domingo, 6 de novembro de 2016

Brasil é o 5º país com mais mortes de jornalistas em 2015, diz UNESCO


O trabalho como jornalista continua a ser perigoso em muitas regiões do mundo, mostrou relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) divulgado na quarta-feira (2), Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas.

Segundo o documento, 115 jornalistas foram assassinatos no ano passado, um aumento frente aos 98 profissionais mortos no ano anterior. Tratou-se do segundo ano mais mortífero da última década depois de 2012, quando houve 124 assassinatos. Nos últimos 10 anos, ao menos 827 profissionais foram assassinados no mundo.

No Brasil, sete profissionais morreram em 2015, frente a seis no ano anterior. O país ocupou a quinta posição entre os países com maior número de mortes de jornalistas, igualando-se ao México e ao Sudão do Sul, perdendo apenas para Iêmen, França, Iraque e Síria.

“O aumento (do número total de mortes) ocorreu por conta de um só evento — o assassinato de oito jornalistas durante o ataque terrorista contra o jornal satírico francês Charlie Hebdo”, disse o relatório, lembrando que, na ocasião, o ataque foi condenado e classificado como “sem precedentes” pela UNESCO.

Houve também um leve aumento no número de jornalistas mulheres assassinadas, que passou a uma média de nove por ano comparado a uma média de quatro em anos anteriores. No entanto, os homens continuam representando a maior parte das vítimas de ataques fatais: 92% dos casos em 2014 e 2015.

O menor número de mulheres reflete sua menor representação nas organizações de mídia e o fato de que menos mulheres cobrem zonas de conflito. “Os assassinatos são, no entanto, apenas a ponta do iceberg, já que as mulheres enfrentam ameaças baseadas em gênero, como assédio sexual e violência, que não estão refletidas nessas estatísticas”, afirmou o documento.

A categoria de jornalistas mais visados pelos criminosos na última década são os profissionais de mídia impressa. Em 2014 e 2015, no entanto, a maior parte dos jornalistas mortos trabalhavam para emissoras de TV. Um leve aumento foi verificado no ano passado no número de jornalistas de veículos online mortos (21 casos), comparado a apenas dois casos em 2014. Quase a metade dessas vítimas eram jornalistas sírios e blogueiros que cobriam o conflito no país.

Quase 90% das vítimas do biênio eram jornalistas locais, confirmando uma tendência observada ao longo da última década. Jornalistas freelancers, que trabalham de forma independente e frequentemente sem as proteções adequadas, são considerados o grupo mais vulnerável. Quarenta jornalistas freelancers operando online foram mortos em 2014-2015, representando 19% dos casos.

“Um importante passo para combater os altos níveis de assassinatos de jornalistas é combater a impunidade, que perpetua um ciclo de violência contra esses profissionais”, disse a agência da ONU no documento.

Desde 2006, a UNESCO tem pedido para os países enviarem informações sobre investigações relativas às mortes de jornalistas. Até o fim de 2015, 59 dos 70 Estados-membros responderam às solicitações ao menos uma vez, entre eles o Brasil, enquanto 11 nunca enviaram resposta.

A UNESCO recebeu até agora informações sobre 402 casos sendo investigados pelos países-membros, dos quais apenas 63 foram reportados como resolvidos, representando apenas 16% dos casos para os quais foram recebidas informações, e 8% do total de 827 casos registrados na última década.

Leia aqui o relatório completo (em inglês).


Fonte: Portal da ONU

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