segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Laqueaduras: situação financeira foi a principal justificativa para mulheres que se submeteram ao procedimento


No Amazonas, a maioria das laqueaduras das trompas, deste ano, 82%, foi realizada em mulheres com apenas dois filhos. Em todo ano passado, 284 mulheres optaram pela esterilização definitiva. Já no primeiro semestre deste ano, 165 delas haviam feito a ligação das trompas, segundo a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam). A situação financeira é a principal justificativa para as mulheres se submeterem ao procedimento para evitar a gravidez, segundo técnica do Departamento de Controle e Avaliação da Saúde da Mulher da Susam, Mara Rodrigues.

Este ano, conforme os dados da Susam, 26.819 crianças nasceram no Estado, uma média de seis nascimentos, por hora. Em 2015, a secretaria, registrou a média de 205 novos bebês a cada dia.

Tomar a decisão definitiva de não ter mais filhos também cabe ao homem. Por meio da vasectomia, segundo dados da Susam, 219 homens também optaram pela esterilização, no ano passado, e, este ano, 124 procedimentos de vasectomia já foram feitos, no período de janeiro a junho.

Segundo Ribeiro, os homens buscam a vasectomia por incentivo da mulher. “Geralmente, a mulher tem medo e, nesse caso, a vasectomia é muito menos invasiva e rápida porque a anestesia é local, muitos procedimentos são feitos no ambulatório e nem precisam de internação”, explicou.

O autônomo Helionai Batista Mello, 37, integra a lista de homens que fizeram a esterilização. Pai de três filhos, com o nascimento do terceiro, a esposa tentou realizar a laqueadura, mas, por causa do trabalho e da impossibilidade de comparecer às reuniões obrigatórias, perdeu a oportunidade. Depois de alguns meses, segundo o autônomo, o casal resolveu tentar a vasectomia como método de esterilização.

A situação financeira do casal também foi avaliada na hora da decisão, mas, segundo Mello, o desejo de encerrar o crescimento da família foi maior. “Nós optamos por não ter mais filhos. Claro que a questão financeira pesa para criar um filho, está difícil pela violência, mas, já estávamos no terceiro filho e não queríamos mais”, disse.

De acordo com o Artigo 10, da lei federal nº 9.263/96, “é permitida a esterilização voluntária em homens e mulheres maiores de 25 anos de idade ou, pelo menos, com dois filhos vivos, desde que observado o prazo mínimo de 60 dias entre a manifestação da vontade e o ato cirúrgico”.

A técnica do Departamento de Controle e Avaliação da Saúde da Mulher da Susam, Mara Rodrigues, avalia que a condição socioeconômica é, sim, um dos principais motivos, mas faz um alerta para que, nestes momentos de dificuldade financeira, outras opções oferecidas na rede pública sejam utilizadas.

“A condição social é muito levada em conta. Às vezes, é uma pessoa que vai ter pouca chance de ascensão social, de ingressar numa faculdade, que vive em situação de extrema pobreza. A procura é muito grande, mas, como as pessoas são desinformadas, poderia ser ainda maior. A gente orienta para que procure outros métodos com o uso do Dispositivo Intrauterino (DIU)”, disse.


Cirurgia pode ser feita sem cesariana, lembra técnica

De acordo com a técnica da Susam Mara Rodrigues, o desejo de realizar uma esterilização voluntária não necessariamente tem que partir de uma mulher grávida, isso porque, segundo ela, o procedimento é realizado via umbilical, não tão somente pela cesárea.

“As mulheres associam muito a cesárea com a laqueadura, isso é um mito. A lei prevê um intervalo de 60 dias até o procedimento, até para fazer essa orientação e não correr o risco de arrependimento. Não precisa nem mesmo estar grávida porque (a cirurgia) é por via umbilical, a mulher corre muito menos riscos do que fazendo junto com a cesárea”, informou Mara, ao destacar que o departamento tenta fazer com que o paciente entenda que o procedimento é irreversível e que a questão deve ser seriamente avaliada.

Das 5,1 mil cirurgias cesarianas registradas nos primeiros quatro meses deste ano, 77 foram realizadas para a viabilização de cirurgias de laqueadura tubária, conforme dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus).


Fonte: Jornal D24am

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