segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Com o apoio da ONU, TV Brasil exibe reportagem sobre morte materna


O programa “Caminhos da Reportagem” conta nesta quinta-feira (20) cinco histórias de mulheres que perderam a vida por diferentes causas, mas todas com algo em comum — envolviam gestação, parto ou puerpério (até 42 dias após o término da gravidez). Familiares lembram as dificuldades que as vítimas enfrentaram para obter atendimento médico e falam sobre a luta por justiça.

“Morte materna: histórias de dor e saudade” será exibido às 20h50 desta quinta-feira e mostrará os desafios para a humanização dos serviços de saúde pública e, ainda, relembrar a história de Alyne Pimentel, que faleceu aos 26 anos no corredor de um hospital no Rio de Janeiro aguardando um leito. Uma história de omissão e descaso que levou o país a ser condenado pelo Comitê para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres (CEDAW).

O documentário foi produzido com o apoio da ONU Mulheres Brasil e do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), com a assessoria técnica da Organização Pan-americana de Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS).

Na próxima terça-feira (25), o “Caminhos da Reportagem” receberá o Prêmio de Jornalismo Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos como melhor documentário jornalístico pelo programa “Mulheres do Zika”, produzido em cooperação com a ONU Mulheres, UNFPA, Secretaria de Políticas para as Mulheres e apoio técnico da OPAS/OMS, veiculado em julho passado.


Problema global

A morte materna ocorre durante a gestação, o trabalho de parto ou em até 42 dias após o término da gravidez, no período chamado puerpério. É causada por qualquer fator relacionado ou agravado pela gravidez ou por medidas tomadas em relação a ela.

O Brasil não alcançou a meta de redução de mortalidade materna recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de 35 mortes para cada 100 mil nascidos vivos. Embora o país tenha conseguido reduzir os índices, ainda registra, em média, 62 mortes para cada 100 mil nascidos vivos. Os estados que lideram esses índices são Bahia, Pará, Maranhão e Rio de Janeiro.

Narrativas de vida

Entre os casos a serem contados pela reportagem está o de Nayres Rodrigues. A jovem de 19 anos vivia em Alcântara, no Maranhão e, em 2015, faleceu durante o trabalho de parto. O bebê também não sobreviveu. A jovem mãe foi enterrada com o filho ainda na barriga e, mais de um ano depois, a família aguarda o laudo da exumação do corpo e ainda busca entender o que aconteceu.

Também no Maranhão, o programa revela as dificuldades que as gestantes enfrentam para ter acesso aos serviços básicos de saúde. Em locais improvisados — como escolas e casas cedidas pelos próprios moradores —, a equipe da Força Nacional de Saúde oferece atendimento à população do interior do estado.

Catiane Alves, 25 anos, é estudante, está grávida do sexto filho e sua gestação é de alto risco. Além de ter de esperar a visita de algum médico na região, precisa do irmão para levá-la de moto ao local do atendimento, que acontece distante de sua residência.

“A gente observa nos povoados que a gente já andou uma dificuldade de acesso ao serviço de saúde. Até pelo ambiente mesmo, que é cheio de rios, dunas, o posto é longe, o pessoal não tem condição de se deslocar”, disse a enfermeira Flávia Rodrigues, que atua na Força Nacional de Saúde.

Saúde das mulheres

De acordo com a médica obstetra Esther Vilela, coordenadora da área técnica de saúde da mulher do Ministério da Saúde, “a grande questão da morte materna é o grau de evitabilidade”, ou seja, em torno de 92% dessas mulheres que morreram por questões maternas não precisariam ter morrido. “Isso causa nas famílias uma grande dor e em nós também, gestores, profissionais de saúde, ninguém quer que uma mulher morra decorrente da morte materna”, declarou.

De acordo com o Sistema de Informação sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde, as principais causas de morte materna no Brasil são hipertensão, hemorragia, doenças cardiovasculares, infecção no pós-parto e aborto clandestino.


Fonte: Portal da ONU

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