segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Empresa machista desafia mulheres em ação desastrada de marketing digital


Alezzia é uma marca de móveis em aço inox. Segundo a descrição de sua página no Facebook, é “uma empresa ousada que segue firmemente as próprias ideias sem se apegar a conceitos e paradigmas”. Uma ideia nada ousada que a empresa segue firmemente é de ser abertamente infantil e machista.

Tudo começou quando Alexandre do Nascimento, dono da loja*, resolveu agraciar os membros do grupo “Behance Brasil” com sua opinião machista sobre o mercado de trabalho em design gráfico. Pra ele, homens são melhores em design gráfico simplesmente porque são homens.


Além do designer explicitamente machista, parece que a equipe publicitária também segue o mesmo estilo. A empresa utiliza mulheres seminuas pra vender seus produtos. É uma fórmula rasa de publicitários preguiçosos que não tem criatividade pra propor algo minimamente bom. Não tenho competência pra fazer publicidade? Coloca aí umas mulheres nuas! E, olha, não são poucos. A publicidade tem usado mulheres, mais especificamente seus corpos, pra vender qualquer coisa, desde cerveja até relógio. Nesse caso, móveis em aço inox.


É revoltante que a publicidade ainda utilize a mulher como mero objeto para vender seus produtos. Esse é um tema que foi incessantemente abordado durante esse ano, inclusive resultando numa mudança de postura de diversas marcas, que, finalmente, passaram a enxergar esse problema. Mas não a Alezzia.

Uma consumidora, Bruna Bones, com toda razão, deu uma avaliação negativa à marca no Facebook, o qual foi respondida com sarcasmo e desrespeito. E não parou por aí.
O relato ganhou força nas redes sociais e, diante das críticas de muitas outras consumidoras, a empresa resolveu fazer um desafio infantil, que chamou de “desafio Alezzia”. O único objetivo disso - que não consigo nem chamar de estratégia porque é simplesmente uma afronta imatura - é tirar a legitimidade das reclamações fazendo... piada. O desafio consiste em ver se a usuária conseguiria abaixar a avaliação da loja no Facebook.



O “desafio”, vale mencionar, é impossível de ser alcançado. O Facebook não dispõe da nota zero para avaliar uma empresa, a nota mínima é necessariamente 1. Ainda assim a avaliação da empresa diminuiu drasticamente em pouco tempo (e durante o dia de hoje oscilou entre 1,3 e 1,6). Como a usuária disse que reverteria seu “prêmio” à instituições de caridade, caso ganhasse, a empresa resolveu fazer o mesmo e implicou uma instituição séria como a AACD em um jogo ridículo que apenas reflete a falta de caráter de quem propôs essa iniciativa. Aliás, trocar avaliação positiva por doação a caridade não viola nenhuma regra do Facebook?

É de fato revoltante que marcas como a Alezzia sejam inflexíveis às mudanças sociais e joguem críticas de machismo em sua publicidade como uma reclamação sem motivo ou “resmungo”. A Alezzia está levando um debate crescente e importante como uma piada, sem perceber que a piada são eles.

Na publicação, Bruna conta que a nota da empresa teria chegado a 1,2, mas então novos comentários positivos teriam surgido, muitos deles sem nenhuma relação com o conteúdo da página – gerando a suspeita de que teriam sido comprados.




Agora, dependendo do desfecho, a repercussão do caso pode trazer algo positivo. “Faço questão de reverter tudo para a causa feminista, ajudando ONG’s e grupos de empoderamento feminino“, comentou Bruna na publicação indicando o que faria com o prêmio.

* Esta nota foi editada. Onde consta, agora, “dono da loja”, estava “designer gráfico da empresa”. O Sr. Alexandre do Nascimento é dono e presidente da empresa Palmetal, que, por sua vez, possui uma linha de decoração, que é a marca Alezzia. 

* O penúltimo parágrafo também foi editado para constar que é impossível atingir a avaliação proposta no desafio e a indagação se isso violaria as políticas do Facebook.


Fonte: Portal Não Me Khalo / Revista InfoMoney / Portal Hypeness / Revista Exame / Revista Fórum

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