segunda-feira, 6 de junho de 2016

Mesmo com apoio de maioria, vontade de paz no Oriente Médio é frágil


Segundo estudo conduzido pela Universidade de Tel Aviv, quase 60% da população judaica e mais de 70% dos palestinos são favoráveis à realização de negociações de paz. Esses dados confirmam o amplo consenso, construído ao longo das últimas décadas, de que o conflito palestino-israelense só pode ser resolvido por meio de negociações e com base em uma solução de dois Estados coexistindo.

O enviado da ONU para o Processo de Paz no Oriente Médio, Nickolay Mladenov, disse que embora “a vontade de avançar em direção à paz exista claramente, o que permanece flagrantemente ausente é a vontade política e uma liderança corajosa para tornar real um progresso genuíno”.

Mladenov alertou para a possibilidade de que o prolongamento do impasse diminua o otimismo dessa população que convive há quase 50 anos com a ocupação, mostrando preocupação com a fragilidade da segurança nos territórios.

O representante da ONU afirmou que, apesar de uma tendência de queda, o início de maio viu a maior escalada da violência entre Israel e o Hamas – grupo que governa Gaza – desde o conflito de 2014. Após a descoberta de dois túneis, Israel fez 14 incursões e 13 bombardeios na faixa de Gaza, de onde militantes dispararam 40 morteiros e 8 foguetes contra Israel.


Situação em Gaza é ‘altamente volátil’

O enviado salientou que os palestinos em Gaza estão “cada vez mais desesperados”, vendo suas perspectivas de viver uma vida normal e recuperar sua economia bloqueadas pelo acúmulo militar do Hamas, pelas medidas de segurança e fechamentos impostos por Israel, pela falta da unidade palestina e pelo não cumprimento da ajuda prometida pelos doadores.

Observando que os desafios humanitários em Gaza permanecem grandes, o enviado enfatizou que todos os esforços devem ser feitos para resolver a crise de habitação, eletricidade e de água.

Após 45 dias de intensos esforços pela equipe da ONU, a interrupção da importação de cimento imposta por Israel foi suspensa, disse ele, acrescentando que todos os lados devem garantir que o cimento seja utilizado apenas para fins civis.

Além disso, Mladenov disse que, na “mais recente e preocupante revelação”, o Hamas havia anunciado a sua intenção de implementar uma série de sentenças de morte – o que se confirmou na última terça-feira (31).

As declarações das autoridades de Gaza seguem as demandas de várias famílias para que a pena de morte ser praticada contra indivíduos acusados de matar seus parentes.

Escritório da ONU pede fim da pena de morte na Palestina

O porta-voz Rupert Colville, do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), disse que as sentenças de morte só podem ser executadas em circunstâncias extremamente limitadas e de acordo com um julgamento que siga as normas de um julgamento justo.

Colville acrescentou as execuções foram realizadas sem a aprovação do presidente palestino, Mahmoud Abbas, conforme exigido pela lei palestina – efetivamente negando aos três homens executados o direito de pedir indulto ou comutação de sua sentença.

O direito de pedir indulto ou comutação também está consagrado pelo Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos, que recebeu a adesão da Palestina em 2014, disse o porta-voz do ACNUDH em uma coletiva de imprensa em Genebra.

“Continuamos profundamente preocupados com as execuções planejadas no futuro próximo [e] reiteramos que as sentenças de morte realizadas em conformidade com julgamentos injustos são uma violação do direito internacional”, disse, instando as autoridades de Gaza a suspender as futuras execuções e a manter suas obrigações ao abrigo das legislações nacional e internacional.

“Apelamos ao presidente palestino para estabelecer urgentemente uma moratória sobre a pena de morte, em linha com a tendência global, visando sua abolição”, acrescentou Colville.


Fonte: Portal da ONU

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