terça-feira, 27 de dezembro de 2016

O que é e como é composta a dívida pública no Brasil


A dívida pública é formada pelo acúmulo de deficits ao longo dos anos, aumentando quando as receitas do governo são menores que suas despesas. Para cobrir a diferença, mais dinheiro é tomado emprestado. Isso é feito essencialmente por meio da emissão de títulos de dívida e de sua venda no mercado de capitais.

Investidores, que podem ser pessoas físicas ou jurídicas, residentes no Brasil ou não, adquirem títulos em troca do dinheiro emprestado.


A remuneração dos investidores da dívida pode estar atrelada a diversos indexadores, dependendo do título. A inflação, a taxa de juros e a taxa de câmbio são os mais comuns.

No passado, uma alta porcentagem da dívida era atrelada ao câmbio. Hoje, apenas 4,2% é.

Os títulos têm uma data de vencimento e nesse momento o investidor recebe o principal de volta. O prazo médio da dívida federal é de 4,7 anos e 17,4% do total vence em até 12 meses (precisando ser pago ou refinanciado no vencimento).

Deduzindo-se da dívida pública total (chamada bruta) os créditos do governo, principalmente as reservas internacionais e os créditos junto ao BNDES, tem-se o que se chama de dívida pública líquida. É como calcular o valor da dívida de uma pessoa subtraindo o que ela tem depositado no banco ou a receber de outras pessoas e empresas.


É comum que se examine a relação dívida/PIB ao se avaliar a saúde das finanças públicas. Essa relação compara a magnitude de tudo o que o país deve e quanto consegue produzir de riqueza por ano.

Por diversos anos, a dívida do governo central (que inclui o governo federal e o Banco Central) vinha caindo. Em 2014, essa trajetória se inverteu e a dívida começou a crescer.


Quando se junta as dívidas dos Estados e municípios e das empresas estatais à dívida do governo central tem-se a dívida do setor público. O gráfico acima mostra que também para ela o cenário é de reversão da tendência de queda, e as projeções do mercado são de crescimento contínuo nos próximos anos.

Nos casos em que a dívida pública de um país cresce sem previsão de retorno a uma trajetória sustentável, a percepção de risco pelo mercado aumenta e a taxa de juros demandada para investir em títulos daquele governo se eleva (mais risco, mais retorno). Assim, o custo de novos empréstimos e de rolar a dívida existente aumenta.


Outros fatores podem incrementar ou reduzir a dívida, como receitas e despesas extraordinárias (privatizações, por exemplo) e reconhecimento de novas dívidas ou ativos.

O resultado primário deixou, nos últimos anos, de colaborar para que a dívida se reduzisse, e passou a colaborar para que aumentasse.



Fonte: Tesouro Nacional e Banco Central. Projeções do Relatório Focus de 9/12/2016 / Portal Nexo / Jornal Brasil de Fato

0 comentários:

Postar um comentário

Twitter Facebook Favoritos

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Facebook Themes