terça-feira, 21 de junho de 2016

Massacre contra povo Guarani-Kaiowá segue sob o silêncio do governo


Parece não ter comovido ainda as autoridades de Brasília o conflito de terras envolvendo índios Guarani-Kaiowá, quilombolas e fazendeiros pecuaristas do Mato Grosso do Sul. Denúncias de ataques a crianças, atingidas com balas de borracha e até com fios de arame farpado (foto) repercutem a todo instante, sem que o governo brasileiro se manifeste publicamente contra o massacre. Uma das razões do conflito se dá por conta da inércia do governo na demarcação das terras indígenas. Enquanto não há regulamentação, os fazendeiros utilizam produtos industriais e fertilizantes que contaminam nascentes nas áreas historicamente pertencentes aos Guarani-Kaiowá.

Mas o conflito já deixou, além de feridos e ameaçados, mortos. No dia 29 de agosto, o indígena Semião Fernandes Vilhalva, de 24 anos, foi assassinado no município de Antônio João, a 402 km de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, quando tentava buscar seu filho de 4 anos, no horário que ocorria conflito entre fazendeiros e indígenas.

Semião pertencia à etnia Guarani-Kaiowá, grupo que ganhou a atenção da opinião pública em 2012. Naquele ano, indígenas de outra comunidade Guarani-Kaiowá emitiram uma declaração de "morte coletiva" de 170 homens, mulheres e crianças após receberem uma ordem de despejo decretada pela Justiça de Naviraí (MS).

A liminar foi rapidamente suspensa pela Justiça Federal e a comoção pública em favor desta população tradicional brasileira se dispersou. No entanto, outros problemas dos Guarani-Kaiowá - que viviam no Mato Grosso do Sul até serem expulsos de suas terras nos anos 1940 e 50 - seguem há anos sem resposta.

No município de Antônio João, os Guarani-Kaiowá tiveram a homologação de suas terras em 2005, mas ainda não têm o direito de usufruir de sua área tradicional. Com um processo de disputa da terra parado na Justiça Federal desde 2005, centenas de índios estiveram confinados em menos de 150 hectares, dos 9.317 que foram homologados. O restante da área foi dividida em nove fazendas, em posse de latinfundiários do estado.

Diante da omissão e letargia do governo federal e do Judiciário, os índios ocuparam as fazendas em agosto deste ano. No contra-ataque dos fazendeiros, Semião foi morto a tiros, motos foram incendiadas e o clima de tensão tomou conta da cidade. "Muitas pessoas da comunidade foram espancadas durante o confronto e duas pessoas foram parar no hospital por causa dos ferimentos e dos tiros de balas de borracha", relata a professora indígena Inaiê.

Arte que circula na rede mostra a demarcação forçada dos fazendeiros


Após a reunião com o Ministério da Justiça, ficou estabelecida a criação de uma comissão para iniciar os processos de indenização e a permanência das tropas da Força Nacional até que o clima no município se tranquilize.

Segundo o Cimi, o confronto em Antônio João é mais um exemplo da saga Guarani-Kaiowá pelo reconhecimento de suas terras, cujos processos estão engavetados no Ministério da Justiça ou na Justiça Federal. Para a entidade, a falta de agilidade e de proatividade do governo federal contribui para os agravamentos dos conflitos.


Menino teria sido agredido com arame farpado

*Texto original extraído da rede

Pirrainha Kaiowá atacado com arame farpado por pistoleiros mandados por fazendeiros no MS. É um costume desses pistoleiros atacar as crianças assim. Semana passada mataram mais um líder. Semana passada deram tiro de bala de borracha em neném.


Fonte: Conexão Jornalismo

2 comentários:

Cristina Oliveira disse...

estou voltando da amazônia, APAVORADA! passando sobre o mato grosso só se vê 'agronegócio', a mata toda destruída, exterminada! terrível...e o nosso secretário da agricultura, o maior plantador de soja do mundo, acabando com a exigência de licença ambiental para desmatamentos! ISSO É UMA VERGONHA! E no Amazonas então: índios com nomes americanos, com sua cultura desaparecendo a cada dia, condomínios de luxo na (ex)selva...PAVOR!!!

Fatima Barreto disse...

QUE PAIS É ESSE.
AQUI TEM GRITO DO SILÊNCIO.

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