segunda-feira, 8 de agosto de 2016

ONU Mulheres: participação feminina aumentou nas Olimpíadas, mas governança ainda é masculina


A presença das mulheres entre os atletas dos Jogos Olímpicos aumentou nas últimas décadas, mas ainda é preciso ampliar sua representatividade nos cargos administrativos das instituições de governança do esporte no mundo, afirmou a diretora-executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka, que participou nesta sexta-feira (5) do revezamento da tocha olímpica no Rio de Janeiro.

“As Olimpíadas melhoraram muito em termos de participação das mulheres em todos os esportes. Atualmente, o número de atletas mulheres está em quase 50%”, disse Phumzile. “Mas ainda podemos melhorar em termos de (participação das mulheres na) administração, tanto no nível nacional como internacional”, completou.

Enquanto nos Jogos de Paris de 1900 havia apenas 22 mulheres em um total de 977 atletas, as Olimpíadas de Londres, em 2012, foram os primeiros jogos em que elas competiram em todas as modalidades. Na Rio 2016, cerca de 4,7 mil mulheres – 45% de todos os atletas – representarão seus respectivos países em 306 eventos.

Nos cargos diretivos do esporte, no entanto, a representatividade das mulheres ainda é baixa globalmente.

Para Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres no Brasil, as mulheres estão mais empoderadas para entrar e permanecer na prática esportiva, apesar de o cenário ainda ser muito mais difícil para elas devido a fatores como estereótipos de gênero. “Agora temos 45% de mulheres entre os atletas. Esperamos que chegue a 50%”, disse Nadine.

Uma das principais iniciativas da ONU Mulheres no Brasil envolve justamente a prática esportiva. Trata-se do projeto “Uma Vitória Leva à Outra”, cujo objetivo é criar espaços seguros nas cidades brasileiras para que meninas com idade média de dez a 14 anos possam praticar esportes. A meta é chegar a 2,5 mil meninas até o ano que vem.

“As meninas e mulheres estão fazendo um excelente trabalho como campeãs. Estão mostrando liderança e excelência. Estamos felizes com o fato de a ONU Mulheres estar aqui para inspirá-las a continuar nos esportes, porque muitas meninas desistem quando chegam à puberdade. Queremos garantir que não perderemos campeãs”, declarou Phumzile.

No projeto “Uma Vitória Leva à Outra”, a ONU Mulheres aborda questões de igualdade de gênero com as jovens participantes durante oficinas com psicólogas ou assistentes sociais. Elas também aprendem a administrar melhor seu dinheiro e recebem informações sobre saúde reprodutiva, liderança e assertividade, disse Phumzile.

“Nos últimos meses que estivemos com essas meninas, vimos as mudanças ocorridas, mas temos que tornar esses benefícios maiores, para que as mulheres sejam informadas sobre as leis que as protegem e que tenham confiança em usar a lei em seu benefício”, disse ela.


Revezamento da tocha olímpica

Como parte dos eventos ligados aos Jogos Olímpicos do Rio, a diretora-executiva da ONU Mulheres participou nesta sexta-feira do revezamento da tocha olímpica no Jardim Botânico, zona sul da cidade. A adolescente Thaiza Vitória da Silva, de 15 anos, também caminhou com a tocha posteriormente em Ipanema, ao lado do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

Thaiza faz parte do projeto “Uma Vitória Leva à Outra” na Vila Olímpica de Mato Alto, em Jacarepaguá, onde jogahandball. No revezamento da tocha em Ipanema, ela representou as cerca de 400 meninas do programa, poucas horas antes da cerimônia de abertura dos Jogos.

Questionada sobre como se imagina nas próximas Olimpíadas de Tóquio, em 2020, Thaiza disse que seu desejo é continuar nos esportes. “Eu pretendo estar na seleção brasileira ou jogando em algum lugar, mas ainda no handball”, disse a menina antes de participar do revezamento da tocha com o chefe da ONU.


Dez anos de Lei Maria da Penha

A discussão sobre a participação das mulheres nos Jogos Olímpicos ocorre em meio ao aniversário de dez anos da Lei Maria da Penha, como é conhecida a lei número 11.340, de 7 de agosto de 2006, que visa a aumentar o rigor das punições sobre crimes domésticos.

Para a representante da ONU Mulheres no Brasil, Nadine Gasman, a lei é importante para proteger as mulheres assim como para “desnaturalizar” a violência doméstica. No entanto, existe a necessidade de mais investimentos na aplicação dessa legislação.

“O grande problema é a implementação, não tem se desenvolvido especialmente nos níveis municipal e estadual tudo o que a lei precisa, desde a área de Justiça, atendimento, apoio, ainda precisa de investimentos, aprimoramentos”, afirmou.

Para ela, é necessário que as políticas públicas trabalhem a concepção integral da lei. “Partes da legislação referem-se a educação, sobre como prevenir (a violência) por meio das perspectivas de gênero, falar nas escolas, etc, o que não tem sido adaptado”, completou.

Desde a sua criação, em 2005, a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 realizou 4,5 milhões de atendimentos no Brasil, segundo dados citados pela ONU Mulheres. Ao longo de dez anos, foram prestadas mais de 1,6 milhão de informações sobre violência doméstica pelo Ligue 180.

De maneira geral, os encaminhamentos a serviços da Rede de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres constituem a segunda maior demanda do Ligue 180, cerca de 820 mil encaminhamentos, seguidos pelos relatos de violência – cerca de 550 mil.

Em 2013, pesquisa do Instituto Patrícia Galvão e do Data Popular apontou que 98% dos brasileiros conhecem, mesmo de ouvir falar, a Lei Maria da Penha. Oitenta e seis por cento acham que as mulheres passaram a denunciar mais os casos de violência doméstica após a lei. Para 70% dos entrevistados, a mulher sofre mais violência dentro de casa do que em espaços públicos.


Fonte: Portal da ONU

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