domingo, 8 de maio de 2016

ONG propõe proibir corruptos na 1ᵃ classe de aviões para combater crime


Uma organização não governamental divulgou uma série de ideias criativas para combater a corrupção – entre elas o banimento de corruptos da primeira classe de voos, mais transparência no comércio de bens de luxo e a criação de um selo anticorrupção para produtos de varejo.

A ideia das propostas da ONG global One é tornar a corrupção um "alvo cultural" e atingir corruptos nas atividades que eles mais gostam.

Uma das principais propostas é criar uma lista negra de corruptos a ser adotada por companhias aéreas. As pessoas da lista seriam impedidas de viajar na primeira classe. Listas semelhantes, de pessoas com histórico de comportamento inapropriado em voos, já existem.

Os ativistas que criaram a ideia dizem que o objetivo é "tornar mais difícil e menos agradável para os corruptos gastar os seus recursos ilícitos".

Os corruptos muito ricos parecem habitar um mundo paralelo, mas poderiam ficar menos presunçosos ao viajar em companhias aéreas de baixo custo, avaliam os integrantes da organização.

A ideia de propostas como essa é dar início a um debate sobre ideias mais criativas para combater a corrupção. O conceito é desafiar o estilo de vida de luxo enquanto se aperta o cerco contra brechas na legislação que facilitam práticas ilegais.


Olho no consumo

Também há ideias baseadas em campanhas de consumo ético. Uma delas é criar um selo atestando que determinado produto foi feito em uma cadeia de produção livre de corrupção.

A organização sugere ainda que sejam adotados processos mais transparentes nas transações e comércio de produtos de alto valor – assim como o fim do sigilo sobre posse desses bens.

Em tese, quando é possível saber quem adquire arte, jóias, carros e outros bens muito caros, compradores podem chamar a atenção para a origem e legalidade dos recursos.

Essas propostas refletem a frustração de constatar que, mesmo quando a corrupção é evidente, os beneficiários, sejam indivíduos ou empresas, parecem passar ao largo de qualquer restrição.

A escala do problema ficou evidente com o escândalo dos Panama Papers, que evidenciou um mundo de poder, política e muita riqueza anônima.

Ativistas da One estimam que a corrupção desvie US$ 1 trilhão dos países mais pobres do mundo.

A organização diz que isso realmente é uma problema de vida ou morte, uma vez que o dinheiro poderia estar sendo gasto, por exemplo, em saúde e alimentação para países em desenvolvimento.

"A corrupção atinge de forma mais dura os mais pobres", diz David McNair, diretor de transparência da One.

Ele afirma ainda que países desenvolvidos não deveriam pensar na corrupção como algo que acontece em países distantes. Também é preciso regular redes financeiras em locais como Londres e Nova York.

A One está tentando convencer o premiê britânico David Cameron a fazer o governo britânico combater o sigilo de donos e beneficiários de empresas e trustes.


Fonte: BBC Brasil (Reino Unido)

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