domingo, 30 de outubro de 2016

ONU: 90% das mortes devido a desastres acontecem em países de renda baixa e média


Novo relatório do Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres (UNISDR) divulgado neste mês (13) destacou que, ao longo dos últimos 20 anos, 90% das 1,35 milhão de pessoas que morreram em mais de 7 mil desastres são de países de baixa e média renda.

De acordo com o relatório “Pobreza e Mortes: Mortalidade em Desastres (1996-2015)”, lançado este mês para marcar o Dia Internacional para a Redução de Desastres (13 de outubro), o Haiti está no topo da lista de fatalidades. O país contabilizou 229.699 mortos devido a desastres nas últimas duas décadas. O documento tem dados anteriores ao Furacão Matthew, que deixou mais de mil mortos na ilha caribenha.

Em seguida estão Indonésia (182.136) e Mianmar (139.515). Nenhum país de rendimento elevado ficou entre os 10 primeiros da lista.

Em geral, terremotos e tsunamis são os que causam mais vítimas fatais, seguidos de perto por desastres relacionados ao clima.

“Neste Dia Internacional, peço que todos os governos trabalhem conjuntamente com a sociedade civil e com o setor privado, a fim de mudarmos da gestão de desastres para a gestão de risco. Vamos sair da cultura de reação para uma cultura de prevenção e de resiliência através da redução de perdas de vida”, sublinhou o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, em sua mensagem para marcar o dia.

“Enquanto os países de renda alta sofrem grandes perdas econômicas em desastres, os países de baixa renda pagam com suas vidas”, acrescentou.



O dirigente máximo da ONU disse ainda que a erradicação da extrema pobreza – o primeiro Objetivo de Desenvolvimento Sustentável – é essencial para reduzir o risco de catástrofes.

O documento apontou, no entanto, que os países de alta renda figuram na lista dos 20 desastres mais mortais.

A onda de calor na Europa, em 2003, que deixou muitos mortos na Itália, na França, na Espanha e na Alemanha, e o terremoto que atingiu o Japão em 2011 representam mais de 83 mil vidas perdidas.

O chefe do UNISDR, Robert Glasser, chamou a atenção para a crescente influência da mudança climática e das desigualdades em desastres.

“A grande maioria das mortes relacionadas ao clima ocorre em países de baixa e média renda que contribuem menos para as emissões de gases de efeito estufa. Esses países também suportam o peso das mortes do terremoto”, frisou.

A diretora do Centro para a Pesquisa sobre a Epidemiologia de Desastres (CRED), Debarati Guha-Sapir, destacou que as estatísticas apresentadas no relatório impactam na capacidade de atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) até 2030.

Embora o relatório indique as tendências gerais, ela advertiu que “não apresenta o quadro completo, pois há lacunas na comunicação sobre a mortalidade de desastres, particularmente para as ondas de calor que se tornaram muito mais prevalente nos últimos vinte anos”.

Glasser citou alguns exemplos de esforços bem-sucedidos para a redução da mortalidade em desastres, tais como as medidas empreendidas pelo Ministério da Saúde da Nigéria para conter a propagação do ebola; a resposta do Ministério de Gestão de Calamidades de Fiji ao ciclone Winston no início de 2016, entre outros.


Fonte: Portal da ONU

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