segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Artigo - A assustadora polêmica da Alezzia Móveis


Por: Orlando Laragnoit Jr.

É assustador acompanhar a polêmica dessa Alezzia Moveis. Eu teria vergonha de explicar para minha filha a história deste caso. Mas tenho mais vergonha ainda de algumas pessoas que tenho como amigos aqui no Facebook dizendo que não passa de “mimimi de feminazi”, falando que “é papo de esquerda”, e mandando as mulheres irem lavar louça. PQP… sério?

Resumindo… um cara aleatório foi em um grupo de design no Facebook e disse que mulheres não serviam para serem designers. Obviamente ele come cocô. Mas o fulano é dono de uma agência que pilota a página de Facebook da tal da Alezzia Móveis, que promove cadeira como se fosse cerveja nos anos 90, sabe como? “Olha que legal essa cadeira de aço inox com uma gostosa de biquini deitada em cima!”.

Claro que ele tomou na cabeça, e começou a ser criticado. Mas ao invés de pedir desculpas pela cagada, ele respondeu ironicamente os comentários, e ainda por cima teve a cara de pau de lançar um desafio - se a usuária que estava criticando conseguisse fazer as avaliações da página dele cairem para 1.1 estrelas, ele daria um voucher de R$ 10 mil pra ela. Senão, ele daria o voucher para a AACD.

O que eu achava que tinha tudo pra ser um suicídio de marca, acabou mostrando que o feminismo ainda é uma luta pouquíssimo compreendida. Tem uma enxurrada de gente apoiando a atitude dele, dando 5 estrelas e xingando as mulheres. Achei que era coisa de pivete punheteiro, mas infelizmente vi conhecidos fazendo isso, e, contra toda a lógica, outras mulheres. A InfoMoney postou sobre o caso, com um tom de crítica à marca, e está sendo escrachada por ter tomado o lado das “feminazi”.

Faz 89 anos desde o primeiro voto feminino no Brasil. A maioria de nós conhece mulheres que nasceram sem poder votar. Lutar contra o machismo é lutar contra o preconceito, é uma luta de direitos civis, não é uma luta de esquerda ou direita. Eu não quero criar minha filha em um mundo em que se ela quiser ser uma designer, não poderá ser, porque existe um ser escroto que acredita que mulheres são inferiores, e é defendido por uma legião de pessoas que acham que “o mundo está muito chato!”.

Faz 61 desde que Rosa Parks se recusou a dar seu lugar no ônibus para um branco. Se existisse Facebook na época, aposto que existiria este mesmo movimento de pessoas defendendo a liberdade do motorista de exercer o preconceito, pois o ônibus é dele.

E se o motorista lançasse uma campanha: "Se a maioria votar pra Rosa Parks ter direito de sentar onde quiser, ela ganha um mês de VT! Caso ela não ganhe, vou doar esses VT pra uma instituição de caridade". Usar a AACD para manipular a percepção pública e fazer as pessoas apoiarem o machismo é de uma cretinisse sem tamanho.

O mundo está muito chato ou você que tá muito cego?


Fonte: Facebook

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