domingo, 20 de novembro de 2016

Iniciativas nacionais para ensinar mulheres a programar


Apontada por muitos como parte das profissões do futuro, o programador é uma figura cada vez mais comum dentro das empresas, seja lá qual for o ramo dela. Mesmo a oferta de programadores não sendo muito grande, boa parte desses profissionais são homens. Segundo a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), feita em 2009, apenas 20% das 500 mil pessoas que trabalhavam com tecnologia no Brasil eram mulheres. A situação não muda lá fora: o Google conta com 30% de mulheres, mesmo número para Facebook, Apple e Twitter. E se esse cenário já é ruim, ele não parece melhorar em breve: no Brasil, só 15% dos estudantes de computação são mulheres. Outra pesquisa, da Harvard Business Review, apontou que 41% das mulheres que optam pela área acabam desistindo, contra apenas 17% dos homens.

Os dados são reflexo de uma área que está longe de ser inclusiva com as mulheres. Para tentar melhorar um pouco isso, algumas empresas de tecnologia estrangeiras estão usando uma tática utilizada nas ligas de futebol americano, chamada de Rooney Rule. Para todos os cargos, companhias como Facebook e Pinterest precisam entrevistar pelo menos uma mulher. “É um mecanismo para as pessoas serem mais inclusivas na hora de contratar”, disse Ellen Pao, CEO do Reddit, ao Wall Street Journal. Recentemente, ela ajudou a fundar o Project Include, uma ferramenta para aumentar a diversidade no ramo da tecnologia.

Como mostra o The Wall Street Journal, o problema dessa regra é a efetividade, já que ela não foca necessariamente em quantas mulheres são contratadas e nem em quantas ficam na empresa. Isso por que segundo o estudo da Harvard Business Review, quando há uma mulheres em um grupo de candidatos homens, as chances dela ser contratada é zero, segundo as estatísticas. A regra Rooney tem esse nome graças ao dono do time Pittsburgh Steelers, Dan Rooney, que forçou a liga a entrevistar pelo menos um candidato da minoria para os cargos mais altos. Desde que foi implementada, em 2003, o número de técnicos negros aumentou. Em 2016, a NFL anunciou que iria expandir a regra para as mulheres em cargos executivos.

Outras iniciativas têm sido apoiadas por mulheres: Melinda Gates, mulher de Bill Gates, sempre esteve por trás da Bill and Melinda Gates Foundation, uma instituição filantrópica que já doou milhares de dólares para a caridade. Agora, sua nova missão será focada em ajudar a colocar mais mulheres nas empresas de tecnologia. Em entrevista ao Backchannel, ela conta que sua ideia é investir na educação, políticas de empresa e focar também na licença-maternidade.


Cinco iniciativas brasileiras para mulheres que querem programar


País que cada vez mais aquece quando o assunto é tecnologia, startups e inovação, o Brasil ainda está longe de conseguir acabar com essa diferença entre homens e mulheres nos cargos de TI, mas ao menos conta com algumas iniciativas para tentar amenizar esses problemas. Conheça algumas iniciativas:

Programaria
Debates, inspiração e educação são os três pilares da Programaria, iniciativa criada pela jornalista Ian Chan. Além de organizar workshops, palestras e hackathons, a Programaria também oferece cursos. No primeiro montado pelo projeto, foram quase 1.000 interessadas para uma turma de apenas 30 alunas. Segundo o site da iniciativa, a grande missão é “empoderar meninas e mulheres por meio da tecnologia”.

MinasProgramam

Assim como o Programaria, o MinasProgramam nasceu a partir da constatação da baixa presença de mulheres na tecnologia. Há três maneiras diferentes de participar da iniciativa: com o curso básico, que envolve introdução à lógica de programação e desenvolvimento web; tutoria, destinada a mulheres com entendimento básico no assunto e que podem aperfeiçoar seus conhecimentos; e, por último, as oficinas, que estão abertas para o público geral e que trazem temas como WordPress, CSS, HTML, PHB, e outros assuntos.

PyLadies

O PyLadies é uma comunidade mundial que pretende instigar mulheres a entrarem na área da tecnologia. Há várias ramificações do PyLadies pelo Brasil: Natal, Recife, Fortaleza, Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Florianópolis, São Carlos, Curitiba e Salvador são algumas das cidades envolvidas no projeto. Elas oferecem eventos e oficinas sobre diferentes temas.

Women Up Games


Criada pela desenvolvedora Ariane Parra, a Women Up Games é uma iniciativa que promove palestras, competições, workshops e oficinas numa tentativa de aproximar mulheres do universo dos games. Assim como na programação, é muito mais difícil para as mulheres conquistarem espaço nesse mundo — seja desenvolvendo ou jogando.

MariaLab


É uma consequência lógica: com mais homens como desenvolvedores, programadores e em cargos executivos na tecnologia ou em startups, ambientes como hackerspaces são frequentados em sua maioria por homens. Para criar um ambiente mais confortável para as mulheres, foi criado o MariaLab, um coletivo que se dedica a listar hackerspaces exclusivos para mulheres ao redor do mundo.


Fonte: Portal IQ Intel

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