terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Artigo - Mulheres contam como é tirar a virgindade de um homem adulto


Por: Hannah Ewens



A responsabilidade de ser a primeira transa de um hétero existe, e a situação fica ainda pior quando você só descobre que ele era virgem depois do sexo.



A porta estava bloqueada e eu estava bêbada. Depois de preliminares até que promissoras e boas arroxadas, ficou claro o que aconteceria. Ele levantou meu vestido; dei de ombros mentalmente. Ele se apoiou, deitando metade sobre mim. Seus olhos piscavam com um brilho de pura alegria, como se ele estivesse vendo tudo em volta — a bagunça do meu quarto, eu, o mundo — depois de uma vida inteira sendo cego.

"Na verdade, essa foi minha primeira vez", ele disse. Eu ri — depois veio a incerteza, a confusão, aí um arrepio gelado atravessou meu corpo.

Depois daquela noite, eu tiraria a virgindade de vários outros caras sem saber. Homens de 20, 20 e poucos, 30 e poucos anos. Um cara do trabalho, alguém do Tinder, homens crescidos com trabalhos de verdade e muitos amigos. Nunca era alguém que você olha e pensa: "Com certeza ele é um virgem de 30 anos".

Esse é o ponto crucial da dinâmica: Ninguém sabe quem é virgem e quem não é. A pessoa que senta do seu lado no trabalho pode ser virgem. A pessoa que você beijou na balada sábado pode ser virgem. Você pode muito bem ser virgem. E tudo bem — as pessoas perdem a virgindade quando é a hora certa para elas. Mas é estranho, do ponto de quem desvirgina, só ficar sabendo o que você fez depois que fez.

Nessas ocasiões, a noite acabava sendo meio desastrada. Eu ficaria sabendo só depois do ato — no café da manhã ou uma semana depois, num derramamento bêbado de emoções. Ao descobrir, eu sentia várias coisas, nenhuma delas muito legal. Tinham mentido para mim. Eu tinha sido enganada para ficar com um papel de responsabilidade. Sem dúvida é muito difícil para um virgem, gay ou hétero, vivendo numa sociedade hipersexualizada em que a promiscuidade masculina é incentivada, admitir que ainda não fez sexo — mas, sério, contar para a pessoa que está prestes a tirar sua virgindade é a coisa mais decente a fazer.

Quando eu contava o que tinha acontecido para os meus amigos, eles diziam que eu tinha sorte. Eu sempre seria a primeira daquele cara. Várias parceiras passariam pela vida deles, mas eu estaria bem ali no começo da linha do tempo. Não compartilho essa opinião.

Já superei minha maldição, graças a Deus, mas não sou a única a acidentalmente desvirginar caras. Aqui, outras mulheres falam sobre essa estranha experiência.


UM DEFLORAMENTO NADA ROMÂNTICO

Era um verão lindo e o último que eu passaria em Londres antes de me mudar. Conheci esse cara por amigos em comum. Depois do nosso primeiro encontro, o convidei para ir ao meu apartamento. No ônibus, ele disse que não costumava fazer coisas assim. Eu disse que tudo bem, achando que ele estava falando de transar no primeiro encontro.

Chegamos em casa e fizemos sexo. Depois ele disse que nunca tinha feito isso antes. Não foi horrível nem nada, acho que eu não teria percebido que ele era virgem se ele não tivesse me contado. Ele não estava envergonhado, mas parecia achar que tinha sido uma coisa importante, compreensivelmente.

Ele me perguntou se devia ter contado antes, mas acho que não faria diferença. Só pensei que aquilo seria sempre uma experiência maior para ele do que para mim. Eu queria que tivesse sido especial para ele, mas não fiz nada de especial, como acender umas velas ou colocar uma música. Na semana seguinte, descobri que todos os amigos dele estavam esperando ele perder a virgindade, então isso também era importante para eles.

Não penso mais tanto nisso, mas é uma memória legal.


Anoushka, 26 anos.



O INTOXICANTE PODER DA BUCETA

Era uma festa na casa dele, nos beijamos no quintal depois de enxugar a última cerveja, aí fomos para o quarto. Ele deu algumas pistas de que era virgem — ele claramente nunca tinha trombado um sutiã na vida e os beijos dele eram completamente babados. Acabamos fazendo o bom e velho papai-mamãe, mas levou uma eternidade para ele achar o buraco certo. Segundos depois, acabou.

