terça-feira, 2 de agosto de 2016

Duas décadas de girl power


Em um mercado popular de um país que parece ser a Índia, garotas dançam ao som do hit Wannabe, das Spice Girls. Entre um passo e outro da icônica coreografia, cartazes pedem pelo fim da violência contra as mulheres. Meninas muçulmanas em uma sala de aula dançam felizes, com véus na cabeça e lápis nas mãos, enquanto escrevem no quadro-negro o desejo por educação de qualidade. A descrição não é do clipe que entrou para a história da música pop há 20 anos, mas de uma campanha organizada pelas Organização das Nações Unidas (ONU) em parceria com a Change.org. O feminismo e o conceito de girl power, reforçado pela música da girlband, é um dos focos do movimento. A comemoração de duas décadas do sucesso das Spice Girls levantou a bola: como anda o girl power nos dias de hoje?

As campanhas do Change.org têm como objetivo abordar temas relacionados à discriminação de gênero, violência contra a mulher, representação feminina na política, entre outros. A sugestão do movimento é que os usuários postem uma imagem com cartazes em que dizem o que esperam do futuro do girl power e do feminismo com a hastag #WhatIReallyReallyWant ("o que eu realmente quero", em tradução livre). A ideia é levar as sugestões para líderes mundiais em setembro, no âmbito das Nações Unidas. Embora o girl power não tenha sido cunhado pelas spices Geri Halliwell, Emma Bunton, Melanie Brown, Victoria Beckham e Melanie Chisholm, é inegável que o quinteto deu visibilidade à causa.

Para Clara Daschund, feminista e produtora musical da gravadora norte-americana Sun Studio (conhecido por ser o selo em que Elvis Presley, Johnny Cash, Jerry Lee Lewis e Carl Perkins começaram suas carreiras), o termo Girl Power é importante por soar mais acessível que "feminismo". "Acho que atinge uma faixa etária em que as meninas e os meninos se deparam com muitas inseguranças e estão formando o caráter e a personalidade", opina. Segundo a produtora, a abordagem precoce do tema é positiva, pois traz à tona as implicações de pertencer ao sexo feminino. "Por meio da educação dada às criancas e pela cultura da nossa sociedade, tentam fazer com que as meninas acreditem que não são tão competentes quanto os meninos. (O girl power) representa, então, o conceito mais básico do feminismo", analisa.

Ester Barreto, pesquisadora no Virgo Game Studios, especializado na produção de games para aprendizagem e impacto social e colunista do site Rock Noize, concorda. Para ela, "a popularização do termo, bem como do significado dele, permite a difusão de discussões e conteúdo extremamente importantes para as causas e questões ligadas à equidade de gênero". Dos anos 1990 para cá, porém, o feminismo mudou. Aos 29 anos, Ester lembra bem da educação "de mocinha" que recebeu: professoras e parentes ensinavam "bons modos", que tipo de roupa usar, como disfarçar a menstruação etc. Hoje, protestos de garotas de 13 anos contra a proibição de shorts em sala de aula, como o que aconteceu em uma escola de Porto Alegre em fevereiro deste ano, enchem a especialista de orgulho. "Não só pela manifestação em si (que é um direito), mas, principalmente, pelos argumentos apresentados, pela consciência de que o corpo, a mente e as decisões são delas e devem ser respeitados sempre."


O vídeo 

- Produzido por MJ Delaney para a campanha Project Everyone’s #WhatIReallyReallyWant.

- Participações da banda britânica M.O., da comediante Taylor Hatala, da cantora nigeriana Seyi Shay e da atriz de Bollywood Jacqueline Fernandez.

- Objetivo: chamar a atenção para a equidade de gênero e promover a discussão da causa feminina entre os líderes mundiais.



Fonte: Jornal Correio Braziliense

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