domingo, 28 de agosto de 2016

Apesar da evolução nos últimos 20 anos, esporte feminino é subestimado no Brasil


Neymar ganha próximo de R$ 80 milhões de reais anuais pelo Barcelona. Marta, apenas R$ 2 milhões. Os dois jogadores de futebol são apenas um exemplo das diferenças entre homens e mulheres no mundo esportivo, refletida nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Além do lado financeiro, as agressões verbais são mais fortes do lado feminino como nos casos de Rafaela Silva, durante Londres-2012, que sofreu ataques racistas, e Joanna Maranhão, nesta edição olímpica, que recebeu ofensas sexuais nas redes sociais.

O investimento para a Olimpíada de 2016 mostrou inúmeras diferenças ente os dois gêneros. O futebol é o maior expoente, mas o vôlei e o hóquei na grama mostram que o Brasil está longe de superar uma desigualdade secular no mundo esportivo. No esporte favorito do país, a Rede Globo investe R$ 1,5 bilhão em direitos de transmissão pelo quadriênio (2016 a 2020) do Campeonato Brasileiro masculino, enquanto as meninas recebem apenas R$ 10 milhões da Caixa Econômica para disputarem um torneio nacional.

Outro exemplo é o hóquei de grama, esporte que o Brasil disputa pela primeira vez na Olimpíada, que não terá o time feminino por falta de investimento. Enquanto isso, apesar das derrotas, o masculino teve aporte de R$ 1,1 milhão e treinamentos no exterior.

No vôlei feminino, modalidade bicampeã olímpica, a premiação do Grand Prix pelo título foi de US$ 200 mil (R$ 660 mil), valor abaixo do recebido pelo time de Bernardinho pelo vice-campeonato na Liga Mundial — US$ 500 mil (R$ 1,65 milhão). Na época da conquista, a jogadora Sheila desabafou sobre a situação: “É uma sacanagem. Pronto, já respondi. É um absurdo. Falamos isso desde o meu primeiro Grand Prix. É injusto. E ainda pagavam US$ 250 mil (R$ 825 mil), mas diminuíram”.

Fora do Brasil, a seleção americana conquistou três Copas do Mundo e quatro medalhas de ouro em Jogos Olímpicos, mas recebe menos que os homens nas premiações pagas pela Federação. No último mundial da categoria, as campeãs levaram US$ 3,5 milhões (R$ 10 milhões) contra US$ 9,5 milhões (R$ 30 milhões) pela classificação às quartas de final no Brasil, em 2014, da equipe masculina. Hope Solo e Alex Morgan, principais atletas do time, lideraram um protesto contra a diferença de valores ao longo de 2016.


Agressões verbais são comuns nas redes sociais


Em 2012, Rafaela Silva cometeu uma infração e foi desclassificada na primeira luta do judô. A enxurrada de agressões verbais passaram de qualquer limite: racismo, sexismo e até ataques aos familiares da lutadora. Quatro anos depois, Joanna Maranhão não obteve o resultado aguardado pelos “torcedores” e foi obrigada a ler pessoas desejando que ela sofresse abuso sexual.

Após terminar sua participação nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, Joanna fez um longo e emocionante desabafo em entrevista para o SporTV: “A gente dá duro todo dia. Vocês sabem disso, mas o Brasil é um país machista, um país racista, um país homofóbico, um país xenofóbico. Não estou generalizando, mas essas pessoas existem, infelizmente. E aí, quando elas estão atrás de um computador, elas se acham no direito de fazer essas coisas. Todo mundo tem direito de discordar de meus posicionamentos políticos que são da minoria. Eu não faço parte da maioria. Mas a minha formação, a minha história, fez com que sentisse uma necessidade de me posicionar politicamente. E eu não vou parar. O que eu puder fazer para melhorar meu país de alguma forma, eu vou fazer”.

A diferença entre homens e mulheres acontece também nesse momento. Quantas vezes um jogador não é chamado de “pipoqueiro” pela torcida, mas ninguém deseja que ele sofra ataques sexuais — inúmeras vezes, as esposas ou filhas são o alvo. No caso feminino, o racismo (que também acontece com os homens), comentários ofensivos são pesados, diretos e de uma forma para derrubar a agredida.

Segundo estudo da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, apoiado pela ONU (Organização das Nações Unidas), o Brasil tem 13 mulheres mortes por dia e cinco são agredidas a cada hora. No entanto, essa contagem não leva em consideração aquelas que sofrem ataques verbais ou nas redes sociais.


Fonte: Portal Yahoo! Esportes

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