domingo, 9 de outubro de 2016

Pobreza extrema ameaça desenvolvimento de 249 milhões de crianças com menos de cinco anos


Em países de baixa e média renda, 43% das crianças com menos de cinco anos de idade — ou 249 milhões de meninos e meninas — correm alto risco de terem seu desenvolvimento comprometido por viverem em situação de extrema pobreza e por terem uma baixa estatura para a idade.

Apesar do contingente considerável, melhorar a qualidade de vida desses jovens custaria apenas 50 centavos de dólar por criança ao ano, quando considerados os investimentos em intervenções complementares aos serviços de saúde já existentes.

As conclusões são de uma série especial do periódico científico The Lancet publicada nesta semana (4) e elaborada com apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS), do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e do Banco Mundial.

Os estudos apontam que, com o nível atual de investimentos na primeira infância, indivíduos perdem cerca de um quarto da renda média anual na idade adulta, enquanto países chegam a dobrar os gastos do Produto Interno Bruto (PIB) com saúde e educação.

A pesquisa mostra ainda que o cérebro infantil se desenvolve com maior rapidez no período que vai dos dois aos três anos de idade do que em qualquer outro momento da vida. Esses primeiros anos de vida são também um período crítico de adaptabilidade e de resposta a intervenções de saúde.

A falta de nutrição, de estimulação e de proteção adequadas tem efeitos nocivos que podem repercutir em longo prazo nas famílias e nas comunidades.

O vice-presidente do Banco Mundial, Keith Hansen, ressaltou que “a ciência e a economia são claramente a favor de investir nos primeiros mil dias de vida, começando na gravidez”.

“Se não fazemos isso, as crianças demoram a chegar à escola e sofrem toda uma vida de desvantagens. Mas se fazemos, podemos alcançar uma diferença extraordinária em sua capacidade para participar plenamente nas economias futuras como cidadãos ativos e produtivos”, enfatizou.

O professor e coautor da série, Stephen Lye, explicou que “historicamente, as intervenções para a primeira infância se concentram nas crianças em idade pré-escolar”.

“Entretanto, agora sabemos que as intervenções que incluem o período anterior à concepção e os primeiros dois anos de vida podem reduzir de forma significativa os efeitos adversos sobre o crescimento e a saúde e ajudam as crianças a alcançar seu pleno potencial do ponto de vista de desenvolvimento”, disse.

Para o diretor-executivo do UNICEF, Anthony Lake, é necessário “converter os resultados da ciência em um chamado de alerta porque o desenvolvimento de milhões de crianças corre perigo”.

“Nenhum país pode correr o risco de perder quase a metade do potencial cerebral de seus cidadãos mais jovens – e menos ainda os países de baixa e média renda”, afirmou o chefe da agência da ONU.


Redes de saúde

A série destaca o protagonismo do setor de saúde na promoção do cuidado e da atenção às crianças de até cinco anos de idade. Pesquisadores assinalam também os resultados positivos de programas de intervenção de baixo custo que complementam as redes já disponíveis. É o caso de iniciativas do UNICEF e da OMS, como a Care for Child Development e a Reach Up and Learn.

Os autores propõem medidas que a comunidade mundial pode adotar para expandir os serviços de atendimento à primeira infância.

Entre as recomendações, estão a criação de ambientes acolhedores onde famílias podem dar atenção a crianças pequenas; fortalecer serviços já existentes de nutrição, educação e proteção; e ampliar o monitoramento e a responsabilização das iniciativas voltadas para o desenvolvimento dos jovens de até cinco anos.

Os pesquisadores lembram ainda que investimentos nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas também podem aumentar a oferta de atendimento à primeira infância. A Agenda 2030 pode servir como catalisador de recursos.

“Investir em crianças pequenas é um imperativo moral, econômico e social. Os ODS oferecem uma perspectiva promissora para a saúde das crianças e adolescentes, mas é necessária vontade políticas e maiores investimentos no desenvolvimento na primeira infância para que essas ambiciosas metas possam ser cumpridas”, disse a diretora-geral da OMS, Margaret Chan.

“As intervenções a favor da primeira infância não beneficiarão apenas as crianças de hoje; também repercutirão diretamente na estabilidade e prosperidade futuras dos países”, acrescentou.


Fonte: Portal da ONU

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