terça-feira, 6 de dezembro de 2016

O que se sabe até agora sobre o acidente com o avião que levava a Chapecoense

No estádio da Chapecoense, homenagem a todos os que estavam no avião que caiu na Colômbia. Faixas amarelas destacam os nomes dos seis sobreviventes


Setenta e sete pessoas estavam a bordo do voo LM-2933, entre jogadores, jornalistas e tripulantes - 71 morreram e seis sobreviveram. Veja o que se sabe até agora sobre a queda do avião da companhia Lamia.


O que se sabe até agora

O secretário nacional de Segurança Aérea da Colômbia, coronel Freddy Bonilla, informou que o avião bateu numa montanha e perdeu a cauda. Depois, as asas e a cabine bateram do outro lado da montanha.

O avião bateu na montanha de Cerro Gordo a uma velocidade de 135 nós (aproximadamente 250 km/h), considerada baixa, o que permitiu que existissem sobreviventes, segundo Bonillla.


Último diálogo

A gravação do diálogo entre o piloto Miguel Quiroga e a torre de controle do Aeroporto José María Córdoba, de Medellín, foi "encurtada em alguns trechos", mas mostra que o voo recebeu apoio do controle em terra, disse o secretário colombiano.

O coronel Bonilla afirmou que o piloto demorou a usar a palavra "emergência".

O piloto Quiroga comunicou uma emergência por "falhas elétricas" por volta das 22h15 locais (1h15 de Brasília).

Especialistas ouvidos pela BBC Brasil disseram que, por ter ficado sem combustível, a aeronave teria sofrido pane elétrica. Jornais da Bolívia afirmaram que o piloto havia sido alertado antes de decolar do aeroporto boliviano de Santa Cruz que não teria combustível suficiente para completar a viagem.

A gravação da comunicação entre o piloto e a torre colombiana indica que Quiroga estava perdido e se afastara da direção da pista do aeroporto de Medellín, informou o secretário colombiano.


Caixas pretas

A Aerocivil, órgão da aeronáutica civil colombiana, informou que as duas caixas pretas do avião foram encontradas em perfeito estado.

Ainda na tarde de terça-feira, o presidente colombiano Juan Manuel Santos disse que havia sido iniciado um esforço coordenado com as autoridades da Bolívia para a investigação das "circunstâncias exatas e possíveis causas desta triste tragédia".

O avião da companhia Lamia, de fabricação britânica, tinha 17 anos.


Estado dos sobreviventes

O médico da Chapecoense, Carlos Henrique Mendonça, que está na Colômbia, confirmou que é crítico o estado de saúde dos três jogadores e um jornalista brasileiros que sobreviveram ao acidente.

Em comunicado, a Chapecoense disse que "as perspectivas são otimistas" e que "a maior preocupação, em relação a todos os sobreviventes, diz respeito ao perigo de infecção, já que os ferimentos apresentavam nível alto de contaminação."

Ainda não há previsão de alta, "mas a equipe médica da Chapecoense tranquiliza a todos, já que a estrutura e os cuidados oferecidos estão sendo os melhores possíveis", informou o clube catarinense.

O zagueiro Neto, último dos resgatados, "está em estado crítico, mas estabilizado, oferecendo boas perspectivas de melhora", afirma o comunicado da Chapecoense.

O goleiro Follmann, continua o clube, "é o que se encontra em estado mais grave, tendo uma das pernas amputadas e a outra em análise, com possibilidade de amputação do pé. Ainda assim, seu quadro é estável, apesar de requerer mais cuidados."

O lateral Allan Ruschel foi submetido a uma cirurgia na coluna vertebral e "está com movimentos normais em membros superiores e inferiores".

"Apesar das múltiplas escoriações, e do estado crítico, está estabilizado e também oferece perspectiva de melhora".

O jornalista Rafael Henzel teve um trauma torácico e fratura numa perna. O estado dele também é crítico, com "perspectivas otimistas", de acordo com o médico Carlos Henrique Mendonça.

Os quatro brasileiros estão em três hospitais nas cidades de La Ceja e Rionegro, as mais próximas do local onde o avião caiu.

Também sobreviveram dois tripulantes colombianos, a aeromoça Ximena Suarez e o técnico de voo Erwin Tumiri, que seguem hospitalizados.


Resgate difícil

Uma equipe da Força Nacional do SUS (Sistema Único de Saúde) foi enviada ainda na noite de terça para Medellín para dar apoio às famílias e ao transporte dos sobreviventes.

Representantes do Itamaraty e da Polícia Federal brasileira, entre outros profissionais, também foram mandados à Colômbia.

A pouca visibilidade, o frio, a chuva e o terreno íngreme dificultaram o trabalho das equipes de resgate colombianas.

O resgate começou na madrugada e se estendeu por quase todo o dia de terça-feira.

Mais de 300 pessoas trabalharam no resgate.

Pelo menos 45 peritos foram mobilizados para fazer a identificação das vítimas.


Choque em Chapecó

Em meio às primeiras informações sobre o acidente, a Chapecoense trocou o escudo verde por outro preto na sua página no Facebook.

Em Chapecó, parentes, técnicos e jogadores se reuniram na sede do clube.

Em estado de choque, familiares passam mal à espera de notícias.

"As mulheres dos jogadores estão sentadas mexendo nas chuteiras que ficaram, tem caso de desmaio, ambulância vindo de meia em meia hora", disse à BBC Brasil Marcelo De Quadros Kunst, auxiliar técnico de goleiro da Chapecoense.

A Chapecoense faria sua estreia numa final internacional ao disputar o título da Copa Sul-Americana com o Atlético Nacional de Medellín, na noite desta quarta-feira, na Colômbia.


Homenagem na hora do jogo que não houve

Quase 20 mil pessoas lotaram a Arena Condá, o estádio da Chapecoense, para homenagear as vítimas do acidente em um Tributo em Verde e Branco.

Um culto ecumênico foi celebrado no campo do clube. O público iluminou o estádio com celulares e cantou "Vamos, vamos, Chape"!

A homenagem terminou no horário em que aconteceria a partida (21h45 de Brasília).

Ao mesmo tempo, torcedores do Atlético Nacional lotaram o estádio Atanásio Girardot, em M edellín, onde seria disputado o primeiro jogo da final.

Mais de 40 mil pessoas lotaram o estádio, vestindo branco e levando faixas com mensagens de apoio, como: "Somos todos Chapecoense" e " Surge uma nova família", entre outras.

"O futebol está de luto, todos estamos de luto em Medellín", disse a apresentadora da cerimônia no Atanásio Girardot.

Aviões que participaram das buscas sobrevoaram o estádio.

O grito "Vamos, vamos Chape!" também tomou conta do estádio colombiano.


Velório coletivo

A diretoria da Chapecoense informou que um velório coletivo será realizado na Arena Condá.

A expectativa do governo do estado de Santa Catarina, que acompanha os trabalhos de identificação na Colômbia, é de que a chegada dos corpos ao Brasil ocorra na sexta-feira ou no sábado.


Fonte: Jornal BBC Brasil (Reino Unido)

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