Acordei na manhã seguinte com ele olhando nos meus olhos e acariciando meu cabelo. Ele disse "Bom dia, linda" e deu um beijo na minha cabeça, que estava doendo muito depois de toda aquela cerveja. Aí ele sussurrou no meu ouvido: "Nada mau para a minha primeira vez, né? Tentamos uma posição nova na segunda?"

Ele jogou a bomba ao mesmo tempo em que dizia que queria fazer de novo. Aí ele me pediu em namoro, prometendo que seria um bom homem para mim. Eu entendo — foi a primeira vez dele e ele estava, obviamente, empolgado, mas eu não conseguia lidar com isso naquela hora, então dei uma desculpa e fui embora.

O que veio depois foi uma enxurrada de mensagens e ligações, perguntando quando a gente podia se ver de novo, por que eu não me abria para ele (eca) e como ele não queria que "uma das melhores noites da vida dele" fosse uma coisa casual. Depois de algumas semanas o ignorando, ele entendeu o recado e me deixou em paz, mas nunca vou esquecer aqueles olhos de cachorro pidão me acordando.

A lição aqui: cuidado com o intoxicante poder da buceta.


Amelia, 25 anos





RAPIDINHA TRANSATLÂNTICA

Eu tinha acabado de ficar solteira e estava na busca. Eu só precisava de uma rapidinha, na falta de um termo melhor. Eu estava conversando pela internet com um cara que tinha uma banda nos EUA, e ele estava vindo tocar no Reino Unido. Pensei comigo: "Cara de banda = rapidinha". Fui para o show dele e ficamos depois. Bebemos muito, e perguntei se ele queria ir para a minha casa, de um jeito bem claro. Ele aceitou minha oferta e inevitavelmente aconteceu. Definitivamente foi meio estranho logo de começo. Ele estava demorando muito e sendo muito acanhado, de um jeito que nenhum cara tinha sido antes. Fiquei achando que ele era só um tímido fofo. Mas foi OK — foi bem legal na verdade.

Na manhã seguinte, enquanto eu curtia uma profunda ressaca, ele me disse que era straight edge e que as "cervejas" que ele estava tomando na noite anterior eram sem álcool. Parecia que ele estava desesperado para me contar mais alguma coisa, e depois que insisti, ele soltou que era virgem.

No começo fiquei puta, não sei muito bem por que até hoje. Isso meio que me chocou. Ele teve muitas oportunidades para me contar antes, e a gente podia ter falado sobre isso. Além disso, se fosse o contrário, se uma garota estivesse sóbria e um cara bêbado tirasse a virgindade ela, mesmo sem saber, as pessoas iam achar péssimo — então achei que isso podia dar alguma merda.

Quanto voltou para os EUA, ele começou a me mandar uma mensagem atrás da outra. Alguns dias e várias DMs depois, ele disse que planejava comprar uma passagem para a Inglaterra para passar duas semanas aqui comigo. Aí eu tive que dizer que não ia rolar.


Becky, 25 anos



O CARA QUE NÃO CONSEGUIA FICAR DURO

Voltei para a casa dos meus pais depois de terminar um relacionamento longo e comecei a trabalhar num bar. O gerente — vou chamá-lo de Jay — tinha mais ou menos a minha idade. Depois de vários meses de flerte, e da vez que fiz um boquete rápido nele enquanto ele trocava os barris de cerveja, resolvemos ter um encontro propriamente dito. Depois fomos para a casa dos pais dele — pensando agora, isso já era um sinal, mas quem era eu para julgar? Eu também estava morando com os meus pais.

Chegando no quarto, ele não conseguia ficar duro. Achei que era porque ele tinha bebido. Agora percebo que era porque ele estava nervoso. Não durou muito tempo, mas ele era muito bem-dotado, então eu tinha esperança nas futuras transas. Depois de transar com ele algumas vezes, com ele sofrendo para manter a ereção, resolvi falar sobre isso, e ele me contou que nunca tinha transado com ninguém antes. Ele já tinha feito "outras coisas", mas depois de se apaixonar por uma mina que era noiva — um amor platônico que durou alguns anos — ele nunca mas esteve numa posição onde sexo podia rolar. Justo.

Não consegui mais ficar com ele depois disso — fiquei me sentindo estranha e nojenta com a coisa toda. Ele tinha problemas com a penetração, e eu não queria que uma coisa casual se desenvolvesse para eu tendo que ajudar o cara com seus problemas. Sei que parece horrível, mas é verdade. Eu tinha meus próprios problemas com que me preocupar.


Tara, 29 anos


* Os nomes foram mudados, menos o da Hannah. Siga-a no Twitter.


Tradução: Marina Schnoor


Ilustrações: Polly Williams


Fonte: Portal Vice

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