terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Cresce o suicídio de jovens no Brasil


Em relatório sobre prevenção ao suicídio da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicado em 2014, foi apontado que mais de 800 mil pessoas cometem suicídio por ano no mundo. Ele coloca o Brasil como oitavo país com maior número de suicídios. Segundo dados divulgados em 2013 pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO), a faixa etária que apresenta maior crescimento no número de mortes por suicídio no país é a de jovens entre 10 e 19 anos, representando 1% do número de mortes anual entre crianças e adolescentes. Discutir o aumento torna-se ainda mais necessário quando analisado que países desenvolvidos obtiveram uma queda na taxa de suicídio na juventude.

O relatório da FLACSO aponta que os principais motivos que levam jovens a cometer suicídio são sexualidade, gênero, abusos, uso de drogas e superproteção.

Wolf Singal, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria, relata que o quadro de suicídio tem particularidades que complicam o tratamento. “O suicídio tem características ‘clandestinas’, essa peculiaridade dificulta perceber o quadro”. Porém, o psiquiatra orienta formas de detecção. “Existe uma construção até chegar ao comportamento final de suicídio. Geralmente, a pessoa dá sinais, como mudanças de comportamento repentinas”.

Da mesma forma que comportamentos, atos específicos também podem indicar um quadro de suicídio. Wolf diz: “Tal estado psicológico pode aparecer, também, através de atitudes como mudança de testamento, bilhetes confusos, reflexões sobre o significado da vida”. O psiquiatra reforça que a vontade de cometer suicídio faz parte de um quadro reversível, mas é preciso que as pessoas não subestimem o problema.

Carlos Correia, coordenador nacional de divulgação do Centro de Valorização da Vida (CVV), explica que a prevenção do suicídio passa diretamente por um novo modelo de pensar. “Um primeiro passo para a prevenção do suicídio seria o hábito de autoconhecimento. De olhar pra dentro de si, começar a se perceber melhor”. Carlos acredita que tal iniciativa é importante para reverter o quadro de suicídio, pois aumenta a possibilidade de compartilhar esse estado com seu círculo de convivência. “As pessoas querem ser escutadas, por isso é fundamental que a pessoa seja ouvida. Muitas pessoas entram em contato com o CVV, pois estão cansadas de que minimizem os problemas dela. Só que um grão de areia é uma montanha intransponível naquele momento. Então nós oferecemos um momento de carinho e respeito, para que a pessoa possa refletir sobre suas intenções e se acalmar”, completa Carlos.

O CVV realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, pelo telefone 141. Caso sua cidade não conte com um posto de atendimento do CVV, basta entrar em contato pelo atendimento realizado por chat, Skype e e-mail. Essas e mais informações estão disponíveis no site www.cvv.org.br.


Fonte: Portal do Observatório do Terceiro Setor

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