessoas apontam como "de bicha" em seu comportamento, o tipo de humor masculino de fazer troça com viadagem ou ficar de "brodagem" com os amigos será lido, no caso dele, como evidência do que ele estaria tentando esconder.

Ora, digamos que ele seja gay. A quem isso interessa? Não é por estar no programa que ele necessariamente precisaria falar sobre isso, mas caso estivesse mesmo tentando esconder, provavelmente estaria fazendo-o por julgar que essa informação o prejudicaria no jogo, na carreira aqui fora ou com sua família. E não sendo o caso, que motivos teria ele para ficar policiando os próprios gestos e se preocupado se tal e tal careta parece mais ou menos viada?

Nada disso tem graça. É esse tratamento depreciativo da homossexualidade que faz com que algumas pessoas se escondam, que algumas famílias se desfaçam e que outros até se matem. É esse pensamento que diz que um grupo de pessoas é menor, vale menos do que outro, tem menos direitos, que faz com que LGBTs andem pelas ruas ressabiados, sabendo que o próximo ataque físico ou verbal pode estar dobrando a esquina.

Ser gay não é pecado, não é feio, não é triste, não é crime. "Dar pinta" de gay ou "ser acusado" de sê-lo não precisa significar uma "morte social" só porque abala esse ideal ridículo e tão frágil de uma masculinidade embrutecida, que impede os meninos de demonstrar afeto, estimula a violência, a misoginia e uma conduta sexual predatória.

VERGONHOSO É SER MACHISTA!

Obs: Gays que estão zoando a pinta do Renan estão, na verdade, reproduzindo - e fortalecendo - a opressão de que são vítimas. É esse comportamento, esse dizer que "dar pinta" é motivo de riso, que manda a mensagem de que ser gay vale menos. De que somos inferiores.


* Fabrício Longo é O entendido FABULOSO! Ator, cientista social, apaixonado por Antropologia e Coca-Cola. Ateu ferrenho, corre o sério risco de ser soterrado por suas coleções da bonecas Barbie e quinquilharias da Mulher Maravilha. Editor-chefe do site, assina a coluna "Dando Pinta" e morre de orgulho dela, já que tantas pessoas se sentem tocadas pelos textos. Entretanto, admite ser o mais beneficiado porque ela literalmente mudou sua vida. Cantadas, sugestões de pauta, nudes e ataques para fab@osentendidos.com.


Fonte: Portal Os Entendidos, Coluna "Dando Pinta"

Brasil tem quatro cientistas entre os 'mais brilhantes' do mundo


Levantamento da agência Thomson Reuters elencou os pesquisadores mais citados em artigos científicos entre os anos de 2003 e 2013. Três deles são bolsistas de produtividade em pesquisa do CNPq.

A agência internacional Thomson Reuters divulgou recentemente a lista dos "mais brilhantes" cientistas do mundo. E quatro dos 3.126 indicados são brasileiros, sendo que três deles são bolsistas de produtividades em pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCTI). Os brasileiros apontados pela publicação foram Paulo Artaxo, Ado Jorio, Adriano Nunes-Nesi e Álvaro Avezum.

Foto: Paulo Artaxo
Paulo Artaxo é membro do Departamento de Física da Universidade de São Paulo (USP), na área de Geociências. Ele é bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq – Nível 1A, além de ter sido membro do Comitê de Assessoramento de Física e Astronomia da entidade vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Confira aqui o Currículo Lattes de Artaxo.

Ado Jorio é professor de Física da Universidade Federal de Minas Gerais acesse este link.

Foto: Ado Jorio
(UFMG) e também é bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq, além de membro do Comitê de Astronomia da instituição. Para conferir o Currículo Lattes do especialista,

Adriano Nunes-Nesi é especialista e professor de Ciências das Plantas e dos Animais da Universidade Federal de Viçosa (UFV). Ele é bolsista de produtividade em pesquisa Nível 1D do CNPq e foi membro do Comitê de Assessoramento de Botânica. O currículo de Nunes-Nesi pode ser conferido aqui.

Foto: Adriano Nunes-Nesi
Especialista em Medicina Clínica do Instituto de Cardiologia Dante Pazzanese, Álvaro Nezum é o único dos indicados a não ter ligação do CNPq. O Currículo Lates dele pode ser acessado nesta página.

A lista

O relatório "The World's Most Influential Scientific Minds 2015" contabilizou cerca de nove milhões de pesquisadores. Os números correspondem aos cientistas cujos artigos foram os mais citados ao longo de um período de 11 anos, entre 2003 e 2013.

Para mais informações, acesse este link.


Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Informação

Movimento negro fará protesto em todo país contra suspeitos de fraudar cotas em concurso


Movimentos de defesa dos afrodescendentes farão um protesto em todo o país, no próximo dia 29, contra um ato do Ministério do Planejamento considerado discriminatório. Segundo Abayomi Mandela, do Grupo de Estudos AfroCentrados (Geac), da Universidade de Brasília (Unb), o objetivo é impedir a posse — marcada para 1º de fevereiro — de aprovados em um concurso público que, aparentemente, burlaram a política de cotas raciais. “O Planejamento ignorou a recomendação de que uma comissão específica checasse as informações e publicou a nomeação dos suspeitos cinco dias depois de um documento do Ministério Público Federal (MPF) com essa recomendação ter sido protocolado”, denunciou.
Leia também: Juiz diz que lei de cotas para negros em concursos públicos é inconstitucional
A discussão envolve certame para preenchimento de cargos de nível superior na Escola Nacional de Administração Pública (Enap), com salários de R$ 4,5 mil a R$ 5,5 mil. Em 18 de dezembro, o procurador federal Felipe Fritz Braga recomendou ao então secretário executivo, Dyogo Oliveira, que vários candidatos fossem submetidos, “antes da nomeação, à verificação de falsidade de autodeclaração para a reserva de 20% das vagas”, e estabeleceu prazo de 10 dias úteis para a resposta. A exigência do MPF foi feita com base na observação de 67 fotos de cotistas escolhidas aleatoriamente, a qual revelou que “17, possivelmente, não são negros” .

Em 23 de dezembro, o secretário executivo substituto, Esteves Colnago, justificou que, como a portaria com a nomeação havia sido publicada no Diário Oficial da União (DOU) exatamente naquela data, e considerando o estágio avançado da seleção, não iria postergar o processo, “uma vez que atrasaria o provimento dos cargos, cuja mão de obra se necessita imediatamente”. “A verificação será providenciada após a nomeação”, disse Colnago, pois a lei também determina que “o candidato será eliminado na hipótese de declaração falsa”.
Leia também: MPF recomenda alteração em sistema de cotas raciais da ANS e ANP
Os argumentos indignaram os militantes dos movimentos negros. Uma vez que os suspeitos estejam dentro do serviço público, afirmam, será preciso abrir um moroso processo administrativo para aferir declaração racial. O MPF/DF informou que, como o procurador Felipe Fritz está de férias, seu substituto analisará o processo “para que a recomendação do MPF/DF seja seguida”. A Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) informou que acompanha “o desenrolar dos fatos”.

Negligência

Candidatos que se sentiram lesados com a decisão do ministério procuraram a Defensoria Pública da União (DPU) e pediram uma medida cautelar a fim de garantir seus direitos. O defensor Eduardo Nunes é o responsável pelo pedido de liminar. “Vamos ver se, na Justiça, será possível suspender as nomeações”, ressaltou.

De acordo com o antropólogo José Jorge de Carvalho, da UnB — responsável pela regra de cotas na universidade —, a negligência do Planejamento é gravíssima. “Como houve apenas uma amostra, o número de fraudadores pode ser superior aos 17 inicialmente identificados.”
Leia também: Justiça impede posse de candidatos que fraudaram cotas em concurso no Itamaraty
Ele explicou também que, no Brasil, a identificação é fenotípica (pelas características físicas), diferentemente dos Estado Unidos, onde ela é genealógica (herança genética). “Temos que verificar pessoalmente. Não se trata de caça às bruxas ou de tribunal racial. Não adianta dizer que a mãe ou a avó é negra, porque a cota, aqui, é contra a discriminação, e quem tem pele clara não sofre racismo no Brasil”, disse Carvalho. Em nota, o Planejamento informou que recebeu a orientação do MPF “com seriedade e deverá apurar as eventuais falsas declarações e, caso constatadas, excluir os ingressos no serviço público”.

Cargos

O concurso para a Enap foi aberto em meados do ano passado. Na prova, em 30 de agosto, foram selecionados 556 profissionais de nível superior para os cargos de administrador, assistente social, geógrafo, geólogo, analista técnico- administrativo, analista de tecnologia da informação, arquivista, técnico em assuntos educacionais e contador, com remuneração inicial de R$ 4.514,22; além de arquiteto, economista e engenheiro, com ganhos mensais de R$ 5.596,31; e também médico, com salário de R$ 3.625,42. Do total de vagas, 20% estavam reservadas a candidatos negros, e outros 5%, a portadores de deficiência.


Fonte: Correio Braziliense

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