segunda-feira, 6 de junho de 2016

Enxaqueca aumenta risco de infarto em mulheres, indica estudo


Na lista das doenças incapacitantes do mundo, a enxaqueca pode estar vinculada a complicações médicas que também têm forte potencial para alterar negativamente a rotina de uma pessoa: as cardíacas. Segundo um estudo conduzido por pesquisadores dos Estados Unidos e da Alemanha, as mulheres que sofrem com as crises de dor de cabeça latejante apresentam um risco mais elevado de desenvolver doenças cardiovasculares, como infarto e derrames, se comparadas às não acometidas pela enxaqueca.

“Encontramos um risco cerca de 50% aumentado para doenças cardiovasculares. Essa associação persistiu após o ajuste para fatores de risco vascular tradicionais e foi mais evidente para o infarto do miocárdio, os acidentes vasculares cerebral e coronariano e os procedimentos de revascularização angina e coronária”, detalharam os autores, no artigo divulgado na edição desta semana do British Medicine Journal. A equipe também detectou chances maiores de mortalidade por essas enfermidades nas mulheres que sofrem de enxaqueca.

Para chegar às conclusões, o grupo liderado por Tobias Kurth, do Instituto de Saúde Pública vinculado à Universidade Humboldt e à Universidade Livre de Berlim, analisou informações do Nurses’ Health Study II, uma das maiores investigações sobre os fatores de risco para as principais doenças crônicas em mulheres feito com enfermeiras dos Estados Unidos. A abordagem envolveu dados de 115.541 inscritas no grande levantamento. Elas tinham entre 25 e 42 anos, estavam livres de angina e doenças cardíacas no começo da análise e foram acompanhadas de 1989 a 2011 com enfoque em complicações cardiovasculares e mortalidade vinculadas a elas.

No início do estudo, 17.531 mulheres — 15,2% das participantes — relataram ter recebido o diagnóstico de enxaqueca. Vinte e dois anos depois, 1.329 haviam sofrido de doenças cardiovasculares e 223 tinham morrido devido a esse tipo de enfermidade. As conclusões mantiveram-se após ajustes incluindo fatores que podem aumentar os riscos para as doenças cardíacas, como a idade, o uso de contraceptivos orais, o tabagismo e a terapia de reposição hormonal pós-menopausa.

“Os resultados desse grande estudo de coorte prospectivo apoiam a hipótese de que a enxaqueca é um marcador de aumento de risco de eventos cardiovasculares. Dada a elevada prevalência dessa doença na população em geral, existe uma necessidade urgente de compreender os processos biológicos envolvidos nessa relação com os problemas cardiovasculares para fornecer soluções preventivas aos pacientes”, defenderam os autores, no artigo divulgado.

Mais informações no jornal citado na fonte.


Fonte: Correio Braziliense

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