terça-feira, 6 de dezembro de 2016

'Caminhos para combater o racismo no Brasil' é o tema de Redação do Enem


O Inep divulgou, neste domingo, o tema da redação desta edição do Enem. Os candidatos terão que escrever sobre “Caminhos para combater o racismo no Brasil". A prova de Redação é realizada neste domingo junto com Linguagens e Matemática. Na opinião de especialistas, Ministério da Educação (MEC) conseguiu equilibrar propostas do primeiro e do segundo exame.

Na prova anterior, realizada nos dias 5 e 6 de novembro, o tema da redação foi "Caminhos para combater intolerância religiosa no Brasil". Nas últimas edições, a redação do Enem tem abordado questões relacionadas às minorias. Na prova do ano passado, o tema de redação do exame foi 'A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira'.

Para o professor de redação do QG do Enem, Raphael Torres, a escolha do tema foi uma tentativa bem sucedida do MEC de nivelar as redações das duas edições do Enem deste ano.

- O que chama atenção é uma coincidência parcial no que diz respeito à estrutura da proposta: o MEC mais uma vez fala em 'caminhos para combater'. O ministério estava muito preocupado em tentar trazer para estrutura algo que não fosse tão contestado. O racismo é um fato social lamentável que está dentro do campo semântico de intolerância, assim como na primeira proposta- explicou Torres.- É uma clara estratégia de tentar criar uma espécie de equilíbrio entre os temas da primeira e da segunda prova. Um fala sobre intolerância no que diz respeito à religião, e outro no que diz respeito à questão étnica.

Torres explica ainda que, conforme em edições anteriores, o Enem firma a tendência de trazer temas de relevância social:

- O MEC tem desenvolvido uma estrutura de tema para um perfil de engajamento que mobiliza a sociedade em discussões necessárias. No ano passado, tivemos o tema da violência contra mulher, e esse ano mais uma vez traz à tona um tema que merece discussão social. O MEC conseguiu manter a pegada enem e ao mesmo tempo fazer que os temas deste ano não fossem discrepantes um do outro.

O coordenador de Redação do pH, Thiago Braga, também afirmou que o MEC conseguiu equilibrar os exames. Ele afirma ainda que, por ser um tema bastante explorado e como manifestações constantes no cotidiano os alunos terão facilidade em abordar.

- Há uma simetria entre os dois temas. São dois temas que tratam do respeito às diferenças. É uma temática absolutamente relevante para o país, vivemos no século e ainda presenciamos no cotidiano e nas redes sociais atos de racismo tanto com pessoas famosas como Taís Araújo e Maju Coutinho, quanto com pessoas desconhecidas- explicou Braga.

Segundo o professor, o tema também aparece constantemente em abordagens em sala de aula, o que pode ajudar na hora de escrever.

- É uma discussão que aparece em diversas aulas, quando se fala em colonização, em aspectos geopolíticos, em iguadldade. E também extrapola o conteúdo em classe- diz Braga.

Em julho do ano passado, a jornalista Maju Coutinho, que apresenta a previsão do tempo no Jornal Nacional, foi vítima de comentários racistas nas redes sociais. Na época, foi criada a hashtag "#SomostodosMaju" em apoio à jornalista. A repórter levou o caso à justiça e, em junho deste ano, o Ministério Público denunciou quatro pessoas por crime de racismo, falsidade ideológica, injúria, associação criminosa na internet e corrupção de menores.

Também em 2015, em novembro, a atriz Taís Araújo foi alvo de comentários preconceituosos no Facebook, ao postar uma foto. Na ocasião, usuários da rede escreveram frases racistas como "Já voltou da senzala?", "Esse cabelo de esfregão". Após o episódio, a atriz se manifestou em sua página na mesma rede social condenando a atitude e afirmando que não se calaria diante da discriminação:

"É muito chato, em 2015, ainda ter que falar sobre isso, mas não podemos nos calar. Na última noite, recebi uma série de ataques racistas na minha página. Absolutamente tudo está registrado e será enviado à Polícia Federal. Eu não vou apagar nenhum desses comentários. Faço questão que todos sintam o mesmo que eu senti: a vergonha de ainda ter gente covarde e pequena neste país, além do sentimento de pena dessa gente tão pobre de espírito. Não vou me intimidar, tampouco abaixar a cabeça."


Fonte: Jornal O Globo

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