segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

ONU: 400 mil crianças podem sofrer com desnutrição aguda no nordeste da Nigéria


Com cerca de dois terços dos estabelecimentos de saúde em algumas áreas da região nordeste da Nigéria completamente destruídos ou parcialmente danificados, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) estimou que 400 mil crianças poderiam sofrer de desnutrição aguda grave em 2017.

“Se não receberem o tratamento de que necessitam, uma em cada cinco destas crianças morrerá. Os casos de diarreia, malária e pneumonia estão aumentando, pondo em risco a vida das crianças”, afirmou o diretor-executivo da agência da ONU, Anthony Lake.

“Esses números representam apenas uma fração do sofrimento. Grandes áreas do estado de Borno são completamente inacessíveis a qualquer tipo de ajuda humanitária. Estamos extremamente preocupados com as crianças presas nessas áreas”, acrescentou.

Segundo o UNICEF, nos estados mais afetados – Borno, Yobe e Adamawa –, a agricultura foi interrompida e as colheitas destruídas; as reservas de alimentos estão esgotadas e são, muitas vezes, saqueadas; e os animais mortos ou abandonados.

Lake acrescentou que os programas do UNICEF sobre vacinas, água potável e saneamento, bem como o tratamento para crianças com desnutrição aguda, estão fazendo a diferença nas áreas nas quais a agência consegue chegar, mas ele considerou a resposta “longe do suficiente”.

“Sem recursos adequados e sem acesso seguro, nós e nossos parceiros não conseguiremos alcançar crianças cujas vidas estão em risco iminente”, alertou.

Enquanto isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que, dos 743 estabelecimentos de saúde no estado de Borno, 35% foram completamente destruídos, 29% parcialmente danificados e apenas 34% estão intactos.

Das 481 unidades de saúde não destruídas, 31% não estão funcionando, principalmente como resultado da falta de acesso devido à insegurança. Quase 60% dos estabelecimentos de saúde não têm acesso a água potável – 32% não têm acesso sequer a água – e três em cada quatro instalações não têm reservas suficientes de cloro para descontaminar a água utilizada na unidade.

“A alta insegurança, a dificuldade no terreno e a falta de profissionais de saúde, medicamentos, equipamentos e recursos básicos, como água potável, tornam extremamente difícil o acesso a cuidados de saúde vitais, essenciais para as pessoas nesta área afetada pelo conflito”, disse o representante da OMS na Nigéria, Wondi Alemu.

Em resposta à crise, a OMS e parceiros vêm apoiando o governo nigeriano para fornecer serviços de saúde essenciais para salvar vidas, como a preparação contra surtos de doenças.

Além disso, cerca de 100 unidades de saúde temporárias foram criadas para apoiar a resposta, das quais 49 são clínicas de emergência para pessoas deslocadas que vivem em campos. No entanto, a agência de saúde da ONU disse que mais recursos são necessários.

“A ONU e os parceiros precisam de 94 milhões de dólares para fornecer serviços de saúde a 6 milhões de pessoas, mais da metade delas crianças”, observou o comunicado. “Deste montante, precisamos de 31 milhões de dólares para cumprir nossos planos de resposta em 2017.”


Fonte: Portal da ONU

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