segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Ame os seus ossos: proteja o seu futuro – Dia Mundial da Osteoporose


Na data em que se assinala o Dia Mundial da Osteoporose, doença que afeta um grande número de pessoas em todo o mundo (mais de 200 milhões a nível mundial e cerca de 800 mil em Portugal) diversas são as ações de esclarecimento que decorrem subordinadas ao tema “Ame os seus ossos: proteja o seu futuro”, com o objetivo de alertar para uma patologia que, segundo os especialistas, não deve ser assumida como parte integrante do processo de envelhecimento. Estima-se que ocorra uma fratura óssea a cada três segundos, sendo as fraturas da coluna vertebral e do colo do fémur aquelas que poderão acarretar consequências de maior morbilidade e até mortalidade.

Pelos seus traços característicos ligados à diminuição da densidade mineral óssea (DMO), bem como às alterações do tecido ósseo, esta doença deve ser combatida ao longo da vida, através de um consumo adequado de nutrientes e vitaminas que sejam condizentes com uma boa saúde óssea. De acordo com os dados do EpiReumaPt, a prevalência desta doença em mulheres pós-menopáusicas com mais de 50 anos é de 39%.

A APOROS (Associação Nacional Contra a Osteoporose), fundada em 1994, tem desenvolvido o seu trabalho em torno de um maior esclarecimento desta patologia, tendo como principais objetivos defender e apoiar os doentes com osteoporose, divulgar o conhecimento da doença e fomentar a sua prevenção, promover a assistência e a investigação médica, bem como alertar as autoridades de saúde e responsáveis governamentais de forma a serem tomadas as medidas necessárias nas áreas da prevenção e diagnóstico precoce.

Diversas têm sido as formas de alertar para o problema da osteoporose junto da população: reuniões junto do grande público, com profissionais de saúde não médicos, elaboração de folhetos informativos sobre aspetos gerais, alimentação, exercício, tratamento e prevenção das quedas, construção de cartazes e de spotstelevisivos, realização de rastreios e de estudos epidemiológicos, envio do boletim informativo e iniciativas no Dia Mundial da Osteoporose.

No plano internacional, a APOROS é membro efetivo do Comité das Associações Nacionais da International Osteoporosis Foundation (IOF), integra o projeto do Parlamento Europeu “Call to Osteoporosis Action”, o qual é composto por peritos e decisores de saúde dos vários estados-membros, com o objetivo de elaborar estratégias práticas e economicamente eficazes com vista à melhoria do acesso ao diagnóstico e ao tratamento desta patologia.

Também a Associação Portuguesa de Osteoporose (APO) desenvolveu, este ano, diversas iniciativas tais como a 2.ª edição da Festa da Saúde, na Rotunda da Boavista, Porto, evento dinamizado com palestras, rastreios para maiores de 35 anos e conversas com especialistas. O segundo dia de iniciativas foi marcado pela 7.ª Corrida e Caminhada dos Ossos Saudáveis (8 e 5 km respetivamente), ações subordinadas ao mote “Avaliar, alimentar e exercitar a estrutura óssea”.


Terapêutica da osteoporose na mulher pós-menopáusica

A diminuição da massa óssea é uma realidade para um elevado número de mulheres pós-menopáusicas e as consequências desta patologia no dia a dia são motivo de preocupação dos especialistas, particularmente pela perda de qualidade de vida implícita.

“Algumas mulheres vivem cerca de trinta anos numa fase pós-menopáusica. Ora, durante esse tempo, as necessidades e os problemas diferem um pouco, à medida que a idade avança” explica a Dra. Eugénia Simões, reumatologista e responsável da consulta de doenças ósseas metabólicas do Instituto Português de Reumatologia (IPR), a propósito das fases da vida da mulher pós-menopáusica, que se inicia a partir de um ano após a última menstruação.

Os sintomas iniciais da menopausa pouco ou nada têm que ver com a componente óssea: surgem, não raras vezes, ao nível vasomotor, urogenital (com atrofia) e no plano das alterações de humor e do sono. “Nesta fase, o mais importante em termos de saúde é adotar um comportamento que promova um osso saudável, o que de um modo geral deveria ser comum ao longo da vida: é essencial evitar o sedentarismo e incrementar o exercício físico com algum impacto (como a marcha, a corrida e o ginásio, por exemplo). Também é preciso assegurar um bom aporte de cálcio e vitamina D, o que não depende apenas da alimentação, sendo muitas vezes necessário recorrer a suplementação. Se a mulher não tiver adotado anteriormente este estilo de vida saudável, deve dar esse passo, que é necessário à mudança, durante a menopausa”, defende a especialista.

Nos primeiros quatro a cinco anos do período de pós-menopausa assiste-se a uma deterioração da saúde da mulher, “o que não significa necessariamente que ela tenha osteoporose naquele preciso momento”. A perda de massa óssea inicia-se logo a partir dos 35 anos, havendo uma perda gradual que se torna mais abrupta depois da menopausa.

Em termos de tratamento, é o perfil clínico da mulher que dita a aplicação do algoritmo terapêutico para a osteoporose pós-menopáusica. Nas mulheres ainda jovens, mas com fatores de risco associados, tais como antecedentes familiares de osteoporose (fraturas do colo do fémur parentais), se tiver ocorrido uma fratura (particularmente de baixo impacto ou com um traumatismo mínimo), perturbações na tiroide, mal absorção, utilização de medicamentos como corticoides, haverá um risco aumentado de osteoporose. Nestas mulheres, há indicação para ser efetuada uma densitometria óssea e, na presença de uma osteopenia ou osteoporose, há indicação para tratamento farmacológico. “A aquisição e a quantidade de massa óssea que temos é, em grande parte, determinada geneticamente”, sublinha, acrescentando que, “se a mulher tiver uma densidade mineral óssea normal ou uma osteopenia, deve ser incrementado um estilo de vida saudável, ao mesmo que tempo que é assegurado um bom aporte de cálcio e de vitamina D”.

Se, por outro lado, se trata de uma mulher com baixa densidade mineral óssea e/ou fatores de risco associados, a opção deve centrar-se na terapêutica farmacológica, a par da suplementação de cálcio e de vitamina D. Nestes casos, há vários fatores que pesam na opção pela terapêutica hormonal de substituição: a idade, o perfil, situações de fratura numa fase pós-menopáusica recente, sintomas vasomotores e urogenitais, variações de humor e de sono. Na opinião da Dra. Eugénia Simões, e apesar de não se tratar de um tratamento de primeira linha, “é possível propor, durante quatro ou cinco anos, este tipo de terapêutica a mulheres ainda jovens, com sintomas vasomotores e que tenham, por exemplo, uma situação de osteopenia. Se se trata de uma mulher mais velha e que não sofre de sintomas vasomotores, com osteoporose ou osteopenia (sobretudo a nível vertebral), podemos propor um agonista de estrogénio a nível ósseo (um SERM), classe da qual faz parte o raloxifeno”.

No grupo de mulheres a partir dos 65-70 anos, é comum haver valores baixos de densidade mineral óssea ao nível do colo do fémur. “O mais importante para o clínico é prevenir a fratura [do colo do fémur], a qual continua a ser a fratura osteoporótica com consequências de morbilidade e mortalidade mais graves. Nestes casos, a terapêutica de primeira linha é a classe dos bifosfonatos”, refere a especialista do IPR, acrescentando que, em alternativa “no caso de mulheres que poderão apresentar algum tipo de sensibilidade a esta classe terapêutica, o ranelato de estrôncio é uma boa opção, tendo sempre alguma precaução quando propomos esta opção, particularmente no caso de mulheres com risco cardiovascular elevado”. Neste grupo de idade mais avançada é igualmente importante a atividade física e a prevenção de quedas, com recurso a um ensino esclarecedor, para que estas mulheres encontrem formas de evitar as quedas, evitar as superfícies pouco estáveis, desniveladas ou pouco iluminadas dentro da própria casa.

“Existe um outro fármaco, o único desta classe aprovado em Portugal, que tem como característica principal o facto de ser osteoformador, não diminuindo a reabsorção óssea: a teriparatida, indicada para um período de tempo de 18 a 24 meses em mulheres com osteoporose grave, densidade mineral óssea muito baixa ou diagnóstico de fraturas vertebrais. Nestes casos, é legítimo o médico tratar primeiro com um medicamento osteoformador e depois com um antirreabsortivo como o bifosfonato”, assegurou a reumatologista.

Para o futuro, a Dra. Eugénia Simões defende que o principal desafio é “escalonar e poder escolher o melhor tratamento para o doente e, sobretudo, tomar a melhor opção tendo em conta a fase da vida daquela doente. É essencial avançar em termos de segurança. Interessa termos fármacos igualmente eficazes mas em que não se coloquem dúvidas sobre as questões de segurança, sobretudo a longo prazo”.


Fonte: Jornal Médico (Portugal)

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